Ganhadores de almas e suas orações

Publicado em: 01/05/2014 Categorias: Arauto / Vitória sobre a tentação

Arauto - Ano 32 - nº 02 - Fev/Abr 2014

 Samuel L. Brengle

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16).

Todos os grandes ganhadores de almas foram pessoas de oração intensa e poderosa, assim como todos os grandes avivamentos foram precedidos e acompanhados por trabalho árduo, de joelho, perseverante e determinado, no quarto de oração.

Paulo orava sem cessar. Dia e noite, suas orações, súplicas e intercessões subiam a Deus (At 16.25; Fp 1.3-11; Cl 1.3,9-11).

O batismo no Espírito e as três mil conversões em um só dia foram precedidos por dez dias de oração e adoração, por períodos de sondar o coração e investigar a Palavra. Mesmo depois, continuaram em oração até que, num outro dia, cinco mil se converteram e “muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (At 2.4-6; 4.4; 6.4-7).

Lutero costumava orar três horas por dia, e quebrou o jugo opressor de séculos, libertando nações inteiras.

John Knox passava noites em oração e clamava a Deus, dizendo: “Dá-me a Escócia, senão eu morro!”. E Deus lhe deu a Escócia.

Richard Baxter, um puritano inglês do século 17, marcava as paredes do quarto com o hálito de suas orações, e colocou em movimento ondas de salvação que passaram por toda a nação.

Vez após vez, John Wesley, em seus diários (que só perdem para o livro de Atos em matéria de relatos vívidos) conta sobre períodos de metade da noite ou de noite inteira em oração. Como resultado, Deus visitava multidões e as abençoava além de qualquer expectativa. Ele e seus ajudantes foram capacitados sobrenaturalmente a resgatar a Inglaterra do paganismo e a trazer um avivamento de paixão pura e agressiva por Deus a várias partes do mundo.

David Brainerd ficava prostrado no chão congelado à noite, envolto numa pele de urso, cuspindo sangue e clamando a Deus para salvar os índios. O Senhor o ouviu e convertia os pobres, ignorantes, briguentos e embriagados nativos às dezenas e centenas, levando-os a uma vida limpa e santificada.

Na véspera do dia em que Jonathan Edwards pregou o maravilhoso sermão que desencadeou o avivamento que abalou a região da Nova Inglaterra, ele e vários outros passaram a noite em oração.

Um jovem chamado John Livingston, na Escócia, foi designado para pregar numa das grandes assembleias. Sentindo sua total debilidade, ele passou a noite em oração. No dia seguinte, sua pregação resultou na conversão de 500 pessoas. Glória a Deus! Oh, meu Senhor, levanta pessoas que orem hoje dessa mesma forma!

Charles Finney orava até comunidades inteiras serem conquistadas pelo poder do Espírito de Deus, e as pessoas não conseguirem resistir à extraordinária influência divina. Numa determinada ocasião, ele ficou tão esgotado pela intensidade de seu trabalho no ministério que amigos o obrigaram a se afastar um pouco e fazer uma viagem à região do Mar Mediterrâneo. Mesmo assim, ele permaneceu tão focado na conversão dos perdidos que não conseguiu descansar. Logo que retornou, uma agonia de alma em favor da evangelização do mundo tomou conta de todo o seu ser. A intensidade dessa agonia foi crescendo a ponto de levá-lo a passar o dia inteiro em oração. À noite, veio o descanso e a segurança no espírito de que Deus mesmo levaria essa tarefa adiante.

Quando chegou a Nova York, ele fez uma série de pregações chamadas Palestras sobre avivamento (Revival Lectures), que foram publicadas e distribuídas nos Estados Unidos e em vários outros países, resultando em avivamentos por toda parte. Mais tarde, seus escritos caíram nas mãos de Catherine Booth e a influenciaram tremendamente. Podemos dizer que o Exército de Salvação foi em parte uma resposta de Deus às orações insistentes e súplicas agonizantes de Finney para que Deus glorificasse seu próprio nome e redimisse o mundo.

Um jovem evangelista nos Estados Unidos, há pouco tempo, estava sendo poderosamente usado por Deus. Em todos os lugares que pregava, um tornado de avivamento chegava junto, varrendo a região com o poder de Deus e trazendo conversão a centenas de pessoas. Fiquei curioso por descobrir onde residia o segredo de tamanho poder; pouco depois, uma senhora que costumava hospedá-lo revelou que ele orava incessantemente. Era difícil tirá-lo de suas intensas lutas espirituais para tomar refeições.

Antes de entrar no Exército de Salvação, eu estava conversando certo dia com Dr. Cullis, de Boston, um homem de fé simples que tinha testemunhado muitas maravilhas sobrenaturais. Ele me mostrou algumas fotos, dentre as quais uma de Bramwell Booth, chefe do estado maior do Exército de Salvação.

“Aí está o homem”, disse o médico, “que dirige as reuniões mais poderosas de holiness (santidade) em toda a Inglaterra.”

Em seguida, começou a contar-me sobre as famosas reuniões na capela White. Quando fui para a Inglaterra, resolvi descobrir, se possível, o segredo do poder de Deus que se manifestava nelas.

“Bramwell dirigia reuniões para moços solteiros naquela época, às sextas-feiras”, disse um oficial lá, “Uma das chaves era que ele pedia que cada jovem convertido passasse pelo menos cinco minutos por dia, sozinho com Deus, em qualquer oportunidade possível, orando pelas reuniões. Um dos moços, que atualmente é brigadeiro no Exército, trabalhava num grande comércio atacadista, e tinha que se espremer dentro de uma embalagem de vime para conseguir ficar sozinho e orar.

Deus não mudou. Ele espera até que haja pessoas que orem.

Charles Finney relatou o caso de uma igreja que experimentou um avivamento ininterrupto por 13 anos. Quando, depois desse tempo, o avivamento finalmente parou, todos sentiram temor e ficaram se questionando por que isso acontecera. Um dia, um homem se levantou em lágrimas e contou que havia orado por 13 anos, todo sábado à noite, até depois da meia-noite, para que Deus fosse glorificado e salvasse muitas pessoas. Duas semanas antes, ele havia parado de orar, e, imediatamente, o avivamento parou. Se Deus responde a orações dessa forma, que responsabilidade tremenda está sobre todos nós para orar!

Ah, que houvesse pelo menos um soldado santo em cada batalhão e um membro forte na fé em cada igreja que se dispusessem a orar até meia-noite todo sábado! Essa é uma obra que pode ser feita por obreiros que estão em período de licença das linhas da frente, ou por pessoas que não podem se engajar em ministério ativo por causa de alguma dificuldade insuperável. É um trabalho essencial que precisa ser feito de joelhos.

Ninguém imagine que este seja um trabalho fácil. Pelo contrário, é árduo e pode chegar a ser até agonizante; no fim, porém, resultará no gozo da união e comunhão com Jesus. Começaremos a compartilhar a mesma intensidade de Jesus quando orou até suar gotas de sangue!

Há pouco tempo, um capitão do Exército de Salvação, que ora durante pelo menos uma hora pela manhã e mais meia-hora antes da reunião da noite, e que tem visto muito fruto na conversão de almas, confessou-me que muitas vezes ele precisava se obrigar a orar sozinho. Essa dificuldade, porém, é mais comum do que ele imaginava. Todos os homens de muita oração passam pela mesma experiência.

Bramwell Booth, que via centenas de pessoas convertidas e santificadas em todos os lugares onde pregava, orava seis horas por dia. No entanto, ele dizia que sempre sentia relutância na hora de ir ao lugar da oração secreta. Era necessário se obrigar a ir. Mesmo depois de começar a orar, muitas vezes experimentava períodos secos. Somente por meio da perseverança em fé é que os céus se abriam, e ele lutava com Deus até que a vitória chegasse. Então, quando pregava, as nuvens se ajuntavam e a chuva espiritual trazia bênçãos para todo o povo.

Alguém perguntou como Bramwell conseguia dizer coisas tão novas e maravilhosas que abençoavam tanta gente. “É porque ele vive tão perto do trono que Deus lhe revela seus segredos”, respondeu outro; “depois, ele os conta para nós”.

John Smith, cuja vida inspirou tremendamente William Booth (pai de Bramwell), também era um homem que passava muito tempo em oração. Ele sempre achava difícil começar, mas depois era tão abençoado que não queria parar. Por toda parte que ele ia, grandes ondas de avivamento o acompanhavam.

Essa relutância para oração no lugar secreto pode surgir de uma ou mais dessas possíveis causas:

  1. De espíritos malignos. Imagino que o diabo não se importa muito quando vê cristãos mornos de joelhos em público, porque sabe que estão fazendo isso simplesmente porque é uma atitude apropriada e para acompanhar os outros. Porém, ele odeia ver uma pessoa de joelhos no lugar secreto, pois isso significa que ela está séria e que é capaz, se perseverar em fé, de mover Deus e todas as forças do céu a favor da causa que está buscando. Assim, os demônios procuram todas as formas possíveis de colocar obstáculos diante dela.
  2. Da indolência do corpo e da mente, causada por doenças, falta de sono, excesso de sono ou excesso de comida (que sobrecarrega indevidamente os órgãos digestivos, entope os vasos sanguíneos e entorpece as faculdades mais nobres e elevadas da mente e do coração).
  3. Da falta de responder rapidamente quando é tocado pelo Espírito para ir ao lugar secreto de oração. No momento em que recebemos o estímulo de Deus para orar, se hesitarmos mais tempo do que necessário, e continuarmos lendo ou conversando quando poderíamos estar orando, o espírito de oração será entristecido e se afastará de nós.

Deveríamos cultivar um sentimento de prazer só de pensar em ficar a sós com Jesus em comunhão íntima de oração, assim como os apaixonados esperam sentir prazer e alegria na companhia do amado (ou amada).

Deveríamos responder prontamente ao chamado interior para a oração. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7). “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27).

Jesus ensinou sobre o “dever de orar sempre e nunca esmorecer” (Lc 18.1), e Paulo disse: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17).

Uma pessoa, orando com fé audaciosa, pode obter vitória em favor de uma cidade ou nação inteira. Elias fez isso no Monte Carmelo; Moisés o fez em favor da nação apóstata de Israel no Monte Sinai; Daniel também o fez na Babilônia. Entretanto, se um grupo maior de pessoas puder aprender a orar dessa forma, com um só coração, a vitória será muito mais arrasadora.

Que ninguém imagine, com coração perverso de incredulidade, que Deus seja relutante ou que tenha má vontade para responder às orações. Ele está muito mais pronto para atender aos pedidos de quem tem o coração reto na sua presença do que os pais estão para dar pão aos filhos.

Quando Abraão orou por Sodoma, Deus cedeu a cada pedido sucessivo até que ele parou de pedir (Gn 18.22-23). Será que ele não fica bravo conosco, muitas vezes, porque pedimos de forma muito tímida e por coisas insignificantes, assim como o profeta Eliseu se irou com o rei (2 Rs 13.18,19) que feriu a terra apenas três vezes quando a deveria ter ferido cinco ou seis vezes?

Vamos nos achegar ousadamente ao trono da graça e pedir por coisas grandes, para que nossa alegria seja completa (Hb 4.16; Jo 16.24)!

Extraído de Helps To Holiness (Auxílios para a Santidade).

Samuel Brengle (1860-1936) era comissário e pregador do Exército de Salvação.

3 respostas para “Ganhadores de almas e suas orações”

  1. DIVALNIR L.J. disse:

    Uma oração proveitosa, e que adentra no Santo dos Santos segue a regra de Eclesiastes 5:1 (NVI):
    “Quando você for ao santuário de Deus, seja reverente. Quem se aproxima para ouvir é melhor do que os tolos que oferecem sacrifício sem saber que estão agindo mal.

    Esperar Deus em silêncio, em oração, é sempre gratificante.

  2. Raildo disse:

    Precisamos dessa mentalidade hoje ! aleluia

  3. Cristo Bernardo da Cunha. disse:

    Gostei muito do vosso conhecimento sabedoria.

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