Prosseguindo Para Obter o Prêmio

Publicado em: 06/05/2012 Categorias: Arauto / Prosseguindo Para Obter o Prêmio

Arauto - Ano 13 - nº 02 - Abr/Jun 1995

Por: R. E. Neighbor

O apóstolo Paulo queria alcançar algo que nem todos os santos alcançarão. “Para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos” (Fp 3:11), escreveu. Paulo queria alcançar o ekanastasis eknekron, que, traduzido literalmente, é a ressurreição para fora, de entre os mortos.
Trata-se de uma afirmação que, até onde se sabe, não se encontra em nenhum outro lugar das Escrituras, e subentendemos que se refere a uma ressurreição superior.

Ele, certamente, não almejava simplesmente alcançar a ressurreição dentre os mortos, pois desta ele já tinha plena segurança. Na verdade, só ressuscitar-se dos mortos, não é alcançar nada de especial. É para todos os crentes, quer a busquem ou não. Procurar alcançar a ressurreição é pura insensatez, pois ela está assegurada pela promessa infalível de Deus.

Jó podia dizer sem vacilar: “Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Da mesma forma sabemos que o Senhor “descerá dos céus com um brado…e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (I Ts 4:16). Paulo sabia disto tão bem quanto Jó e nós o sabemos. E daí? Simplesmente isto: Paulo não poderia ter em mente a ressurreição da morte que ele sabia que era sua pela firme promessa de Deus.

A fim de compreendermos o significado pleno desta extraordinária expressão, precisamos estudar várias passagens com cuidado.

Devemos deter-nos por um momento e considerar a palavra “alcançar.” Em muitas passagens bíblicas encontramos este desejo de “realização,” ou termos paralelos expressos de várias maneiras. Aqui vão algumas delas:

I Coríntios 9:24-27: “Um só leva o prêmio.” “Correi de tal maneira que o alcanceis.”
“Assim corro também eu…assim luto.” “Para que…não venha eu mesmo a ser desqualificado.”

II Coríntios 5:9-10:
“Nos esforçamos para que…possamos ser aceitos por Ele.”
“Importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo.”
“Para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”

I Coríntios 3:10-15:
“Cada um veja como edifica.”
“Manifesta se tornará a obra de cada um.”
“Salvo, todavia, como que através do fogo.”

Colossenses 3:24:
“Recebereis do Senhor a recompensa da herança.”
“A Cristo, o Senhor, é que estais servindo.”

II    Timóteo 4:5-8:
“Sê sóbrio…suporta as aflições…faze o trabalho.”
“Combati o bom combate.”
“Já agora a coroa da justiça me está guardada.”
“E não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

Hebreus 3:12,14; 4:1:
“Tende cuidado, irmãos, jamais…”
“Temos nos tornado participantes de Cristo se…”
“Temamos, portanto…”

II Pedro 1:5,10,11:
“Reunindo toda a vossa diligência, associai…”
“Confirmar a vossa vocação e eleição.”
“Pois, desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada…”

Apocalipse 3:5:
“O vencedor será…”

As passagens acima, e muitas outras, nos mostram que há espaço para que cada crente ambicione, alcançar algo mais do que aqueles que estão na esfera da graça pura. Observe também que todas as oito passagens listadas acima expressam coisas que só serão nossas se as alcançarmos; todas parecem indicar o dia da ressurreição dos santos e as recompensas a serem atribuídas no trono de julgamento de Cristo.

Devemos nos deter um pouco na idéia de uma “ressurreição superior.” A fim de compreendermos o sentido mais profundo destas palavras, observemos algumas outras expressões desta mesma parte das Escrituras:

1) Em Filipenses 3:11 nos é desvendada pela primeira vez a seriedade das palavras: “Para que, de algum modo, eu possa alcançar a ressurreição dentre os mortos.” A ênfase deve ser colocada na primeira frase: “Para que, de algum modo, eu possa alcançar.” Paulo considerou todas as coisas como perda por causa de Cristo, sim, ele sofreu a perda de todas as coisas, e as sofreu com alegria.

Depois definiu sua ambição de conhecer a Cristo, e o poder de Sua ressurreição, e a comunhão com Seus sofrimentos, procurando se conformar com Cristo na Sua morte, tudo isto incluído nas palavras “para que, de algum modo.” Portanto, não havia distância que Paulo não estivesse pronto a percorrer de boa vontade, a fim de que pudesse alcançar a “ressurreição superior.”

2) Em Filipenses 3:12 Paulo disse: “Não que eu já tenha alcançado.” Não havia segurança na mente de Paulo, nenhuma segurança de que tivesse alcançado. Ele sabia em quem tinha crido. Sabia que estava salvo e que subiria aos céus na vinda de Cristo. Sabia que tinha a vida eterna, e que herdariajunto com todos os santos em luz. Entretanto, não sabia, e nenhum de nós sabe, qual será a nossa parte no trono de julgamento de Cristo. Ele sabia que Deus faria um julgamento justo das obras de cada crente, e no entanto, disse: “Não que eu já tenha alcançado.”

3) Em Filipenses 3:12 Paulo continua: “Mas prossigo para conquistar.” Paulo era como a corça que anseia pelas águas. Infelizmente, lamentavelmente, quão poucos cristãos têm tal anseio, e muito menos prosseguem para conquistar! Deus perdoe os cristãos indolentes por sua insensatez!

Podemos agora compreender muitas coisas relacionadas aos sofrimentos de Paulo por Cristo, e muitas coisas em sua fiel persistência nas obras e freqüentes viagens, que antes pareciam estranhas para nós. Queremos serfrancos com os nossos leitores: nós também estamos porfiando cada vez mais, se é que podemos alcançar, o rol dos ekanastasis. Admitimos que, se Paulo não pôde se vangloriar de tal conquista, muitíssimo menos nós o podemos. Entretanto, podemos prosseguir para alcançá-la.

4) Em Filipenses 3:13 chegamos à consumação da grande ambição nesta expressão: “Mas uma coisa faço.” Esta expressão mostra não apenas um desejo do apóstolo em obter esta ressurreição superior, e sim mostra que era, para Paulo, um desejo supremo. Alcançar a ressurreição superior era, para ele, “uma coisa” que ele buscava. As demais coisas eram todas secundárias.

Não importa onde ele estava ou o que fazia, somente esta era vital. Somente ela era superior. O mundo e todos os seus atrativos não significavam nada para ele. Ele não se importava nem com a aprovação popular nem com o aplauso passageiro. Ele buscava a Cristo do começo ao fim e o tempo todo. Todas as outras coisas ele colocava atrás de si, e as esquecia.

5) Em Filipenses 3:14 há, ainda, uma palavra: “Prossigo.” Paulo estava, como um corredor, distendendo cada nervo. Ele só via um objetivo, uma só meta e em direção a ela é que prosseguia sua caminhada. Nada mais importava com respeito a sua vida. Outros podem porfiar e se esforçar em busca de honra, fama, sabedoria ou riqueza. Ele porfiava em busca de algo que estava à sua frente.

Quantos estão consumindo suas energias em ninharias, buscando coisas que duram apenas um dia? Quantos colocam suas afeições nas coisas daqui debaixo? Eles ajuntam tesouros na terra. Levam em conta as coisas que podem ser vistas. Amam o mundo e as coisas que estão no mundo. Não foi assim com este poderoso e ardoroso evangelista. Ele prosseguia em busca de coisas que estão à frente, coisas que têm vida, que duram, que perduram mais que os séculos e brilham mais que o sol!

Precisamos estudar a palavra Ekanastasis à luz das outras palavras que a cercam. Em primeiro lugar, Paulo nos diz: “Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dos mortos.” Depois diz: “…para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.” Em seguida: “…avançando para as coisas que estão diante de mim.” Mais uma vez, fala em prosseguir em direção ao “alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”

Todas estas coisas tinham a ver com a Segunda Vinda de Cristo, e com nossa presença perante o trono de julgamento de Cristo. Todas elas eram possibilidades dadas por Deus a todos os santos. Todas elas são agradáveis, porém nenhuma delas é pela graça. Isto é, todas estas coisas específicas pertencem ao reino das recompensas. Elas deviam ser dadas somente àqueles que as “alcançassem,” que as buscassem, aos que dissessem: “Mas uma coisa faço.”

As recompensas dependem da fé que possuímos, das ações que fazemos ressurreição superior é bem diferente. É algo a ser alcançado; portanto, é alguma coisa pela qual devemos lutar e prosseguir com o espírito de “Mas uma coisa faço.” O Senhor não deveria separar mesmo os santos fiéis daquela hoste de santos que viveram atrás das coisas deste mundo? Enquanto houver um Deus no céu, Ele não será infiel ou injusto para esquecer o trabalho e a obra de amor que os valentes têm mostrado em relação ao Seu Nome. Nosso Deus nunca poderia permitir uma igualdade, uma mesma “recompensa,” uma herança igual entre os crentes espirituais e os carnais nos dias porvir.

Vamos contar tudo como perda enquanto prosseguimos em conhecê-Lo e a comunhão de Seus sofrimentos, sendo conformados à Sua morte, para que nós também alcancemos o prêmio. Vamos dizer também com toda a sinceridade: “Mas uma coisa faço.”

———————————————————————————————————————-

Dedicação de Coração

Vamos refletir sobre a questão que Pedro levanta: “Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que tipo de pessoas deveis ser” (2 Pe 3:11).

Nunca devemos nos esquecer do primeiro evento no céu, o tribunal de Cristo, visto ser tão importante para nós no que diz respeito à eternidade. Enquanto isso, devemos nos dedicar de todo coração ao Senhor todos os dias até que estejamos na Sua presença. Não é uma questão de fazer bem, ou tão bem quanto a outras pessoas, ou mesmo tão bem quanto a um determinado irmão ou irmã em nossa congregação. O Senhor só quer saber se demos o melhor de nós, com a melhor motivação, por amor a Ele mesmo.

Graças a Deus, que todos nós receberemos elogios da Sua parte, mas ao mesmo tempo, tomemos cuidado para que não sejamos salvos como que pelo fogo, desprovidos totalmente de ouro, prata ou pedras preciosas para colocar aos pés do Senhor Jesus.

W. A. Peterson

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *