Como o Rico se tornou Pobre

Publicado em: 12/02/2012 Categorias: Arauto / Você Tem Sede de Deus?

Arauto - Ano 21 - nº 06 - Nov/Dez 2003

Por: Brownlow North

Brownlow North foi um poderoso evangelista na Escócia durante o despertamento de 1859. O artigo a seguir é um excelente exemplo de autêntica pregação evangelística em tempos de avivamento.

“Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim… porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.22-24).

A Escritura dá um breve resumo da vida e da morte de dois homens, um que era rico e o outro que era um pobre mendigo. Não há menção alguma do funeral do mendigo. Ninguém lhe prestou homenagem, entretanto tinha a honra que vem somente de Deus: diz aqui que morreu e foi “levado pelos anjos” ao céu. É expressamente notado, porém, que o rico foi sepultado. Sem dúvida, teve toda a pompa e esplendor que pudesse ter desejado se ainda estivesse na terra. Mas, enquanto os pranteadores oficiais seguiam o caixão ao lugar do sepultamento e se fixava o monumento bajulador no local exato, onde estava o homem rico que homenageavam?

Jesus nos conta que o rico estava confinado aos tormentos do inferno. Tanto o mendigo como o rico faleceram, mas como eram diferentes os julgamentos um do outro! O mendigo morreu e, de acordo com o julgamento de Deus, foi imediatamente para o céu. O rico morreu e, pelo julgamento de Deus, foi imediatamente para o inferno.

Esta passagem das Escrituras contradiz claramente a falsa doutrina de que não existe inferno. Que ninguém o engane. Não há arrependimento na sepultura. Uma vez a pessoa morreu, nunca mais se lhe encontrará um lugar de misericórdia. Como foi com o rico e com o mendigo, assim será com todos nós. Imediatamente após a morte, nossos destinos serão determinados para o céu ou para o inferno, de forma imutável e eterna.

Descrição do Homem Rico

Tendo chegado à conclusão de que o homem rico se perdeu, surge uma pergunta extremamente importante: Qual foi seu pecado? Que foi algo que destruiu sua alma está muito claro, pois o impediu de entrar no céu e o afundou em ruína eterna.

Mas qual foi seu problema? Não eram suas riquezas. Não é pecado ser rico. Abraão, chamado nas Escrituras de amigo de Deus (2 Cr 20.7), era rico. Também o eram Davi, Salomão, José e muitos outros santos na Bíblia. E todos esses foram salvos quando morreram. Não, não foi sua riqueza que impediu o rico de entrar no céu. Qual foi, então, seu pecado?

A resposta a esta pergunta trará à tona o pecado – a causa fundamental da destruição de todas as pessoas que já se perderam ou que ainda haverão de se perder. A fim de responder esta pergunta importante, devemos primeiro examinar melhor a condição em que o rico realmente se encontrava.

Com relação à sua riqueza, suas circunstâncias não eram semelhantes às da maioria dos outros. Relativamente poucos estavam em condições de conforto e afluência como ele, a ponto de comandar à vontade todas as boas coisas deste mundo. A despeito da sua posição de privilégio, entretanto, o homem rico tinha uma necessidade em comum com todo o restante da humanidade. Embora provavelmente não o tenha reconhecido durante toda sua vida na terra, ele havia nascido com a maior de todas as necessidades, uma necessidade compartilhada por todas as pessoas que já nasceram na terra, ricas ou pobres, sem exceção: o homem rico nasceu sem Deus.

A necessidade de Deus é a necessidade universal de todos os seres humanos. Sejam quais forem todas as outras diferenças entre povos e raças, neste aspecto todas as pessoas são iguais. Todos entramos neste mundo sem Deus e, se não nascermos de novo por meio do Espírito de Deus em algum momento entre nosso nascimento e morte físicos, viveremos e morreremos sem Deus. Neste caso, ainda que ganhássemos o mundo inteiro, seria melhor para nós que nunca tivéssemos nascido.

Nascer sem Deus – Morrer sem Deus

Paulo, ao escrever aos novos convertidos de Éfeso, descreveu para eles como eram antes da conversão. Sua descrição se aplica a todas as pessoas que já viveram em todos os tempos. “Naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2.12). De fato, poderíamos resumir esse versículo inteiro em duas palavras: “sem Deus”.

A pessoa sem Cristo é um estranho, isolado de todo verdadeiro bem. Qualquer outra esperança que porventura tiver para o futuro é totalmente infundada e enganosa, pois assim que morrer sem Deus, ele também há de se perder eternamente como aconteceu com o homem rico. Este tipo de pessoa, indiferente das suas condições de prosperidade material, é muito mais miserável e digna de pena do que aquele mendigo foi em toda sua vida.

Quando Deus colocou Adão no jardim do Éden, deu-lhe uma ordem: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17). Adão comeu o fruto proibido e naquele mesmo dia morreu. Seu corpo não morreu imediatamente, mas no momento em que quebrou o mandamento de Deus, ele perdeu a vida eterna e passou a ser morto espiritualmente. A partir do instante em que pecou, Adão ficou “sem Deus no mundo”.

Esta é a morte que Adão sofreu no jardim do Éden. Esta é a morte que passou a todos os homens, em conseqüência da sua descendência de Adão: todos nascem no mundo sem Deus. Foi por isto que o Senhor Jesus veio e deu sua vida, morrendo para nos redimir da morte.

Estar sem Deus é estar morto. Para aquele que tem Deus, a morte do corpo não é realmente morte – as Escrituras se referem a isso como dormir (ver 1 Ts 4.14). “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida” (Jo 3.36).

O Pecado do Homem Rico

Quando o mendigo e o rico nasceram, os dois estavam sem Cristo e sem Deus. Quando morreram, o mendigo tinha Deus e o rico não tinha. O mendigo, enquanto na terra, estava descontente sem Deus e fez o que o rico poderia ter feito, caso também estivesse descontente – buscou e achou o Senhor Jesus Cristo. Mas o rico não sentiu necessidade; já tinha o que lhe satisfazia: suas possessões e riquezas. Ele não sentiu desejo pela única coisa que não tinha, o próprio Deus. O rico tinha tudo menos Deus, enquanto que o mendigo só tinha Deus. Cada qual estava contente com sua porção.

Será que dá para entender qual era o pecado do homem rico? É o pecado pelo qual nem o castigo eterno jamais poderá trazer expiação ou perdão. O pecado do homem rico era contentamento sem Deus. Nascer sem Deus – esta era sua maldição. Contentamento sem Deus – este era seu pecado.

O pecado do rico pode ser cometido por ricos e pobres igualmente. Deus não faz acepção de pessoas. Piedade com contentamento é grande fonte de lucro, mas contentamento sem Deus é condenação eterna.

Se você estiver contente sem Deus neste mundo, a maior maldição que Deus tem está sobre você. Se você estiver sem Deus, quem está reinando sobre sua vida? Satanás, “o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.2). Realmente, essa afirmação não é exagerada. Se você estiver contente sem Deus, nenhum endemoninhado jamais esteve mais completamente sob o domínio do diabo do que você.

Podemos ser capazes de fazer qualquer coisa natural pela nossa própria força de vontade – podemos doar nosso tempo, nosso dinheiro ou nossa energia a qualquer coisa que nos interessar. Mas é impossível dar as costas para o pecado e buscar a Deus a menos que ele tenha misericórdia de nós. Clame a Deus para ajudá-lo. Você não pode ajudar a si mesmo sem intervenção divina.

É só fazer uma experiência para provar a verdade do que estou dizendo. Você pode fazer qualquer outra coisa que quiser, porque em outras dificuldades, Satanás é indiferente e não fará qualquer oposição. Mas comece a ficar ansioso sobre sua alma e procure honrar a Deus e guardar seus mandamentos, e logo provará a si mesmo que é totalmente impotente para isto.

Como o Pobre Pode se Tornar Rico

Quero perguntar-lhe com amor: Você realmente acredita que aos olhos de Deus é um cristão e que tem Deus? A pergunta não é se você é moral e respeitável – um pai, uma mãe, um cônjuge, um vizinho. Não é se você é honesto e justo em seus negócios ou se cumpre fielmente seus deveres religiosos. Muitos fazem isto e não são nascidos de novo. A grande pergunta é: Você tem Deus?

Você não nasceu com ele. Quem tem Deus é porque teve um segundo nascimento. Nasceram outra vez pelo Espírito. O Espírito Santo veio sobre eles e Cristo começou a ser formado no seu interior. Pela habitação do Espírito, tornaram-se santuários de Deus.

O objetivo da obra de Cristo na terra foi abrir um caminho pelo qual não só o homem pudesse se aproximar de Deus, mas também onde Deus pudesse ter acesso ao homem. Foi o pecado do homem que impôs a barreira entre si e Deus e, para remover essa barreira, Cristo morreu. Jesus derramou seu sangue para satisfazer as exigências da justiça de Deus contra o homem. Pelo sacrifício de si mesmo, Deus abriu um caminho pelo qual pudesse voltar ao homem. Deus deixou Adão por causa do seu pecado e, como estar sem Deus é morrer, Adão morreu. Deus volta ao filho de Adão quando este crê em Jesus e, como ter Deus é viver, ele torna a ter vida.

Estas verdades são absolutamente necessárias à salvação. Sem conhecê-las e sem recebê-las, ninguém pode ser salvo. Entretanto, multidões as desconhecem totalmente. Por quê? Porque multidões estão contentes sem Deus. É o papel do Espírito Santo tomar estas verdades e revelá-las aos homens.

No final das contas, quem era o homem mais rico: o homem que tinha tudo menos Deus ou o mendigo que só tinha Deus? Durante sua vida na terra, teria parecido tolice para o rico dizer: “O mendigo com Deus está muito melhor do que eu”. Mas agora, se ele pudesse voltar e falar conosco, como acha que responderia?

O significado das palavras “sem Deus” é muito mais profundo do que o coração humano tem condições de sondar, entretanto é uma lição que todo homem terá de aprender pessoalmente, ou nesta vida ou na próxima. Aqueles que a aprenderem aqui serão bem-aventurados. Ninguém precisa ficar um instante sem Deus aqui na terra. Convite vem após convite, promessa após promessa, a todos aqueles que têm fome e sede de Deus. Mas a pessoa que nunca tem sede de Deus aqui terá sede dele imediatamente após sua morte. Certamente sentirá sua necessidade de um Salvador quando estiver no inferno.

O inferno é um lugar aterrador para se aprender pela primeira vez como é a agonia de sede espiritual. O inferno é descrito na Bíblia como a cova em que não há água (Zc 9.11). Cristo veio para a terra numa missão de misericórdia. Por amor a Cristo, Deus dará seu Espírito Santo a todo aquele que o pedir. A pessoa que quiser escapar do destino do homem rico precisa estar consciente do pecado do homem rico: contentamento sem Deus.

2 respostas para “Como o Rico se tornou Pobre”

  1. Balduino a Oliveira disse:

    Gostaria de saber, Salomão morreu pobre??essa é minha pergunta.

    • Revista Impacto disse:

      Balduino, boa tarde.
      Salomão morreu, pelo que podemos entender, longe de Deus, mas não pobre. Durante a vida dele, não houve juízo no sentido de dividir o reino ou de perder territórios ou tributos. Houve alguns conflitos e revoltas, de acordo com 1 Reis 11.14-26, mas nada que viesse a empobrecer o reino ou o próprio Salomão. Os efeitos de divisão e empobrecimento vieram no reinado do filho dele, Roboão.
      À disposição,
      Equipe Impacto.

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