O Poder da Sua Ressurreição

Publicado em: 28/04/2012 Categorias: Arauto / O Poder da Sua Ressurreição

Arauto - Ano 16 - nº 02 - Abr/Jun 1998

Há uma grande diferença entre erguido e ressurrecto. Alguém pode se erguer de um nível para outro, mas quando alguém é ressurrecto, é trazido do nada para a existência, da morte para a vida, e a transição é simplesmente infinita. Um verdadeiro cristão não é erguido, mas ressurrecto.

O grande problema com todos os ensinos da simples religião natural e da ética humana é que tentam nos convencer a subir para planos mais elevados. A glória do Evangelho é que não nos ensina a nos erguermos, mas mostra a nossa incapacidade de fazer qualquer coisa boa por nós mesmos, e nos despacha imediatamente para a sepultura de total dependência e fraqueza absoluta, e somente depois nos levanta para uma nova vida, nascidos inteiramente do alto e sustentados somente por fontes celestiais.

A vida cristã não é de auto-ajuda, mas é totalmente dependente do sobrenatural e Divino. A ressurreição não pode acontecer sem que antes alguém tenha morrido. Isto é evidente, mas a medida de vida e poder da ressurreição na vida de uma pessoa nunca será maior do que o grau de morte realmente experimentada por ela. Nós não perdemos nada se nos entregarmos a este processo de morte, e não podemos entrar na vida da ressurreição antes de passarmos pelo processo de morte. Se com Ele morrermos, também com Ele viveremos.

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3.1).

A passagem acima expressa o fato de que já morremos e ressuscitamos, e que agora devemos assumir a atitude daqueles para quem isto já é um fato consumado. Paulo não lhes ordena aqui para morrerem com Cristo e ressuscitarem com Ele, mas ao contrário ele exorta os cristãos a assumirem a atitude de quem já morreu e ressuscitou com Cristo, e a viverem de acordo com isto. Mais adiante, no versículo 3, ele lhes diz: “porque morrestes e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo em Deus…”

Talvez você diga: “Como posso me considerar morto quando percebo tantas evidências de que ainda estou vivo, e como posso me considerar como ressuscitado quando encontro tantas coisas que me puxam para trás e para baixo de novo para aquele plano inferior? É o seu fracasso em considerar e perseverar que arrasta você para trás. Quando você reconhece que a velha vida ainda está viva, isto faz com que ela se torne real, impedindo-o de sobrepujá-la.

Recebemos de Acordo Com a Nossa Fé

Este é o princípio que fundamenta todo o sistema do Evangelho, a saber, que recebemos de acordo com o “considerar”, ou conforme nossa fé calcula a situação. A fé derrubará todos os fantasmas que possam surgir no cemitério da sua alma, e depois o espirito da dúvida os trará de volta da tumba para assombrá-lo se você continuar a questionar. A única maneira de morrer para sempre é entregar-se totalmente a Cristo, e então se considerar morto com Ele…

Você se entrega a Cristo para ser crucificado com Ele, e ter toda a sua velha vida apagada completamente, e então daí em diante viver como alguém nascido do céu e vivificado somente por Ele. De repente algumas das suas velhas características reaparecem, velhos pensamentos e tendências malignas se afirmam e gritam bem alto e clamorosamente: “Não estamos mortos.” Agora se você reconhecer estas características, tiver medo delas e as obedecer, com toda a certeza isto os fará viver novamente, passarão ao controle da sua vida. e o arrastarão de volta para o seu estado anterior.

Mas se você se recusar a reconhecê-las, e disser: “Estas são mentiras de Satanás, eu estou realmente morto para o pecado; estas coisas não me pertencem, mas são, isso sim, filhas do diabo; portanto eu as repudio e me ergo acima delas,” Deus o afastará delas e fará com que morram, aí sim, completamente. Você descobrirá que realmente estas coisas não faziam parte de você, mas eram simplesmente tentações que Satanás tentava jogar em cima da sua vida, tecendo-as ao seu redor para dar impressão que vinham do seu interior…

“Assim como (o homem) pensa no seu coração, assim ele é” (Provérbios 23.7). A forma como nos consideramos (Rm 6.11) refletirá na nossa realidade; por isso Deus fez com que este princípio de fé fosse a base fundamental da retidão pessoal e da santidade, e o poder ao mesmo tempo sutil e sublime que pode levar os homens para fora de si mesmos em direção à própria vida de Deus.

Que o Senhor nos ensine não a nos ressuscitarmos, mas sim a nos lembrar que somos ressuscitados; que fomos ressuscitados com Cristo dentre os mortos, ressuscitados da sepultura da nossa inexistência, e daquilo que é pior do que a inexistência, e que estamos assentados com Ele nos lugares celestiais, reconhecidos pelo Pai, onde podemos nos considerar “semelhantes a Ele.”

Nossa Atitude Influenciará Nosso Propósito

As pessoas vivem de acordo com a sua posição. A criança nascida da nobreza demonstra na sua postura e na sua feição a consciência da sua descendência superior, e assim também aqueles que reconhecem sua elevada e celestial procedência devem andar como filhos do Reino.

O argumento contra a mentira é este: nós nos despimos do velho homem e nos vestimos do novo homem. Deixamos de ser mendigos e nos tornamos príncipes. Portanto devemos despir os trapos do mendigo e vestir o traje do principe. Nós nos vestimos do novo homem; portanto nos revistamos de bondade, humildade de espirito, docilidade, paciência e acima de tudo caridade, que é um perfeito cinturão para amarrar todas as peças da roupa, umas às outras. O melhor de todas as nossas vestes é o próprio Cristo, e devemos nos vestir Dele.

Esta vida da ressurreição é intensamente prática. O apóstolo aplica-a aos relacionamentos mais íntimos da vida, ao circulo familiar, ao relacionamento entre senhores e servos, e a todas as obrigações seculares da vida. Ela deve afetar toda a nossa conduta e todas as nossas intenções e nos guiará por onde quer que formos chamados.

Isto nos leva a perceber o poder prático que há neste fato glorioso, a saber, que fomos ressuscitados juntamente com Cristo. Em primeiro lugar, é um poder que confirma a nossa esperança e certeza de salvação, pois a ressurreição de Jesus foi a obra consumada e a garantia para homens e anjos de que o preço do resgate foi pago e a obra da expiação foi completa.

Quando Jesus ressurgiu triunfante do túmulo, ficou evidente para o universo que o propósito que Ele veio realizar foi atingido, a obra que assumiu foi completada satisfatoriamente, e que o Pai ficou satisfeito com a expiação consumada. Portanto a fé pode se firmar sobre a Sua ressurreição como um fundamento eterno, e dizer: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou” (Romanos 8.34).

Além disso, a ressurreição de Cristo é o poder que nos santifica. Capacita-nos a considerar a nossa velha vida, o “eu” antigo, como completamente anulado, de tal modo que já não somos mais a mesma pessoa aos olhos de Deus, ou aos nossos próprios; e podemos, com confiança, repudiar a nós mesmos e nos recusar tanto a obedecer a nossa antiga natureza perversa, quanto a temê-la. Na verdade é o próprio Cristo ressurrecto que vem habitar em nós, e torna-se em nós o poder desta nova vida e desta obediência vitoriosa.

Não é simplesmente o fato da ressurreição, mas a amizade do Ressurrecto que nos dá a vitória e o poder. Aprendemos o significado do sublime paradoxo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2.20). Esta é a única verdadeira e permanente santificação, a vida permanente de Cristo, o Ressuscitado, na alma confiante e obediente.

Ainda além disso, há poder na ressurreição para nos curar. Aquele que ressurgiu da tumba naquela manhã de Páscoa era o Cristo físico, e aquele Seu corpo é a Cabeça dos nossos corpos, e o fundamento da nossa força física tanto quanto da nossa vida espiritual. Se nós O recebermos e Nele confiarmos, Ele ministrará tanto aos nossos corpos como aos nossos espíritos, e encontraremos uma nova força sobrenatural nas nossas estruturas mortais e as primeiras vibrações da futura ressurreição no nosso ser físico.

A ressurreição de Cristo é poderosa também para estimular a nossa fé e nos encorajar a clamar por respostas de Deus às nossas orações, e a pedir Dele coisas difíceis. O que é que pode ser tão difícil ou impossível depois de vermos um sepulcro vazio e aquela pedra enorme retirada do seu lugar? Deus está tentando nos ensinar a suprema grandeza do Seu poder que vem para nós “os que cremos segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar à sua direita” (Efésios 1.19-20). A ressurreição de Cristo é a garantia de que receberemos tudo o que pedimos, e se crêssemos totalmente no poder daquela ressurreição, obteríamos muito mais, porque buscaríamos mais.

A ressurreição do Senhor Jesus Cristo é o poder para o verdadeiro serviço cristão. O testemunho da Sua ressurreição é sempre usado de forma especial pelo Espírito Santo como o poder de Deus para a salvação dos homens. Era o tema principal do ministério dos primeiros apóstolos. Eles estavam sempre pregando a respeito de Jesus e da ressurreição. Confere um brilho diferente e uma atratividade maior à vida e ao trabalho cristãos.

É da mensagem da ressurreição que o mundo triste e pecador precisa hoje. Quanto mais Cristo habitar nos cristãos e a vida de ressurreição se manifestar no trabalho cristão, maior será o seu poder vivo para atrair, santificar e salvar o mundo.

Ainda mais, a ressurreição de Cristo nos capacitará a enfrentar as piores coisas da vida e suportar as suas provações mais amargas. Lemos em Filipenses que o poder da Sua ressurreição é para nos fazer conhecer a comunhão dos Seus sofrimentos, e nos conformar com Ele na Sua morte.

Entramos na vida da ressurreição para que sejamos suficientemente fortes para sofrermos com Ele, e para Ele.

Os seus sofrimentos são em favor dos outros e o poder da Sua ressurreição nos fará partilhar das Suas grandes e santas tristezas pela Sua igreja sofredora e por um mundo moribundo. É um fato de que quanto mais difícil o lugar em que estamos, e quanto mais profunda a nossa esfera de aflição e sofrimento, maior é a nossa necessidade da Sua graça e glória para nos levantar de lá e para enfrentá-los. Precisamos estar nas alturas para poder alcançar as profundezas. Por isso encontramos estas epístolas, que nos elevam aos lugares celestiais, e no mesmo instante nos trazem de volta aos deveres mais comuns, aos relacionamentos mais simples e aos sofrimentos mais severos.

Estas cartas aos Efésios e aos Colossenses que falam das mais elevadas altitudes da fé e do poder, falam ainda mais do que as outras epístolas das tentações comuns aos homens, e dos deveres de maridos e esposas, e da necessidade de fidelidade, sobriedade, honestidade e justiça, e de todas as experiências mais práticas e menos românticas da vida humana.

O apóstolo fala de gloriar-se nas tribulações. “Glória” expressa a mais elevada atitude da alma, e “tribulação” o mais profundo degrau do sofrimento. Assim, isto nos ensina que quando chegamos ao lugar mais baixo e mais profundo, precisamos enfrentá-lo com o espirito mais elevado e mais celestial. Isto é como descer do Monte da Transfiguração para encontrar os poderes demoníacos na planície lá em baixo e expulsar os poderes de Satanás de um mundo sofredor.

Sim, estes são os sofrimentos de Cristo. O poder da Sua ressurreição é para nos preparar, nos capacitar e nos ajudar a subir até as maiores alturas da Sua vida gloriosa, de tal modo que, como Ele, possamos sair para manifestá-la em bênçãos sobre as vidas dos outros, e encontrar alegria ainda mais doce nas ministrações santas do amor do que nos êxtases da comunhão Divina.

Extraído de “The Self-Life and the Christ-Life” (A Vida do Ego e a Vida de Cristo), por A.B.Simpson, págs. 18-29. © 1990 por Christian Publications, Inc.
Publicado com permissão.

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