“Going Down!”

Publicado em: 24/10/2014 Categorias: 2014 / Colunistas

Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça pois serão saciados.” (Mt 5.6) Ter fome e sede é algo desagradável. Jesus não veio para nos fazer sentir bem, mas para nos tornar incomodados , inquietos com as coisas de Deus, insatisfeitos e inconformados com a própria vida, com o mundo, com a igreja. Em Ezequiel 9, Deus manda marcar com um sinal as testas dos homens que suspiram e gemem por causa das abominações cometidas na casa de Deus (Ez 9.4). Quem tem essa marca não precisa ficar preocupado com a marca da Besta,  porque ela não pega em quem tem essa marca. Essa fome e sede de justiça não é só o desejo de que o governo faça justiça, isso também, mas é mais uma insatisfação consigo mesmo, com a sua vida de oração, com a igreja, não no sentido de criticar, mas de querer mais. Por isso recomendo muito a leitura da última Impacto (Senhor! Leva-nos além!) e também ouça as mensagens do CPPI de julho disponíveis no site da revista.

Em julho de 2012, fui aos Estados Unidos visitar meu filho e sua família que estão morando próximo a Nova Iorque e tive uma experiência marcante. Deus falou comigo e acho que é uma palavra para a igreja. Fomos até uma praia e o elevador do prédio onde ficamos tinha uma gravação que dizia se estava subindo ou descendo. Em inglês, “going up” para cima e “going down” para baixo. Tive a impressão de que quando era para baixo, parecia meio deprê. Quando era para cima parecia mais animado. Isso me chamou a atenção. Alguns dias depois fui visitar meu irmão que mora em Nova Iorque e ele me convidou para visitar uma igreja chamada “Brooklyn Tabernacle” localizada numa área bem movimentada do centro de Nova Iorque.  Esta igreja é famosa pelo grande coral que possui. Há três reuniões aos domingos e é necessário chegar bem cedo para pegar um bom lugar entre os 5.000 assentos do local de reuniões. Fiquei muito impressionado de encontrar uma igreja cheia de amor, da presença de Deus e que prega a verdade bem ali no meio de uma das cidades mais mundanas e pecaminosas do mundo, um verdadeiro pedaço do céu no meio da agitação mundana. Um ambiente de amor, de alegria, aconchegante e cheio de Jesus. Nada para chamar a atenção para pessoas, tudo muito simples, embora haja ali músicos e cantores de grande qualidade. Apesar da multidão, havia liberdade do Espírito Santo e a congregação cantava e louvava a Deus junto com o coral, tudo muito harmonioso. O próprio pregador se apresentou de forma bem simples. Normalmente os americanos gostam de promover-se, de exaltar-se, é cultural, mas esse é bem simples. Depois, vim a saber que tudo ali foi produto de oração, muita oração.

Ele pregou sobre 2 Crônicas 20.12, sobre a vitória dada por Deus ao rei Josafá quando este e o povo de Judá se humilharam e clamaram a Deus por socorro.  O pastor Jim Cymbala falou que há muitas verdades bíblicas e que algumas são fundamentais e outras complementares. E esta passagem de 2 Crônicas fala de uma destas verdades fundamentais: “nós não temos força” e “nós não sabemos o que fazer”.  Entre outras coisas, ele falou que na cultura americana (certamente aqui também), na política, nas finanças, inclusive nos esportes, em qualquer nível, nós desprezamos as pessoas que não têm autoconfiança, que não se impõem, que não falam “eu sou”. A sociedade os acha fracos, desprezíveis. Mas Deus só honra as pessoas que falam desta forma, ou seja, “going down”, indo para baixo. Esta é uma verdade fundamental da Palavra de Deus. O mundo elogia quem se elogia e despreza quem admite fraqueza. Mas Deus é diferente. A igreja nos Estados Unidos, e aqui no Brasil também, está contaminada pelo veneno do espírito do mundo. “Nós somos melhores, nós somos grandes, temos muita gente, temos varias reuniões por dia, temos músicos, pastores famosos, temos isso, temos aquilo, somos isso, somos aquilo.”  Isso é do Diabo. Nasceu no Diabo.

A Bíblia não diz que Deus resiste ao homossexual, ao imoral, ao avarento, ao mentiroso. Mas diz que ele resiste ao soberbo, ao orgulhoso! (Tg 5.5)Não quer dizer que ele não se importa com os outros, mas o pior de tudo é o soberbo. A pessoa que fala: eu tenho, eu sou, eu posso, eu sou o cara… Essa pessoa é luciferiana na origem e Deus não tem boas lembranças de Lúcifer. Lúcifer era o maior dos anjos, tinha recebido de Deus beleza e muitos outros atributos acima de todos os anjos, mas tomou tudo isso para si e disse: “Eu sou, eu tenho, eu quero ser igual a Deus.” Esse espírito de soberba, de exaltação de si próprio, tem origem em Satanás. Não sabemos sequer se iremos acordar amanhã. Não temos controle nenhum sobre as nossas vidas. Não mandamos em nada, não podemos nada, dependemos em tudo de Deus. Tudo o que somos e temos veio de Deus. Deveríamos tão somente passar o tempo todo agradecendo a Deus por tudo e reconhecendo que sem ele nada somos.

O soberbo não pode adorar a Deus porque está cheio de si; o que ele quer é louvar-se a si mesmo pois “se acha”. Mas quando reconheço que não sou nada, não tenho nada, posso adorar a Deus. A chave para a adoração é o esvaziamento de si. Você pode adorar porque reconhece que tudo vem de Deus, então fica cheio de gratidão, de louvor e de adoração. Se alguém está cheio de demônios você pode ajudá-lo expulsando-os. Mas se a pessoa está cheia de “si” não há como ajudar, pois não dá para expulsar o “si”.  A solução do “si” é esvaziar-se. Jesus não tinha pecado, mesmo assim a si mesmo se esvaziou de tudo. Além de esvaziar-se da Divindade, fez-se servo e acabou morrendo na cruz, nu. Não tem jeito de descer mais do que Jesus. Não é possível ser pior. Mas por isso mesmo Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome. Deus exaltou o rei Josafá com uma vitória estrondosa sobre os inimigos. Deus exalta quem se humilha, quem pega o elevador para baixo.

 O equilíbrio. Se pegar só esta mensagem pode cair no extremo de passividade, fatalismo. “Eu não sou nada, não posso nada, não tenho nada…então, o dia que Deus quiser,  pode fazer alguma coisa”. Cai no comodismo e isso também não é bíblico. Temos que começar por nos esvaziar, nos humilhar, para que ele nos conceda o que precisamos. Estamos chegando perto do cumprimento da festa de Tabernáculos, mas antes tem o dia da Expiação do qual faz parte essa negação de si mesmo (cessar de toda obra própria e da fé em si mesmo)e também o afligir da alma. O marido que fica aflito quando sua esposa está para dar à luz, é um exemplo de afligir a alma. Ele não pode fazer nada para ajudar, mas sofre junto. É esse tipo de “fazer nada” que Deus quer para nós hoje.  O sacerdote tinha os nomes das tribos de Israel sobre os ombros e o peito. Ele não podia fazer nada, mas levava esses nomes diante de Deus sem parar. George Müller tinha um caderno no qual anotava os nomes de todas as pessoas pelas quais orava para conversão. E todos aqueles por quem orou se converteram, ainda que alguns tenham demorado anos. Dois deles se converteram depois de sua morte, mas se converteram. Ele foi perseverante em levar estes nomes diante de Deus. Nós não somos nada e não podemos nada, mas se jogarmos uma corda e a pessoa pegar ela não irá para o inferno, mesmo que esteja prestes a escorregar abismo abaixo. Nós podemos impedir pessoas de irem para o inferno. Nosso inconformismo moverá a mão de Deus. Não podemos salvar muitas pessoas, mas Deus nos dá algumas e por elas temos que lutar, sentir dores de parto para que sejam salvas, alcançadas. Não é brincadeira. Precisamos ser pessoas intensas, desesperadas, insistentes por aqueles que Deus nos deu. Chuva não acontece sem evaporação. Uma criança não pode nascer sem que tenha sido gerada. Pode ser que não sejamos o instrumento que Deus usará para tocar a pessoa, mas temos que sentir o peso e lutar pela vida dela, amá-la. Não importa qual o instrumento que Deus usará, o que importa é que ela seja salva. Jesus cuidou de 11. Não são muitos que Deus nos dá, mas temos de lutar por elas.

Esse sentimento de que estou falando só entende quem já passou. Essa tristeza, angústia, essa fome e sede, inconformismo, não é depressão, não é tristeza segundo a carne, não é acusação, não é desagradável mas ao mesmo tempo é. É angústia, mas não é sua, é de Deus. Paulo foi para a cadeia e lá escreveu “alegrai-vos”. Ele passou por tristezas e lutas, mas a alegria do Senhor ia junto.

“Digo a verdade em Cristo, não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porque eu mesmo desejaria ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne”(Romanos 9.1-3).Eu acredito que muitos judeus serão salvos em nossos dias em parte por causa dessa “gravidez” de Paulo. Ele disse essas palavras a respeito de pessoas que o odiavam e queriam matá-lo. Mas ele estava consciente de que ele mesmo não estava naquela condição de inimigo de Cristo, por misericórdia de Deus. Milhares de gentios se converteram através de Paulo, mas ele sofria muito pelos “irmãos” judeus.

Nós não estamos caminhando para tempos de diversão. Teremos sim, muitas lutas pela frente, muitas tristezas, muito sofrimento com alegria, alegria do Senhor. Muitas pessoas poderiam estar aqui hoje e não podemos estar felizes sem elas. Não podemos pensar que elas não estão aqui porque não querem. Temos que ter essa dor no coração por elas. Incessante dor com alegria. É uma tristeza não deprimente, é uma tristeza que gera coisas de Deus através de nós. É Deus chorando através de nós, Deus querendo algo através de nós, uma inconformidade de Deus através de nós.

 “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz” (Apocalipse 12.1-2). Essa imagem resume o que estamos falando hoje. Não é uma mulher miserável, em trapos, chorando porque não tem o que comer ou vestir. É gloriosa, está vestida do sol, uma coroa de estrelas, a lua debaixo dos pés. Mas está grávida para dar à luz um filho varão que será a solução para a humanidade. Ela não está se olhando no espelho e se admirando. Antes, está usando a sua beleza para trazer solução para o mundo. Nesses dias, cristãos estão sendo crucificados no Egito diante do palácio do governo. Há risco de muitos serem mortos se não fugirem de lá. Tem muitos outros no mundo inteiro passando por perseguição porque amam a Jesus. E nós? Será que precisamos também de perseguição? Acho que não. É vergonhoso que a Noiva de Cristo só O ame por causa de perseguição.  A rainha Ester tinha tudo no palácio, mas disse não aos seus privilégios, jejuou três dias e arriscou sua vida por amor ao seu povo. Daniel e seus amigos também renunciaram a privilégios por amor ao Senhor. Que aqui no Brasil e em outros países onde não há perseguição, se levante uma igreja que esteja disposta a virar as costas aos prazeres desta vida por amor ao Senhor. Uma igreja que ama a Jesus em meio à tranquilidade, que se nega a comer para ver as coisas acontecerem. Uma igreja que mantém o foco, mantém o alvo, não se permite ser relaxada. Temos que vigiar e orar, temos que estar atentos, diante de Deus.  Mantenha essa imagem de Ap 12 diante de seus olhos. Deus nos chama para ser essa igreja gloriosa, maravilhosa, contudo, não acomodada, vaidosa, mas sofrendo as dores para dar à luz.

 

Senhor Jesus, pedimos que marques nossos corações com letras de fogo. Que sejamos sóbrios, atentos à Tua voz. Que esse inconformismo santo desça sobre nós. Que haja mais irmãos orando nesse lugar. Ajuda-nos ter um ambiente onde a tua presença gere vidas. Queremos ver filas para entrar nesse lugar, sem ninguém se orgulhar. Leva-nos a chorar, a clamar, a encontrar contigo de tal maneira que Jundiaí seja abalada. Que o Brasil seja abalado pelo Teu poder, pelo teu Espírito no meio de um povo humilde. Entregamos nossas vidas como sacrifício vivo a Ti. Coloca sobre nossos ombros os nomes daqueles que o Senhor nos deu e ajuda-nos a ser fiéis para não soltar, não desistir. Vem Espírito Santo e enche nossos corações com a tua alegria e a tua dor. Precisamos da tua alegria para suportar a dor. Usa-me, transforma-me. Como flecha que acerta o alvo. Usa nosso falar, nosso agir, para atingir pessoas. Invade casas, famílias. Leva-nos além. Apressa Tua obra em nós.

 

 

2 respostas para ““Going Down!””

  1. elda maria disse:

    Maravilha! QUE O SENHOR DEUS CONTINUE A SE COMPADECER DE NOS, transformando-nos em JESUS! Muito edificante.

  2. Valmir Oliveira disse:

    Frescor! para alma e espirito o esvaziar é somente nEle. Que a Graça do nosso Deus seja revelada abundantemente … isso é VIDA.

    Deus abençoe.

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