A Vida Consagrada

Publicado em: 02/07/2017 Categorias: Arauto / Existe esperança de um despertamento cristocêntrico?

Arauto - Ano 35 - nº 02 - Abr/Jun 2017

A Vida Consagrada

Por J. Stuart Holden 

Eu, porém, perseverei em seguir o Senhor, meu Deus” (Js 14.8).

Uma das maiores necessidades da nossa vida cristã moderna é recuperar o senso indispensável de dedicação total de coração que parece ter-se perdido quase por completo. As pessoas estão contentes em conhecer Cristo como Salvador de maneira bem genérica, mas sem qualquer premência envolvente que traga mudança radical de propósito e empenho.

Há muitos que pertencem a Cristo no sentido de confiarem nele para receber salvação e dádivas divinas, e que fazem parte dos seus seguidores, mas que nunca entregaram tudo a ele. Existem áreas em suas vidas que nunca permitiram que Cristo invadisse. Cristo é seu Salvador, mas está longe de ser seu Soberano; daí a sua fraqueza e falta de eficácia como testemunhas de Cristo. Pois apenas aqueles que o seguem inteiramente é que causam algum tipo de impacto por Jesus na vida do mundo.

Compare tal mornidão e descompromisso com o testemunho de Calebe que nada tinha de egoísmo, apenas a declaração sucinta de um alvo muito bem definido. “Eu perseverei em seguir o Senhor” é o testemunho de um homem que nunca deixou de medir sua vida de acordo com os padrões de Deus e que viveu sua vida diante dos homens de forma impecável. Na medida em que procurou seguir ao Senhor, a luz ficou cada vez mais clara; ao mesmo tempo, ele reagiu à luz mais forte oferecendo maior consagração.

Um homem como esse ficará sozinho na maioria das vezes, não se importando com a falta de popularidade. Pois ter uma mente focada num propósito único significa, geralmente, não ter companhia num mundo em que as pessoas não temem o Senhor, mas adoram seus próprios ídolos. Calebe havia aprendido que o segredo da perseverança é “ver aquele que é invisível”. Ele captou e guardou a visão que sempre se revela para os que são puros de coração. Na medida em que seguia o Senhor inteiramente, ele o viu com uma clareza cada vez maior. Assim, seu coração se tornou constante na mesma medida em que seu caminho se tornava claro.

Igualmente, se nós também, ao vermos o caminho do Senhor, nos dispusermos a experimentar a felicidade de andar nele, custe o que custar, a maioria das perplexidades da vida desaparecerá. Apesar das vozes clamorosas ao nosso redor, existe sempre um caminho plano para os pés que estão dispostos. É o caminho da cruz.

Consequências positivas da consagração

Quando uma pessoa segue o Senhor inteiramente, consequências inevitáveis de sua consagração são vistas em sua vida e são facilmente reconhecidas por aqueles que a observam. Em primeiro lugar, ela é liberta das amarras do ego. Como sabemos através de experiências penosas, nós nunca realmente desfrutamos a liberdade até que nos submetamos à lei de Deus. Isso é verdade em todas as dimensões e esferas de nossas vidas. Autossatisfação acaba em total escravidão. O homem que vive apenas para fazer sua própria vontade, sem nenhuma referência a Deus, logo se encontra preso em fortes grilhões forjados por ele mesmo. Torna-se moralmente impossível quebrar as cadeias com as quais ele mesmo se prendeu.

Toda obediência que nos custa caro fortalece e amplia o vigor moral para uma obediência mais profunda e a capacidade para superar conflitos. Devemos ser advertidos, ao mesmo tempo, de que o oposto também é verdadeiro. Pois toda desobediência impede o ministério da graça de Cristo ao nosso coração. Uma desobediência conscientemente permitida, a manutenção de um hábito reprovável, a preservação de um relacionamento errado, a falha em refrear um apetite da carne a despeito das inquietações da consciência – e o ministério da graça de Cristo logo é bloqueado. Sim! Todo o nosso bem-estar espiritual e moral depende somente dessa disposição radical de seguir o Senhor de todo o coração, exemplificado de modo tão belo por Calebe.

Em segundo lugar, o homem que segue o Senhor de todo coração certamente se tornará semelhante a ele. Esse é o segredo manifesto de toda transformação de disposição e caráter. Fidelidade habitual aos seus mandamentos é uma corrente purificadora que enriquece e fertiliza todas as áreas da vida, pois ideais indignos são substituídos por propósitos puros e elevados. Capacidades imperfeitas são fortalecidas pelos dons sobrenaturais do Espírito. Frágeis esforços humanos tornam-se efetivos pela ação divina ao nosso lado. Quando Cristo é o Rei inconteste, ele faz com que aqueles que o seguem sejam inquestionavelmente vencedores.

Além disso, existem heranças espirituais que são apropriadas somente quando seguimos o Senhor inteiramente. Hebrom foi prometida a Calebe por causa de sua fidelidade. Existem “Hebrons” que são nossas em virtude da promessa de Deus. Existem coisas que nos pertencem em Cristo, riquezas insondáveis, abundância de graça e tudo o que é necessário para a vida e para a piedade. Mas elas só se tornam nossas de fato quando o seguimos inteiramente. Empobrecemos a nós mesmos se permitimos que qualquer coisa conteste a soberania de Cristo em todas as áreas.

Todas as coisas são nossas quando somos completamente dele. Contudo, cada herança espiritual traz consigo um novo conflito. Os anaquins continuavam vivendo em Hebrom. Calebe sabia que a terra era dele, mas foi necessário expulsar os invasores. Assim também é conosco. Cada novo passo na vida espiritual significa novas lutas. Cada nova bênção reivindicada torna-se um campo de batalha – no qual não lutamos sozinhos. O inimigo terá de ser desalojado vez após vez.

Hebrom é um presente de Deus para nós; e, se quisermos de fato tomar posse desse presente, descobriremos, como Calebe, que “ele nos fez valentes, mais fortes do que os fortes”. Só não podemos fugir da batalha; se fugirmos, perderemos a bênção. Seguir a Cristo inteiramente significa participar de sua vitória, porém não sem ser ferido.

Outro aspecto da soberania incontestável de Cristo que devemos observar é o seu claro e definitivo chamado ao serviço. Segui-lo inteiramente significa para cada crente individualmente a alegria tanto de dar quanto a de receber, o privilégio de cooperar com a sua obra no mundo.

Para alguns, isso significa o campo missionário. Para outros, significa alcançar os perdidos em sua própria nação. Para todos, significa uma vida derramada em favor da salvação dos perdidos; e um sacrifício de si mesmo que é o único meio de trazer as bênçãos do sacrifício redentor de Jesus para perto dos homens.

Essa é a única vida de felicidade autêntica e paz límpida e serena. A escolha é nossa. “Segui-me”, Cristo diz. E quando a Hebrom celestial for nossa e todas as batalhas da vida forem concluídas e encerradas, será nossa eterna alegria ser contados entre os Calebes que seguiram inteiramente o Senhor.

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