Avivamento – O Que É?

Publicado em: 02/05/2012 Categorias: Arauto / Vida Cristã no Lar

Arauto - Ano 13 - nº 03 - Out/Dez 1995

Por: Brian H. Edwards

Muitas definições e descrições de avivamento já foram oferecidas, mas eu o definiria da seguinte maneira: um verdadeiro avivamento do Espírito Santo é um aumento extraordinário na vida espiritual de um grande número de pessoas do povo de Deus, acompanhado por uma tremenda consciência da presença de Deus, intensidade de oração e louvor, uma profunda convicção de pecado com um desejo intenso e ardente por santidade e eficácia muito maior no evangelismo, resultando na salvação de muitos incrédulos.

O avivamento é extraordinário, grande, eficaz e, acima de tudo, é algo que Deus traz. É realmente impossível para o homem criar o avivamento. Embora os homens possam se preparar e orar por ele, o avivamento é obra da soberania de Deus, não essencialmente para o benefício de Seu povo, mas para Sua própria honra e glória!

Comentando sobre Atos 2:1: “Quando o dia de Pentecostes veio,” Arthur Wallis afirma: “Todo avivamento genuíno tem um selo evidente da soberania divina, e isto se vê com mais clareza no fatortempo do que em qualquer outra área. O momento para aquele derramamento inicial do Espírito não foi determinado pelos crentes no cenáculo mas por Deus, que séculos antes o havia simbolizado naquelas figuras maravilhosas do Velho Testamento.”

Olhando para os avivamentos passados, você só pode afirmar que foram acontecimentos gerados por Deus. Se existe qualquer outra explicação, então não foi avivamento. Nas palavras de Duncan Campbell: “Avivamento é uma comunidade saturada com Deus.” Não há maneira melhor para explicar ou descrevê- lo.

Deus Vem Repentinamente

Esta é uma característica típica do avivamente. O que aconteceu no tempo de Ezequias foi “feito muito rapidamente” e o mesmo aconteceu 700 anos mais tarde quando, no dia de Pentecostes: “E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa…” (Atos 2:2). Não importa quanto tempo as pessoas estiveram orando ou esperando, quando o avivamento vem, é sempre uma surpresa.
Quando Deus veio ao norte da Coréia em janeiro de 1907 foi numa segunda-feira após um domingo particularmente formal e fraco; o missionário e os cristãos nativos ansiavam pelo avivamento, mas não parecia que aquela seria ou poderia ser a hora certa.

Em 1859, Deus se moveu de forma poderosa na Grã-Bretanha. Era maio quando, em Broughshane, uma vila a quatro milhas de Ballymena na Irlanda do Norte, o avivamento começou. O ministro presbiteriano da vila, Archibald Robinson escreveu que “Estávamos orando e esperando por uma bênção tão preciosa, mas fomos tomados de surpresa, tão repentinas, poderosas e extraordinárias foram as manifestações da presença do Espírito.”

No avivamento as coisas acontecem repentina e inesperadamente. As reuniões se prolongam, multidões se reúnem e sermões têm de ser pregados, não porque tudo é arranjado com antecedência, mas porque Deus está operando. As pessoas chegam para uma reunião sem avisar, movidas por uma mão invisível. Isaías descreveu algo assim quando Deus fazia “coisas tremendas que não esperávamos, descias, e os montes se escoavam diante da Tua face”(ls 64:3).

No avivamento Deus dirige tudo, é Sua obra soberana. Em Herrnhut, em 1727, Zinzendorf admitiu: “Até o momento, nós éramos os líderes e obreiros. Agora, o próprio Espírito Santo tomou o controle completo de tudo e de todos.” Os avivamentos nunca são anunciados com antecedência; e não o podem ser porque Deus escolhe a hora. Um avivamento que é proclamado e arranjado com antecedência não é um avivamento verdadeiro. Vez após vez, através da história da igreja, descobrimos que o avivamento surpreende o povo de Deus.

Tudo Com Maior Intensidade e Destaque

Entretanto, há pouca coisa nova no avivamento. Todos os elementos que descobrimos no avivamento, quer na Bíblia ou na história da igreja, estão presentes na vida normal da igreja. A igreja ora, arrepende-se, adora e evangeliza. Ela deixa de ser igreja quando estas coisas não existem, mas no avivamento, têm mais intensidade e destaque. Eu me refiro à vida normal da igreja deliberadamente. O avivamento não é mais normal do que o declínio espiritual e a apostasia. Estas são extremidades opostas da vida normal da igreja.

O avivamento é supernormal e a apostasia é subnormal. Por isso, raramente encontramos coisas novas no avivamento. Quando as encontramos, as chamo de fenômenos do avivamento. A principal diferença entre a vida normal da igreja e o avivamento, é que no avivamento você encontra coisas velhas com vida nova. A igreja deveria sempre orar e pregar, os cristãos sempre deveriam ansiar pela santidade e buscar o perdão e dar o testemunho de sua fé.

Estes são os principais ingredientes no avivamento, mas não têm nada de novo. O que é novo é a maneira em que os cristãos oram e pregam, buscam a santidade e o perdão e dão testemunho da sua fé. No avivamento há uma vida e um poder extraordinários que não podem ser explicados adequadamente em termos humanos. Os cristãos fazem tudo em um nível diferente no avivamento.

Deus espera que Seu povo faça estas coisas constantemente, coisas que, no avivamento, Ele fará acontecer de uma maneira bastante inesperada. Nunca devemos imaginar que podemos criar um avivamento simplesmente imitando aqueles elementos que acompanham o avivamento. Não podemos fabricar o avivamento mais do que um garoto pode fazer uma obra-prima simplesmente copiando um Constable…

Podemos chegar à conclusão que não podemos fazer nada pelo avivamento a não ser orar. Mas quero enfatizar que há mais que podemos fazer, isto é, devemos preparar o caminho demonstrando a Deus que estamos falando sério com relação a querer o avivamento. Em geral, Deus não faz nada por aqueles que não fazem nada. Ele simplesmente diz: “Vós não tendes porque não pedis” (Tiago 4:2). E nunca vamos querer seriamente o avivamento a menos que saibamos o que é.

Algumas coisas parecem ser essenciais para demonstrar nossa seriedade para com Deus; há preparações que podemos fazer, mas devemos tomar cuidado para distingüir entre as coisas que são essenciais em nossa preparação para o avivamento, e as coisas que quase sempre acompanham o avivamento e vêm depois. Por exemplo, não pode haver dúvida de que tanto a oração quanto os cânticos estão presentes em quase todos os avivamentos, mas enquanto a oração é pré-condição essencial para o encontro de Deus com Seu povo, os cânticos não o são.

Historicamente, a igreja tem orado para trazer o derramamento do Espírito Santo de Deus, mas nunca pode simplesmente cantar e esperar que venha o avivamento. Às vezes, os dias e as condições estão muito difíceis e não dá para cantar muito, só clamar e chorar. Entretanto, quando Deus vem, os cânticos são inevitáveis.

Lloyd-Jones faz a mesma observação quando comenta sobre as características da preparação do avivamento: “Não é tempo para cantar, é hora de pensar, de pregar, de se converter. É tempo de proclamar a mensagem de Deus e Sua ira contra o mal e todas nossas tolas aberrações. O tempo para cantar virá mais tarde. Deixe o grande avivamento vir, deixe as janelas dos céus se abrirem, veremos homens e mulheres aos milhares sendo trazidos para o Reino de Deus, e então será a hora de cantar.”

Peterus Octavianus, da Comunidade Missionária da Indonésia, que foi grandemente usado por Deus no avivamento em Borneo em 1973, não pregava uma mensagem fácil. Dizia-se que ele não tinha tempo para enfeites ou brincadeiras desnecessários e ele deixava claro que “Os avivamentos não começam quando todos estão alegres e se divertindo. Eles começam com um coração quebrantado e contrito.”

Um relatório contemporâneo lembrava a seus leitores que a igreja em Borneo não precisava “de um surto repentino de reuniões brilhantes ou de um emocionalismo extremo, mas de arrependimento, confissão e abandono do pecado.”

Esta é, portanto, uma questão séria. Pode ser mais séria do que qualquer outra nos artigos que os cristãos poderiam estar lendo nestes dias!
Há algo que Deus quer fazer que poucas pessoas nos nossos dias já viram. Podemos ter sentido o Seu toque ou ter experimentado um pouco de Sua presença, mas há muito mais. No princípio, “Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra” (Gn 2:6). Mas os resultados foram muito diferentes quando “…as janelas dos céus se abriram!” (Gn 7:11b). Nada deve nos satisfazer plenamente na terra até que a nossa comunidade seja “saturada com Deus.”

Extraído do título Avivamento! Uma pessoa saturada com Deus, de Brian H. Edwards com permissão da Evangélica! Press

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