“Por que esse desperdício?”

Publicado em: 30/11/2018 Categorias: Blog / Missões

Em 1839, um grupo missionário chegou a Erromango, uma ilha da cadeia de Vanuatu. Comerciantes europeus já haviam navegado pelo Pacífico Sul, mas pouco contato havia sido feito com essas tribos. John Williams e James Harris sabiam que para que “toda tribo, língua e povo” cresse e adorasse Jesus, eles teriam que ouvir o Evangelho. O que significava que alguém teria que ir contar para eles as Boas Novas [1].

Eles fizeram contato e foram alvejados com lanças no momento que chegaram a essa praia não alcançada. E, então, foram comidos. A tribo de Erromango era composta por canibais.

Assim a iniciativa missionária no Pacífico Sul foi rapidamente esquecida.  Mas um jovem escocês, John G. Paton, ouviu as terríveis notícias e foi marcado por essa convicção: “Cristo batizou essas ilhas com o sangue dos mártires, anunciando a todo o mundo cristão que Ele as reivindicou como suas”. [2] Mais tarde, ele deixou seu posto ministerial em Glasgow e partiu para Erromango, convencido de que a ressurreição era suficiente para preservá-lo, independente do que essa decisão que lhe custasse. Paton passou décadas pregando o Evangelho e fazendo discípulos entre as tribos que mataram seus predecessores. Foi um trabalho difícil. Fatigante. Dispendioso. Glorioso.

Na semana passada, surgiram relatos de autoridades indianas [3] de que um jovem americano, poucos anos após a graduação na Universidade Oral Roberts, havia feito contato com a “tribo mais isolada do mundo”, na Ilha Sentinela do Norte, ao largo da costa da Índia. Uma ilha diferente, uma tribo diferente, mas a mesma ambição de Williams, Harris e Paton: pregar o evangelho. O povo sentinela é composto por algumas dezenas e nunca, na história conhecida, teve contato com o resto do mundo. Seu território é protegido pelo governo indiano, que proíbe qualquer pessoa de violar as fronteiras dos Sentineleses.

John Allen Chau foi mesmo assim, escoltado por pescadores que ele havia subornado para transportá-lo sob a cobertura da noite, com o fardo de trazer a essas pessoas não alcançadas e não engajadas um testemunho “desse Evangelho do Reino.” [4] Assim que os Sentineleses o viram, seu corpo rapidamente recebeu suas flechadas. Os pescadores relataram tê-lo visto sendo arrastado e enterrado na manhã seguinte. (Eles estão agora sob custódia e sendo acusados de assassinato. A família de Chau pediu sua libertação.) [5]

Já faz algum tempo desde que a comunidade internacional se deparou com o martírio de missionários – nesse nível, talvez desde que cinco homens foram atacados no Equador sob circunstâncias semelhantes. [6] É a primeira vez que conversamos sobre o martírio nesse nível com coisas como o Twitter envolvido, o que é uma traição interessante de nossas mentes e homens interiores. A morte de Chau é muito parecida com a herança de Maria, em um só momento, quebrada e derramada para ungir Jesus: “[Todos na sala — incluindo a liderança apostólica da comunidade cristã primitiva—] ficaram indignados, dizendo: ‘Por que este desperdício?!’” [7]

“Deixe-a em paz”, disse ele.

John Allen Chau, você foi ao “Erromango” e morreu antes que pudesse proferir uma palavra, antes de poder dar os difíceis passos de aprender a língua, traduzir o texto ou de ter a honra de batizar e discipular jovens crentes. Mas você deu testemunho do valor e da preeminência de Jesus, da primazia de proclamar o nome dele e da priorização dos mais de sete mil grupos de pessoas que nunca ouviram o Evangelho. Você foi aonde eu nunca tinha ouvido falar para encontrar um povo que eu não sabia que existia nas listas de “não alcançados” e “não engajados”. [9]

John, eu oro por sua família neste período de feriados (eu também estou tão encorajada pelo testemunho e resposta deles), e eu oro pelos jovens homens e mulheres que ouvem as notícias e são provocados em vez de orgulhosos, revigorados em vez de insultantes. Eu mal posso esperar para conhecê-lo. Verdadeiramente você era “um dos quais o mundo não é digno”. [10]

Espere para ver alguns Patons se levantarem.

Maranatha

“Vocês podem pensar que sou louco em tudo isso, mas acho que vale a pena declarar Jesus a essas pessoas … Mal posso esperar para vê-los ao redor do trono de Deus adorando em sua própria língua como Apocalipse 7.9-10 afirma. ”

– John Chau, carta aos pais dele datada antes de ele morrer


Stephanie Quick é escritora e produtora servindo com a Frontier Alliance International, no Oriente Médio.
Ela é a autora de Confronting Unbelief e pode ser encontrada no Twitter, Facebook, Instagram.

[1] Apocalipse 7.9; vê Romanos 10.11-15
[2] John Piper disponibilizou uma breve e acessível biografia de John G. Paton: AQUI!.
[3] Embora “não confirmado”, já que há relatórios do seu corpo ter sido enterrado por seus assassinos e não recuperado ainda.
[4] Mateus 24.14
[5] BBC News, 22 de Novembro de 2018. “John Allen Chau: Family forgive tribe who killed American.” AQUI!
[6] Para mais informações, clique aqui.
[7] Mateus 26.6-8
[8] Marcos 14.6; João 12.7
[9] Para mais informações, clique aqui.
[10] Hebreus 11.38

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *