Pureza Pessoal

Publicado em: 31/03/2017 Categorias: Arauto / O plano para o avivamento

Arauto - Ano 35 - nº 01 - Jan/Mar 2017

Por Nola D. Hartley

Um dia, recentemente, minha mente foi repetidamente bombardeada com a pergunta “Por quê?”. Por que nossa igreja não está crescendo mais? Por que o mundanismo é tão evidente entre muitos cristãos de todas as igrejas? Por que mais almas não são salvas?

Meu primeiro impulso foi pensar no que eu poderia fazer para corrigir a situação. Mas, em seguida, comecei a fazer um inventário da minha vida. Olhei para as prateleiras empoeiradas do meu próprio coração. Não foi uma tarefa mais agradável do que fazer a contagem de estoque para um patrão – na verdade, gostei ainda menos, pois eu estava examinando a mim mesmo e não gostei do que vi. Certamente, se era odioso para mim, era uma abominação para o Senhor!

Eu sei agora que preciso de algo mais do que qualquer outra coisa: pureza pessoal efetuada pela Pessoa e obra do Espírito Santo. Se minha condição espiritual representa, como imagino, mais ou menos a do cristão típico dos nossos dias, creio que todo o Corpo de Cristo precisa disso tanto quanto eu. Precisamos de uma limpeza, por dentro e por fora! Precisamos de uma visão renovada do Senhor, uma visão que nos leve a ficar de joelhos e nos faça retorcer de dor ao ver o contraste entre um Deus puro e santo e nós mesmos – sujos, vis, miseráveis!

Isaías teve exatamente esse tipo de visão na presença do Senhor. Veja Isaías 6.1-9 e observe o significado dos serafins mencionados no versículo 2. Seis asas são mencionadas:

“Com duas cobriam o rosto.” Isso sugere reverência. O ser angelical não suportava olhar para a deslumbrante glória de Deus. Se os anjos são tão reverentes na presença de Deus, com que temor e piedade nós devemos nos aproximar do trono da graça? No entanto, hoje vemos pouca ou nenhuma verdadeira reverência.

“Com duas cobria os seus pés.” Isso fala de humildade, uma palavra estranha para muitos – não necessariamente estranha ao vocabulário, mas à sua constituição, à sua personalidade. Hoje, nossas igrejas estão tomadas por pessoas que buscam se vangloriar: oradores floreados e músicos sensacionais que procuram meramente divertir o público e que não exibem a verdade pura e não adulterada da Palavra de Deus.

“Com duas voavam.” Primeiro veio reverência, depois humildade e, finalmente, serviço. Sem dúvida, a ordem é muito proposital. Sem verdadeira reverência, sem a humildade dada por Deus, não pode haver serviço real. Nossas obras são vãs, fúteis e ofensivas para as narinas do Senhor, a menos que ele saiba que estamos exaltando a Deus, não a nós mesmos, e nos oferecendo humildemente, em verdadeiro reconhecimento de que em nós mesmos não existe nada de bom.

Os serafins ecoavam os louvores de Deus. Isso sempre foi e eternamente será a obra dos espíritos celestiais. Esse também é o propósito da nossa salvação: trazer glória eterna ao nome do Pai.

Observe os efeitos dessa visão sobre o templo. “As bases do limiar se moveram à voz do que clamava…” (v.4). Matthew Henry coloca uma questão muito significativa a este respeito: “As bases do limiar tremem diante de Deus, e não devemos nós tremer?”. Isaías tremeu. Ele estava cheio de tristeza com a percepção de suas próprias impurezas e imperfeições pessoais. Seus olhos haviam visto o Rei, o Senhor dos Exércitos!

Não basta reconhecer que somos cristãos carnais e calejados. Devemos sentir angústia diante disso a ponto de clamar ao Senhor e pedir que nos purifique. Isaías sofreu a purificação do fogo com brasas vivas do altar. Deus não faz limpeza para machucar, mas para curar nossas almas quebradas pelo pecado. Ele não aplica brasa viva para cauterizar, mas para eliminar impurezas. Observe que as brasas vivas, ou qualquer outro método que ele usa, devem ser provenientes do altar – devem vir diretamente da presença dele e ser de acordo com seu plano. Nenhuma quantidade de sofrimento autoinfligido ou de autonegação trará o divino dom da pureza.

Até este ponto na passagem, não temos registro de que Deus tenha conversado com Isaías. Mas agora – agora que Isaías é honestamente humilde por ter saído das chamas com todas as impurezas queimadas – finalmente lemos: “Depois disto, ouvi a voz do Senhor…” (v.8).

Deus não pode chegar até nós se o caminho estiver bloqueado pelo acúmulo de opiniões exaltadas que temos sobre nós mesmos. Se quisermos ouvir a voz de Deus hoje, se quisermos ser seus instrumentos para trazer avivamento e bênção, devemos esvaziar-nos de tudo e permitir que ele nos encha.

O chamado de Deus para trabalhadores não foi ouvido por Isaías antes que ele sofresse o processo de purificação. O fato de ter sido genuinamente purificado foi evidenciado pela disposição imediata ao ouvir o chamado: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (v. 8).

A comissão de Deus para com todos os seguidores purificados e salvos é: “Vá… e anuncie”.

A resposta aos problemas de hoje em nossas igrejas não será encontrada em alguma atividade a ser feita agora se estivermos num estado de impureza aos olhos de Deus. Será encontrada somente quando nós, individualmente, como crentes, permitirmos que Deus nos purifique e nos encha com seu Espírito Santo.

Nós realmente queremos avivamento? Você está disposto a ser purificado? Eu estou? Deus conceda que tenhamos uma forte resposta sim, à semelhança do autor da canção que escreveu estas palavras:

Lava-me, por fora e por dentro,
Ou purifica-me com fogo, se assim preciso for
Não importa como, se tão-somente
O pecado que houver em mim morrer,
O pecado que houver em mim morrer.

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