Para que Deus seja tudo em todos

Publicado em: 25/12/2014 Categorias: A vida do velho homem / Arauto

Arauto - Ano 32 - nº 04 - Set/Dez 2014

Andrew Murray

“E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés… Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (1 Co 15.24-28).

Essa será a magnífica conclusão do grande drama da história do mundo e da redenção de Cristo. Haverá um dia em que a glória do Reino de Deus será tamanha que nenhuma mente humana conseguirá concebê-la. O mistério disso é tão profundo que vai além da nossa capacidade de compreensão.

É para isso que Jesus tem trabalhado. É para isso que está trabalhando em nós hoje. Foi para isso que deu o seu sangue. É para isso que seu coração anseia em cada um de nós. A própria essência e glória do cristianismo são: “que Deus seja tudo em todos”.

Se é isso que enche o coração de Jesus, se é o que expressa a única finalidade de sua obra e se é para isso que o Espírito de Cristo habita em mim, então o lema da minha vida deve ser: Que tudo seja sujeito a Jesus e absorvido por ele, para “que Deus seja tudo em todos”.

Que triunfo seria se a igreja realmente estivesse batalhando com essa bandeira, sob esse grande propósito! Como seria diferente a nossa vida se essa fosse a nossa bandeira pessoal! Servir a Deus plena e inteiramente, tendo como único objetivo contribuir para ele fosse tudo em todos! Como isso enobreceria, ampliaria e estimularia todo o nosso ser!

Eu passaria a trabalhar, a batalhar para apressar a vinda do dia de glória em “que Deus será tudo em todos”. Oraria à medida que o Espírito Santo achasse espaço para gerar dentro de mim gemidos inexprimíveis para “que Deus seja tudo em todos”.

Quem dera que nós cristãos pudéssemos perceber a grandeza da causa em que estamos empenhados e para a qual estamos orando! Quem dera que tivéssemos uma concepção do Reino ao qual fomos chamados e da manifestação de Deus para a qual estamos nos preparando!

Povo de Deus, se fôssemos despertados para acreditar que pertencemos ao Reino que Cristo está preparando para entregar ao Pai a fim de que Deus seja tudo em todos, quanta glória encheria nosso coração, tomando o lugar de tudo o que é inferior, baixo e terreno! Como seríamos sustentados poderosamente por essa bendita fé!

Eu estou vivendo para que Cristo receba o Reino a fim de entregá-lo ao Pai. Estou vivendo para ele e estarei lá, não apenas como testemunha, mas como participante de todo o glorioso projeto.

Guardemos este pensamento no coração para que passe a governar nossa vida. Que seja apenas um pensamento, uma fé, um alvo e uma alegria: Cristo viveu, morreu e ressuscitou, e eu também vivo, morro e reino no poder dele por uma só coisa – para “que Deus seja tudo em todos”.

Que isso tome conta de todo o nosso coração e a nossa vida. Como podemos fazer isso?

Em primeiro lugar: permita que Deus tome o lugar dele no seu coração e na sua vida. Permita que Deus seja tudo em toda sua vida, desde a manhã até a noite. Deus deve reinar, e eu devo obedecer. Não é que Deus seja o primeiro e eu, o segundo. Deus é tudo, e eu sou nada. Paulo disse, com efeito: “Trabalhei mais abundantemente do que todos, embora eu não seja nada” (1 Co 15.9,10). Procure dar a Deus o seu lugar – começando no lugar secreto de oração e adoração.

Em segundo lugar, aprenda a aceitar a vontade de Deus em tudo! Aprenda a dizer em cada prova, sem exceção: “Foi o Pai que a enviou; aceito-a como mensageiro dele”. Dessa forma, nada na Terra ou no inferno poderá separá-lo de Deus.

Terceiro, confie no poder dele. Querido amigo, é “Deus que efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. É o “Deus da paz”, de acordo com outra passagem, que nos “aperfeiçoa em todo o bem, para cumprir a sua vontade, operando em nós o que é agradável diante dele”.

Você reclama de fraqueza, debilidade e incapacidade. Não se preocupe. Foi para isso que ele o criou – para ser um vaso totalmente vazio, no qual Deus possa derramar sua plenitude e força. Muito depois de Paulo ter sido enviado como apóstolo, o Senhor Jesus precisou usar um meio muito especial para ensiná-lo a dizer: “Eu nunca soube disso antes, mas daqui em diante gloriarei nas minhas enfermidades; pois quando estou fraco, aí é que estou realmente forte”.

Você realmente deseja que Deus seja tudo em todos? Aprenda a gloriar-se nas suas fraquezas. Tire tempo para dizer todos os dias, enquanto se encurva diante de Deus: “O poder infinito de Deus que opera no sol, na lua, nas estrelas e nas flores está operando em mim. Eu só preciso me humilhar e ficar quieto. Preciso ser mais submisso e rendido à sua vontade. Preciso confiar mais nele e permitir que Deus faça comigo o que ele quer”.

Dê espaço a Deus para que o dirija e opere na sua vida, e ele fará isso poderosamente. A mais profunda quietude muitas vezes tem sido fonte de inspiração para as ações mais elevadas. Isso já foi evidenciado na experiência de muitos santos de Deus e é justamente aquilo de que precisamos – render-nos em quietude e fé para que a operação de Deus seja mais manifesta.

Em quarto lugar, sacrifique tudo em favor de seu Reino e sua glória. “Para que Deus seja tudo em todos.” Este é um alvo tão nobre, glorioso e santo que Jesus disse: “Para isso, darei minha própria vida. Darei tudo o que tenho, até à morte de cruz”.

Se valeu a pena para Cristo, valerá menos para você? Se alguém tivesse perguntado para Jesus de Nazaré: “Para que você tem um corpo? Qual a utilidade mais sublime para ele?”, ele teria respondido: “O melhor uso do corpo e sua maior glória é que seja oferecido como sacrifício a Deus. Não há outra finalidade”.

Qual o objetivo de ter uma mente? De ter dinheiro? Para que alguém deseja ter filhos? Para poder entregá-los a Deus. Deus precisa ser tudo em todos.

Minha oração é que Deus nos dê tal visão do seu Reino e da sua glória que todas as demais coisas fiquem totalmente obscurecidas. Então, caso fosse possível ter dez mil vidas, você diria: “A beleza e o valor da vida é que Deus seja tudo em todos para mim e que eu possa provar aos homens que Deus é mais do que tudo, que a vida só vale a pena viver quando é rendida para ser preenchida por Deus”.

Sacrifiquemos todas as coisas em favor do seu Reino e da sua glória. Comece a viver dia por dia com a oração: “Meu Deus, eu sou teu. Sê tudo para mim”.

E, em último lugar, se Deus será de fato tudo em todos, espere continuamente nele o dia todo.  Espere em Deus por direção, e ele, diante disso, o levará a servi-lo com mais poder e com uma nova alegria de comunhão íntima com ele. Também o levará a mais ousadia e muito mais confiança no seu amor e na sua palavra. Ele o preparará para esperar coisas novas como fruto dessa comunhão.

Amados, nem podemos imaginar o que Deus fará por alguém que esteja totalmente rendido a ele. Louvado seja o seu nome! Que cada um de nós diga: “Que minha vida tenha o propósito de viver e morrer, de trabalhar e orar continuamente em favor de uma única coisa: para que na minha vida, nas pessoas ao meu redor, na igreja e em todo o mundo Deus seja tudo em todos”.

Extraído de “The Master’s Indwelling” (A Habitação Interior do Mestre), por Andrew Murray.

Uma resposta para “Para que Deus seja tudo em todos”

  1. Henrique Jorge dos Santos disse:

    Abriu muito minha compreensão sobre o Pleroma explicado por São Paulo em 1 Cor. 15.26-28.
    Satisfeito pelo avanço acrescido nessa compreensão.Estou agradecido. AMÉM

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