Seu Pai o Ama Demais

Publicado em: 04/03/2012 Categorias: Arauto / Avivamento no Lar!

Arauto - Ano 16 - nº 04 - Out/Dez 1998

Por: Elmer Klassen

Quando Karl escreveu sua última carta para a esposa ele gravou a data. Era 4/4/44. Depois desta data a luta se intensificou muito no fronte ocidental onde Karl defendia seu país. Ele estava lá porque fora obrigado a escolher entre entrar no exército ou ser executado. Não havia nada que pudesse fazer a não ser deixar seu lar e sua família e obedecer às autoridades superiores.

Nessa época em que recebeu as ordens de se apresentar ao exército, já fazia oito anos que estava casado com Renate, tempo suficiente para ver sua padaria começar a sustentar a família. Deus havia dado ao casal duas crianças, Wolfgang de 5 anos e Brigitta de 3.

A despedida não havia sido nada fácil. O que mais inquietava Karl naquela imagem da família acenando adeus à medida que seu trem se afastava da estação, era a lembrança da amargura e das queixas que Renate expressara contra Deus por ele ter que deixá-la sozinha com as crianças.

Também foi muito difícil para ele deixar o lar e a família por um tempo de treinamento militar, que apesar de muito extenuante, mais tarde, na Rússia, pareceria até como um sonho agradável. No princípio havia comida suficiente, o que tornou os longos meses do inverno suportáveis. À medida que o seu regimento avançava Karl podia ouvir as boas novas no seu rádio de ondas curtas. Isto lhe dava a esperança de que a guerra terminaria logo e que ele poderia voltar para casa.

Mas em abril de 1944 as coisas começaram a mudar. Os relatos no seu rádio começaram a se contradizerem. A luta se tornou cada vez mais sangrenta e mais e mais dos seus companheiros desapareciam. Alguns morreram na sua frente, saindo deste mundo com gemidos de dor, gritando e clamando por Deus. Aqueles que nunca tinham orado, de repente começavam a fazê-lo. Alguns pediram a Karl que orasse por eles, porque não conheciam mais ninguém que orava.

Então numa tarde o fronte se aquietou. Cessaram os ataques do inimigo e Karl observou também que quase todos os seus homens tinham morrido. Ele procurou no seu rádio e ouviu as notícias na rede da BBC: a guerra tinha acabado! As perdas dos alemães tinham sido desastrosas e a divisão de infantaria de Karl foi derrotada e completamente destroçada. Mas Karl ainda estava vivo. Deus havia poupado a sua vida e ele poderia voltar para a sua família.

Mas como? Agora era uma jornada muito longa para casa, através de território inimigo. Apesar da guerra ter terminado, os checos ainda odiavam os alemães com paixão. Karl sabia que chegar em casa antes de outro inverno gelado só seria possível se ele se escondesse durante o dia e caminhasse durante a noite. Ele não poderia mais esperar alimento ou qualquer tipo de ajuda do seu regimento. A despeito do sacrifício ele esperava conseguir chegar de volta para casa, para seu lar e família com vida. A sua oração era que pudesse chegar antes do Natal. Será que sua família estaria esperando por ele?

Depois de muitos dias, semanas e meses, o dia chegou, exatamente na véspera do Natal, quando Karl pôde ver de novo a colina de que se lembrava tão bem. Quando menino seu pai o levava em caminhadas pelos bosques para ensiná-lo sobre as diferentes espécies de pássaros, árvores e outras plantas que havia em áreas onde as árvores haviam sido cortadas para utilização da madeira. Karl sabia que logo que chegasse ao topo da colina, já daria para ver a casa que herdara dos pais e que logo seria novamente seu lar. A primeira visão da casa lhe deu a certeza de que algo especial estava para acontecer naquela véspera de Natal. A casa estava bem iluminada e havia fumaça saindo da chaminé. Será que Wolfgang já estava suficientemente crescido para fazer o que sua mãe lhe pedisse, como trazer lenha para a lareira?

Ao aproximar-se mais da sua casa ele acreditava que logo sentiria o calor de um lar, e que poderia se lavar, e ser amado e admirado. Com toda a certeza ninguém iria se importar com o fato de que fazia semanas que não tomava banho e nem se barbeava. Suas roupas estavam endurecidas de sujeira e cheiravam muito mal.

Quando Karl chegou pertinho da casa, começou a ouvir o som de cânticos de Natal e das risadas. Havia uma alegria tal que ele quase esquecera que existisse. Através da janela grande da sala finalmente dava para ver de novo sua família. Lá estava Wolfgang, que tinha crescido e estava bem alto, e suas risadas lembravam a bela risada de Renate. Brigitta lindamente sentada no sofá e se divertindo ao lado da Renate, que estava sentada ao lado de… Quem era aquele homem que estava comemorando o Natal com a sua família?

Então lhe ocorreu que as notícias da BBC tinham informado que sua divisão de infantaria tinha sido totalmente destruída. Ninguém acreditava que houvesse sobreviventes. Ninguém acreditava que Karl ainda estivesse vivo.

O que é que ele deveria fazer agora? Se pedisse um pouco de comida e algumas roupas poderia destruir um lar feliz. O que seria melhor para a
família que ele amava? Uma família só pode ter um pai. Então Karl deu meia volta e caminhou para dentro da noite.

Rejeitado mas o amor continua

Quando nosso Senhor Jesus Cristo veio para o mundo que criara, pouquíssimas pessoas o reconheceram. Ele procurou seu próprio povo e descobriu que haviam escolhido outro pai (João 8:44). Não restava nada mais para ele fazer senão ir para dentro da noite e esperar por aqueles que quisessem recebê-lo e confessar publicamente que ele era verdadeiramente o Filho de Deus.

A família de Deus reviveu quando Jesus veio para a terra. Houvera diversos  crentes antes, mas a família de Deus estava ausente.

Depois que Jesus reuniu sua família, logo chegou a hora dele deixá-la e ir preparar um lar no céu para eles. Tão logo chegou no céu, enviou-lhes o Espírito Santo para aconselhá-los e conceder-lhes poder para resistir ao inimigo da família. Agora Deus poderia viver com eles e caminhar entre eles, para ser o seu Deus e para eles serem o seu povo. Deus lhes disse: “Retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei. Serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas.”

Entretanto chegou a hora em que alguns dos membros da família começaram a ignorar o Conselheiro. O pecado entrou assim como entrara no mundo logo depois da criação, e novamente mais tarde quando o povo de Deus na sua incredulidade fora atrás de outros deuses. O pecado cegou os olhos de alguns membros da igreja fazendo com que não conseguissem vencer a tentação. Alguns membros da família perderam o seu primeiro amor, outros aderiram aos ensinos de Balaão. Entre aqueles que tinham boas obras, fé e amor, havia alguns que toleraram aquela mulher Jezabel; alguns tinham uma boa reputação de estarem vivos, mas estavam mortos; alguns nem percebiam que estavam freqüentando a igreja de Satanás, afirmando que tinham a salvação, mas eram mentirosos. Havia uma igreja que proclamava ser rica e não necessitar de nada, mas estava em ruínas, digna de dó, pobre, cega e nua. Não demorou muitos anos depois do Pentecostes para Jesus estar novamente à porta da igreja batendo e desejando que alguém ouvisse sua voz e abrisse a porta, para que ele pudesse entrar e cear com eles (Apocalipse 3:20). Como havia pecado, nenhum arrependimento e outro pai na igreja, ninguém queria lhe abrir a porta.

É o desejo de cada pessoa na terra ser amada e aceita numa família com a segurança de que este lar irá durar para sempre. Jesus falou muito a respeito deste tipo de lar. Quando na terra ele queria um lar com uma grande família e somente um Pai. Ele deixou a família perfeita e o lar perfeito no céu, esperando que um dia esta família no céu fosse ampliada com as pessoas que ele salvara deste mundo. Por causa desta família, ele estava disposto a aceitar o ridículo, sofrer falsas acusações e ser mal entendido. Ele pede também a todos os membros da sua família que estejam prontos a compartilhar seus sofrimentos por amor da pureza e unidade na sua família.

No seu último discurso na terra Jesus repetidamente lembrou seus amigos que amassem uns aos outros e estivessem em perfeita unidade com seu Pai, assim como ele sempre esteve com seu Pai. Como irmão mais velho, Jesus exortou os seus seguidores a que vivessem entre si, se amando da mesma maneira como ele ama seu Pai.

Jesus prometeu uma igreja-lar para todos que cressem nele. Prometeu paz e descanso para toda família e congregação que o aceitasse por quem ele é. A aceitação da autoridade de Jesus Cristo é a única esperança de paz na terra e boa vontade entre os homens. Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu total autoridade nos céus e na terra. Quando esta autoridade é rejeitada o pecado começa a entrar na família.

São os pecados que destroem a família. Geralmente existem muitos e freqüentemente são de tal natureza que nem são reconhecidos como pecado.

“Há alguns pecados que são condenados por qualquer crente”, escreve Michael Youssef no seu livro, Conheça Seu Inimigo Verdadeiro (Know Your Real Enemy). “São aqueles que poderiam ser chamados os grandes pecados morais: adultério, imoralidade, desonestidade, falso testemunho. Os grandes pecados morais têm um impacto imediato porque todos concordam que são coisas erradas e na maioria dos casos são muito bem definidas. Você se lembra do que aconteceu nos anos 80 quando alguns líderes cristãos caíram em desgraça por causa de adultérios secretos e má condução de finanças? Logo que aqueles pecados se tornaram públicos, ninguém podia defendê-los. E ninguém queria também.

Mas há outros pecados que nunca vão para as manchetes dos jornais. Eu os classifico como pecados socialmente aceitáveis. Eles são socialmente aceitáveis porque são encontrados por toda parte, e os cristãos os cobriram com uma conspiração de silêncio. Entretanto os pecados socialmente aceitáveis têm o maior impacto negativo a longo prazo sobre você, sua família e todo o corpo de Cristo. São pecados que expressam conflitos nos nossos relacionamentos comuns do dia a dia em casa e na igreja. Pecados que acontecem entre marido e mulher, pais e filhos, entre colega e colega, membro da igreja e membro da igreja. Pecados como:

•    Fofoca e murmuração
•    Um espírito crítico
•    Um coração que não perdoa
•    Rebeldia contra os princípios de Deus sobre o casamento e o lar
•    A abdicação da responsabilidade espiritual no lar por um marido
•    O ressentimento de uma esposa pela liderança espiritual do marido
•    A recusa de uma criança em obedecer aos seus pais
•    O desejo de se auto-promover
•    Desprezar os outros
•    Orgulho e ciúme espiritual
•    Divisões e rebeliões contra a autoridade espiritual

“Por exemplo, você pensa que está numa reunião de oração. Mas ouça o que está sendo dito nas orações e antes e depois delas. Vocês estão realmente orando juntos, ou estão se reunindo para fazer fofoca e reclamar? Você pode pensar que está numa sessão de aconselhamento. Mas ouça bem o que está sendo discutido. Será que não é um desabafo de ressentimento e amargura? E que tal o sermão? Você estava ouvindo a verdade de Deus proclamada do púlpito, ou era isto um exercício de auto-promoção e orgulho espiritual? Por causa destes pecados socialmente aceitáveis, situações nas quais os crentes deveriam estar se unindo cada vez mais no Espírito se transformam em pontos de fricção e desarmonia.

“Ouça cuidadosamente as palavras de Jesus. Nas horas que antecederam seu julgamento e sua crucificação, de joelhos no Jardim do Getsêmane, ele pronunciou uma das mais significativas orações registradas no Novo Testamento. Ele orou ao Pai por todos seus discípulos, aqueles que estavam vivos e os que ainda não tinham nascido: ‘para que sejam um, como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste’ (João 17:21).

“A frase para que todos sejam um aparece duas vezes nesta única sentença. Jesus estava pedindo que os crentes fossem um entre si e um com Deus. Porque somente naquela unidade o mundo não somente verá como também ouvirá o evangelho. A unidade dos crentes é a maior demonstração do amor de Deus. Aquela união, aquela unidade é o que trará os pecadores a Cristo. Não é somente pregar, embora a Palavra precise ser pregada para que as pessoas creiam, mas vivenciar a Palavra na unidade da igreja.”

(Extraído de Conheça Seu Inimigo Verdadeiro (Know Your Real Enemy), de Michael Youssef. Copyright 1997. Usa¬do com permissão de Thomas Nelson Publishers, Nashville, Tennessee, EUA.)

O Senhor Jesus veio para a terra e para os seus, mas eles não o reconheceram nem o receberam. Contudo todos os que o receberam e nele creram se tornaram filhos de Deus, filhos não nascidos de descendência natural, não de decisão humana ou da vontade de algum marido, mas nascidos de Deus. Se este Deus é o seu Pai então nós somos irmãos. Se somos irmãos estamos para sempre na mesma família e preocupados com esta família. Nosso desejo é ver esta família reviver como nunca antes, antes da segunda vinda de Cristo.

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