O Poder das Palavras

Publicado em: 24/03/2016 Categorias: Blog

 

Mensagem ministrada por Harold Walker em Jundiaí, SP, no dia 28 de fevereiro, 2016

  1. O poder da presença de Deus

“No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Disse Deus: Haja luz. E houve luz” (Gênesis 1.1-3).

“Porque a palavra do Senhor é reta; e todas as suas obras são feitas com fidelidade. Ele ama a retidão e a justiça; a terra está cheia da benignidade do Senhor. Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo sopro da sua boca. Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe em tesouros os abismos. Tema ao Senhor a terra toda; temam-no todos os moradores do mundo. Pois ele falou, e tudo se fez; ele mandou, e logo tudo apareceu” (Salmos 33.4-9).

A presença de Deus é poderosa; ela cura e mata! Graças a Deus que ele ainda não veio com muito poder porque senão muitos teriam morrido devido à falta de respeito, de obediência e de reverência em nosso meio. Estamos cheios de coisas erradas em nossas vidas, mas Deus é misericordioso! Porém, ele nos exorta: “Preparem os transformadores e as linhas de alta tensão para que a minha presença desça e ninguém morra e, sim, que haja cura e libertação”.

Grandes coisas aconteceram em Atos por causa da presença de Deus: a cura do homem coxo de nascença na porta do templo (At 3.1-10); a morte de Ananias e Safira (At 5.1-11); o encantador que ficou cego porque se opôs à pregação de Paulo (At 13.8-12). Pedro não estava esperando curar o paralítico nem matar Ananias. Tudo acontece inesperadamente quando se tem essa “alta tensão”. Pedro disse a Ananias que ele havia mentido ao Espírito Santo e imediatamente ele caiu morto, para espanto, talvez, do próprio apóstolo. Sobre a esposa de Ananias, sim, Pedro percebeu o que estava acontecendo e perguntou-lhe: “Dize-me, vendeste por tanto aquele terreno?” Ele queria saber se ela estava participando ou não da mentira do seu marido. “E ela respondeu: Sim, por tanto.” Ao que Pedro disse: “Então você vai morrer agora também”.

A presença de Deus é poderosa e ele mesmo avisa, nas Escrituras, de que ele é amor, mas também é um fogo consumidor. Fato é que se nós quisermos mesmo essa presença, precisamos querer também as suas consequências, ou seja, não seremos mais donos do nosso próprio nariz. Ao ouvir esta palavra profética agora, você se tornou “grávido” e por toda a sua vida terá filho ou filha. Isso significa que a sua vida não poderá mais ser vivida para si mesmo, pois há outra pessoa sendo gerada em você. A pessoa que se entrega a Deus perde a sua vida egoísta para ser aquilo que ele quer que ela seja.

Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38). Depois ela recebeu uma profecia através de Simeão, dizendo: “Uma espada traspassará a tua própria alma” (Lc 2.35). No entanto, ela estava lá no dia de Pentecostes (At 1.14), e foi cheia do Espírito Santo junto com os outros; e anos depois falou com Lucas sobre as coisas que havia visto décadas antes, e que ele escreveu em seu livro. Então, Deus é terrível, mas também maravilhoso! Creia! Coisas vão acontecer em sua vida que, talvez, você não quisesse, mas diante da grandeza do que Deus faz, vale a pena.

 

  1. De onde vem as nossas palavras

Para entender sobre o poder das nossas palavras precisamos, antes, entender o poder da Palavra de Deus. Nós temos palavras porque Deus tem palavras. Pelo sopro da sua boca ele criou o mundo. Deus não brinca com suas palavras, pois quando fala, acontece. Em Gênesis, a terra estava sem forma, vazia e havia trevas. Sem forma dá para imaginar e vazio também, mas os dois juntos é muito difícil, senão impossível, imaginar. O que poderia tornar pior essa situação? Pense em uma cena de suspense em um filme: tudo escuro, música sinistra, e quando parece que a coisa não pode piorar, o que sempre acontece? Começa a chover! Agora, além de tudo mais, tudo está molhado! E a situação estava desse jeito no início da criação. Em síntese, Deus estava numa situação deprimente ao extremo. Nós, seres humanos, jamais passamos por algo tão deprimente como esse. Mas Deus não estava deprimido, ou seja, a situação deprimente não o deprimiu. A palavra chave dessa passagem de Gênesis é “mas”. Tudo estava ruim demais, tudo escuro e vazio (sem nada), apenas água, mas… Mas o quê? O Espírito de Deus pairava sobre as águas!

Deus acabou com esse caos usando apenas o poder da sua palavra. Mas de onde veio essa palavra? Em Mateus 12.34, Jesus disse: “… do que há em abundância no coração, disso fala a boca”. Ele não diz que tem de pensar só na Bíblia, cantar apenas hinos e ser religioso ao extremo para se encher de coisas boas, mas “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8). O que estava em Deus antes que ele dissesse “haja luz”? A palavra de Deus, assim como as nossas palavras, procede de algo que vem antes dela, ou seja, dos sentimentos e pensamentos. A Bíblia liga os sentimentos e os pensamentos ao coração. O coração fica tão cheio de pensamentos e sentimentos que chega a transbordar em palavras e as palavras geram ações.

 

  1. Sentimentos, pensamentos, palavras e ações geram uma cultura

Sentimentos, pensamentos, palavras e ações geram uma cultura, ou seja, liberam uma nuvem além de nós, fora de nós e entre nós. Existem nuvens boas e nuvens más. Existem culturas boas e culturas nocivas. A nuvem boa é nada mais que a presença de Deus e é essa presença distintiva que deve impactar as pessoas que se chegam até nós. É preciso ter sentimentos e pensamentos que procedem de Deus, e depois expressá-los por meio de palavras e ações para formar o ambiente onde Deus habita, onde os anjos transitam e onde há milagres, curas e graça. Que Deus nos leve, como igreja, a ter essa nuvem sobre nós, sobre nossas reuniões, nossas casas e nossos locais de trabalho; que a presença de Deus esteja sobre nós e ao redor de nós. E só Deus pode fazer isso!

Em Levítico 16, Deus diz para não entrar no Santíssimo Lugar a qualquer hora, pois a sua presença estaria lá. Quando Arão entrava, ele tinha de levar incenso consigo e colocá-lo sobre as brasas vivas do altar no incensário para formar uma nuvem que encontrasse com a nuvem de Deus que já estava lá e assim, a sua vida ser preservada na presença de Deus. Como o incenso levado por Arão, as nossas orações (liberadas em palavras) formam uma nuvem na presença do Senhor. Nossa nuvem encontrará com a nuvem do Espírito Santo e, então, descerá o avivamento sobre a igreja e sobre as nossas casas. Consequentemente, acontecerá o que mais desejamos, ou seja, pessoas serão curadas, libertas, salvas e problemas de anos e anos serão resolvidos. Creia! Se tiver a nuvem, uma hora essas coisas acontecerão. Nada premeditado, mas de repente! E esse “de repente” será fruto da fé, dos sentimentos, das palavras e das ações. Esse é o ambiente propício para Deus atuar como deseja.

 

  1. O poder das palavras negativas

O que Deus estava sentindo quando o seu Espírito pairava sobre as águas? Talvez, o que sentiu mais forte foi o que ele falou primeiro: “Aqui está escuro e não dá para pensar nada direito. Haja luz!” E houve luz! Tudo estava escuro, mas ele não ficou deprimido com a escuridão nem ficou falando negativamente sobre ela. Deus sabia que havia dentro de si poder para transformar aquela situação.

O maior pecado do povo de Israel no deserto foi o da língua. Eles diziam: “Está muito quente, muito seco, não há água, não há pepinos, cebolas nem melões”. Eles não estavam mentindo, pois tudo isso estava mesmo faltando no deserto. Muitos de nós, no lugar deles, falaríamos o mesmo e teríamos saudades das coisas que hoje temos em abundância. Mas o que desejo enfatizar é sobre o poder das palavras negativas.

Você já teve oportunidade de viajar com alguém por horas a fio e ele ficar o tempo todo reclamando que a viagem está ruim, que sente sede, calor e cansaço? Às vezes não dá vontade de parar o carro e mandá-lo descer ou, então, pedir-lhe que fale algo que você ainda não saiba? Tudo está ruim mesmo, mas falar isso repetidamente nos torna “repetidores de Satanás”, e amplificamos ainda mais o que já está ruim. Cometer o pecado é ruim, mas ficar falando sobre o pecado que alguém cometeu é pior ainda. Quando há arrependimento, a cruz resolve completamente o problema do pecado. Mas falar incessantemente sobre os pecados das pessoas é sinal de que você quer causar impacto nos seus ouvintes. Cada vez que repete, você amplia e enfeita ainda mais o que fala e reforça o poder negativo da situação. Ficamos nervosos em viajar com alguém que se comporta assim e até Moisés ficou nervoso com as murmurações do povo.

Porém, Deus não é assim, ou seja, não fica falando que está feio e escuro. Não! Ele pensa em como resolver o que não está bom. Ele tem sentimentos, pensa, reflete, medita e depois fala e cria. A Bíblia não diz quanto tempo ele gastou nesse processo; talvez um milhão de anos, mas isso não importa. Ele tem paciência e não tem pressa como nós. Ele é tranquilo porque sabe que tem a solução, então, fica sentindo a situação e pensando sobre a solução. Ele sabe que no abrir de sua boca virá a solução. Deus não libera palavras vãs, não é repetidor nem amplificador de coisas ruins; ele é o criador e formador de todas as coisas.

 

  1. Cuidando dos nossos sentimentos e pensamentos

Todos nós podemos ver um cego e sentir pena. Ele é cego e nunca voltará a ver porque ninguém tem fé para curá-lo. Porém, uma pessoa pode sentir a situação e não se conformar. Crê que Deus pode mudar esse quadro, mas quem é ela para fazer algo acontecer? Ela ainda não percebeu como esse milagre poderia acontecer, apenas tem um sentimento de inconformismo crescendo dentro de si. E vai crescendo até que, um dia, quando menos espera, ela diz para o cego abrir os olhos e, então, acontece: o cego agora vê! Mas ficamos a nos perguntar: por que os olhos do cego não se abriram antes? Porque não havia quem permitisse crescer esse sentimento e pensamento dentro de si, ou seja, alguém se abrindo para os sentimentos de Deus e permitindo o inconformismo crescer até que a palavra saia com autoridade.

Creia! Antes de você ter uma palavra que cura, liberta e traz solução, você precisa cuidar dos seus sentimentos e pensamentos. Você precisa ser uma pessoa cheia do Espírito. A Bíblia diz: “Enchei-vos do Espírito”. Não podemos depender só de reuniões. Reuniões são ótimas, mas duram muito pouco tempo em relação a todo o resto de nossa semana, e depois delas a tendência é esvaziar-se e tornar-se novamente uma pessoa repetidora dos pensamentos habituais e das coisas naturais. Precisamos nos encher do Espírito o tempo todo. Que Deus coloque em nossos corações sede e fome para andar cheio dele, cheio dos seus sentimentos e pensamentos.

Deus não é uma pessoa que só pensa “pensamentos zen”, tudo na paz, tudo tranquilo. Não! Deus é uma pessoa em ebulição, uma pessoa apaixonada e que tem ira santa.  Jesus manifestou essa ira e Paulo também. Certa vez uma moça o seguia pelo caminho, clamando: “Esses são filhos do Deus Altíssimo!” (At 16.17). Paulo achava isso muito ruim, pois não gostava de propaganda de demônios, mas não fez nada a respeito e aguentou a situação por muitos dias (At 16.18). Ele foi se enchendo com o sentimento de raiva e pensando: “Eu não gosto disso. Esse negócio é ruim, eu não aguento isso”. Todo dia ela repetia  a mesma coisa e todo dia Paulo sentia uma raiva um pouco mais intensa. Mas, um dia, ele perdeu a paciência e disse: “Não aguento mais, sai dela!” E o demônio saiu. Isso não foi o resultado de uma palavra vazia, mas de uma palavra que veio de um sentimento amadurecido. Mas não era um “pensamento zen”, era um pensamento “bravo”. Ele sabia que não havia poder nele para fazer nada, mas deixou aquele sentimento crescer até que pôde ordenar que o demônio saísse.

Deixe Deus encher seu coração e sua mente com sentimentos dele. Há situações em nossas famílias e em nossas vidas que são erradas e nós toleramos, nos conformamos. Às vezes tentamos resolvê-las “na marra”; oramos e nada acontece. Então, nossa tendência é desistir e dizer que não tem jeito e que, talvez, Deus não o queira. Mas Deus nos colocou na terra para sentir os seus sentimentos e pensar os seus pensamentos. Às vezes, nós oramos por horas e não sentimos nada, mas então chega um momento em que começamos a sentir o que Deus está sentindo e isso não tem preço! Às vezes lemos muito a Bíblia sem nada sentirmos, mas uma hora Deus nos toca e vivifica a sua Palavra. Nós precisamos ser como garimpeiros que cavam até encontrar, no meio do cascalho, da terra e da poeira, a pepita tão procurada.

 

  1. Curtindo os sentimentos de Deus

“Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que lhe era necessário… sofrer… ser morto… E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mt 16.21-23).

Pedro achava que Jesus viera para reinar e por isso disse que Jesus não iria para a cruz e Jesus não gostou disso e disse a Pedro: “Você pensa as coisas dos homens. Eu não gosto de pensar as coisas dos homens. Arreda Satanás!”. Nossos pensamentos nos deprimem e os pensamentos dos outros nos deprimem ainda mais. Mas, quando Deus compartilha os seus pensamentos e sentimentos conosco, é diferente. Eles podem ser de paz, compaixão, amor, fé, sabedoria, mas também de raiva. A raiva de Deus, por sua vez, não opera milagres enquanto não for completa, ou seja, enquanto não encher o cálice.

Certa vez, Paulo disse ao mago que estava atrapalhando seu trabalho de evangelização: “Ó filho do diabo…”(At 13.10). Para chamar alguém assim é preciso estar no Espírito, senão nós é que vamos morrer e não ele. Mas Paulo já estava deixando curtir essa ira santa. Ele disse: “Ó filho do diabo, cheio de maldade: fica cego agora”(At 13.10,11). Paulo não orou: “Deus, se é da tua vontade, faz esse homem ficar cego”. Não! Ele foi curtindo a raiva de Deus, pois aquele homem estava impedindo o evangelho de entrar naquele lugar. Ele não teve coragem de fazer nada até a hora em que a raiva encheu o cálice e transbordou. Você não planeja ter raiva, só Deus é que faz isso. Quando esse sentimento e pensamento crescem e são de Deus, ele os confirma, como foi com Paulo (o homem ficou cego e o político se converteu na hora).

Quantos de nós queremos ver Deus fazendo coisas inesperadas em nossa família e em nosso trabalho? Quantos de nós queremos ver pessoas cheias de Deus saindo corajosamente da comodidade e deixando a palavra fazer milagres em nome do Senhor?

 

  1. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe…” (Ef 4.29). Palavra torpe é o mesmo que palavra suja. 1 Coríntios 13.5 diz que o amor não se porta inconvenientemente, ou seja, o amor tem educação. O amor não constrange nem faz gracejo sobre o outro; não suja a reputação nem rebaixa o outro e, também, não ofende.

Temos orado muito sobre avivamento, para Deus vir com poder sobre nós e sobre a igreja. Porém, às vezes, fora dos momentos de oração falamos palavras que não são boas, palavras erradas que vão desmanchar ou anular o que oramos com palavras boas e certas. É como um sinal de “mais” e um sinal de “menos” que, juntos, se anulam, ou seja, o que oramos fica sem efeito. Tiago 3.9 diz: “Com ela (a língua) bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens…”. Pode uma mesma fonte jorrar água pura e água salgada? Não! Nós devemos ser uma fonte de água viva que abençoa e leva a presença de Deus para as outras pessoas. Não permitamos que a nossa boca libere palavras que vão contaminar e sujar a água da vida.

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). Quantos de nós desejamos ministrar graça para as pessoas que entram em contato conosco? Creia! Você tem poder para ministrar graça para as pessoas, ou seja, não é só Deus que a ministra – você também pode ministrá-la. Porém, para ministrar graça é preciso estar cheio dela. A boca fala do que está cheio o coração. Você pode ministrar graça não apenas pessoalmente, mas também através de algum meio de comunicação (WhatsApp, Facebook etc.). Sim, ministrar graça para outros através da palavra falada, escrita ou digitada. Palavras têm poder! Deus usa palavras e nos criou na sua imagem para que as usássemos. Para isso, talvez você tenha de fechar a sua boca ou falar menos para, quando falar, falar coisas que transmitam graça.

Tomemos, por exemplo, a pessoa que está viajando com você, mas que ao invés de enfatizar as coisas ruins, aprecia e fala das nuvens brilhantes e das plantações bonitas que vê pela estrada; que comenta algo que lhe aconteceu no dia anterior ou sobre o que fará quando chegar ao destino de sua viagem. Pelas palavras, ela muda o ambiente dentro do carro porque tira a atenção das coisas desconfortáveis e ruins. É possível mudar o ambiente de murmuração e reclamação para um ambiente de expectativa. Para quê ficar falando de melões e pepinos (Egito) quando você pode falar de leite e mel (Canaã, Terra Prometida)? Leite e mel estão à frente, enquanto melões e pepinos ficaram para trás.

O povo de Israel, ao ouvir o relatório dos espias sobre a terra na qual deveriam entrar, ficaram com medo dos gigantes e falaram que iriam morrer nas mãos deles. Então, Deus deu-lhes sua sentença: “Exatamente como falaram, vai acontecer com vocês”(Nm 14.28). Só escaparam dessa sentença Josué e Calebe, que disseram que os gigantes seriam como pão para eles; os gigantes não eram problema, pois reconheciam a mão forte de Deus que os havia tirado do Egito. E quanto a você? Quer ficar repetindo o que está ruim ou olhar à sua frente e crer em Deus para trazer o céu para a terra?

Sua decisão está no que você escolha pensar e falar. Caso seja maltratado e ofendido por alguém, você pode pensar que aquela pessoa não precisa ser assim; se receber o amor de Deus, ela vai ser diferente. Você pode decidir não lidar com a pessoa olhando para o jeito que ela é hoje, mas vendo-a do jeito que ela será em Cristo. Você a tratará bem porque em Cristo ela é uma pessoa maravilhosa; ela pode não ser ainda um discípulo de Cristo, mas será. Eu não preciso lidar com o que é, mas com o que será; não falo sobre o calor ou desconforto dentro do carro, mas sobre o destino para o qual ele está me levando e que será muito bom.

 

  1. Nem sequer se nomeie entre vós

“Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças” (Ef 5.3,4).

“Nem sequer se nomeie!” É comum encontrarmos pessoas numa reunião de oração que difamam outras em suas orações. Elas oram: “Senhor, abençoa o irmão fulano que fez isso, que fez aquilo…” Mas a palavra de Deus nos exorta: “Nem se nomeie entre vós…”, ou seja, não pense nem fale nisso! O pecado é sujo e quem o nomeia e fica repetindo, acaba se sujando com ele. Levítico exorta: “Cuidado! Lave as mãos. Tome cuidado; não toque, não sente, não faça, fique longe”. O pecado é perdoado na cruz do Calvário e tem solução porque Jesus é mais forte que o pecado. Ele perdoa e livra o pior pecador arrependido. A pessoa hoje está ruim, mas amanhã poderá estar completamente mudada, ter sua vida transformada. A Igreja é chamada não para falar do poder menor, mas do poder maior, pois o menor está vencido na cruz e “nem sequer se nomeie entre vós”; nem baixeza, nem gracejos, nem nada indecente, mas somente ações de graças.

“…e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso” (Ef 5.11,12).

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.18-21).

 

  1. Chama as coisas que não são, como se já fossem

“…(como está escrito: Por pai de muitas nações te constitui) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem” (Rm 4.17).

Esse versículo de Romanos me chamou a atenção porque tem a ver com essa fé que podemos exercer usando nossa língua. Ele diz: “chama as coisas que não são, como se já fossem”. Esse “chamar” pode ser dar o nome, ou seja, “isso agora está feio, mas vai se tornar bonito”. Então, eu chamo de bonito agora, mesmo que ainda esteja feio, porque eu chamo as coisas que não são como se já fossem. Mas “chamar” também pode ser: “Adão, Adão, venha cá”, ou seja, “chamar” pode ser dar o nomeou chamar a pessoa para perto.

Sinto que Deus quer nos dar (a nós individualmente e à igreja) o poder de chamar. Quando estive em Israel, os irmãos que se reúnem com Asher Intrater e não me conheciam ministraram sobre mim dizendo: “Chama, chama, chama! Chama o que não é! Chama aquele que está desviado, chama aquele que está doente! Chama! Fala o nome dele, chama-o pelo nome! Chama! Você não precisa ir atrás; chama que ele vem! Deus chama!”

Abraão foi atrás de solução natural e gerou Ismael. Mas ele creu e não desistiu e, então, Deus trouxe Isaque. Assim, nós podemos chamar à existência as coisas que não são. Não é qualquer coisa que você inventa da sua cabeça, mas as coisas que Deus coloca em seu coração, em seus sentimentos e pensamentos.

Deixe Deus mexer e falar com você. Às vezes surge em nós uma “santa inconformidade” sobre alguma coisa e dizemos: “Eu não quero isso, não é da vontade de Deus. Isso não é do jeito que deveria ser e eu não me conformo”. Não somos nós que inventamos essa inconformidade, mas é Deus que a coloca em nosso coração. Por isso, seja sensível! Chamar à existência não é ter um pensamento positivo sobre algo que você deseja muito. Precisamos entender que tem coisas a serem feitas e que Deus nos colocou no mundo para fazê-las. Ele não quer que sejamos tolerantes, conformados, passivos, deixando que as coisas não aconteçam como deveriam acontecer. Não podemos mudar as coisas por nós mesmos, mas podemos ser inconformados e desejosos de que elas mudem. Não ousemos fazer nada sobre isso baseados em nossas próprias forças, mas deixemos que elas nos incomodem até que transbordemos. Deus é quem está gerando isso em nós. Não é presunção, não é tomar o lugar de Deus, mas também não é ser passivo. Permita-se ser usado por Deus. Você quer trazer bênção e graça a outras pessoas? Então deixe Deus encher o seu interior com os seus sentimentos e esteja pronto para o momento em que eles transbordarão e se derramarão atingindo as pessoas ao seu redor.

Cuidado com as palavras negativas! Reclamação, murmuração, dúvida todo mundo tem, mas não precisa ficar falando. Até o tolo quando se cala parece sábio. Fique calado! Estão lhe oprimindo e trazendo-lhe problemas? Não fale! Deixe Deus encher seu coração com a visão das coisas que não são ainda como devem ser. Chame-as à existência! Tenha coragem de ser ousado, se Deus já gerou algo em seu coração! Amém!

4 respostas para “O Poder das Palavras”

  1. Monica disse:

    Palavra vinda do Alto! Amei !! Que assim seja! 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

  2. maria ivone disse:

    Tremenda palavra.

  3. Meu Deus! Que Palavra! Agradeço a Deus pela vida de homens como o Harold, que se entregam a Deus para ser usado como voz profética para a igreja no Brasil.

  4. Elisângela Alves Ferreira Protazio disse:

    Amei que se cumpra em minha vida !

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