Qualidade Vérsus Quantidade na Igreja

Publicado em: 03/03/2012 Categorias: Arauto / Cisternas Rotas

Arauto - Ano 17 - nº 01 - Jan/Mar 1999

Por: A. W. Tozer

A ênfase hoje na igreja parece estar sobre quantidade, com uma falta de ênfase correspondente na qualidade. Números, tamanho e quantidade parecem ser praticamente tudo que importa até para os evangélicos. O tamanho da multidão, o número de convertidos, o tamanho do orçamento, a quantia recebida nas coletas semanais; se estes estiverem bem, a igreja está prosperando e o pastor é considerado bem-sucedido. A igreja que consegue apresentar um crescimento quantitativo impressionante é objeto de inveja pelas demais, e passa a ser imitada por outras igrejas ambiciosas.

Estamos na era da Laodicéia. A grande deusa Números é adorada com devoção fervorosa, e tudo que faz parte da religião é colocada diante dela para ser examinada. O Velho Testamento dela é o relatório financeiro, e seu Novo Testamento é o rol de membros. A estes ela recorre como árbitros de todas as questões, o teste de crescimento espiritual e a prova de sucesso ou fracasso em cada iniciativa cristã.

Um pouco de conhecimento da Bíblia mostraria como tudo isto nada mais é que heresia. Julgar que algo é espiritual pelas estatísticas é julgar por padrões anti-bíblicos. É admitir a validade do externalismo, e negar o valor que nosso Senhor coloca sobre a alma. acima do corpo. É confundir a velha criação com a nova, e misturar coisas eternas com coisas temporais. Entretanto, e isto que é feito todos os dias por pastores, conselhos de igrejas, e lideres denominacionais. E quase ninguém nota que há um erro profundo e perigoso em tudo isto.

Nossa obrigação mais urgente hoje é fazer tudo ao nosso alcance para buscar um avivamento que resulte numa igreja reformada, revigorada, e purificada. É de importância muito maior que tenhamos cristãos melhores do que conseguir mais quantidade da espécie que já tem. Cada geração de cristãos é a semente da geração seguinte, e sementes inferiores so podem produzir uma colheita não um pouco melhor, mas um pouco pior do que a semente que a gerou. Assim a tendência será decair cada vez mais. ate que se tome medidas enérgicas e eficazes para melhorar a semente do proximo plantio.

E como podemos melhorar a igreja? Simplesmente e apenas através de melhorar a nos mesmos; e é ai que está a dificuldade. A igreja em qualquer localidade é o que seus membros são. não e melhor nem pior do que isso. Nos como membros precisamos começar buscando conserto moral que resulte em renovação espiritual definitiva. E por isso que e difícil atingir melhoramento. Enquanto conseguirmos ficar um pouco distante de tudo, e tratar com essas coisas academicamente. podemos pregar e escrever sobre elas sem nenhum custo real para nos mesmos, e temos que admitir, sem nenhum progresso real em santidade.

Se quisermos ser seguidores de Cristo, teremos de nos envolver de fato pessoal e vitalmente com Sua morte e ressurreição. Isto requer arrependimento, oração, vigilância, negação de si mesmo, desligamento do mundo, humildade, obediência, e cruz. E por isso que é mais fácil falar sobre avivamento do que experimentá-lo.

Para evitar envolvimento pessoal com a cruz, tornamo-nos peritos em achar ou criar projetos religiosos para suavizar nossa consciência e dar uma boa aparência as coisas. Entre outros, podemos citar evangelismo e missões no exterior. Estas são atividades boas e bíblicas, responsabilidade de todos os cristãos, mas quem se envolve nelas deveria ser santo, cheio do Espirito e totalmente comprometido com Deus.

Para realizar estas atividades de acordo com o padrão bíblico, a igreja deveria andar em plenitude de poder, separada, purificada, e pronta a qualquer momento a entregar tudo, até a própria vida, a fim de trazer mais glória a Cristo. Entretanto, se uma igreja fraca, mundana, e decadente faz novos convertidos, está apenas reproduzindo segundo sua espécie, e estendendo sua fraqueza e decadência um pouco mais.

O fazendeiro planta trigo, e contanto que a terra seja fértil, sua colheita no máximo será de acordo com a qualidade da semente, ou geralmente um pouco inferior, por causa do retrocesso natural que ocorre quando não ha apuração da semente. Não fica claro para ele que é a qualidade da semente que mais importa? Não seria tolice para ele plantar áreas cada vez maiores de trigo de qualidade cada vez inferior? Se quiser melhorar a qualidade da sua colheita, ele tera de cuidar da sua semente.

Se alguém argumentar que a semente é a Palavra de Deus, e que esta sempre é a mesma, e sempre produzirá o mesmo efeito aonde quer e por quem quer que seja pregada, responderei que somente a primeira afirmação é verdadeira. Sem dúvida, a Palavra de Deus é sempre a mesma, mas o efeito dela em qualquer lugar e qualquer momento depende em grande medida da pureza moral, da sabedoria e do poder espiritual de quem está pregando. Não há nada automático sobre a verdade. A fim de realizar sua obra mais eficaz, precisa ser encarnada na igreja.

Veja em Atos 18 e 19. Apolo, um homem poderoso nas Escrituras, apesar da sua fidelidade à verdade conforme sua compreensão, só conseguia produzir convertidos imperfeitos. Imagine se Paulo não tivesse chegado logo depois, para ajudá-los a receber o Espirito Santo. Teríamos uma igreja imatura, fraca, e ineficaz se reproduzindo em outros convertidos da mesma espécie que tinha em Éfeso.

A qualidade espiritual é tão vitalmente importante que não é demais sugerir que deixemos um pouco a ênfase de tornar a igreja cada vez maior, para nos dedicarmos a ser uma igreja melhor.

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