O Senhor dá graça aos humildes

Publicado em: 11/03/2014 Categorias: Arauto / Nojo de si mesmo: um elemento em falta hoje

Arauto - Ano 32 - nº 01 - Jan/Fev 2014

 Rich Carmicheal

Na passagem de Tiago 4.1-10, encontramos grande esperança para avivamento pessoal e coletivo, indiferentemente da gravidade ou dificuldade da situação em que se possa estar. Tiago inicia essa parte de sua carta descrevendo a condição bastante patética dos leitores. Eles eram marcados por rixas e conflitos (v.1), cobiça e inveja (v.2), falta de oração (v.2), motivações erradas e egoísmo (v.3), adultério espiritual e amizade com o mundo (v.4), orgulho (v.6) e impureza, contaminação e ânimo dobre (v.8). Infelizmente, essas características são extremamente comuns nos nossos dias também.

Contudo, mesmo que estejamos em condições tão adversas, Tiago oferece grande esperança por renovação espiritual. Ele oferece uma série de fortes exortações para serem colocados em prática pelos leitores, com o objetivo de que Deus se aproxime deles (v.8) e os exalte (v.10). E, evidentemente, quando Deus vem para perto de nós e nos abençoa, sua presença e poder produzem vida espiritual transbordante, levando-nos a viver e dar fruto para sua glória. Nossa vida será cheia de santidade, pureza, alegria, devoção, fidelidade, abnegação, amor, compaixão – e muitas outras qualidades divinas.

O que torna possível a esperança de tal transformação dramática é a verdade de que Deus “dá maior graça” (v.6; veja também o texto de Romanos 5.20, no qual Paulo afirma que “onde abundou o pecado, superabundou a graça”). Em outras palavras, a graça de Deus tem abundância e poder suficientes para reverter a condição espiritual até do indivíduo ou igreja mais patética imaginável. E Deus não só é capaz de fazer isso pela sua graça, mas também está ansioso para fazê-lo!

Não há, portanto, nenhuma dúvida quanto ao avivamento ser ou não ser possível; pela graça de Deus, é plenamente possível. A pergunta é se vamos nos humilhar ou não diante dele (v.10). Tiago nos lembra que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (v.6; veja também Pv 3.34 e 1 Pe 5.5). O que mais precisamos hoje são indivíduos (e igrejas) que se humilhem diante do Senhor.   

Marcas de humildade  

Tiago descreve um quadro daquilo que essa humildade inclui: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus… Resisti ao diabo… Chegai-vos a Deus… Purificai as mãos… Limpai o coração… Afligi-vos, lamentai e chorai…” (vv.7-9). No início da carta, ele também falou da humildade: “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei com mansidão [ou humildade] a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (1.21). Em outras palavras, os humildes se arrependem plenamente do pecado e da própria natureza, e se voltam de todo o coração para o Senhor e a sua Palavra.

Outras passagens na Bíblia definem ainda mais as marcas da humildade. Aqueles que são humildes têm corações sensíveis para o Senhor; acreditam no que ele diz, mesmo se forem palavras de juízo, e correspondem às suas palavras (2 Rs 22.19). Executam suas ordens (Sf 2.3) e procuram fazer reparos ou restituições pelos pecados que cometeram (Lv 26.41). Não confiam em sua própria justiça, mas reconhecem profundamente seu pecado e sua necessidade da misericórdia de Deus (Lc 18.9-14). Não pensam de si mesmos além do que convém, mas honram o Senhor como Deus e consideram os outros como superiores a si mesmos (Fp 2.3; 1 Pe 5.5; Rm 12.16).

Deus valoriza muito a humildade e afirma que olha para aquele que é “aflito e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” (Is 66.2). Ele também promete que habitará com “o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15).

Intercessão, confissão e arrependimento 

Idealmente, você é uma pessoa cheia do Espírito Santo e não se encontra na lamentável condição espiritual descrita por Tiago. Porém, mesmo que tenha boa saúde espiritual, ainda há necessidade de levar a sério esse chamado para humilhar-se diante do Senhor. Considere como homens justos, tais como Neemias, Esdras e Daniel, se humilharam diante do Senhor em favor do povo de Deus, mostrando o caminho de arrependimento e de buscar o Senhor (veja Ne 1.4ss; Ed 9.3ss; Dn 9.3ss; 10.12).

Veja, por exemplo, a intercessão de Daniel: “Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome” (Dn 9.18,19).

Tiago nos lembra que “muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (5.16). O Senhor procura aqueles que se disponham a “tapar o muro e se colocar na brecha” (Ez 22.30).

Por outro lado, se sua vida espiritual estiver deficiente ou se estiver perdendo a batalha contra o pecado em alguma área, você terá muito mais motivo para humilhar-se diante do Senhor. Ouça o chamado de Tiago para submeter-se totalmente ao Senhor e à sua Palavra. Resista ao diabo e às suas estratégias contra você. Aproxime-se do Senhor por meio da oração, da leitura das Escrituras e do arrependimento. Trate duramente com qualquer pecado que estiver em sua vida. Purifique suas mãos e limpe seu coração. Aflija-se, lamente e chore sobre seu pecado (Tg 4.9). Tiago usa palavras fortes como essas porque o pecado tem influência e poder para separar-nos do Senhor (Is 59.2).

Precisamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para nos purificar de “toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7.1). Além disso, devemos confessar nosso pecado ao Senhor a fim de que nos perdoe e nos purifique pelo sangue de Cristo de toda injustiça (1 Jo 1.7,9).

Aceitemos as exortações bíblicas e humilhemo-nos diante do Senhor em favor de nós mesmos, da igreja e do nosso país. Estamos tão desesperadamente necessitados de um derramamento do Espírito Santo para avivar a igreja e trazer muitos dos que estão perdidos para a salvação. Olhemos para o Senhor e clamemos a ele com humildade e paixão que derrame um avivamento nos nossos dias para a sua glória.

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