Com Cristo na batalha de oração

Publicado em: 22/12/2017 Categorias: Arauto / Com Cristo na Batalha de Oração

Arauto - Ano 35 - nº 04 - Out/Dez 2017

Por Henry Blackaby

Em Mateus 26.36-46, lemos a respeito daquele momento extremamente vulnerável de Jesus em Getsêmani, quando ele enfrentou uma das maiores batalhas de sua vida. Depois de chamar seus discípulos para acompanhá-lo ao jardim, convidou três deles para assisti-lo em oração. Ele simplesmente pediu para que “vigiassem e orassem”. Preste atenção especial para discernir o coração do Senhor na passagem:

“Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se” (vv.36,37).

Será que você já se uniu com Jesus em oração nesse nível? Já houve um momento em que sabia o que estava no coração de Deus e sabia o que estava enfrentando– não apenas a dor, mas também o que estava em jogo à luz da eternidade e o potencial de sua oração fazer uma diferença eterna? Quando começou a orar, sentiu essa imensa tristeza e angústia? Nunca haverá uma transformação em nação alguma até que alguns dos discípulos do Mestre se juntem com ele para entrar nesse tipo de oração.

Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (v.38).

Quem carrega o peso do mundo, você ou o Senhor Jesus? Claro! O Senhor Jesus. Por isso intitulei um dos meus livros: Experimentando Oração com Jesus;precisamos entrar em oração com ele, não longe dele. Você nunca compreenderá oração na dimensão necessária para transformar uma nação senão entrar nesse tipo de relacionamento com Jesus. Há um ponto em sua oração em que você simplesmente observa enquanto ele carrega em você o peso do mundo.

“Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (v.39).

Muitos querem adorar, porém não querem se prostrar com o rosto em pó em oração. Há um momento em que é necessário parar de adorar e começar a interceder, especialmente quando o povo de Deus está reunido. A adoração não pode substituir a oração nem o arrependimento. A maior necessidade do povo de Deus hoje é de arrependimento!

Se o povo de Deus não se arrepender, não haverá avivamento algum! Porém, o povo de Deus não está sendo ensinado a se arrepender. Eu diria que de 85 a 90% de todas as instruções de Deus na Bíblia sobre arrependimento são dirigidas ao povo de Deus, não aos perdidos. Contudo,os cristãos vão para a igreja domingo após domingo e nunca ficam sabendo que a ordem de Deus para eles é para se arrependerem.

Arrependimento é o pré-requisito para experimentar a plenitude de Deus. Qual foi a mensagem de Jesus para o povo de Deus no tempo dele? “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17). Toda a presença, o poder e a plenitude de Deus estão perto de você, aguardando apropriação e aceitação:dependem, contudo, de arrependimento.

Arrependimento significa que você percebe que está caminhando na direção errada e que precisa dar uma volta de 180º e andar no sentido contrário, na direção de Deus. A maioria de nós acha que está seguindo na direção certa por fazer parte de uma igreja e assistir aos cultos. Durante a maior parte da história do povo de Deus na Bíblia, eles estavam andando na direção errada mesmo enquanto adoravam e prestavam culto ao Senhor. Porém,como quase nunca reconheciam sua necessidade,acabaram perecendo.

Israel, Judá, Jerusalém e o Templo pereceram; os muros foram derrubados, e o povo de Deus foi levado ao cativeiro durante 70 anos porque pecaram e não reconheceram a necessidade de se arrepender. Por isso, a primeira palavra que saiu da boca do Filho de Deus para o seu povo foi: “Arrependei-vos”. A plena presença e o poder e o reino de Deus aguardavam o arrependimento para ser liberados.

Será que posso afirmar que é essa mesma mensagem que ele deseja entregar a você e a mim hoje? Se você não está experimentando a plenitude da presença,do poder e da atividade de Deus, não é porque ele não está presente para trazer tudo isso, e sim porque não atendemos às condições para experimentar sua presença por meio do arrependimento.

Os discípulos adormecidos

“E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores” (vv. 40-45).

Jesus convidou Pedro, Tiago e João para acompanhá-lo nesse momento tão sagrado, quando o propósito eterno de Deus estava na balança. Da mesma forma, ele havia convidado os mesmos três a subir com ele o Monte da Transfiguração. As Escrituras dizem que ele se encontrou lá com Moisés, Elias e o Pai, e que “falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém”(Lc 9.30,31). Jesus estava para libertar o mundo inteiro pela sua morte em Jerusalém, e eles estavam conversando sobre a libertação que Deus realizaria por meio dele. Jesus convidou os três discípulos para acompanhá-lo,e ali experimentaram algo da intensidade da hora e do significado da oração.Viram como, por meio da oração de um filho de Deus, o céu e a terra se unem intimamente, e a história é impactada por esse momento.

Deus visitou Saskatoon!

Deus permitiu que eu estivesse em Saskatoon, Saskatchewan, no Canadá, dois anos antes de a presença e o poder de Deus pairarem sobre aquela cidade. Comecei a me reunir com pastores e outros irmãos da localidade e, à medida que orávamos, Deus tratou com o meu coração. Senti que ele estava identificando o pecado no meu coração e me levando a expô-lo para que me purificasse. As experiências em oração eram tão fortes e impactantes que eu literalmente corria de volta para a igreja que eu pastoreava e compartilhava com eles. A congregação começou a ser purificada e restaurada também, e todos puderam ouvir e discernir a mente e o coração de Deus.

Chegou o momento, finalmente,em que Bill McLeod, um colega pastor, me ligou e disse: “Henry, aquilo que temos pedido em oração parece estar acontecendo!”.  Na sua igreja, dois diáconos não se falavam por alguns anos. Na noite anterior, um deles estava sob grande convicção e, cabisbaixo, foi para o altar para se encontrar com Deus. Não sabia ele que o outro irmão, do outro lado do salão, estava sentindo a mesma convicção e também seguia para o altar. Quando chegaram ali, cada um percebeu a presença do outro e, frente a toda a congregação que conhecia o desentendimento entre os dois, se abraçaram e, chorando, se arrependeram e restauraram seu relacionamento.

Bill me contou que logo depois disso, uma jovem se levantou de repente enquanto sua mãe se levantou simultaneamente do outro lado do salão. A mãe clamou para a filha: “Perdoe-me; não tenho sida a mãe que deveria ser para você”. E a filha respondeu: “Ah, não tenho sido a filha que eu deveria ser”. Cruzaram o salão para se abraçar. Aquele culto durou várias horas enquanto Deus mexia com toda a congregação.

A partir desse momento, Deus tocou a cidade inteira de Saskatoon. Durante sete semanas e meia, o Espírito de Deus pairou de forma poderosa sobre a cidade toda. De repente, igrejas inteiras começaram a se arrepender e voltar para Deus. Por anos, a presença e o poder de Deus pairaram nas pessoas que foram tocadas por Deus. Eu estava ministrando a uma pequena congregação de 10 pessoas, tão desanimadas quando cheguei lá que queriam até fechar a igreja. Depois que a presença e o poder de Deus tocaram as suas vidas, eles começaram 38 novas congregações,só no tempo em que eu estava com eles. Nunca em sua história, que datava dos anos 1920, eles haviam começado sequer uma nova congregação em outra comunidade.

Começamos a orar por obreiros. Eles também nunca haviam alcançado estudantes universitários, porém depois dessa visitação, eu batizei 180. Ninguém até então havia sentido um chamado ao ministério, mas mais de 100 vieram a corresponder ao chamado de Deus. Fundamos uma faculdade teológica na nossa igreja para preparar esses que Deus estava chamando. Mais de 480 passaram por aquela escola e até hoje estão impactando vidas no Canadá e pelo mundo. No meio de todo esse tremendo mover de Deus, meus quatro filhos também sentiram o chamado para o ministério.

Avivamento precedido por oração incomum

Há uma plenitude dos tempos na economia de Deus. Jesus sabia em Getsêmani que tinha chegada a hora e ele não queria que os discípulos perdessem esse momento incrível. Ao ler a história da Igreja, você começa a perceber que o momento de Deus para um grande e poderoso avivamento sempre é precedido e acompanhado por um medida incomum de oração. Parece que Deus age no coração do seu povo para chamá-los para algo além de tudo o que conheciam até então.

Jesus sabia que seus discípulos formariam a própria base do povo de Deus que o Pai usaria para impactar e transformar todo o Império Romano. Por isso, apresentou-os a um momento no tempo de Deus em que pudessem observar essa dimensão de oração que seria colocada em seus corações futuramente.

Quando Deus tem um encargo no coração, ele o reparte ao coração dos que lhe pertencem. Sem dúvida, a hora do Pai era Getsêmani. Por séculos, mesmo na eternidade, o Pai havia planejado esse momento. Era o tempo exato em que ele mesmo estaria em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo. Havia muita coisa em jogo na maneira em que o Filho discerniu o coração do Pai e o expressou em oração. Sua oração ali representa uma dimensão muito incomum. Jesus declarou aos três discípulos: “A minha alma esta profundamente triste até à morte” (Mt 26.38). Eles assistiram à agonia de Jesus e, de acordo com Lucas 22.44,viram o suor que brotava de sua fronte como se fosse grandes gotas de sangue.

Você sabe porque o nosso país não recebe um avivamento? Porque não temos orações de avivamento. Nós nos contentamos em deixar o pecado tomar conta e, depois, reclamamos com Deus sobre o horror da situação. Deus afirma que na hora em que alguém estiver disposto a pagar o preço, ele ou ela pode ser a pessoa que muda esse quadro. Mas isso não acontece por meio de orações comuns.

Você está disposto a deixar que Deus o leve a outro nível de oração? Ele o unirá ao seu Filho, e você passará por esse mesmo tipo de experiência em que ouvirá cada palavra e observará cada movimento de Jesus em seu momento de agonia; poderá também ouvi-lo dizendo: “Você não poderia vigiar comigo nem por uma hora?”.

Em contraste gritante

No Salmo 78, encontramos uma das passagens trágicas das Escrituras que descreve um grupo de pessoas que fazia parte do povo de Deus. Era mais um dos momentos especiais do mover de Deus. Ele sabia que seu povo enfrentaria batalhas incríveis com seus inimigos. Por isso, chamou Efraim, uma parte do povo de Deus, e preparou o exército deles para a batalha. Observe a tragédia e, depois, veja as três razões porque isso aconteceu:

“Os filhos de Efraim, embora armados de arco, bateram em retirada no dia do combate” (v.9). Eis aqui os três motivos que os levaram a abandonar seus companheiros e o conflito:  “Não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara” (vv.10,11).

Deus tinha os equipado muito bem, mas recusaram-se a aceitar o treinamento. Assim, mesmo armados, carregando arcos e completamente equipados para a batalha, quando chegou a hora de lutar, seus corações não estavam preparados. Seus corações os fizeram retroceder, deixando um vácuo na posição que deveriam ocupar, aumentando a pressão sobre os companheiros que ficaram. O restante do povo de Deus foi obrigado a assumir a responsabilidade dos que abandonaram a luta.

Eles não honraram a aliança; esqueceram que eram um povo escolhido por Deus, chamado por Deus e equipado por ele para ser o seu povo no tempo exato do seu plano. Será que Deus sabia que haveria momentos de luta e batalha com o inimigo? Sim, sabia. E ele proveu adequadamente para que seu povo pudesse lidar com esse tipo de confronto? Sim, proveu. Porém, eles não se comprometeram com o chamado que Deus lhes dera.

Eles se recusaram a andar nas leis de Deus, no caminho que ele lhes preparou. Se tivessem lido o que Deus lhes providenciou e andado nisso, teriam estado preparados para a batalha.Como nunca leram suas Escrituras, desconheciam completamente os requisitos de Deus.

Muitas vezes, eu pergunto em conferências de pastores: “Quantos creem na Grande Comissão?” (Mt 28.19-20). Todos levantam as mãos. Então, faço uma segunda pergunta: “Se você crê na Grande Comissão, você fez uma lista sistemática de tudo o que Cristo ordenou e sistematicamente ensinou ao povo de Deus como praticar tudo o que ele ordenou?”. Ao longo dos 20 anos que faço essa pergunta entre pastores, só encontrei um que estivesse fazendo isso.

Em seguida, afirmo: “A despeito do que fala, você não crê na Grande Comissão. Você modificou a Grande Comissão para: ‘Faça discípulos e batize-os’”. O aspecto mais impactante da Grande Comissão se encontra na terceira parte: “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.20). É isso que observamos em Atos 2. Os crentes novos “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (v.42).

Você sabe porque a igreja primitiva com crentes novos conseguiu“transtornar” o Império Romano (At 17.6)? Por que perseveravam diariamente aprendendo dos apóstolos como praticar tudo o que Cristo lhes tinha ordenado.

A maioria do povo de Deus acha que consegue ser discípulo digno de Jesus sem qualquer ensino sobre como praticar tudo o que o Mestre ordenou, apenas frequentando um culto semanal. Alguns podem eventualmente ir à reunião de oração, porém estou descobrindo que nem os presbíteros e diáconos fazem isso e, consequentemente, a maioria da igreja também não. Como se pode ser um líder do povo de Deus e se ausentar da reunião de oração quando a igreja se reúne para interceder na presença de Deus? Precisamos nos arrepender! Estamos caminhando na direção errada!

Caro irmão, fomos equipados pelo Espírito Santo, equipados pela presença do Cristo vivo, equipados pela plenitude de Deus na nossa vida, equipados pelas Escrituras, presenteados com a oportunidade de nos aproximar a Deus em oração (outro meio de nos equipar) e auxiliados por um povo à nossa volta para nos ajudar na luta. Contudo, mesmo equipados e carregando arcos, temos retrocedido no dia da batalha. Não há nenhuma possibilidade de vitória na batalha com esse tipo de compromisso. Temos abandonado nossos irmãos que estão na batalha, deixando-os sozinhos na hora do combate.

Meios práticos para se envolver

Quero aqui deixar algumas ilustrações muito práticas. Uma das maneiras de Deus convidá-lo para a batalha acontece frequentemente durante o culto de adoração. No início do culto na nossa igreja, sempre temos um tempo de oração em que o pastor diz: “Se você tem algum encargo ou preocupação no coração ou até um motivo de louvor, venha à frente para se encontrar com o Senhor”. Geralmente, o altar fica cheio de pessoas buscando a Deus.

Num determinado domingo, reparei num jovem com seus 20 e tantos anos que se prostrou no altar.Percebi que ele estava muito angustiado. Deus falou comigo: “Henry, porque não entra com ele na batalha?”. Não deveríamos nos afastar, dizendo: “Não é da minha conta. Não posso me envolver”. Então, fui até à frente e me ajoelhei ao seu lado. Quando senti a liberdade de orar, antes que eu falasse três palavras ele me abraçou e disse: “Dr Blackaby, é o senhor!”.

Perguntei: “Diga-me, que peso é este que você está carregando?”. Ele respondeu: “Esta semana, me formo em direito na universidade, porém Deus está me chamando para o ministério. Eu estava aqui diante de Deus, implorando que ele me enviasse alguém para me ajudar a saber o que fazer, e ele enviou o senhor!”.

Essa era uma batalha espiritual? Sim. E o que estava em jogo? O destino eterno de muitos. E Deus queria que eu me juntasse a ele nessa batalha? Eu poderia ter ficado no meu lugar, usando mil desculpas para não me envolver na vida desse jovem. Eu não o conhecia, mas ele faz parte da família, e eu também faço parte. Estou bem equipado e estou com um arco, e não posso me afastar na hora da batalha.

Num outro domingo, avistei do outro lado do corredor uma senhora madura com lágrimas escorrendo pelo rosto. O Senhor colocou no meu coração que eu deveria me aproximar para ver se havia algo que eu pudesse fazer para ajudar. Coloquei a minha mão no seu ombro, e ela virou seu rosto cheio de lágrimas para mim. Eu disse: “É evidente que você está carregando um fardo muito pesado hoje”. Com um olhar triste, ela me respondeu: “Hoje,está fazendo um ano que meu marido morreu, e não consigo superar o luto”. Perguntei: “Você sente que está numa prisão?”. Ao que ela respondeu: “Ah sim, há um ano inteiro, me sinto presa. E não sei como superar isso”.

Ali estava eu, totalmente equipado pelo Senhor.Então, eu disse: “Posso orar?”. Quando você não sabe o que orar, leia Romanos 8.26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

No íntimo pedi: “Senhor, não sei orar. Podes me ajudar?”. Então comecei a orar. É assim que fazemos para receber o auxílio do Espírito: comece a orar. Ele lhe mostrará como orar.

Algo aconteceu no coração, na vida e no semblante daquela senhora. Quando terminei, ela me olhou no meio das lágrimas e disse: “Estou livre! Estou livre!”. Deus a libertou.

Sei que o periodo de Natal é muito difícil para viúvas. Por isso, quando chegou essa data, perguntei para ela: “Como está passando?”. Ela olhou para mim e disse: “Estou livre. Passei um Natal glorioso. Tenho lembranças do meu esposo, mas não estou aprisionado à tristeza. Estou livre!”.

Mais Ilustrações

Uma igreja no leste do Texas me convidou para ensinar como reconhecer a presença e o mover de Deus. Durante uma pregação lá, numa manhã de domingo,fiz um convite como sempre faço para discernir o que Deus está fazendo e procurar cooperar com ele. Vi uma menina com os seus 10 aninhos se aproximar do altar e se ajoelhar para orar. Ninguém veio orar com ela. Eu fiquei tão angustiado que deixei a plataforma e me ajoelhei do lado da pequena. Ficou evidente que ela intercedia por uma amiga que não era convertida. Virei para ela e disse: “Você precisa saber que nesta manhã estamos num momento maravilhoso na presença de Deus. Você pode confiar que ele ouviu o seu clamor e salvará a sua amiga”. Eu podia afirmar isso porque a Bíblia o promete.

Naquela noite, eu estava pregando e novamente fiz um apelo. Pelo corredor, veio à frente a menininha que estava orando pela manhã e junto com ela estava outra menina. Eu sabia quem era.

Será que você pode unir-se a Deus numa batalha que pode estar acontecendo no altar da sua igreja? Não seria trágico se Deus o equipasse como um de seus filhos para entrar na batalha e libertar pessoas de prisões espirituais, e você virasse as costas e dissesse: “Não é da minha conta”?

Eu quero me dirigir a você que é um pouco mais idoso. Se você observar um casal chegando ao altar de mãos dadas, será que terá disposição de se aproximar deles? É possível que estejam passando por uma batalha espiritual. Não diga: “Um dos presbíteros ou diáconos deveria ir, ou talvez o pastor”. Você é quem deve se aproximar. Você foi equipado plenamente por Deus para fazer uma diferença em qualquer batalha que esteja passando e à qual Deus o convida para participar.

Eu descobri que quando oro com alguém, a batalha parece intensificar às vezes; de repente, porém, surge uma vitória incrível, e você presencia o momento em que o adversário é expulso e Cristo é proclamado Senhor na vida daquela pessoa.Isso acontecerá vez após vez, se dermos ao Espírito a oportunidade.

A batalha pode estar passando com um de seus próprios filhos. Num certo domingo, quando meus filhos estavam cursando a universidade, fiz um apelo, e meu filho foi para frente em prantos. Ele é muito equilibrado emocionalmente, porém estava fora do seu normal,em soluços. Desci para falar com ele, e me disse: “Pai, tem mais três ou quatro pessoas aqui. Sei que você precisa dar atenção a elas”. Eu disse: “Filho, hoje não. Eu sou o único pai que você tem, e preciso dar a minha atenção a você. Não sei de tudo o que se passa com você, mas creio que tenho algo que possa ajudá-lo”. Abracei-o e fomos até o meu gabinete. Ele derramou seu coração. Naquele momento, ele estava lutando com um chamado de Deus na sua vida.

Hoje, estou muito contente por não ter dito: “Bem, essa não é a minha batalha”, e por não ter deixado para outra pessoa cuidar dele. Estou muito feliz que Deus me tenha dito: “Henry, não se afaste desta batalha. Você tem orado por seu filho; tem zelado por ele e agora ele está numa luta que determinará o restante de sua vida. Você precisa se unir a ele e ajudá-lo a alcançar a vitória”.

Como resultado daquele tempo de conversa e oração no gabinete, ele definiu a questão do chamado de Deus para sua vida e foi para Noruega por um período de dois anos. Voltou para fazer faculdade de teologia e retornou a Noruega como pastor principal de uma congregação. Eu estava presente no momento em que cada um dos meus cinco filhos sentiu o chamado de Deus e sou grato a Deus por ter me equipado de tal forma que, quando percebo que há uma batalha, consigo entrar nela e lutar até ver a vitória.

Você pode vigiar e orar com Jesus?

Pode ser que você esteja num momento crítico em que precisa tomar uma decisão importante para se mover em direção a Deus. Talvez precise atender o convite do Senhor de acompanhá-lo ao seu Getsêmani. Pode ser que ouça a voz dele pedindo: “Você poderia ser um dos três que irá comigo para vigiar? Você pode vigiar e orar comigo enquanto carrego o peso da sua nação neste tempo atual?”

Ele ainda procura aqueles que aceitarão acompanhá-lo. Será que você é um desses? Será que você pode se ajoelhar diante dele e dizer: “Senhor, eu vou contigo. Eu não me afastarei nesta minha hora de batalha. Vou assistir enquanto o Senhor ganha a vitória, mas quero acompanhar-te de perto. Não quero permanecer onde estou na minha vida de oração. Quero entrar numa dimensão mais profunda de intercessão com o meu Senhor. Quero me mover de onde estou e chegar aonde o Senhor quer que eu esteja”.

Editado de uma mensagem dada na Conferência de Oração do Meio-Oeste (EUA) em 2006. Publicado com permissão.

2 respostas para “Com Cristo na batalha de oração”

  1. Marcio Rodrigues disse:

    Que artigo edificante como os demais !
    todos os dias vejo os artigos como devocionais na qual tem trazido grande edificação.
    Deus abençoe ainda mais essa Equipe.

  2. Elias de Paula Alves disse:

    Edificante, mexeu comigo. Essa equipe me ajuda muito, até nos meus sermões gosto de ler este artigo – tem me enriquecido. Deus abençoe grandemente…

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