Paternidade

09/08/2017 Publicado por: Revista Impacto
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Por: Derek Prince

“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família (no grego, pátria, derivado diretamente da palavra “ pai ”), tanto no céu como sobre a terra” (Ef 3.14,15).

Um dos grandes temas da revelação bíblica é paternidade. Estranhamente, é um tema bastante negligenciado em muitos círculos cristãos.

A paternidade de Deus é o grande fato por trás de todo o universo. Existe um Pai que é o nosso Deus e que é o fato primordial que sustenta todos os outros fatos. Foi um Pai que criou o universo, e que deixou sua marca de paternidade em todos os aspectos do universo inteiro.

Assim, toda paternidade no universo, em última análise, deriva-se da paternidade de Deus. Paternidade não começou na terra, começou no céu. Também não começou no tempo ou na história humana, mas na eternidade.

Eternamente, Deus é o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. No seu evangelho, João escreve: “No princípio… o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1). Isto foi antes da criação. O Verbo divino, o eterno Filho de Deus, estava com o Pai. A Escritura diz que estava no seio do Pai. Este relacionamento íntimo e pessoal entre Deus e o Filho existiu antes da criação.

Este fato é um aspecto absolutamente singular da revelação cristã. Torna o cristianismo diferente de qualquer outra religião que você possa encontrar no mundo. Revela algo peculiar e distinto sobre a natureza de Deus. Em Deus, eternamente, existe paternidade. Existe relacionamento.

O Propósito de Jesus: Revelar o Nome de Deus

Quando Jesus veio à terra, seu propósito final era conduzir ao Pai aqueles que fossem alcançados por ele. Este fato é declarado em muitas passagens. Por exemplo:

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pe 3.18).

Por que Jesus morreu? Para poder levar-nos a Deus. Jesus não era o fim, ele era o caminho. Ele mesmo o disse enfaticamente em João 14.6: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Jesus é o caminho, mas o Pai é o destino. Creio que muitas vezes, na nossa fé cristã, realmente perdemos o propósito de Deus. Falamos muito sobre o Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, nosso Intercessor, nosso Mediador, e assim por diante. Tudo isto é maravilhoso, mas não nos leva a alcançar todo o propósito de Deus. Seu plano não é meramente que cheguemos ao Filho, mas que através do Filho pudéssemos chegar ao Pai.

Há algo por demais maravilhoso na linguagem que Jesus usou na sua oração em João 17. Ele inicia com a palavra “Pai” e a repete mais seis vezes durante a oração. Enfatiza o fato de ter manifestado o nome de Deus aos seus discípulos.

“Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo…” (v. 6).

“Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste…” (v. 11).

“Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja” (v. 26).

Que nome era este que Jesus veio tornar conhecido aos seus discípulos? Não era o nome sagrado de Jeová. Já fazia quinze séculos que o povo judeu conhecera aquele nome. Qual era a nova revelação especial, o grande propósito, o nome que Jesus queria que seus discípulos conhecessem? O nome era “Pai”. Este é o nome máximo de Deus. Descreve a natureza de Deus, no seu caráter eterno, com mais perfeição do que qualquer outra palavra que existe na linguagem humana.

A revelação final e máxima de Deus, então, no Novo Testamento, é a revelação de Deus como Pai. E o propósito final do Novo Testamento, a razão por que o próprio Jesus veio, é levar-nos a Deus. Se pararmos antes de alcançar esta revelação de Deus, ficaremos aquém da plena realização final do propósito da redenção.

Conseqüências de Conhecer a Deus como Pai

Quando entramos na plenitude desta revelação de Deus e no relacionamento direto com Deus como Pai, recebemos certas coisas que faltam notoriamente na experiência emocional da maioria das pessoas na nossa cultura. As três coisas que resultam desta revelação e relacionamento são: identidade, um senso de valor próprio e segurança.

Identidade é um problema muito crítico para a pessoa moderna. Existem muitas histórias em que pessoas procuraram durante muitos anos para descobrir quem realmente eram seus pais, e de onde vieram. Tanto as Escrituras como a psicologia concordam em que alguém nunca será capaz de realmente responder à pergunta “Quem sou eu?”, até descobrir quem é seu pai.

Hoje, os relacionamentos humanos entre pais e filhos estão tão quebrados que está acontecendo uma enorme crise de identidade. A resposta do cristianismo a esta crise é levar homens e mulheres a um relacionamento direto e pessoal com Deus Pai, através de Jesus Cristo, o Filho. As pessoas que realmente conhecem a Deus como Pai não têm mais problema de identidade. Sabem quem são – filhos de Deus. Seu Pai criou o universo, seu Pai os ama, e seu Pai cuida deles.

Isto nos leva à segunda necessidade que é suprida pela revelação de Deus como Pai: a necessidade de valor próprio. Em 1 João 3.1 diz: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus”.

Uma vez que realmente compreendemos que somos filhos de Deus, que Deus nos ama íntima e pessoalmente, que está interessado em nós, que nunca está ocupado demais para nos dar sua atenção e que deseja um relacionamento direto e pessoal conosco, teremos clara consciência do nosso próprio valor. Tenho visto isto acontecer vez após vez na vida das pessoas, quando entram na experiência prática desta revelação.

A terceira grande provisão de Deus que vem pela revelação do Pai é segurança. Por trás do universo não está apenas uma força científica ou um “big bang”, mas um Pai que nos ama.

Um amigo meu estava sentindo solidão e tristeza, tarde da noite, nas ruas desertas de uma cidade. Ele nem sabia se ia conseguir superar suas crises. Enquanto estava ali numa esquina, começou a dizer e a repetir, vez após vez: “Pai…  Pai… Pai…”  Ao dizer isto, um senso de segurança começou a surgir no seu interior. Agora sabia que, apesar do frio e falta de perspectiva ao seu redor, ele era um filho de Deus no universo que Deus criara para seus filhos.

A Mais Alta Vocação do Homem

Já que Deus tem eterno caráter e natureza de Pai, podemos concluir que todo pai, num certo sentido, representa Deus. Podemos até dizer que a qualidade de pai, de um bom pai, é a qualidade mais semelhante a Deus que um homem pode adquirir. É a realização mais elevada do homem.

Como representante de Deus na sua família, e elo de ligação na cadeia de autoridade e transmissão de vida (1 Co 11.3), o homem recebe os três ministérios de Jesus: de sacerdote, profeta e rei. Como sacerdote, o pai representa sua família diante de Deus. Como profeta, representa Deus para sua família. Como rei, governa sua família em favor de Deus.

O sucesso do pai nos ministérios de profeta e rei está intimamente ligado ao seu sucesso como intercessor e sacerdote. Se for bem-sucedido como intercessor, provavelmente o será também como profeta e rei. Mas se não entender a prática de intercessão em favor de sua família, será muito difícil se tornar verdadeiro profeta ou rei.

A maioria das pessoas forma suas primeiras e mais duradouras impressões de Deus a partir de seus pais humanos. Infelizmente, muitos conceitos errados de um Deus crítico, severo, com exigências irrazoáveis e excessivas, cruel, indiferente, distante, sujeito a mudanças de humor, imprevisível, frio, apático ou insensível resultam destes defeitos e erros dos próprios pais.

Como pode um pai representar Deus à sua família – e ser um profeta para o bem e não para o mal? Paulo, escrevendo aos pais em Efésios 6.4 diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. E, depois, em Colossenses 3.21: “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”.

A responsabilidade intransferível dos pais em educar, instruir e criar os filhos inclui a vigilância contra dois perigos opostos. O primeiro é a rebeldia no filho. O pai combate a rebeldia através de manter firme disciplina – não permitindo que o filho se torne voluntarioso ou irresponsável, não permitindo que responda, e exigindo que faça conforme o ordenado com prontidão, quietude e obediência.

O outro extremo, que precisa ser combatido também, é o desânimo. Um pai que é excessivamente severo, crítico e exigente gera uma atitude no filho que diz mais ou menos assim: “Bem, não adianta mesmo. Nada que faço agrada ao meu pai, então nem vou tentar mais”. Paulo adverte: “Não provoque seus filhos. Não os irrite a fim de que não fiquem desanimados”.

Não posso contar quantas pessoas tenho aconselhado que tinham uma atitude negativa – falta de valor próprio, sensação de fracasso, frustração – que era conseqüência de marcas ou feridas causadas pelo pai.

Comunicação é Essencial

A fim de cumprir estas responsabilidades na criação dos filhos, o pai precisa lembrar sempre da necessidade constante de comunicação regular e aberta com seus filhos. Sem este tipo de comunicação, ele não poderá cumprir sua missão. A comunicação entre pai e filho geralmente é mais eficaz num contexto não religioso. Se os filhos associarem a instrução que recebem do pai com algo inflexível, formal e religioso, no fim tenderão a reagir contra as duas coisas: a religião e a instrução.

É essencial, na comunicação, não só falar com eles, mas permitir que eles também se expressem. A maioria dos conselheiros de adolescentes desencaminhados ou delinqüentes concordaria que estes quase sempre têm uma queixa em comum: “Nossos pais nunca nos escutam”. Então, é necessário cultivar a prática de escutar. Deixe seu filho falar, deixe-o se expressar, permita que fale sobre seu problema, e não tente fazer isso num ambiente muito religioso.

O Dr. V. Raymond Edman, que foi presidente de um seminário conhecido nos Estados Unidos, certa vez disse: “Olhando para trás e pensando na forma como criei meus filhos, se eu pudesse fazer tudo de novo, passaria mais tempo com eles em atividades simples e não religiosas”. Ele descobriu que algumas das coisas de que seus filhos adultos mais se lembravam eram os momentos informais de simplesmente estarem juntos.

Comunicação verdadeira com o filho não pode ser alcançada em cinco minutos. Muitas vezes, as coisas mais importantes são ditas ao filho (ou pelo filho) em momentos casuais ou espontâneos, quando menos se esperaria. Por exemplo, numa pescaria, fazendo jardinagem, cortando grama, limpando a garagem ou descobrindo por que o carro não funciona. São situações como estas que fornecem a oportunidade de ter verdadeira comunicação entre pais e filhos. São nestas oportunidades que um pai deve poder transmitir ao seu filho os profundos princípios da Palavra de Deus. Só o fato de ter um altar na família, ou culto doméstico, não lhe dará necessariamente estas oportunidades. Muito depende de como o restante do tempo é usado na família.

Restauração dos Pais ou Maldição?

Finalmente, quero lembrar dos últimos dois versículos do Velho Testamento. Não sei se você já refletiu sobre o fato de que a última palavra do Velho Testamento na maioria das versões é maldição. É um pensamento muito sério considerar que, se Deus não tivesse mais nada a dizer ao homem depois disso, sua última palavra à humanidade teria sido esta. Graças a Deus pelo Novo Testamento que mostra o caminho para sair da maldição.

Isto é o que Deus diz nestes últimos dois versículos do livro de Malaquias:

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;  ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4.5,6).

Estou impressionado com a tremenda percepção da revelação profética, que há bem mais de dois mil anos deu a Malaquias a visão do maior e mais urgente problema social dos nossos dias. Qual é este problema? Lares divididos e dominados por conflitos. Pais e filhos sem relacionamento. Os filhos rebeldes e os pais negligentes.

E o profeta adverte que se este estado crítico não for alterado, trará uma maldição sobre a unidade em questão: seja uma família, uma nação, ou uma civilização. A Palavra de Deus nos confronta com apenas duas alternativas na nossa situação atual: podemos restaurar os relacionamentos familiares e sobreviver; ou podemos permitir que os relacionamentos familiares continuem a deteriorar, assim como vem acontecendo nas últimas décadas. Se tomarmos esta segunda opção, havemos de perecer sob a maldição de Deus. Estas são as alternativas.

Num sentido muito significativo, o destino será selado pelos pais. São os pais que Deus responsabiliza. Pelo fato de Deus poder confiar em Abraão para ser o tipo de pai que ele queria, Deus afirmou: “Ele se tornará uma grande e poderosa nação”. Porém, o contrário também é verdadeiro. Onde os pais falham e não cumprem suas responsabilidades, uma nação não poderá permanecer grande.

Esta é a crise que está diante de todas as nações hoje. Os pais haverão de voltar a Deus e enfrentar suas responsabilidades para com suas famílias diante do Senhor? Ou a decadência moral e social atual, que começou na família e a está destruindo, haverá de continuar e chegar às últimas conseqüências, que é a maldição?

Será a decisão dos pais que determinará o destino da nação. Deus requer que os pais se voltem aos filhos. Então ele promete que os filhos voltarão aos seus pais.

Extraído e adaptado do livro “Fatherhood” (Paternidade), por Derek Prince. Para ler mais sobre este assunto, veja o livreto em português “Paternidade”, do mesmo autor.
Mais informações sobre Derek Prince e seu ministério na internet:
www.dpmusa.org (em inglês) ou:
Derek Prince Ministries – International
P.O.Box 19501
Charlotte, North Carolina 28219-9501 – E.U.A.

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