Existe esperança de um Despertamento Cristocêntrico?

02/07/2017 Publicado por: Revista Impacto

Arauto - Ano 35 - nº 02 - Abr/Jun 2017

Existe esperança de um Despertamento Cristocêntrico?
Por David Bryant

Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água. Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também, hoje, vos anuncio que tudo vos restituirei em dobro” (Zc 9.11-12).

Turbulência – logo à frente! Crise política, econômica, racial, moral, doméstica, ambiental, presidencial, teológica, ideológica, internacional. Se houver mais alguma possibilidade, pode incluí-la na lista. Direta ou indiretamente, este ano será um ano de grande turbulência [este artigo foi escrito no início de 2016].

Num momento como este, alguns podem questionar: “Será que a pergunta do título sequer é relevante?”. Na verdade, nenhuma pergunta poderia ser mais relevante! Sem hesitar, posso dizer categoricamente que, para mim, a resposta à pergunta do título exige uma resposta simples. Existe esperança para um Despertamento Cristocêntrico na nossa pátria ou região em breve? Com certeza!

Um Deus de esperança

Do começo ao fim, nosso Deus é um Deus de esperança. “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo” (Rm 15.13). Podemos dizer assim: Nosso Deus tem muitas promessas nas mangas. E ele tem mangas enormes!

Em ambos os Testamentos da Bíblia, no entanto, suas promessas se concentram principalmente num determinado tipo de esperança. Deus oferece ao seu povo a esperança de novos começos, incluindo temporadas inteiras de renovação, especialmente para aqueles que se sentem como se estivessem quase perecendo em “poços sem água” (para usar a dramática metáfora de Zacarias no texto acima).

A estes, Deus promete restauração – em abundância. Ele pretende restituir-nos, diz o profeta, “o dobro” de qualquer coisa que tenhamos perdido.

A imensa bondade nas Boas Novas

A “bondade” proclamada nas verdadeiras boas novas sobre Cristo flui não apenas de sua encarnação, crucificação e ressurreição, mas também de sua ascensão. No momento em que ele tomou seu lugar como Filho supremo no trono do reino de seu Pai, todas as promessas de Deus foram herdadas e apropriadas por ele. Exclusivamente. Permanentemente. Em outras palavras, todas as promessas apontam para ele, estão encarnadas nele e só podem ser cumpridas nele – primordialmente com o propósito de exaltá-lo.

Porém – e esta é fonte de grande alegria para todos os seguidores de Jesus –, pelo fato de pertencermos inteiramente a ele, o Pai pronuncia um “sim” cósmico sobre nossas vidas e igrejas em relação às implicações mais íntimas, bem como as mais profundas de cada promessa apropriada pelo nosso Rei (ver 2 Co 1.19-20). Pertencem a ele, mas se tornaram nossas, porque nós pertencemos a ele. Especialmente essa vasta gama de promessas de Deus a respeito de cada aspecto da nossa herança em Cristo é nossa!

Assim, para sempre ele permanece como o Deus da esperança de restauração; de revitalização; de renovação; de ressurreição! Mas tudo isso está em Cristo Jesus e somente nele.

A única certeza em meio às turbulências

Portanto, podemos estar absolutamente certos de que, nesta hora, o Espírito Santo não deseja nada mais intensamente do que levar o povo de Deus a alturas espirituais com nosso Salvador nunca antes experimentados. Ele quer nos transformar, individual e coletivamente (novamente tomando emprestado a expressão de Zacarias 9) em “prisioneiros da esperança” – isto é, em pessoas tão cativadas e compelidas pela esperança em Cristo que seremos capazes de enfrentar qualquer turbulência à nossa frente.

Estou falando de uma esperança do Espírito de Deus em que ele nos chama para reapresentar-nos o Filho de Deus, pela Palavra, revelando TUDO o que ele é – o que inclui todas as promessas em Jesus para as quais ele nos redimiu. Estou falando da esperança de um Despertamento Cristocêntrico.

Ouça. Cuidadosamente. Não consegue ouvi-lo? Agora mesmo, por todo o Corpo de Cristo, o Espírito Santo está intensificando uma mensagem universal: “E o segredo é simplesmente isto: Cristo em vós! Sim, Cristo está em você trazendo consigo a esperança de todas as coisas gloriosas do porvir” (Cl 1.27, tradução da versão Phillips em inglês). Como podemos responder a essa realidade, clamando por qualquer coisa que seja menor do que um abalo e um despertamento da Igreja para a supremacia de Cristo e para os grandes propósitos nele que estão diante de nós? Não percebemos que essa revolução espiritual já é iminente? Que está se aproximando cada vez mais? Que atualmente não há nada que o Pai mereça, deseje, projete ou decrete mais do que isso? Que, de fato, ele é capaz, disposto e pronto a fazer isso?

Temporadas especiais de despertamento

Depois de anos de pesquisa, comparando as promessas das Escrituras com os anais da história da Igreja, o pastor e teólogo da Nova Inglaterra, Jonathan Edwards, escreveu em 1747 sobre o que muitos de nós chamamos hoje de Despertamento Cristocêntrico: “Deus tem ansiado em seu coração, durante toda a eternidade, glorificar seu amado e único Filho. O domínio de todo o universo foi prometido a Cristo como herança. Mesmo assim, há épocas especiais que Deus designou para esse fim, nas quais ele vem antecipadamente com poder onipotente para cumprir essa promessa e juramento a seu Filho. Essas estações são tempos de especial efusão do seu Espírito. Elas provam a realidade do reino de Cristo para um mundo cético e servem para estender seus limites”[grifo meu].

De fato, o testemunho universal das Escrituras é que o despertar de seu povo para buscar que a glória divina se revele mais em seu Filho é o tema predominante nos propósitos revelados de Deus Pai. Ele quer dar essa boa graça à Igreja a qualquer hora, em qualquer lugar – incluindo, individualmente, cada seguidor de Jesus.

A atual necessidade desse milagre

O que você acha que Deus vê quando olha para a Igreja ocidental hoje? Apesar de todo o brilho e glamour, quanto vazio, esterilidade e exaustão espiritual ele encontra em nossos caminhos? Independentemente das nossas declarações públicas e da agitação de nossas atividades cristãs, quando se trata de avançar a obra do reino de Cristo, quantas vezes você acha que ele vê nossos ministérios como ineficazes, paralisados, impedidos? Embora possa parecer exteriormente que estamos prosperando no “funcionamento” da igreja, será que ele não conclui que interiormente somos muito frios, muito fracos e muito estagnados?

Observando evidências do atual esgotamento espiritual na igreja, o mundialmente renomado líder evangélico britânico, Dr. John Stott, algumas vezes o expressou desta forma (parafraseado): “Quando a noite nos domina, não culpamos a escuridão; a escuridão só está sendo ela mesma. Culpamos a trágica fraqueza da luz. Se o hambúrguer estraga, não culpamos a carne; isso é o que acontece com carne morta. O problema é a força do sal que deveria ter retardado sua decomposição”.

Stott conclui: “Não devemos perguntar: ‘O que há de errado com o mundo?’, porque esse diagnóstico já foi dado. Em vez disso, devemos perguntar: ‘O que aconteceu com o sal e a luz?’” A essa altura, quando a pesquisa nos diz que há pouca diferença entre o estilo de vida dos cristãos dentro da igreja e o da sociedade como um todo, não é difícil entender por que nossa influência cristã (nosso sal e luz) é tão insignificante na vida da nossa nação.

A verdade é que terríveis manifestações de desintegração moral e espiritual que tomaram conta da cultura em geral podem ser encontradas em todas as nossas igrejas também. Racismo. Hipocrisia. Adoração de heróis. Materialismo. Ativismo. Falta de consciência social. Agressividade no trânsito. Famílias disfuncionais. Vício em pornografia. Mediocridade do status quo. Abundância de autogratificação. Isso faz com que os governos nacionais (incluindo os das comunidades locais) tenham que defender-se sozinhos perante as constantes ameaças do terrorismo, do travamento de uma política atrofiante, da escalada de escândalos éticos, da pobreza e da violência urbanas, das injustiças econômicas e raciais não resolvidas, bem como da confusão sobre o papel apropriado de cada país num mundo que também entra em turbulência cada vez maior.

Perda da paixão por Cristo

A parte triste é que, quando essas crises (dentro e fora da igreja) se juntam, criam para nós uma multidão de distrações cujo resultado é, para todos os efeitos, marginalizar o Cristo vivo entre nós. Espiritualmente exaustos, a maioria de nós é incapaz de reter o tipo de paixão que ele merece como supremo Senhor de todos.

Como evangélicos ocidentais, podemos ler Apocalipse 2 e 3 (as cartas para as sete igrejas) e não nos perguntar se o nosso Senhor pode estar falando hoje, fazendo análises igualmente penetrantes de boa parte do cristianismo contemporâneo? Eu acho que você concordaria, por exemplo, que os crentes modernos frequentemente “abandonaram o [nosso] primeiro amor” (Ap 2.4), deixando-nos apenas com o “nome de que vive e está morto” (Ap 3.1).

Em muitas igrejas, o conselho de Jesus, há dois milênios, a uma congregação morna na Ásia Menor precisa ser repetido continuamente aos crentes de nossos dias: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” (Ap 3.18).

Abram-se os portais!  Que entre o Rei da glória!

Se a igreja ocidental buscasse com mais empenho um diagnóstico preciso de nossa verdadeira necessidade, descobrindo como nós também nos tornamos “infelizes, sim, miseráveis, pobres, cegos e nus” (Ap 3.17), certamente correríamos – não, voaríamos – para Cristo. Juntos, cairíamos diante dele implorando ao Rei da Glória que voltasse a abrir as portas dos nossos corações e das nossas congregações, manifestando-se entre nós na plenitude e no poder do seu reino.

Felizmente, não há nada que o Pai seja mais capaz, disposto e pronto a fazer, por meio do Espírito, do que levar o seu Filho a invadir novamente nossos corações, conquistando-nos de novo e levando-nos de volta a si mesmo como cativos à sua vontade e a tudo o que ele encarna como Salvador e Soberano. Essa foi a conclusão de Jonathan Edwards.

É também essencialmente o que o Dr. Ebenezer Porter, presidente do Seminário Teológico Andover na Costa Leste dos EUA, transmitiu em 1830 ao corpo discente do seminário. Em uma série de sete palestras, ele compartilhou, em primeira mão, suas observações a respeito da essência do que acontecera nas igrejas ao longo das décadas que os historiadores definem como o “Segundo Grande Despertamento” nos Estados Unidos, incluindo:

“Quando o Redentor vem em sua graça soberana para visitar suas igrejas, logo se vê os verdadeiros seguidores despertando de sua apatia e saindo para dar as boas-vindas ao Rei de Sião com uma energia, um zelo e um ardor de afeição muito maiores que seu primeiro amor” [grifo meu].

Poderá acontecer outra “visita” tão radical do nosso Redentor ao nosso povo hoje? Poderá tal “despertar da apatia” em “ardor de afeição” para com Cristo se manifestar novamente entre nós até mesmo nos próximos meses?

Expectativa confiante

Deus pretende que seu Filho seja o foco de todas as coisas – no fim da História, mas também em cada passo do caminho até chegar lá. Ele não tem outro desejo maior do que esse. Em tudo o que ele faz, seu propósito final é convergir todo o céu e a terra sob a autoridade de Jesus como Senhor (Ef 1.10). Todo Despertamento Cristocêntrico tem a intenção de acelerar, intensificar e expandir esse processo. Em tempos como estes, Deus intervém dramaticamente para restaurar o papel legítimo de Cristo como Rei Redentor no meio do seu povo e para avançar mais plenamente seu reino entre as nações. Deus ama o mundo e deseja ver seu Filho exaltado entre todos os povos da Terra.

Não precisamos duvidar que Deus seja capaz, disposto e pronto a conceder tal despertamento. Ele é fiel e constante em todos os seus caminhos. Foi do seu agrado conceder tempos de grande renovação e revitalização a muitas gerações do seu povo, desde o Gênesis até os nossos dias. Um dia, ele fará culminar todos os avivamentos no Avivamento Final – a consumação de todas as coisas em Cristo. Uma vez que, historicamente, ele concedeu inúmeros Despertamentos Cristocêntricos, e uma vez que Deus não faz acepção de pessoas, podemos ter certeza absoluta de que o que ele fez por outros, fará também por nós.

Persevere firme em oração confiante

De forma inédita, Deus está movendo seu povo cada vez mais ao redor de todo o mundo para orar em unidade, com foco e persistência por um Despertamento Cristocêntrico em todas as partes do Corpo de Cristo. Ele está fazendo isso através de dar aos crentes por toda parte uma visão comum para a necessidade de um avivamento radical.

Existe um amplo consenso bíblico a respeito do que um genuíno Despertamento Cristocêntrico realmente é. Existe uma crescente convicção de que tal mover do Espírito Santo se aproximará na medida em que nos comprometemos a interceder por isso juntos. Uma vez que Deus está movendo a Igreja para orar com um consenso e um claro foco de exaltação a Cristo, podemos concluir que ele não tem intenção de que oremos em vão. Essas são orações que ele promete responder plenamente. Persevere! As respostas para as nossas orações não estão atrasadas! Esse é o tipo de oração que Deus anseia responder.

Portanto, este é o meu apelo para cristãos sérios em todo lugar que anseiam por tal mover gracioso de Deus: É tempo de despertarmos para mais de Cristo, de nos levantarmos com uma esperança renovada nele, de buscar em oração uma verdadeira reforma dada por ele, de levantar a voz para promover Despertamentos Cristocêntricos onde quer que estejamos. Isso significa que também é tempo de nos conectarmos – com companheiros de corrida para reunir um exército de pessoas cativadas por Jesus e prontas para servi-lo na concretização da esperança por um Despertamento Cristocêntrico em toda a nação e no mundo – nada menos!

David Bryant é o fundador e presidente de Proclaiming Hope! (Proclamar Esperança!) – um ministério cujo objetivo é servir e fomentar um Despertamento Cristocêntrico nacional (nos EUA). David é o autor de muitos livros, incluindo Christ is All! (Cristo é TUDO!) (www.ChristIsAllBook.com). A mensagem acima foi adaptada de uma série de quatro partes: “Existe Esperança por um Despertamento Cristocêntrico nos Estados Unidos em 2016?”, extraído do website www.ChristNow.com. Publicada com permissão.

Uma resposta para “Existe esperança de um Despertamento Cristocêntrico?”

  1. phelipedoregopereira disse:

    Muito bom,nossa.

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