Por que parece que os carismáticos têm tantas falhas na área de integridade?

Publicado em: 03/08/2020 Categorias: 2020 / Revive Israel

Dan Juster

Recentemente, participei juntamente com líderes de todo o mundo na elaboração de uma declaração sobre integridade para servir de referência para líderes que atuam nos 5 ministérios ou em movimentos carismáticos. Esse documento está ganhando bastante alcance e apoio. Temos grande esperança de que contribua para elevar nosso padrão, mas, ao mesmo tempo, isso levanta uma grande dúvida para mim: Por que parece que os líderes carismáticos são tão falhos em integridade? Os exemplos a seguir não são raros: declarações proféticas que não se concretizam, sem que haja qualquer retratação ou arrependimento; má gestão financeira; apoio a líderes que exercem dons sem preparação ou formação adequada de caráter, e que acabam por cair em pecado; práticas bizarras e contrárias às Escrituras como consequência de métodos incorretos de interpretação bíblica. O que se pratica em nome de batalha espiritual, às vezes parece mais uma tentativa humana ou mágica de alcançar o próprio desejo do que uma fé bíblica.

Primeiro eu quero dizer que não creio ser verdade que a maioria dos carismáticos, incluindo também os pentecostais, sejam pessoas sem integridade. Ficamos com essa impressão por causa de algumas pessoas que possuem grandes plataformas de publicidade, ou grandes igrejas ou ministérios, que lhes proporcionaram muita fama. Existem muitos pastores que estão à frente de grandes igrejas, mas que não são bem conhecidos a nível nacional ou internacional. Conheço também vários líderes de movimentos e denominacionais com grande integridade pessoal e que construíram estruturas boas e íntegras. Porém, quando um grupo menor de líderes mostra falta de integridade, temos a impressão de que representam todo o mundo carismático. Aqui estão algumas razões para a ausência de integridade em determinados casos:

  1. A rejeição de estruturas denominacionais aconteceu muitas vezes sem a disposição de aproveitar os padrões e processos de integridade que as denominações desenvolveram. Houve desrespeito e desonra. Essa é uma das razões pelas quais os líderes pentecostais (que pertencem a denominações um pouco mais antigas e estruturadas) tendem a se sair melhor do que seus pares nas igrejas livres ou carismáticas (de igrejas mais novas e mais independentes); mesmo assim, como já afirmei, posso indicar muitos exemplos de líderes excelentes e confiáveis nos meios carismáticos.
  2. Há uma falta de discipulado e treinamento de líderes nas melhores práticas de integridade. Isso inclui a manutenção de padrões bíblicos bem claros para liderança, como em I Timóteo 3 e Tito 1.
  3. Falta estudo e treinamento em hermenêutica bíblica (interpretação) e na autoridade de toda a Bíblia, e como ela deve ser aplicada. Há assim, um nível surpreendente de erros interpretativos nas questões de autoridade da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). Pregadores e professores afirmam que Jesus é a chave para a compreensão das Escrituras, e que, a partir deste entendimento, as partes da Bíblia que não se encaixam em seus ensinamentos são ignoradas. É claro que neste caso não estão realmente usando Jesus como chave, mas a ideia que eles formularam de um Jesus muito permissivo. A segunda questão é que os líderes não são treinados para construir uma doutrina sobre uma interpretação contextual que dê autoridade à mensagem da Bíblia como um todo. O livro de Craig Keener, A Hermenêutica do Espírito, poderia ajudar bastante. Ele nos mostra detalhadamente como o Espírito Santo pode nos falar muitas coisas diferentes a partir dos textos bíblicos, mas o significado real do texto vem do seu significado contextual e só podemos construir uma doutrina com base nisso.
  4. Um dos maiores problemas é o desejo dos carismáticos de ver a manifestação do poder de Deus. Muitos dirão que os frutos do Espírito são mais importantes que os dons, e que caráter é mais importante que poder. No entanto, o desejo de reavivamento e poder é tão grande que quando um ministro que manifesta um pouco de poder cai na área moral ou ética, há uma relutância em lidar com isso devido ao medo de perder o poder de Deus. Eu acho que foi isso que aconteceu no caso de Todd Bentley (um líder carismático nos EUA que teve sérias falhas morais). No entanto, precisamos sim lidar com esses casos ou sofreremos grande prejuízo espiritual. Precisamos lembrar que os grandes avivamentos foram avivamentos de santidade, caracterizados por profundo arrependimento do pecado. Poder e santidade precisam se unir para que haja um profundo e verdadeiro avivamento. Não devemos aceitar um nível menor de integridade nem omitir a disciplina ou o tratamento de líderes com receio de perder os dons sobrenaturais que eles possam exercer. Os milagres que acontecem no ministério dessas pessoas podem ser resultado da receptividade e da fé daqueles que estão sendo abençoados e fruto da misericórdia de Deus e não da autoridade ministerial daquele que está em pecado. A disciplina nunca deve ser evitada a fim de preservar as manifestações de poder. Meu livro, Due Process, A Plea for Biblical Justice Among God’s People (Processo Apropriado, um apelo para justiça bíblica no meio do povo de Deus – sem tradução para português)  lida com essas questões.

Transmissão Global ao Vivo de Israel | Asher Intrater | Isaías 19

Asher Intrater ensina sobre Isaías 19, que é uma poderosa profecia para os dias atuais. É muito importante que você saiba sobre isso. “Nesse dia, haverá uma estrada do Egito para a Assíria. Os assírios irão para o Egito e os egípcios para a Assíria. Os egípcios e assírios vão adorar juntos. Nesse dia, Israel será o terceiro, juntamente com o Egito e a Assíria, uma bênção na Terra. O Senhor Todo-Poderoso os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança” (Is 19 – NVI). Assista aqui.

Uma resposta para “Por que parece que os carismáticos têm tantas falhas na área de integridade?”

  1. Alessandro Fernandes Ortiz disse:

    Essa palavra é muito essencial para os nossos dias.

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