A petição que prevalece

Publicado em: 05/10/2017 Categorias: Arauto / Onde está a angústia pelos perdidos?

Arauto - Ano 35 - nº 03 - Jul/Set 2017

A petição que prevalece

Por Andrew Murray

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei…Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei… A fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda… Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis… Naquele dia pedireis em meu nome(Jo 14.13-14; 15.16; 16.23-24, 26).

Nessas palavras de despedida, Jesus ensina a seus discípulos e a nós que seu nome é nosso único, mas também totalmente suficiente, fundamento para as petições ao Pai. O poder da oração e a resposta a ela dependem do uso correto do seu nome.

O que é o nome de uma pessoa? É aquela palavra ou expressão usada para evocar a pessoa ou representá-la a nós. Quando eu menciono ou ouço um nome, isso traz à minha memória a pessoa por inteiro, o que eu sei sobre ela e também a impressão que ela gerou em mim. O nome de um rei inclui sua honra, seu poder e seu reino. Seu nome é o símbolo de seu poder. E, da mesma forma, cada nome de Deus encarna e representa alguma parte da glória daquele que é invisível. O nome de Cristo é a expressão de tudo o que ele fez e tudo o que ele é e vive para fazer como nosso mediador.

O que significa fazer algo em nome de outra pessoa? É agir com o poder e a autoridade dessa pessoa, como seu representante e substituto. Sabemos que o uso do nome de outra pessoa sempre pressupõe a existência de interesses comuns. Ninguém daria a outro o livre uso de seu nome sem antes se assegurar de que sua honra e interesse estariam tão seguros com ele quanto consigo mesmo.

O que significa quando Jesus nos dá poder sobre seu nome, sua livre utilização, com a certeza de que tudo o que pedirmos por meio dele nos será dado? A comparação comum de uma pessoa dando a outra a liberdade de pedir algo em seu nome numa ocasião especial se torna totalmente inapropriada aqui. Jesus dá solenemente a todos os seus discípulos o poder total e ilimitado de usar seu nome livremente o tempo todo para tudo o que desejarem. Ele não poderia fazer isso se não soubesse que pode confiar em nós com relação a seus interesses e que sua honra está segura em nossas mãos.

O livre uso do nome de outro é sempre símbolo de grande confiança, de íntima união. Aquele que concede seu nome a outra pessoa se coloca de lado para deixar que ela tome a frente para cuidar de seus interesses. Aquele que toma o nome de outro abre mão do seu próprio nome como se este não tivesse valor. Quando ajo em nome de outra pessoa, eu nego a mim mesmo. Eu tomo não só o seu nome, mas a sua pessoa e o que ela é no lugar de mim mesmo e do que eu sou.

Tal uso do nome de uma pessoa pode ser possível em virtude de uma união legal. Um comerciante que deixa seu lar e seus negócios dá ao chefe dos empregados poder total que lhe permite movimentar grandes quantias de dinheiro em seu nome. O empregado não faz isso por si mesmo, mas somente pelo interesse da empresa. É pelo fato de o comerciante conhecer e confiar nele, sabendo que é totalmente devotado a seus interesses e negócios, que ousa colocar seu nome e sua propriedade sob o comando dele.

Quando o Senhor Jesus foi para o céu, ele deixou sua obra, a administração do seu reino na terra, nas mãos de seus servos. Ele não poderia fazer outra coisa senão dar-lhes seu nome para que tivessem todos os recursos necessários à condução eficiente de seus negócios. Eles têm o poder espiritual para se valerem do nome de Jesus somente na medida em que se entregam para viver unicamente pelos interesses e pela obra do Mestre. O uso do nome sempre pressupõe a rendição de nossos interesses àquele que representamos.

O uso do nome também pode ser em virtude de uma união vitalícia. No caso do comerciante e seu empregado, a união é temporária. Mas sabemos como a unidade de vida na terra confere unidade de nomes. O filho tem o nome do pai porque tem sua vida. Muitas vezes, o filho de um bom pai é honrado ou ajudado por outros por causa do nome que carrega. Mas isso não durará muito se for descoberto que o filho tem apenas o nome, mas não tem o mesmo caráter de seu pai. O nome e o caráter, ou espírito, precisam estar em harmonia. Quando é assim, o filho será duas vezes mais favorecido pelos amigos de seu pai. O caráter assegura e aumenta o amor e a estima que num primeiro momento são dados apenas por causa do nome.

Assim também é com Jesus e o cristão. Somos um. Temos uma mesma vida, um só Espírito com ele. Por essa razão, podemos agir em nome dele. Nosso poder ao usar o nome, quer seja diante de Deus, quer seja diante de homens ou demônios, depende da medida de nossa unidade de vida espiritual. O uso do nome é resultante da unidade de vida. O nome e o Espírito de Jesus são um só.

A união que empodera o uso do nome também pode ser a união do amor. Quando uma noiva cuja vida foi marcada por pobreza se une ao noivo, ela renuncia seu próprio nome para ser chamada pelo nome dele, e passa a ter total direito de usá-lo. Ela compra em nome dele, sem ser recusada ao efetuar transações e utilizar seus recursos. Isso acontece porque o noivo a escolheu para si, contando com ela para cuidar de seus interesses. Eles agora são um.

O Noivo celestial não poderia fazer menos. Tendo nos amado e nos unido consigo mesmo, o que ele poderia fazer a não ser dar àqueles que carregam seu nome o direito de apresentá-lo diante do Pai, ou de chegar a ele mesmo com o nome para obter tudo o que precisassem? Não há ninguém que se entregue para realmente viver em nome de Jesus que não receba em medida cada vez maior a capacidade espiritual de pedir e receber o que quiser nesse nome. A posse do nome de outro pressupõe que eu desisti do meu próprio nome e, com ele, da minha vida independente; ao mesmo tempo, pressupõe também meu direito a tudo o que há no nome que eu tomei no lugar do meu próprio.

Nossa relação com o nome

Essas ilustrações nos mostram como é falha a visão comum de que fazemos o papel de um mensageiro que é enviado para pedir em nome de outra pessoa, ou de um culpado que está apelando ao juiz no nome de um fiador. Não, o próprio Jesus está com o Pai; portanto, não estamos pedindo em nome de alguém que está ausente. Até mesmo quando oramos a Jesus, devemos fazê-lo em seu nome. O nome representa a pessoa. Pedir “em nome de” é pedir na plena união de interesse de vida e de amor com o próprio Jesus, como alguém que vive nele e por ele. Se o nome de Jesus tiver total supremacia em meu coração e em minha vida, minha fé crescerá na segurança de que o que peço nesse nome não pode ser recusado. O nome e o poder de pedir caminham juntos. Quando o nome de Jesus se tornar o poder que governa minha vida, meu poder em oração também se tornará visível.

Vemos então que tudo depende de nossa relação com o nome. O poder que ele tem sobre minha vida é o poder que terá em minhas orações. Existe mais de um texto nas Escrituras que pode tornar essa verdade clara para nós. Quando diz: “Façam tudo em nome do Senhor Jesus” (Cl 3.17), vemos que esse é o contraponto de outra passagem – “Peçam tudo”. O fazer tudo em seu nome e o pedir tudo em seu nome só funcionam juntos.

Quando lemos “nós andaremos em nome do Senhor nosso Deus” (Mq 4.5), vemos como o poder do nome deve governar toda a nossa vida. Somente assim haverá poder em nossa oração. Não é para os lábios, mas para a vida que Deus olha para ver o que o nome significa para nós. Quando as Escrituras falam dos “homens que deram suas vidas pelo nome do Senhor Jesus” ou de alguém que estava “pronto a morrer pelo nome do Senhor Jesus”, vemos como deve ser nossa relação com o nome (At 15.26; 21.13). Quando o nome for tudo para mim, ele também vai obter para mim tudo o que peço. Se eu deixar que ele possua tudo o que tenho, ele também permitirá que eu tenha tudo o que ele tem.

“Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” Jesus quer que entendamos a promessa literalmente. Os cristãos tentam limitá-la porque parece muito fácil. Não seria seguro confiar no ser humano de forma tão incondicional. Nós não entendemos que “em meu nome” é em si mesmo uma salvaguarda. É um poder espiritual que ninguém consegue usar além da capacidade que obtém vivendo e agindo em seu nome. Quando carregamos esse nome diante dos homens, temos o poder de usá-lo diante de Deus.

Oh, vamos suplicar que o Espírito Santo de Deus nos mostre o que o nome significa, e qual é o uso correto dele. É pelo Espírito que o nome, que está acima de todo nome no céu, tomará o lugar de supremacia em nosso coração e vida.

Que cada discípulo de Jesus busque se valer dos direitos de seu sacerdócio real, e use o poder que está disponível para seu círculo de relacionamentos e seu trabalho. Que os cristãos despertem e ouçam a mensagem. Sua oração pode obter o que de outra forma seria retido, pode realizar o que de outra forma não seria feito. Oh desperte e use o nome de Jesus para liberar os tesouros do céu em favor deste mundo perdido. Aprenda como servo do Rei a usar seu nome. “Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”

Uma resposta para “A petição que prevalece”

  1. Fernando Paulo Ferreira disse:

    Amém! Louvado seja teu nome ó Jesus!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *