As Crianças do Reino no Abraço de Deus

Publicado em: 29/01/2012 Categorias: Arauto / É Possível Mudar o Curso de Uma Nação?

Arauto - Ano 28 - nº 03 - Jun/Set 2010

Por: Kim Butts

Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou” (Mc 9.36-37).

Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava” (Mc 10.13-16).

Jesus deixou muito claro para os discípulos como se sentia a respeito de crianças. Os textos acima são as únicas duas passagens registradas nas Escrituras que mencionam o fato de Jesus ter tomado alguém nos braços – e em ambas as ocasiões foram crianças! Marcos registrou esses carinhosos gestos do abraço de Deus a fim de revelar-nos algumas coisas muito importantes a respeito de crianças e do seu reino.

Sejam Bem-vindas, Crianças

No capítulo 9 de Marcos, vemos Jesus dando atenção especial ao treinamento dos seus discípulos. Depois de ensinar o princípio de servir (os últimos serão os primeiros), ele acentuou a lição tomando uma pequena criança nos braços e afirmando que acolher uma criança era o mesmo que acolher o próprio Jesus. Crianças pequenas geralmente são consideradas as últimas e as menores na ordem de importância. Contudo, Jesus, caracteristicamente, usou esse fato para ensinar aos discípulos mais uma lição a respeito do Reino de Deus, reforçando a importância de humildade e serviço nesse reino onde crianças têm o mesmo valor de qualquer outro cidadão aos olhos de Deus.

A fim de tornar essa verdade relevante para a cultura atual, é importante lembrar que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele não alterou sua posição sobre a importância de acolher as crianças. Mesmo assim, geralmente relutamos em fazer isso porque as crianças são imprevisíveis e “bagunceiras”. O desejo de Deus é tocar, mudar, transformar, abençoar e modelar seu povo, indiferentemente de idade ou maturidade. As crianças não são influenciadas pela posição de influência, riqueza ou status das pessoas que as amam. A única coisa que sabem é que recebem cuidado e afeto quando a graça de Deus é derramada sobre elas por meio de um ato amoroso, tal como um abraço ou uma palavra abençoadora. E, ao acolhermos uma criança, de acordo com a Escritura, estamos acolhendo o próprio Jesus.

Tragam as Crianças e Não as Impeçam

É interessante notar que pouco depois de o Senhor ensinar aos discípulos a importância de acolher as crianças, eles evidenciaram mais uma vez sua falta de compreensão. Talvez na tentativa de resguardar Jesus de “amolação”, tentaram afastar as pessoas que traziam crianças para serem tocadas pelo Mestre. Quão rapidamente se esqueceram dos pacientes, porém sérios ensinos de Jesus!

O mesmo acontece conosco até hoje. Parece que não estamos muito convencidos de que as crianças ocupam uma posição de igual importância à dos adultos. Evidenciamos nosso patente preconceito na atitude que temos em relação à educação espiritual das crianças. Se tivéssemos aprendido que acolher as crianças é o mesmo que acolher a Jesus Cristo, seríamos tão prontos a dar prioridade secundária à formação espiritual delas em nossos lares e igrejas? Crianças salvas são coerdeiras com Jesus, tanto quanto o são os adultos.

É impossível ser tocado por Jesus sem ser abençoado e mudado. Tome como exemplo a situação da mulher que tivera um fluxo de sangue durante doze anos. Ela “sabia” que tudo o que tinha de fazer era tocar a barra do manto de Jesus e ela ficaria bem. Foi muito grande a sua fé – fé inocente, como de uma criança! Da mesma maneira, o toque de Jesus libera o poder de Deus para transformar nosso coração.

Os pais que levaram seus filhos para Jesus sabiam que um toque dele mudaria para sempre a vida daquelas crianças. Você já se imaginou como uma das crianças que Jesus pegou nos braços e abençoou? Não teria sido interessante seguir cada uma delas e ver como Deus modelou o coração e a vida para serem usadas no seu Reino?

Na qualidade de pais, é nossa responsabilidade levar os filhos a Jesus. Descumprir esse dever sagrado é desobedecer ao Senhor. Estamos impedindo nossos filhos todas as vezes que não dedicamos tempo para educá-los e fortalecer sua fé simples e pura. Você tem culto doméstico em sua casa ou só confusão doméstica? John Wesley recomendava que houvesse adoração e estudo na família duas vezes por dia, de manhã e à noite. O formato sugerido incluía oração, cântico de alguns Salmos, estudo da Bíblia (um dos pais lia e explicava uma passagem das Escrituras e os filhos a explicavam de volta para os pais), cantar a Doxologia, ouvir uma bênção pronunciada por um dos pais e, finalmente, abençoar os filhos em nome de Jesus. A bênção incluía impor as mãos sobre a cabeça de cada filho e era ministrada mesmo que algum deles tivesse se comportado mal naquele dia.

Como a maioria das famílias tem se afastado de qualquer semelhança a esse padrão! Se você soubesse que não aproximar seu filho a Jesus diariamente é o mesmo que impedi-lo de receber o abraço carinhoso do Salvador, será que seus hábitos espirituais em casa mudariam?

Recebam o Reino Como Criancinhas

Jesus disse claramente que o Reino de Deus pertence aos pequeninos e que “quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele” (Mc 10.14-16). As crianças têm uma abertura e uma receptividade que lhes permitem receber o Reino de Deus como uma dádiva. O Reino não pode ser conquistado e é dado gratuitamente. Elas acreditam nisso e não duvidam.

Jesus queria que seus discípulos, tanto os daquela época quanto os de agora, compreendessem que, verdadeiramente, o Reino de Deus está próximo. Por meio da cruz, Jesus traz o Reino de Deus a nós, no presente momento. Como alguém já escreveu: “Uma parte da nossa tarefa, na função de postos avançados (bases militares) do Reino de Deus na Terra, é orar ativamente para que a realidade do governo de Deus, que por enquanto é manifestada perfeitamente só no Céu, venha fazer parte da nossa vida aqui na Terra”.

Sua família tem experimentado o Reino de Deus em seu dia a dia? Você ora para que o que acontece no Céu aconteça também aqui na Terra? Deus quer tocar, modelar e transformar a nossa vida para sermos úteis no seu Reino – agora! Somos suas mãos e seus pés, e ele deseja que recebamos seu Reino com fé simples e ingênua de tal modo que sua vontade seja realizada na nossa vida, nosso lar, nossa igreja, nossa comunidade e no mundo.

Costuma-se dizer que a realidade do Reino de Deus é “presente agora, mas ainda não plenamente consumada”. Nunca entenderemos a totalidade dessa verdade enquanto não vier a plenitude; entretanto, sabemos como Jesus viveu sua vida terrena. Se buscarmos a semelhança com Cristo, podemos ser transformados dia após dia por meio de atos de simples obediência à Palavra de Deus.

Você está ensinando seus filhos a viverem como Jesus? Você ama o Senhor seu Deus com todo o coração, a alma, a mente e a força? Você ama seu próximo como a si mesmo? Seus filhos estão aprendendo a obedecer ao Pai celestial? Como uma família, vocês estão crescendo na fé? Estão servindo aos pobres e às pessoas marginalizadas na sua comunidade? A oração é uma atividade contínua durante todo o dia? Seus filhos sabem que Deus os ama incondicionalmente? Eles sabem que você também os ama dessa forma, na proporção em que busca uma vida semelhante a Cristo?

Dedique tempo a considerar cuidadosamente como as respostas a essas perguntas afetam sua família. O que é necessário mudar para que Jesus seja revelado em sua vida prática – e na vida de seus filhos?

Abençoe as Criancinhas

Desde o tempo em que meu filho era muito jovem, adotei a prática de impor as mãos sobre sua cabeça e proclamar uma bênção sobre ele. Normalmente, eu utilizava uma versão modificada da bênção do sumo sacerdote em Números 6.24-26: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz”. Talvez esta tenha sido exatamente a bênção utilizada por Jesus em Marcos 10.

De acordo com a instrução da Palavra de Deus e com os conselhos de John Wesley, a bênção deve sempre ser ministrada em nome de Jesus. Sou grato por que, independentemente do tipo de dia que David e eu havíamos passado, se ele havia sido repreendido ou se eu havia me zangado – nós sempre fomos capazes de oferecer e de receber expressões de perdão e amor um para o outro por meio desse precioso tempo de bênção. Acredito que Deus também quer ter esse tipo de contato íntimo conosco. Ele quer abençoar-nos e transformar-nos à imagem do seu Filho. Ele nos ama muito mais do que qualquer pai terreno poderia amar um filho ou uma filha.

A imposição de mãos é significativa, tanto no Velho Testamento quanto no Novo. Além da função de abençoar (Gn 48.13-20; Mc 10.16), esse gesto era usado para comissionar alguém para uma nova responsabilidade (Nm 27.23; At 6.6; 13.3; 1 Tm 5.22), transferir culpa do pecador para o sacrifício (Lv 1.4), transmitir dons espirituais (At 8.17; 19.6; 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6) e curar (At 28.8; Mc 1.41). Deus quer que saibamos como é importante o ato de impor as mãos sobre uma outra pessoa.

O que aconteceria se você começasse a impor as mãos e abençoar seus filhos todos os dias em nome de Jesus? Eu sei o que aconteceu em nossa casa. Quando David tinha cerca de quatro ou cinco anos, ele começou a colocar as mãos na minha cabeça e me abençoar de volta. Se eu me esquecesse de abençoá-lo, ele me lembrava, mesmo que isso significasse um telefonema (abençoávamos um ao outro por interurbano quando necessário). Talvez a lembrança mais significativa que eu tenho, que acabou selando a importância de abençoar os filhos, foi quando meu filho já adulto, na véspera do seu casamento, veio até o meu quarto para ser abençoado uma última vez antes de iniciar sua vida conjugal. Tenho certeza que ele abençoará seus filhos também, porque sei do impacto que isso teve na vida dele. Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos” (Sl 112.1-2).

Jesus Tem Planos Para os Seus Filhos

Jesus utilizou as crianças para ensinar princípios do Reino aos seus discípulos e até chamou seus seguidores de todas as épocas de “pequeninos”. Uma palavra tão carinhosa, usada muitas vezes nas Escrituras, oferece-nos um quadro bem claro de como Deus vê as pessoas que herdarão seu Reino. Deus deseja que confiemos nele plenamente e o obedeçamos de todo o coração. Ele anseia que nos aproximemos dele livres dos impedimentos de ambições mundanas e constrangimentos adultos.

Tire tempo para aprender sobre Jesus com seus filhos. Como é que eles o veem? O que creem a respeito dele? Como é o som da voz de Jesus para eles? Eles confiam que ele cumprirá suas promessas? Acreditam que cuidará deles, que os curará, fortalecerá e confortará? Se possuem dúvidas, quais são e de onde vêm?

Você está fazendo sua parte para treiná-los no caminho em que devem andar (Pv 22.6)? Se não, por que não? Você está muito ocupado? Está esperando que algum professor de Escola Dominical faça isso por você?

Pense seriamente sobre sua responsabilidade de cuidar de seus filhos. Jesus tomou as crianças nos braços, impôs as mãos sobre elas e as abençoou. Você faz isso com seus filhos?

Jesus quer usar seus filhos em favor do seu Reino nesta Terra de tal modo que muitas outras pessoas sejam atraídas para o seu Reino eterno. Dedique tempo para conduzir seus filhos a Jesus.

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