Deus Honra a Oração Coletiva

03/08/2012 Publicado por: Impacto

Arauto - Ano 30 - nº 02 - Mai/Jul 2012

Por: Wesley I. Duewel

As reuniões para oração coletiva têm resultado em tremendas respostas à oração. Além das respostas especificas, há sempre grandes benefícios espirituais à medida que todos aqueles que estão orando aprendem a persistir mais efetivamente.

1) O espírito de oração é aprofundado. Quando um crente ora no Espírito, o fogo santo de Deus e a paixão pela oração operam mais profundamente nos demais que estão concordando em oração. Ao ouvir as orações dos outros, podemos nos tornar mais convictos de que estamos dentro da vontade de Deus. Finney disse: “Não há nada mais apropriado para gerar um espírito de oração do que se unir em oração coletiva com alguém que esteja sendo movido genuinamente pelo Espírito Santo”.

As duas maneiras mais eficazes de se aprender a persistir na oração são (1) gastar mais tempo perseverando na oração sozinho e (2) unir-se a alguém que realmente prevalece em oração.

2) O amor e a unidade entre os irmãos são intensificados. Quanto mais você ora com outros irmãos, mais você percebe o palpitar do coração do outro, os seus fardos, a sua alegria no Senhor e a sua experiência cristã. Citando Finney mais uma vez: “Não há nada que estimule mais a união dos corações de cristãos do que orar juntos. O amor que sentem pelos irmãos é bem mais forte quando presenciam o derramar do coração deles em oração”.

Com exceção do pecado pessoal, o que mais impede a oração eficaz é a desunião. A desunião num lar impede a oração dos membros da família (1 Pe 3.7). A desunião na igreja impede as orações da igreja. Há muitas recomendações nas Escrituras no sentido de preservar a unidade da igreja (Rm 12.16, 18; 14.19; 15.5-7; 1 Co 1.10; 7.15; 2 Co 13.11).

Muitas igrejas tiveram fortes visitações de Deus em avivamento quando o Senhor trouxe unidade aos membros. Há muitos anos, na parte central da Índia, um missionário estava pedindo a Deus que enviasse um avivamento para a obra em que ele estava. À medida que ele orava insistentemente, dia após dia, o Espírito Santo o lembrou de outro missionário da mesma missão com o qual ele tivera um sério desentendimento. Cada vez que ele se punha de joelhos para orar, o rosto do outro missionário aparecia diante dele. Finalmente, ele tomou um trem e foi para a cidade onde esse missionário morava. Caminhou desde a estação até a residência dele e bateu na porta. O outro missionário abriu a porta, surpreso por vê-lo.

Caindo de joelhos, do lado de fora da porta, o primeiro missionário começou a pedir perdão. “Entre”, pediu o outro missionário. “Sou eu que preciso pedir o seu perdão.” Oraram juntos, choraram juntos e se reconciliaram totalmente. Então, cada um orou para que Deus enviasse um avivamento para a obra do outro. Quando se separaram, cada um continuou a orar diariamente para que Deus enviasse avivamento para o seu próprio trabalho e para a obra do outro. Ao cabo de doze meses, ambas as igrejas experimentaram um poderoso avivamento.

De Deus, não se pode zombar. Não podemos prevalecer em oração enquanto a desunião empesta o ambiente. Até onde tivermos alcance, precisamos nos humilhar, assumir a culpa e restaurar a unidade (Mt 5.23-24; Rm 12.18).

3) A fé é fortalecida. Quanto mais você vê outros se unindo em oração em favor das mesmas necessidades, mais forte se torna a sua fé. Você se sente encorajado pela maneira como Deus está aumentando a fé de seus irmãos. Você se torna mais perseverante e mais constante em oração à medida que encontra outros perseverando pelas mesmas causas. Um coração aquece o outro. A oração de um incendeia a oração do outro. A fé de um fortalece a fé do outro. A coragem e a expectativa aumentam, e você se sente capaz de firmar seus pés nas promessas de Deus com nova convicção e determinação. Outros dizem “amem” para suas orações, você diz “amem” para as orações dos outros, e pouco a pouco todos crescem em confiança, fazem contato com o trono de Deus e conseguem concordar verdadeiramente em oração (Mt 18.19).

4) O poder espiritual é multiplicado. À medida que vocês oram juntos, a oração de cada um ajuda a aprofundar o anseio pela resposta de Deus e assopra a chama do espírito de oração. O amor e a unidade são intensificados, purificados e se tornam mais frutíferos. A fé que Deus vai responder é fortalecida. Todos os que se unem em oração começam a sentir o poder de Deus descendo sobre eles e ungindo suas orações de modo renovado.

À medida que outros buscam contato com Deus, você é encorajado a buscar também de forma mais eficaz. À medida que percebe a dor do coração dos outros, nas suas necessidades, você é movido à compaixão, e seu desejo de ver Deus atendê-los é aprofundado. À medida que percebe como os outros estão prevalecendo na oração, você se sente tão abençoado que também começa a orar com mais eficácia. Muitas vezes, o refrigério, as bênçãos e o poder de Deus vêm de maneira nova, coletivamente, para um grupo, semelhantemente ao que os crentes experimentaram no Pentecostes e em Atos 4.

Há uma dinâmica espiritual sugerida na Bíblia que ocorre quando duas ou mais pessoas perseveram juntamente na fé, orando no Espírito: o poder de oração de cada participante não somente é somado, parece ser multiplicado. Moisés disse que uma pessoa, do povo de Israel, com a ajuda de Deus perseguiria mil inimigos; dois, porém, perseguiriam 10 mil (Dt 32.30). Mais uma vez, ele prometeu que cinco perseguiriam cem, e cem perseguiriam 10 mil (Lv 26.8).

O brado unido da fé dos trezentos de Gideão, embora estivessem armados somente com tochas acesas, arrasou completamente os vastos exércitos dos midianitas. Pelo mesmo princípio, fé unida, cânticos e louvores confundiram tanto Satanás e os exércitos unidos de Amom, Moabe e Monte Seir que foram completamente aniquilados sem que Israel tivesse sequer levantado uma espada para lutar numa batalha física (2 Cr 20).

O apoio da oração unida era o que Paulo tanto desejava. Em suas cartas, pedia aos crentes que se unissem com ele em oração pela sua vida e ministério. Aos Romanos: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Rm 15.30). Aos Coríntios, ele expressou sua confiança: “O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda, ajudando-nos também vós, com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito” (2 Co 1.10-11).

Aos filipenses, Paulo escreveu: “Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo” (Fp 1.19). Aos Colossenses: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra” (Cl 4.2-3). E aos Tessalonicenses: “No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada” (2 Ts 3.1).

Exemplos da história cristã

William Carey e um pequeno grupo de oração em Kettering, Inglaterra, oraram mensalmente por cerca de oito anos até que veio um poderoso avivamento. William Wilberforce foi usado por Deus para trazer um despertamento moral e espiritual para a Inglaterra. Ele tinha a retaguarda de um grupo de sua igreja que se comprometeu a orar juntos por três horas diariamente.

John Livingstone e um grupo de sua igreja em Shotts, Escócia, persistiram em oração toda a noite de sábado e, no dia seguinte, 500 pessoas foram salvas como resultado de sua pregação.

Jonathan Edwards tinha um grupo da igreja em Enfield, Massachusetts, que sentiu um encargo de oração para que Deus não os deixasse de lado enquanto enviava avivamentos para outros lugares. Sentiram uma angústia tão forte para orar que se reuniram num sábado à noite e perseveraram toda a noite em oração. Naquela mesma noite, Jonathan Edwards também foi impressionado fortemente e passou toda a noite em oração.

No dia seguinte, seu sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado foi grandemente ungido pelo Espírito Santo. Deus tocou algumas pessoas tão fortemente que se agarraram às colunas da igreja porque sentiam que seus pés estavam escorregando em direção ao inferno. Edwards, então, lançou um chamado para que os cristãos se reunissem para orar em toda a região da Nova Inglaterra até que Deus os visitasse com avivamento. E Deus enviou avivamento!

George Whitefield, tão poderosamente usado por Deus no início do século 18, convocou o povo para se reunir em grupos de oração perseverante. Spurgeon liderava uma reunião de oração, toda segunda-feira à noite, que normalmente tinha de mil a 1200 pessoas no auditório.

Charles Finney passava frequentemente um ou mais dias em jejum e oração. Ele foi usado poderosamente por Deus em Boston em 1856 e em várias cidades da Nova Inglaterra em 1857/58. Reuniões de oração coletiva ao meio dia, geralmente sem pregação, começaram em Boston e se espalharam por todo o país em quase todas as grandes cidades e até em muitas cidades menores. Mais de um milhão de pessoas foram levadas a Cristo e se uniram às igrejas locais dentro de um espaço de dois anos.

Durante as campanhas de D. L. Moody em Oxford e Cambridge, houve tanta oposição de um grupo de estudantes universitários anarquistas e arruaceiros que era quase impossível ouvir os hinos cantados por Sankey (Ira D.Sankey *) ou as mensagens de Moody. Moody, então, reuniu trezentas mulheres piedosas de Cambridge no Alexander Hall para um tempo exclusivo de batalha em oração. Uma após outra clamava, em lágrimas, por “algum filho” de uma mãe desconhecida. Naquela noite, o curso dos acontecimentos foi totalmente alterado quando um enorme silêncio de Deus caiu sobre o culto. Levas de estudantes se humilharam diante de Deus, confessaram seus pecados e encontraram salvação. Moody se referiu a esse fato como a maior vitória de sua vida.

J. Edwin Orr, historiador de avivamentos em toda parte do mundo, afirmou: “Nenhum grande despertamento espiritual começou em qualquer lugar do mundo sem que houvesse oração coletiva – cristãos orando persistentemente por avivamento”.

Extraído de Mighty Prevailing Prayer  (Oração poderosa e eficaz) de Wesley I. Duewel. Copyright 1990. Usado com permissão da Duewel Literature Trust, Inc., Greenwood, Indiana.

* – SANKEY, Ira D. – Cantor e Compositor de músicas evangélicas. Conhecido como The Sweet Singer of Methodism (O doce cantor do metodismo).

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