Uma Oração com a Dimensão de Deus

Publicado em: 06/10/2013 Categorias: Arauto / O Fogo Purificador do Espírito

Arauto - Ano 31 - nº 02 - Mar/Jul 2013

Leonard Ravenhill

De acordo com o poeta Oliver Wendell Holmes, a mente de uma pessoa, depois de “esticada” além de seus limites normais por uma ideia nova, nunca mais volta às dimensões anteriores. Se isso for verdade, o que se dirá do coração que já escutou o sussurro da Voz eterna? “As palavras que eu [o Senhor] vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6.63).

Nossas pregações hoje acham-se bastante debilitadas pelas citações que to­mamos emprestadas daqueles que já morreram em vez de recorrermos ao Senhor. Um livro é bom quando nos serve de guia; mas torna-se pernicioso quando nos acorrenta.

Assim como os cientistas modernos chegaram a uma nova dimensão de poder quando dominaram a energia atômica, a igreja também precisa redescobrir o ilimitado poder do Espírito Santo. De fato, é preciso que aconteça alguma coisa que venha atacar a iniquidade desta era dominada pelo pecado e destruir a compla­cência dos crentes adormecidos. Precisamos de pre­gações vivas e vidas vitoriosas que só podem ser obtidas por meio de vigílias persistentes no recinto de oração.

Alguém poderá dizer: “Se quisermos uma vida santa, precisamos orar!

Mas a recíproca também é verdadeira. Temos que viver uma vida santa se quisermos orar. É o que diz Davi: “Quem subirá ao monte do Senhor?… O que é limpo de mãos e puro de coração” (SI 24.3,4).

O segredo da oração é o lugar secreto. É bom ler livros sobre oração, mas só isso não basta. Assim como um livro de culinária pode ser excelente mas totalmente inútil se não tivermos os ingredientes à nossa disposição, o mesmo ocorre com a oração. Alguém pode ler toda uma biblioteca sobre oração e não conseguir poder espiritual algum. Temos que aprender a orar – mas para aprender é preciso orar.

Enquanto uma pessoa estiver sentada numa cadeira lendo o melhor livro que existe sobre saúde, na prática ela pode definhar dia a dia. Da mesma forma, é possível ler tudo sobre oração, maravilhar-se com a perseverança de Moisés ou ficar profundamente comovido com os lamentos e gemidos de Jeremias, e ainda não aprender nem o abecê da intercessão. Assim como a bala que fica na arma não chega ao seu alvo, o coração sem encargo de oração jamais obterá fruto diante de Deus.

“Em nome de Deus vos rogo: alimentai vossa alma com oração assim como alimentais vosso corpo com as refeições”, disse o fiel Fénelon (teólogo e escritor francês do século 17).  E Henry Martyn (missionário anglicano aos povos da Pérsia e da Índia no início do século 19) se expressou assim: “Atribuo minha atual condição de debilidade espiritual ao fato de não ter tempo e tranquilidade suficientes para meu momento de devoções particulares. Ah, quem me dera ser um homem de oração!”

Um escritor do passado afirmou o seguinte: “Muitas vezes, ao orar, somos como um garotinho que toca a campainha de uma porta e, depois, sai correndo antes que alguém atenda”. De uma coisa não há dúvida: a área mais inexplorada das riquezas de Deus é a da oração.

Quem sabe calcular a dimensão do poder de Deus? O homem é capaz de calcular o peso do mundo; sabe dizer o tamanho da Cidade celestial, contar quantas estrelas há no céu, medir a velocidade da luz, informar a hora exata do nascer e do pôr-do-sol — mas não sabe avaliar o poder da oração.

A oração tem o tamanho de Deus, pois é ele quem nos dá a garantia dela. Ela tem as dimensões do próprio poder de Deus, pois ele já se comprometeu a atendê-la. Que Deus se compadeça de nós por gaguejarmos tanto ao praticar essa que é a atividade mais nobre que a língua e o espírito humanos podem exercitar. Se Deus não nos iluminar no aposento da oração, caminharemos em trevas. O momento de maior constrangimento para o crente no dia do juízo será aquele em que tiver de encarar sua falta de oração.

Eis um trecho majestoso do admirável São Crisósto­mo: “O poder da oração subjugou a força do fogo, domou a ira de leões, silenciou revoltosos, pôs fim a guerras, acalmou a natureza descontrolada, expulsou demônios, rompeu as cadeias da morte, escancarou os portões do céu, minorou enfermidades, repeliu mentiras, resgatou cidades da destruição, deteve o curso do sol e o avanço do relâmpago. A oração é uma poderosa armadura, um tesouro infinito, uma mina que nunca se esgota, um céu jamais obscurecido por nuvens nem turbado por tempestades. Ela é a raiz, a fonte, a mãe de mil bênçãos.”

Será que essas palavras de Crisóstomo são simples retórica visando a fazer com que algo comum pareça extraordinário? A Bíblia desconhece tais artifícios.

Onde está um novo Elias?

Elias era um grande conhecedor da arte da oração, tanto que conseguiu alterar o curso normal da nature­za e estrangular a economia de uma nação. Pela oração, ele fez descer fogo do céu, levou homens a se prostrarem e a chuva a cair do céu novamente. Precisamos de chuva, de muita chuva. As igrejas se encontram tão ressequidas que a semente não consegue germinar. Os altares estão secos, sem lágrimas ardentes de pecadores arrependidos. Ah, quem nos dera um Elias! Numa ocasião em que o povo de Israel clamou pedindo água, um homem “feriu” a rocha, e aquela fortaleza de granito tornou-se um ventre do qual brotou uma nascente de água. “Acaso para Deus há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14). Que ele nos envie um homem que possa “ferir” a rocha!

Precisamos entender que a finalidade da oração em secreto não é meramente entregar para Deus uma lista de pedidos. É verdade que “a oração muda as coisas”? Definitivamente, sim; contudo, antes de tudo ela muda as pessoas. No caso de Ana, por exemplo, a oração não apenas removeu seu opróbrio, mas transformou a própria vida: de estéril tornou-se fértil; de espírito em luto, passou a regozijar-se (1 Sm 1.10; 2.1). A oração converteu seu “pranto em folguedos” (SI 30.11).

Pode ser que esteja­mos pedindo “folguedos” quando ainda não prantea­mos. Tentamos colocar a “veste de louvor” quando Deus diz que a dará aos que têm “espírito angustiado”, aos “que em Sião estão de luto” (Is 61.3). Se o que desejamos é obter uma colheita abundante, o princípio a ser aplicado é o mesmo, pois “quem sai andando e chorando enquan­to semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (SI 126.6).

O clamor profundo de Moisés, que moveu a decisão de Deus, saiu de um coração despedaçado, em luto: “Ah, que grande pecado cometeu este povo! […] Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste” (Êx 32.31,32 – NVI). Da mesma forma, Paulo foi tomado por grande encargo e profunda dor quando afirmou: “Tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” (Rm 9.2,3).

Se João Knox tivesse orado: “Senhor, dá-me sucesso na vida”, ninguém jamais teria ouvido falar dele. Porém, sua oração foi totalmente isenta de amor-próprio: “Senhor, dá-me a Escócia, senão morrerei”. E sua petição entrou para as páginas da História. Se David Livingstone tivesse pedido a Deus a possibilidade de desbravar toda a África para demonstrar seu espírito indômito e sua habilidade no uso do sextante, suas palavras teriam sido levadas pelo vento. Mas sua oração foi: “Senhor, quando irá cicatrizar-se a chaga do pecado deste mundo?” Ele viveu orando e morreu da mesma forma, de joelhos, em oração.

Para fazer frente a esta geração ávida pelo pecado, só uma igreja ávida pela oração. Precisamos voltar a nos apropriar de “suas preciosas e mui grandes promessas”. Naquele grande dia, o fogo do juízo vai provar a qualidade, e não a extensão da obra que realizamos. A que for gerada em oração resistirá ao teste.

É por meio da oração que conseguimos resultados concretos com Deus. Ela desperta em nós fome de ganhar almas; e a fome de ganhar almas nos leva à oração. O coração que tem entendimento espiritual ora; e o que ora obtém entendimento. Aquele que ora consciente de sua própria fraqueza recebe a força do Senhor. Oh, que sejamos pessoas de oração, tais como Elias – homem sujeito aos mesmos sentimentos e paixões que nós! Senhor, leva-nos a orar!

Extraído e adaptado do livro “Por Que Tarda o Pleno Avivamento”, de Leonard Ravenhill, Editora Betânia.

4 respostas para “Uma Oração com a Dimensão de Deus”

  1. Valfredo Dantas disse:

    Vamos orar!

  2. Edvaldo sabara disse:

    Bênção pura. Gostei desta explicação sobre oração.

  3. Adélia disse:

    Sou muito ruim com as palavras. Quando vou orar não consigo falar nada. O que fazer? Isto me entristece muito.

    • Revista Impacto disse:

      Boa noite… em Romanos 8.26-27 somos encorajados a orar:
      “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
      E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.”

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