O Tribunal de Cristo

Publicado em: 06/05/2012 Categorias: Arauto / Prosseguindo Para Obter o Prêmio

Arauto - Ano 13 - nº 02 - Abr/Jun 1995

Por: Rev. Stan Ingham

“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (II Co 5:10).

O Tribunal de Cristo (no grego “Bema”) julgará as obras dos crentes. O Senhor avaliará a vida de cada crente para remover todas as impurezas e determinar os galardões e as futuras posições no Reino de Deus. Neste sentido lemos que ou sofreremos perda ou ganharemos uma recompensa pelas coisas feitas em nossa vida terrena.

Estudaremos, resumidamente, o propósito do Tribunal sob três aspectos: será um momento espantoso e temível em que seremos revistos, revelados e recompensados.

Revisão

O “Bema” era uma junta examinadora e um lugar de recompensas e era usado de várias maneiras. Embora, às vezes, servisse como uma corte de justiça, era usado, freqüentemente como um lugar onde os atletas recebiam troféus por vitórias obtidas nas grandes competições do dia, lutas livres, boxe e atletismo. Os vencedores, como acontece nos Jogos Olímpicos, eram trazidos diante do “bema” e honrados com a coroa de louro ou prêmio como recompensa pela vitória obtida. Acredita-se, à luz da passagem de Tessalonicenses que este Bema ou Tribunal de Cristo será realizado nos ares, e não na terra nem no céu.

As três principais passagens que tratam deste evento são II Coríntios 5:8- 11; Romanos 14:8-13; I Coríntios 3:11 -17.

Devemos sempre ter em mente aquilo que Deus considera como a verdadeira natureza da vida. A vida de um homem não consiste em suas possessões ou no seu prestígio, mas no que ele é. O cristão é “uma nova criatura em Cristo Jesus” (II Co 5:17). Paulo diz: “Cristo é a nossa vida.” “Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória” (Col 3:3-4).

Ao pecador que se arrepende é concedida a Vida Eterna. Ele foi redimido ou comprado por um preço. Ele é um “mordomo da graça multiforme de Deus” e é necessário rever a responsabilidade desta mordomia para averiguar se está sendo fiel no Seu serviço e se tem servido motivado com o amor pelo Mestre, ou por ganho egoísta.

Deus examinará o que um homem faz, o por quê ele o faz e como ele o faz. Tudo que nasce de sua vida interior em Cristo será avaliado como bens valiosos, eternos e espirituais. Tudo o que é realizado “pela carne,” motivado pelo egoísmo ou fontes naturais, será avaliado como sem valor e a pessoa sofrerá perda, pois estas coisas serão queimadas na prova de fogo do julgamento.

O Que Será Revisto?

A) Nossas Obras (II Co 5:8-11 ). A revisão inclui:
–  nossas ambições. Nossa ambição deve ser “sermos agradáveis a Ele” (verso 9)
–  nossas atividades: “…segundo o bem, ou o mal” (verso 10).
–  nossas atitudes ou motivações: “nas vossas consciências sejam também conhecidos por Deus” (verso 11).

Nossas consciências nos são dadas por Deus como um indicador espiritual da natureza dos nossos trabalhos ou motivações. Nossa consciência não é um guia infalível mas deve ser ensinada pela Palavra de Deus e exercitada pelo Espírito Santo para avaliar o nosso comportamento à luz dos padrões e caminhos de Deus, e não dos do mundo ou do nosso próprio entendimento natural que está manchado pela velha natureza e conhecimento incompleto.

Paulo ensina, em Efésios 6:5-8, que os servos devem ser completamente obedientes a seus mestres “…na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus: servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre.” O verso seguinte trata com os mestres, pois eles também precisam compreender que o seu Mestre no Céu vai lhes pedir conta de como trataram seus servos.

B) Nossas Palavras. (Mateus 12:31-37).
O próprio Jesus nos adverte a considerarmos as nossas palavras. Na passagem acima Ele dá a origem de nossas palavras, boas palavras são dos “bons tesouros dos nossos corações,” e as más palavras indicam que entesouramos o mal em nossos corações. Ele olha dentro dos nossos corações e nos julga pela nossa condição interior. Ele nos adverte contra a blasfêmia e resume com esta declaração:

“Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo, porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.”

Tiago destaca a grave importancia da língua, isto é, como ela pode ser usada maravilhosamente para o bem ou devastadoramente para o mal. É um claro indicador de nossa disciplina cristã, e o apóstolo destaca que aqueles que são líderes ou professores cristãos têm uma responsabilidade maior. As nossas línguas devem ser usadas para o Senhor e não como o instrumento do mal como uma expressão da velha natureza (Tiago 3:1- 6).

Paulo, em Colossenses 3:16-17, fornece o lado positivo para o uso das palavras, louvar a Deus e edificar uns aos outros em amor: “A palavra de Cristo habite em vós ricamente”, ensinando e admoestando, cantando com graça em seus corações para o Senhor…dande graças ao Pai… Isto é o que o Senhor esté buscando recompensar “no dia em que as vitórias já estiverem ganhas e as batalhas terminadas.”

C) Nossa Vontade (I Co 4:4-5; 13:14)

“…quem me julga é o Senhor Portanto, nada julgueis antes do tempo até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações, c então cada um receberá de Deus o louvor.”

As nossas motivações devem se controladas pelo verdadeiro amo espiritual e nossa vontade estar sujeita ao poder do amor de Deus em nós crucificando os sentimentos e afeições carnais e fazendo a vontade de Deus de coração. Assim, o apóstolo relaciona alguns dos maiores atos de serviço e c exercício dos dons mais maravilhosos que se não forem feitos ou oferecidos em amor nada valerão e nada aproveitarão, pois nada sou se não tiver amor.

Deus recompensará o serviço, como recompensou o de Cristo, que por fruto do forte desejo: “contudo não se faça a Minha vontade, mas sim, a Tua”

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:1-2).

Qualquer serviço ou sacrifício que não seja da Sua vontade ou realizado para a Sua glória sofrerá dano e será queimado no fogo quando for revisto pelo Juiz “dos vivos e dos mortos.”

Revelação

Quando o Juiz examinar nossas vidas, Ele revelará o verdadeiro valor delas. Isto é subentendido na passagem citada acima: II Coríntios 5:8-11).
As nossas obras serão reveladas “quer sejam boas ou más.”

O Dr. K. S. Wuest diz: “É necessário pela natureza de todos nós, que se revele abertamente a nossa verdadeira personalidade perante o Tribunal de Cristo para que cada um possa receber segundo o que foi praticado através do corpo.”

Em I Coríntios 3:12-13, Paulo declara que a natureza de nossas vidas e do serviço será “descoberta pelo fogo para provar a obra de cada um.”

Para ilustrar como nossas ações e vidas serão reveladas, o apóstolo as compara aos tipos de materiais que podemos usar para erguer um prédio.
O Senhor Jesus, a Sua vida perfeita e a Sua obra redentora de expiação, é a base ou fundamento de nossas vidas, que recebemos como um dom – Sua justiça e salvação. Mas devemos construir nossas vidas cristãs através do Espírito Santo e a maneira como construirmos este fundamento será revelado pelo fogo.

Há duas categorias principais de materiais: aqueles que queimarão no fogo porque são inferiores, e aqueles que permanecerão. Há diferentes avaliações dentro destas duas categorias para descrever como o Senhor nos vê e nos julga. Aquilo que é “bom” não se consumirá e terá valor eterno e uma recompensa.

A primeira categoria será revelada como um dos três seguintes materiais:

A) Madeira

A madeira tem valor comercial e pode expressar as coisas que fazemos para receber um retorno para nós mesmos: nossa popularidade, prazer, ganho pessoal. Este é o conceito de Paulo em I Coríntios 13:1-3 quando ele fala das grandes coisas realizadas sem o amor sacrificial.

Dos fariseus, que amavam o louvor dos homens e realizavam o seu trabalho religioso visando este propósito, Jesus disse: “Vós já recebestes a vossa recompensa” – uma recompensa temporária, barata e não duradoura. Nós, entretanto, devemos honrar a Deus e sermos humildes, “e o Pai que vê estas coisas em secreto, vos recompensará abertamente.” Esta será uma recompensa muito mais preciosa do que “madeira.”

B) Feno

O feno é usado para alimentar o apetite natural, em contraste com a comida espiritual. Como o Pão da Vida, Jesus deve ser o objetivo e o desejo de nossas vidas. “Aquele que comer da Minha carne e beber do Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:48,54).
Nós seremos julgados a fim de revelar até que ponto nos alimentamos e vivemos para o nosso apetite natural e carnal. Este material é altamente inflamável e será revelado pelo fogo no julgamento de Deus.

C) Palha

Palha é lixo puro, sem valor algum. E uma figura adequada deste mundo passageiro e pode representar tudo que fazemos com o sentido de raciocínio natural ou na energia da carne. Tudo o que fazemos e dizemos que não seja pela fé é pecado – “sem fé é impossível agradar a Deus.” “A mente carnal é inimiga de Deus, pois não está sujeita à lei de Deus e nem pode ser” (Romanos 8:5-9).
Este tipo de material será “queimado com fogo inextingüível.”

A segunda categoria passará pelo fogo. Não será consumida, mas será purificada. Todas as impurezas que representam nossas falhas e fraquezas serão consumidas, deixando somente a pura e perfeita obra de Deus implantada em nós pelo Espírito Santo. Vamos comparar estes materiais permanentes produzidos na vida de fé, amore renúncia.

A) Ouro

Ouro: puro, refinado e duradouro; ilustra a Soberania de Deus em nós, “Cristo em vós, a esperança da glória.” Representa aquelas atividades do Espírito Santo elevando e honrando a Cristo como o Senhor; uma vida de santidade e total sinceridade interior. Uma grande recompensa: “julgar a muitos” será a nova posição no reino de Deus para quem exerceu este fiel e humilde serviço aqui embaixo.

B) Prata
A prata fala da obra redentora de Cristo. A obra e testemunho focalizados na obra expiatória do Salvador, ou seja, a pregação da Cruz. É a descrição de uma vida de completa fé na obra consumada de Cristo, alguém que é reconciliado e está reconciliando outros com Deus através do evangelho (II Coríntios 5:18-21).

Fala de nosso ministério como “sacerdotes de Deus,” trazendo pecadores afastados parao Grande Sumo Sacerdote e mostrando-O aos outros enquanto continuamos o ministério do Sumo Pastor de cuidar das ovelhas como pastores subordinados.

O profeta Daniel fala da ressurreição e da recompensa para os ganhadores de almas, a recompensa para o evangelismo:

“…os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12:3).

Paulo diz que aqueles que ele levou ao Senhor serão a sua recompensa. “Pois, quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!” (I Tes. 2:19-20).

C) Pedras Preciosas

As pedras preciosas falam da vida de submissão cheia do Espírito. A vida de serviço e devoção, calma, piedosa, de renúncia e obediência. Talvez refira-se aqui à recompensa para o ministério e vida de oração. A descrição de Pedro de uma pessoa submissa e de oração se aplica: “…seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus” (I Pe 3:4).

Que bela figura é dada por Malaquias dos fiéis que gostam de se reunir para reverentemente adorar e cultuar: “Então os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor, e para os que se lembram do seu nome. Eles serão para mim particular tesouro naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho que o serve. Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve”(MI 3:16-18).

E, finalmente, o Tribunal Bema será um tempo de:

Recompensa

Paulo declara claramente que aobra de cada um será manifestada e o fogo revelará qual foi a obra de cada um, e depois ainda diz:
“Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão” (I Co 3:14).
Que emocionante será quando ouvirmos a voz do Senhor dizendo: “Bem fizeste, servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor.”

Lembre-se:

–  A salvação não é uma recompensa, é um dom gratuito da graça. Nós só podemos apresentar “o salário do pecado” que “é a morte” – porém, o dom gratuito de Deus é a vida eterna (Rm 6:23).

–  As recompensas são oferecidas por Deus como resultado da fidelidade.
Por exemplo: uma recompensa é prometida ao profeta, e a mesma recompensa para aquele que recebe o profeta. O mesmo se aplica ao “justo” e àquele que o recebe. Até para a pessoa que “dá um copo de água fria a um dos pequeninos, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” disse Jesus (Mt 10:41-42).

Paulo diz: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis…eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” (I Co 9:24-25).

Por isso, o apóstolo pôde dizer no final do seu ministério: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé; já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (II Tm 4:7-8).

No último capítulo da Bíblia, Jesus declarou inconfundivelmente: “E eis que venho sem demora, e comigo estã o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap 22:12).

Precisamos prestar contas do quanto O amamos, vivemos por Ele, trabalhamos com Ele e do quanto ansiamos pelajustiçae Sua iminente volta.

2 respostas para “O Tribunal de Cristo”

  1. roberto de oliveira souza disse:

    É uma matéria linda e de singular importância. Observar, guardar e praticar é essencial para uma vida plena diante de Deus.

  2. Belarmino disse:

    Paz!

    No caso de o crente ter mais obras mas que boas, o que acontece com ele?
    Obrigado.

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