A Batalha Pela Pureza Sexual

Publicado em: 25/07/2012 Categorias: Arauto / Qual Será a Igreja Eterna?

Arauto - Ano 09 - nº 01 - Jan/Fev 1991

O desejo sexual é poderoso. Muitos dizem que ele é simplesmente uma outra necessidade básica, como a fome e a sede, ou uma outra função biológica. Porém, Paulo diz algo diferente aos Coríntios: “Os alimentos são para o estômago, e o estômago para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém, o corpo não é para a impureza, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo” (1 Coríntios 6:13).

Paulo insiste que a analogia entre saciar nossa fome de alimentos e ce­der aos nossos desejos sexuais não é válida para Deus. “Natural” nem sem­pre quer dizer “certo.”

Outras necessidades são básicas para nossa existência física, mas o sexo não o é. Morreremos se não tive­rmos água e comida, mas não morre­remos se não tivermos sexo. Sexo nunca é uma emergência, e a imora­lidade nunca é uma necessidade.

lascívia sexual é condenada no Antigo Testamento. O 10° mandamen­to proíbe a cobiça do cônjuge de ou­trem (Êxodo 20:17). Provérbios ad- vertenos detalhada e repetidament acercada imoralidade da lascívia, c zendo que é perverso quem cede lascívia e é sábio quem resiste à e (Provérbios 2:16-19; 5:1-23; 6:23-29),

Podemos aprender bastante sobre lascívia através dos exemplos (negai vos, à primeira vista) de Sansão Dalila, Davi e Batseba, e Oséias Gômer. A representação de

Israel como esposa infiel, pelo profeta também demostra a fealdade da lascívia e da imoralidade (Jeremias Ezequiel 16).

Porém, a chave de todo o ensinamento bíblico acerca da lascívia encontra-se no Sermão do Monte, proferido por Jesus: “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma

mulher com intenção impura, no co­ração já adulterou com ela” (Mateus 5:27-28).

Jesus começa citando o que os seus ouvintes já conheciam — o man­damento de não cometer adultério. Entretanto, imediatamente ele passa à raiz moral do mandamento. Pureza sexual é muito mais que a abstinência da imoralidade física. É uma retidão in­terior, não apenas do corpo, mas da mente.

Jesus não está sendo injusto. Ele não está condenando-nos pelas ten­tações que surgem independente­mente da nossa vontade. Ele simples­mente está dizendo que não há des­culpa para alimentarmos uma fantasia mentalmente se o ato físico desta constitui uma imoralidade segundo a lei do Antigo Testamento.

Freqüentemente erramos ao permitir que certas tentações cruzem o nosso caminho. Descuidadamente, nos vemos em situações convidativas ao pecado.

Se exercitássemos a sabedoria e a prudência, evitaríamos em larga escala a tentação que cruza o nosso caminho.

Contudo, às vezes, realmente não podemos evitar a tentação sexual. Precisamos dar-nos conta de que Cris­to não ordena a tentação ou a inci­tação inicial ao pecado, mas sim a rendição mental à incitação pecami­nosa. A lascívia não é algo que sim­plesmente acontece. É uma escolha, um ato de vontade a fim de ceder mentalmente à tentação sexual.

Martinho Lutero disse-o melhor: “Você não pode evitar que os passa­rinhos voem sobre a sua cabeça, mas pode evitar que eles façam um ninho nos seus cabelos.”

Os fariseus devem ter ficado pas­mados com a complementação que Jesus deu ao mandamento do Antigo Testamento. Enquanto eles se orgulhavam da sua retidão exterior, Jesus atacou sua podridão interior. Porém, ele continua, e ainda fala mais severa­mente sobre a lascívia: “Se teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e .náo seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mateus 5:29-30).

Por interpretar erradamente esta e outras passagens, alguns cristãos sin­ceros dos primeiros anos da história da igreja castraram-se, tentando, assim, obter vitória sobre o pecado da lascí­via. Mutilar o corpo é destruir o templo de Deus; não é esta, pois, a solução para a lascívia.

O que Jesus queria dizer, então? Ele se refere ao olho e a mão em Mateus 5 por razões específicas. O olho representa a porta através do qual os dados mentais são recebidos e os pensamentos desenvolvidos. A mão significa a ação ou o comportamento realizado de acordo com os pensa­mentos. A mão direita e o olho direito são mencionados porque são os mem­bros mais usados pela maioria das pessoas. O fato é que, se até mesmo nossos membros mais valiosos são causa de pecado em nossas vidas, eles devem ser eliminados (“arranca-o e lança-o de ti”). Ao mencionar o in­ferno, ele está relembrando severa­mente que o pecado será punido por um Deus que é santo. Há implicações eternas para os nossos pensamentos e ações presentes.

Jesus está dizendo que qualquer que seja a verdadeira origem do pe­cado, ela deve ser radicalmente cor­tada. Mas os membros do nosso corpo são a verdadeira origem do pecado? A resposta clara das Escrituras é NÃO. O olho e a mão são apenas instrumentos através dos quais a tentação ataca e o pecado é cometido. O verdadeiro ini­migo é a carne, a natureza pecami­nosa que impele-nos à rebelarmo-nos contra Deus.

Quantos de nós são como os fa­riseus, que orgulhamo-nos da nossa pureza e olhamos de cima para baixo os sexualmente corrompidos quando nossas próprias mentes são esgotos através dos quais flui diariamente uma torrente de imundície? Geralmente, não é a integridade genuína que im­pede-nos de cometer certos pecados físicos, mas o medo, a vergonha e a falta de oportunidade (pelo que deve­mos estar sempre gratos!) (Rom. 7:4- 25; 8:1-14; Gal. 5:13-26).

O pecado sexual sempre começa na mente, embora nem sempre termine ali. Nem toda lascívia termina em adultério físico, mas todo adultério é fruto da lascívia. Jesus foi longe tentando ensinar os fariseus que é o interior do homem, não o exterior, que constitui seu verdadeiro estado diante de Deus (Mat. 15:1-20; 23:1-39).

Será que Jesus está dizendo que não existe diferença entre o adultério mental e o ato físico do adultério? Não. Ele está dizendo que ambos são pe­cados, pecados sexuais, e que ambos são uma forma de adultério.

Por outro lado, certamente Jesus não está querendo dizer: “Se você pe­car na sua mente, pode ir adiante e fazer o mesmo com o seu corpo, porque não faz diferença.” Ao invés disso, ele está querendo dizer: “Se você pen­sa que é santo porque se absteve de um certo pecado físico, você está absolutamente errado. Você tem que dar conta para Deus tanto do seu cor­po, como da sua mente.”

É precisamente isso que o apóstolo João expressou quando disse: “Todo aquele que odeia seu irmão é assas­sino” (1 João 3:15). Ele não está dizendo que não há diferença entre o assassinato mental (causado pelo ódio) e o real, mas ele está dizendo que o ódio é pecado — exatamente o tipo de pecado cometido num assas­sinato.

Certa manhã, eu falava a um grupo de cristãos de um campus universitário secular. O assunto era a batalha pela pureza sexual. Quando entrei no local, mal pude acreditar nas fotos e figuras que cobriam as paredes. Muitas não eram simplesmente sugestivas, mas obscenidades descaradas —porno­grafia issimulada de arte. Sabendo que muitos dos estudantes para os quais eu falaria passam um bom tempo na­quele local todos os dias, decidi usá-lo como ilustração. Assim que o fiz, todas as cabeças naquela sala aquiesceram, reconhecendo.

A presença daquelas fotos em­preendia uma luta contínua contra suas mentes. Alguns, com certeza, estavam vencendo a luta. Outros, sem dúvida, já a haviam perdido. Tenho diante de mim uma carta escrita por um daqueles jovens em resposta à minha palestra naquele dia: “A pureza sexual da mente é a coisa mais difícil para mim. Ser cristão exige um tre­mendo autocontrole, não é mesmo?”

O autocontrole é o fruto do Espírito que geralmente esquecemos (Gálatas 5:22-23). Escutamos muito acerca de amor, alegria e paz, mas nunca expe­rimentaremos a pureza sexual se não aprendermos a ter autocontrole, que é uma questão mental.

A lascívia é o oposto do amor. Sa­tanás não quer nada mais, nada me­nos do que fazer-nos ignorar a diferen­ça entre estes dois. A raiz da lascívia é o egoísmo; ela usa outra pessoa para satisfazer a si mesma. O amor, ao contrário, sempre age pensando no bem da outra pessoa. “O amor sempre pode esperar para dar — a lascívia nunca pode esperar para ter.”

O pecado sexual nunca surge de

repente. É o resultado previsível de um longo processo natural no qual uma mente suscetível ao pecado se expõe à imoralidade.

Doug era um seminarista que es­tava se preparando para o ministério. Certa noite, ele teve uma discussão com sua esposa. Triste, saiu de casa, dirigiu até um restaurante próximo e tentou esfriar a cabeça tomando uma xícara de café. Logo, Doug estava to­talmente mergulhado numa conversa com uma jovem. Algumas horas mais tarde, estava na cama com ela.

Doug procurou-me cheio de vergo­nha e angústia. “Como vou contar para minha esposa?” ele perguntava. “Foi tão de repente — ninguém me avisou. Por que Deus permitiu que isso acontecesse?”

Mike é um executivo bem sucedido, líder na igreja e um homem de família. Um dia, ele encontrou uma mulher atraente no elevador e pensou que ela estava flertando com ele. Antes de saber se isso era verdade ou não, Mike pediu à ela que viesse ao seu escritório e se despisse na frente dele. Felizmente, ela recusou. Mas Mike fi­cou chocado com o que havia feito (e com o que poderia ter feito se, ela tivesse aceitado o convite). “O que está acontecendo comigo?” ele per­guntou. “Como pude fazer isso?”

Aparentemente, parece que Doug e Mike caíram no pecado sexual repen­tinamente, sem prévio aviso, mas não foi este o caso.

Doug havia trabalhado sem parar a fim de entrar no seminário. Sutilmente, ele passou a ressentir-se de Joan, sua esposa, pois passou a vê-la, bem como os filhos, como obstáculos para atingir a seu objetivo: formar-se a entrar para o ministério. Haviam-se passado dois anos sem que ele e Joan passassem um tempo somente um com o outro ou conversassem num outro nível, que não o superficial. A re­lação deles estava desgastada, mas faltava para ambos força ou energia para mudá-la. Quando Joan e as crianças estavam visitando os paren­tes, Doug aproveitava para descansar dos estudos, e saía para tomar ar fresco. Ele terminava vendo um filme pornográfico. Depois disso, todas as vezes que ele tinha relações sexuais com Joan, ele fingia que era a mulher do filme. Ele se sentia culpado, em­bora parecesse que não havia mal naquilo.

O que aconteceu com Mike, na ver­dade, começou muitos anos antes de ele pedir para aquela jovem despir-se em seu escritório. Ele tinha problemas com a lascívia. Pior que isso, ele se negava a reconhecê-lo ou a tratá-lo. Durante sua hora de almoço, Mike freqüentemente parava numa banca para comprar um jornal ou uma caixa de chicletes. Ele sempre andava por toda a banca e folheava revistas como a Playboy. Ele nunca pretendia fazê-lo (ele disse a si mesmo). Mas sempre fazia.

A mesma mente que queria servir a Cristo, deixava-se deliciar com fan­tasias lascivas. Uma vez na mente de Mike, programada pelas imagens imo­rais com que ele a alimentava, estas impulsionavam-no a agir imoralmente.

“Plante um pensamento e colherá uma ação; plante uma ação e colherá um hábito; plante um hábito e colherá um caráter; plante um caráter e colhe­rá um destino.”

Somos o que pensamos. Os pensa­mentos de hoje formam o caráter de amanhã. A tentação pode chegar re­pentinamente, mas não o pecado. Nem a fibra moral e espiritual. Elas são o resultado de um processo — um pro­cesso do qual TEMOS O CONTROLE. A melhor maneira de se guardar das tentações sexuais de amanhã é culti­var uma mente pura hoje, uma mente saturada das coisas de Deus, não das do mundo.

Nossa moral sexual é a soma de uma série contínua de escolhas, de­cisões e ações, incluindo aqueles pe­quenos prazeres e minúsculas conces­sões. Como uma chapa fotográfica de metal, que acumula luz a fim de formar uma imagem, a nossa mente é o resul­tado cumulativo de tudo o que a ex­pomos — seja de Deus ou do mundo.

Mulher ou homem, jovem ou velho, cristão ou não, todos nós encaramos uma batalha por pureza sexual. O ini­migo é a lascívia, o preço é alto, a re­compensa é a paz e o prazer da pu­reza.

E a batalha é na nossa mente.

Randy C. Alcorn

(Fonte: Fundamentalist Journal)

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