Procura-se: Um Coração Incendiado!

Publicado em: 28/04/2019 Categorias: Arauto / O fruto do Espírito é o amor

Arauto - Ano 36 - nº 03 - Jul/Dez 2018

Por Wesley L. Duewel

Não existe nenhum substituto do Espírito Santo para o líder cristão. Ele precisa ter o coração incendiado com amor por Deus e pelas pessoas. Dr. George W. Peters disse: “Deus, a Igreja e o mundo procuram por pessoas com coração incendiado – coração cheio de amor por Deus, cheio de compaixão pelas enfermidades da Igreja e do mundo, cheio de paixão pela glória de Deus, o Evangelho de Cristo Jesus e a salvação dos perdidos”.

E acrescentou: “A resposta de Deus a um mundo de indiferença, materialismo, frieza e deboche é o coração incendiado de cristãos em púlpitos, bancos de igrejas, escolas dominicais, faculdades cristãs e seminários”.

Se você como líder não tem um coração inflamado, poucos do seu rebanho serão conhecidos pelo coração ardente, e a igreja fará pouco impacto no mundo ao seu redor. Nossas comunidades não se impressionam com nossos programas e com nossas incontáveis atividades. É necessário muito mais que uma igreja ativa, amiga e até fiel ao Evangelho para impactar uma comunidade para Cristo. É necessária uma igreja inflamada, liderada por pessoas que estão acesas pela causa de Deus.

Samuel Chadwick, falecido presidente da Cliff College na Grã-Bretanha, era “uma sarça ardente”. Desde o momento em que foi cheio do Espírito, “milagres de graça foram operados pela influência de uma vida que passou a ser uma chama ardente pela causa de Deus”.  Francis W. Dixon conta que “era tão grande o poder de sua pregação e a influência moral dos membros da sua igreja que o delegado do bairro expressou publicamente a sua gratidão pela maneira como a cidade tinha sido transformada pela influência de homens e mulheres inflamados com o amor de Deus”.

Certa vez, um ministro perguntou a John Wesley, o evangelista do coração inflamado, como ele fazia para ajuntar um bom público. Ele replicou: “Se o pregador estiver em chamas, os outros virão para assistir ao incêndio”.

Um autor que fez sua biografia o descreveu como um homem “sempre ofegante por estar correndo atrás dos perdidos”. Na lápide de Adam Clarke, um erudito metodista e discípulo de Wesley, se inscreveram as palavras: “Por viver em favor dos outros, me queimei até virar cinzas”.

Há um século, T. DeWitt Talmage escreveu: “Acima de todos os desejos do presente momento, almejamos fogo – o fogo santo de Deus, incendiando os corações dos homens, comovendo suas mentes, impelindo suas emoções, entusiasmando suas línguas, brilhando nos rostos, vibrando em suas ações, expandindo sua capacidade intelectual e fundindo todo o seu conhecimento, lógica e retórica numa única corrente de fogo. Se viesse tal batismo, milhares de nós que, até hoje, éramos meros ministros comuns e fracos, do tipo que rapidamente desaparece da memória da humanidade, imediatamente nos tornaríamos poderosos”. Essa afirmação continua sendo verdadeira ainda hoje.

Isso também é verdadeiro no mundo ao nosso redor. Há alguns anos, um soldado na Polônia disse ao Dr. Harold John Ockenga: “Neste país, há uma corrida entre o cristianismo e o comunismo. Aquele que fizer da sua mensagem uma chama de fogo vencerá”.

Um cristianismo sem paixão não extinguirá as chamas do inferno. A melhor maneira de vencer um furioso incêndio florestal é usar o próprio fogo. Um líder sem paixão nunca conseguirá inflamar o seu povo. Um líder de jovens sem paixão nunca incendiará uma juventude para Cristo. Se não estivermos incendiados, não teremos sucesso em falar ao coração do nosso povo. O Bispo Ralph Spaulding Cushman orou:

            Incendeia-nos, Senhor, desperta-nos, te pedimos!

            Enquanto o mundo perece, seguimos tranquilos no nosso caminho

            Sem propósito e sem paixão dia após dia!

            Incendeia-nos, Senhor, comove-nos, te pedimos!

Não existe maior necessidade nas nossas igrejas e escolas hoje. Não basta ser evangélico de fé e coração; precisamos ser inteiramente possuídos por Cristo, totalmente apaixonados por seu amor e graça, completamente inflamados com seu poder e sua glória. Cada partícula do nosso ser físico, nas palavras do grande hino, deve reluzir com o fogo divino. Não basta ter lenha, não basta ter um altar, não basta apresentar o sacrifício, necessitamos do fogo! Fogo de Deus, desce sobre nós de novo! Incendeia-nos, Senhor, incendeia-nos!

Para ser uma força irresistível em favor de Deus no lugar onde ele nos colocou, necessitamos do batismo de fogo do Espírito. Para despertar nossa igreja adormecida, é necessário que a chama santa, que veio sobre cada um dos 120 que esperavam no cenáculo, venha sobre nós hoje. Você precisa disso, e eu também.

Num artigo comovente intitulado “Queima, Fogo de Deus”, T. A. Hegre escreveu: “Necessitamos do fogo: fogo para incendiar nossas emoções frias e apagadas, fogo para nos impelir a fazer algo por aqueles que estão caminhando para uma sepultura sem Cristo. Incontáveis milhões morrem todos os dias sem ouvir as boas novas porque nós cristãos não temos fogo. Necessitamos de fogo – fogo do Espírito Santo.”

Não precisamos de fogo incontrolável e sem rumo; isso não glorifica nosso santo Salvador. Precisamos de fogo santo, o fogo que o Espírito Santo traz para nos batizar. Necessitamos do fogo e do zelo da igreja primitiva quando quase todo cristão estava disposto, se necessário, a ser um mártir para Cristo.

Num sermão duro, John R. Rice repreendeu nossa falta de fogo. “Escutem, os pecadores não são os mais duros. Os pregadores é que são duros. São os professores de escola dominical, os diáconos batistas, os bispos metodistas e os anciãos presbiterianos que são duros. Descobri que é mais fácil ganhar uma alma e converter um bêbado ou prostituta do que levar um pregador a se inflamar em favor dos perdidos”.

George Whitefield foi usado poderosamente por Deus, juntamente com John Wesley, para revolucionar Inglaterra para Cristo e livrar, pela graça de Deus, as Ilhas Britânicas de sofrerem uma réplica da Revolução Francesa. Foi dito a respeito dele: “Desde o tempo em que ele começou a pregar, ainda moço, até a hora de sua morte, não houve a menor redução na intensidade de sua paixão. Até o fim de sua carreira extraordinária, sua alma era uma fornalha de zelo ardente pela salvação dos homens”.

Sua alma, um forno ardente! Ah, sim! Aí é que estava o segredo! Nosso problema trágico é que estamos tentando conduzir o povo de Deus com corações que nunca foram verdadeiramente incendiados ou com corações que perderam sua chama. Elias orou até o fogo cair no Monte Carmelo. Foi nesse momento que os desviados saltaram para se colocar em pé e exclamar: “O Senhor – ele é Deus! O Senhor – ele é Deus!” (1 Rs 18.39)

Pode o fogo Shekiná que incendiou a sarça ardente vir para incendiar também o nosso coração até que sejamos sarças ardentes para Deus (Êx 3.1-3)? O fogo Shekiná no Monte Sinai impregnou todo o ser de Moisés até que seu rosto irradiava a glória de Deus (Êx 34.29,30). Será que podemos nos achegar a Deus o bastante para que o fogo Shekiná comece a transfigurar nossos vasos de barro a ponto de nosso povo vislumbrar a glória de Deus sobre nós e em nós?

Pode o fogo Shekiná que Ezequiel viu afastando-se pouco a pouco de Israel retornar a nós hoje (Ez 10-11)? Ele retornou sobre os 120 no cenáculo (At 2.1-21).  Se tivéssemos que buscar a face de Deus por dez dias a fim de também sermos inflamados por Deus, valeria muito a pena, sem dúvida!

Esse fogo não virá por merecimento, empenho ou imitação. Somente Deus pode batizar-nos com fogo. Somente Deus pode enviar o Shekiná. Somente Deus pode atender à sua necessidade e à minha. Temos nos esforçado por muito tempo sem a presença dele. Sem o fogo santo, não conseguimos chegar nem perto da glória de Deus. Apesar de todos os nossos esforços, a maioria do povo tem ficado impassível.

Não temos o poder de acender esse fogo. Em nós mesmos, não podemos produzi-lo. Contudo, podemos humilhar-nos diante de Deus em total integridade e honestidade, confessando nossa necessidade. Podemos buscar a face de Deus até que seu holofote santo revele as coisas em nosso coração e vida que impedem o Espírito de nos encher e capacitar.

O fogo santo de Deus desce sobre corações preparados, obedientes e famintos. Talvez a carência mais fundamental de todas as nossas falhas seja que não temos fome suficiente, sede suficiente, intensidade de desejo no coração.  “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13)

– Extraído de Ablaze For God (Em Chamas para Deus) por Wesley L. Duewel.  Copyright © 1989.  Publicado com permissão de Duewel LiteratureTrust, Inc., Greenwood, Indiana. Os livros do Dr. Duewel podem ser adquiridos ligando para 001 317 881-6755 Ext. 361.

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