O glorioso fruto do avivamento

Publicado em: 11/01/2017 Categorias: Arauto / O caminho para avivamento

Arauto - Ano 34 - nº 04 - Out/Dez 2016

Por Ted S. Rendall

Leitura Bíblica: Oseias 14

A ordem do avivamento

Já ouvimos a oferta de avivamento. Identificamos a origem do avivamento. Devemos agora compreender a ordem do avivamento. Oseias certamente amava os campos e as florestas, pois nesta próxima seção, Oseias 14.5b-7, ele usa muitas figuras da criação de Deus para apresentar verdades espirituais. Oseias observara os fazendeiros e os vinicultores fazendo o seu trabalho. Ele viu a semente sendo semeada, compreendeu a importância do sistema das raízes para uma planta, olhou para os ramos das grandes árvores, viu os botões desabrochando suas flores nos pomares e videiras e regozijava-se na colheita com a abundante safra providenciada por Deus.

Em tudo isso, Oseias viu uma imagem extraordinária da renovadora obra de Deus na vida de seu povo, especialmente quando retornava a ele em verdadeiro arrependimento. Considere o significado de algumas dessas imagens.         

Semente

Todo o processo começa, é claro, com a semente, citada pelo profeta no versículo 7: “Serão vivificados como o cereal…”. Nosso Senhor Jesus usou esse símbolo num momento estratégico de sua própria vida: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” (Jo 12.24). Evidentemente, ele estava se referindo primeiro a si mesmo como o grão de trigo e, depois, a nós como o fruto produzido por ele cair na terra e morrer. Mas, além disso, ele convida cada um de seus filhos a passar por esse mesmo processo essencial para a fecundidade. Se o evitarmos ou fugirmos dele, ficaremos sozinhos – isto é, nossa vida não dará fruto. No entanto, se o aceitarmos e nos submetermos a ele, produziremos muito fruto.

Raízes

Em seguida, chegamos ao sistema radicular. Em Oseias 14.5, o Senhor promete que Efraim (o frutífero) lançará suas raízes como o Líbano – isto é, como os grandes cedros do Líbano. Todos nós reconhecemos que o sistema radicular de uma árvore é absolutamente essencial para o seu crescimento, e isso se aplica a todas as plantas. Uma das minhas promessas favoritas nas Escrituras é Isaías 37.31: “O que escapou… e ficou de resto tornará a lançar raízes para baixo e dará fruto por cima”. Você entendeu a imagem? Deus quer que você desenvolva seu sistema radicular para se tornar um cristão frutífero!

Você notou o verbo usado em Oseias 14.5 – “lançar” – “ele … lançará as suas raízes como o cedro do Líbano”? Oh, que isso fosse verdade sobre nós, de tal forma que fôssemos “nele [no Senhor Jesus] radicados, e edificados” (Cl 2.7)!

O tronco

Depois das raízes vem o tronco da árvore. No versículo 5, Oseias se refere às árvores do Líbano, especificamente os grandes cedros libaneses. Antigamente, deve ter havido florestas dessas árvores crescendo nas colinas do Líbano. Na Escritura, os cedros são descritos como altos (2 Rs 19.23), poderosos (Sl 80.10), excelentes (Ez 17.23) e elegantes (Ct 5.15). Você descobrirá promessas como: “Avigoram-se as árvores do Senhor e os cedros do Líbano que ele plantou” (Sl 104.16). E é instrutivo notar que em um lugar os cedros são descritos como sendo plantados “junto às águas” (Nm 24.6), sugerindo que suas raízes tinham alcançado as fontes de água, permitindo-lhes prosperar. Jó confirma: “A minha raiz se estenderá até às águas…” (Jó 29.19).

Os ramos

Mas uma árvore não é apenas raízes e tronco. Em Oseias 14.6, há uma referência aos ramos da árvore: “Estender-se-ão os seus ramos” – ou, literalmente: “Seus ramos prosperarão!”. Nos ramos de uma árvore, aparecem botões tanto de folhas como de flores. Talvez os ramos representem para nós todas as maneiras pelas quais podemos nos estender para tocar outras vidas. Em Atos dos Apóstolos, vemos a Igreja se ramificando e saindo em todas as direções para cumprir a grande comissão. Esse é ainda o programa de Deus – os ramos da Igreja “se estendendo” para todas as nações.

Os botões

Já mencionamos os botões – a promessa de folhas e flores. Estas são a prova e a promessa de nova vida e, em Os 14.6, temos uma referência a seu esplendor que “será como o da oliveira” – com suas folhas e flores verde-escuras. Mas o Senhor também se refere à fragrância dos cedros do Líbano. Isso pode se referir às agulhas, aos cones, ou mesmo aos próprios troncos das árvores. Beleza e fragrância – estas são características prometidas por Deus.

No inverno, algumas árvores ficam nuas, sem folhas e flores, e é difícil dizer se a árvore está morta ou viva. Mas espere até a primavera, e um milagre acontecerá. Em cada ramo e galho aparecerão os sinais da vida com sua promessa de fecundidade. Como precisamos orar: “Senhor, traz de volta a primavera!”

O fruto

Tudo isso nos leva ao fruto da árvore. Respondendo à promessa de Deus de restaurar fertilidade e fecundidade, Efraim (o fecundo) clama: “Que tenho eu com os ídolos?” (14.8). Essa é a única decisão que aquele que se tornou o receptor da graça e bondade de Deus pode tomar. O crente arrependido desiste de seu amor aos ídolos e renova sua aliança de amar somente o Senhor. A resposta de Deus a essa decisão fervorosa é capturada no restante do versículo: “Eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim procede o teu fruto”. Aqui Deus se oferece ao “infrutífero”, tanto como estabilidade (o cipreste) quanto fecundidade.

O fruto do avivamento

À luz de todo esse rico ensinamento, podemos agora identificar qual será o fruto do avivamento, baseado na Palavra de Deus e em sua obra. Podemos esperar cinco resultados maravilhosos quando retornamos a Deus.

Crescimento

Primeiro, há crescimento. Este é um conceito-chave em todo o capítulo, mas é especificamente ressaltado nas promessas: “Ele florescerá como o lírio … e florescerão como a vide” (14.5b,7b). Embora exista uma divergência de opinião quanto a qual flor se entende por lírio neste texto, esse tipo de flor tinha um bulbo que fornecia alimento à planta, mesmo em tempos de seca, lembrando-nos que Deus supre o seu povo com vida, até nos momentos mais difíceis. Crescer como a videira fala de crescimento exuberante, culminando em grande fecundidade. Tomadas em conjunto, essas figuras nos ensinam que o crescimento espiritual como resultado de avivamento é seguro e abundante.

Beleza

Depois vem a beleza: “O seu esplendor será como o da oliveira” (14.6b). Dizem que uma oliveira, com suas folhas verdes escuras, é uma árvore das mais atraentes. Nós cantamos – e com razão – “Que a beleza de Jesus se veja em mim”. Moisés nos ensina a orar: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus…” (Sl 90.17), e temos a promessa do Salmo 149.4: “Porque o Senhor se agrada do seu povo e de salvação adorna os humildes”.

Fragrância

Crescimento, beleza e, agora, fragrância. Duas vezes, o Senhor garante ao seu povo que um dos resultados do avivamento é a fragrância da vida: “E sua fragrância, como a do Líbano” (Os 14.6), e, novamente, no versículo 7: “... a sua fama será como a do vinho do Líbano”. Em Cantares lemos: “...e as vides em flor exalam o seu aroma” (2.13). A referência é para o que é soprado ou carregado pelo vento e sugere a beleza de nosso testemunho e influência para Deus.

Referindo-se ao Messias, o salmista diz: “Todas as tuas vestes recendem a mirra, aloés e cássia; de palácios de marfim ressoam instrumentos de cordas que te alegram” (Sl 45.8). E, novamente em Cantares, lemos: “… e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano” (4.11). Se passarmos tempo com nosso Senhor, também espalharemos a fragrância de seu nome, de modo que tudo o que fizermos subirá a Deus como um cheiro aromático, agradável e aceitável a Deus (veja Fp 4.18).

Sombra

Em Oseias 14.7, há um aspecto muito belo, frequentemente esquecido. “Os que se assentam de novo à sua sombra” – isto é, Efraim, ou talvez o próprio Deus – “voltarão”. Vemos aqui uma sombra para o benefício dos outros. Essa é uma figura muito familiar nas Escrituras – desde Abimeleque – que convidou o povo para fazê-lo rei e disse: “Vinde e refugiai-vos debaixo de minha sombra” (Jz 9.15) – até a sulamita – que disse a respeito do seu amado: “Desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar” (Ct 2.3).

Vemos a simbologia da sombra, também, naquela maravilhosa profecia do Senhor Jesus em Ezequiel 17.23, na qual ele é descrito como um grande cedro: “No monte alto de Israel, o plantarei, e produzirá ramos, dará frutos e se fará cedro excelente. Debaixo dele, habitarão animais de toda sorte, e à sombra dos seus ramos se aninharão aves de toda espécie”. Se você está ligado a Cristo, está fornecendo sombra para os outros? Aqueles que estão cansados e exaustos no calor das provações da vida vêm a você para achar sombra e abrigo? Deus quer que seu povo ofereça sombra às pessoas necessitadas ao nosso redor.

Fruto

Chegamos à última e maior promessa: “De mim procede o teu fruto” (Os 14.8d). Esse é o resultado mais importante do avivamento. Aquele que anteriormente foi infrutífero torna-se fecundo [Efraim!] através de uma união viva com Deus. Sempre que há um verdadeiro avivamento, o povo de Deus é “cheio do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1.11), e começa a frutificar-se “em toda boa obra” (Cl 1.10). O propósito final de uma árvore frutífera não é produzir folhagem, nem flores, nem mesmo fragrância – mas fruto, mais fruto, muito fruto e fruto que permaneça (ver João 15).

Em Daniel 4, temos a visão do rei Nabucodonosor. Quero apropriá-la e aplicá-la à mensagem de Oseias 14. É uma descrição de uma grande árvore: “Eu estava olhando e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande; crescia a árvore e se tornava forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra. A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e todos os seres viventes se mantinham dela” (Dn 4.10-12).

Por que o povo de Deus não é como aquela árvore? Se o reino de um rei pagão podia ser descrito em termos tão brilhantes, embora nunca oferecesse todos os benefícios descritos, por que o reino de nosso Senhor Jesus Cristo não seria ainda mais influente e benéfico?

E qual é o grande segredo de tal bênção? Ao descrever as sequoias canadenses, árvores que crescem à altura de mais de 100 metros, Rutherford Platt em seu livro The Great American Forest (A grande floresta americana) afirma: “A imensa altura das sequoias é o resultado de sua localização em vales profundos entre montanhas íngremes, onde a maior parte da luz solar vem diretamente sobre o topo. Todo mundo que tem plantas em casa no peitoril da janela já percebeu como elas crescem na direção da maior fonte de luz. De maneira idêntica, as sequoias vão crescendo para cima, cada vez mais, literalmente puxadas pela luz que incide diretamente acima delas”.

Aí está o segredo! Vivendo na luz, vivendo sob a luz da verdade de Deus, vivendo sob a luz do Sol da Justiça, sendo puxado constantemente para cima e para o verdadeiro lar. Juntamente com o salmista, clamemos a Deus que é luz: “Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos. Então, irei ao altar de Deus, de Deus, que é a minha grande alegria…” (Sl 43.3-4).

Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba …” (Os 14.9).

Usado com permissão. Ted S. Rendall é chanceler emérito do Prairie Bible Institute e professor no Stephen Olford Centre.

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