Santidade como Fruto do Avivamento

Publicado em: 24/10/2019 Categorias: Arauto / Permanecendo puro em um mundo pecaminoso

Arauto - Ano 37 - nº 02 - Mai/Ago 2019

John McGregor

Nos primeiros cinco capítulos de Isaías, ele prega: “Ai deles…” Mas no capítulo seis o assunto muda e ele diz: “Ai de mim!”. Nesse ponto, torna-se muito pessoal.

Isaías vê o Senhor sentado em um trono alto e elevado. Lá ele vê o Santo Deus em pessoa, elevado acima de todas as outras coisas. Quando Deus foi exaltado, sua comitiva encheu o templo. Quando o templo está cheio, quanto espaço resta? Nenhum.

É aqui que a santidade de Deus vem como fruto do avivamento. Quando ele está enchendo o templo, não sobra mais espaço nenhum. Não há mais nada. Nós somos consumidos pelo Senhor Deus. Vemos que Deus é mais do que jamais imaginamos ou antecipamos. Os que estão ao redor do trono simplesmente o adoram, no esplendor de sua glória.

O que mais precisamos, acima de tudo, é de uma nova visão do Senhor da Glória – e que nossos olhos, nosso coração e vida se encham além de qualquer medida com a sua glória.

“A terra toda está cheia da sua glória” (v.3). Isaías não está olhando apenas para alguma posição ou filosofia, mas para alguém que tem uma relação conosco de amor e graça. Toda a Terra está cheia de sua glória. A própria casa tremeu (v.4). Lembre-se de que em Atos 4.31, depois que eles oraram, o lugar tremeu, porque o glorioso Deus estava lá agindo ao lado deles. O texto diz que passaram a falar de Jesus com grande ousadia.

Você sabe o que acontece quando realmente vemos o Senhor? Ficamos quebrantados, assim como Isaías foi quebrantado. No verso 5, Isaías disse: “Ai de mim! pois estou perdido [completamente destruído]!” Quando estamos completamente demolidos e desestruturados, isso significa que não há nada que Deus não tenha tocado, nada que tenha ficado inteiro, sem ser afetado.

Isaías disse: “Sou homem de lábios impuros”. É do coração que os lábios falam (Mt 12.34). Se ele disse que seus lábios eram impuros, ele estava dizendo na verdade que seu coração era impuro. Isaías deve ter pensado algo como: “Ó Deus, quando vejo a ti e depois me vejo, me sinto totalmente destruído”.   

O avivamento chega para aqueles que estão perdidos

Eu estava em um avivamento inesperado em uma reserva indígena norte-americana em Manitoba, Canadá há alguns anos. Eu fui ensinar sobre evangelismo. É um lugar que não tem acesso por carro, e fui para lá de avião numa sexta-feira. Naquela noite e durante todo o sábado, ensinei sobre evangelismo.

Chegamos ao final das sessões de sábado, e um dos líderes disse: “John, o avião só retorna na terça-feira; será que você poderia falar amanhã de manhã se as quatro igrejas se reunissem aqui?” Eu disse: “Tudo bem”. Havia quarenta ou cinquenta pessoas quando as quatro igrejas se reuniram.

Depois do domingo de manhã, eles disseram: “O avião só retorna na terça-feira; você se importaria de falar de novo hoje à noite?” Eu disse: “Tudo bem”.

Depois do domingo à noite, disseram: “O avião só retorna na terça-feira. Amanhã à noite, poderíamos nos encontrar em uma das casas para você responder a algumas perguntas?” Eu concordei e, pouco antes da reunião às sete horas da noite de segunda-feira, eles me trouxeram sete páginas de perguntas! Eu dei uma rápida olhada nas páginas. Cada pergunta, exceto uma, era sobre o Espírito Santo. E essa era sobre a autoridade das Escrituras.

Eu disse: “Vamos começar com a pergunta sobre a autoridade da Palavra de Deus”. Quando terminei por volta das 19h15, eu disse: “Agora, vamos fazer um estudo bíblico sobre o ministério e a obra do Espírito Santo”. Percebi que eles tinham essas perguntas, porque recebiam por satélite todo tipo de ensinamento, e estavam totalmente confusos sobre o Espírito Santo.

Então começamos em João 14 e percorremos uma porção das Escrituras, terminando em 1 Coríntios 14. Para encerrar, fiz uma pergunta: “Você precisa perguntar a si mesmo: ‘Por que eu quero esse dom? É para a glória de Deus ou para que eu ganhe um pouco mais de status?’” Eu não havia dito uma palavra em todo o tempo de estudo sobre a família. Apenas focamos o ministério do Espírito Santo.

“Agora”, eu disse, “precisamos reservar um tempo para orar”. Às 23h00, começamos o período de oração, e um homem começou a orar. Ele começou de uma maneira comum e disse: “Amado Deus, agradeço por podermos estar aqui esta noite. Agradeço por podermos estudar a tua Palavra e ouvir sobre o Espírito Santo…”.

Então houve uma longa pausa e achei que ele tivesse acabado. Eu abri um olho para ver se ele tinha terminado. Notei que estava com lágrimas e pude ouvir um suave soluço. Foi então que ele começou a orar de verdade.

Ele começou com estas palavras: “Ó Deus…”. Esta é a oração de avivamento. “Ó Deus…”. Eu acho que ele não conseguiu ir além dessas palavras no fluxo de suas lágrimas por cerca de 15 minutos e, então, ele começou a derramar seu coração diante de Deus.

Isto foi o que ele disse: “Deus, tu sabes que eu não tenho sido um bom marido para minha esposa. Tu sabes que não tenho sido um pai cristão para meus filhos. Ó Deus, tu sabes sobre tudo isso…”.

Sua esposa orou em seguida. Lágrimas corriam por toda parte. Ela começou a derramar seu coração e disse: “Deus, tu sabes, tu sabes, tu sabes, eu não tenho sido uma boa esposa para o meu marido e não tenho sido uma mãe cristã para meus filhos…”. Amigos, aquela reunião de oração terminou às sete horas da manhã e tivemos um avivamento.

Mas este não é o fim da história. Assim como Isaías, este amado irmão foi quebrantado. Seu conceito sobre si mesmo foi quebrado. Ele não era quem pensava ser. Às sete horas da manhã, ele me disse: “John, o avião não retorna até as onze horas. Venha à minha casa tomar uma xícara de chá”.

Não se esqueça, estivemos lá a noite toda. Por volta das 7h30, eu estava tomando chá em sua casa e ele disse: “Eu gostaria que você visse algo”. Ele tirou seus seis filhos da cama e os trouxe para a sala de estar e os alinhou por ordem de idade. Em seguida, aquele homem foi até o menino mais velho, e disse a ele, de joelhos: “Filho, você não tem visto Cristo em mim. Você me perdoa?”. Aquele garoto abraçou o pai e disse: “Eu te amo, pai. Eu te perdoo”. O pai foi assim, um por um, a cada um dos filhos.

Eu acompanhei essa família e quero testemunhar algo sobre eles. O garoto mais velho está na universidade agora e está se empenhando muito para servir a Jesus. A próxima na ordem é uma garota. Ela está terminando o ensino médio. Ela é uma das estudantes mais ativas nessa escola para falar sobre Jesus.

Por que isso aconteceu? Por que todos os seis filhos estão vivendo para Jesus e andando com ele? É porque aquela mãe e aquele pai naquela noite foram quebrantados, como resultado de olhar para o rosto de um Deus santo e vê-lo como ele é e de ver a si mesmos como são. Essa é uma ilustração viva do que é arrependimento.

Tirando tempo para orar

Santidade é um fruto de avivamento. Uma obra contínua precisa acontecer em você e em mim. Vamos cooperar com o Espírito de Deus.

“Senhor, o que precisa acontecer comigo para que eu te veja? O que precisa mudar na minha vida de oração? O que precisa ser confessado e purificado? Aqui estou eu, Senhor. Eu me rendo. Toma-me, quebranta-me, renova-me, molda-me…”.

Extraído e editado de uma mensagem dada em “Heart-Cry Southeast” (uma conferência de avivamento nos EUA) em março de 2010. Usado com permissão.

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