O Dom Todo Compreensivo

Publicado em: 02/05/2012 Categorias: Arauto / Vida Cristã no Lar

Arauto - Ano 13 - nº 03 - Out/Dez 1995

O Dom Todo Compreensivo (Com Cristo Na Escola De Oração)
Por: Andrew Murray

Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Lucas 11:13).

O Espírito Santo é o primeiro dos dons do Pai, e o que Ele mais gosta de dar. O Espírito Santo é, portanto, o dom que devemos buscar principal e primeiramente.

Jesus falou do Espírito Santo como “a promessa do Pai,” a promessa na qual a paternidade de Deus se revelou. O melhor dom que um bom e sábio pai pode dar a um filho na terra é o seu próprio espírito. Este é o grande objetivo de um pai na educação: reproduzir no seu filho sua própria disposição e caráter. Se o filho deve conhecer e entender seu pai, se enquanto ele cresce deve participar da sua vontade e planos, se ele quiser ter sua maior alegria no pai e o pai nele – o filho deve ter uma só mente e espírito com ele. É impossível imaginar Deus derramando um dom maior sobre Seus filhos, do que este, Seu próprio Espírito. Deus é o que é através de Seu Espírito; o Espírito é a própria vida de Deus. Pense no que isto significa: Deus dando Seu próprio Espírito para Seus filhos na terra!

Não foi esta a glória de Jesus como Filho na terra, que o Espírito do Pai estava Nele? No Seu batismo no Jordão as duas coisas foram unidas: a voz proclamando-O Filho Amado, e o Espírito descendo sobre Ele. O apóstolo diz: “Porque somos seus filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho aos nossos corações, clamando: Abba Pai.” Um rei procura dar uma educação total para seu filho para desenvolver nele um espírito real. Nosso Pai no céu deseja educar a nós, Seus filhos, para a vida santa e celestial na qual Ele habita, e para isto nos dá, das profundezas de Seu coração, Seu próprio Espírito.

Este foi o objetivo de Jesus quando, após ter feito a expiação com Seu próprio sangue, entrou em nosso favor na presença de Deus, a fim de obter por nós e enviar para habitar em nós, o Espírito Santo. Assim, Ele vem com o Espírito do Pai e do Filho, com a vida completa e o amor do Pai e do Filho em Si mesmo. Ele desce sobre nós, e depois nos eleva para a comunhão Deles. Como Espírito do Pai, Ele derrama em nossos corações o amor do Pai com que Ele amou o Filho e nos ensina a viver nele. Como Espírito do Filho, Ele sopra em nós a liberdade, a devoção e a obediência próprias de criança nas quais o Filho viveu na terra. O Pai não pode conceder um dom maior ou mais maravilhoso do que este: Seu próprio Santo Espírito, o Espírito de adoção.

Esta verdade sugere naturalmente que este primeiro e principal dom de Deus deve ser o primeiro e principal objetivo de toda oração. Para cada necessidade da vida espiritual esta é a única coisa necessária: o Espírito Santo. Toda a plenitude está em Jesus; a plenitude da graça e verdade, na qual recebemos graça sobre graça. O Espírito Santo é o instrumento designado cuja tarefa especial é ajudar-nos a apropriar pessoalmente e experimentar Jesus e tudo o que Ele tem. Ele é o Espírito de Vida em Cristo Jesus. Tão maravilhosa quanto é a vida, maravilhosa também é a provisão pela qual um agente recebe a incumbência de comunicá-la a nós.

Se nós, tão somente, nos rendermos inteiramente à disposição do Espírito, permitindo-Lhe que faça o que quiser conosco, Ele manifestará a vida de Cristo em nós. Ele fará isto com poder divino, mantendo a vida de Cristo em nós ininterruptamente. Certamente, se há uma oração que deve nos levar ao trono do Pai e nos manter lá, é esta: para o Espírito Santo, que recebemos como crianças, fluir para dentro e fora de nós com maior plenitude.

Na variedade dos dons que o Espírito tem para dispensar, Ele supre a cada necessidade do crente. Medite um pouco nos nomes que Ele leva.

O Espírito de graça, para revelar e conceder toda graça que há em Jesus.
O Espírito de fé, ensinando-nos a começar, a continuar e a crescer sempre crendo.
O Espírito de adoção e confiança que dá testemunho que somos filhos de Deus e inspira a declaração confiante Abba, Pai!
O Espírito de verdade, para guiar a toda a verdade, para tomarmos posse de cada palavra de Deus de fato e de verdade.
O Espírito de oração, através de quem falamos com o Pai a oração que tem de ser ouvida.
O Espírito de juízo e de ardor que sonda o coração e convence do pecado.
O Espírito de santidade, manifestando e comunicando a santa presença do Pai em nós.
O Espírito de poder, através de quem somos fortes para testificar audaciosamente e para trabalhar efetivamente na obra do Pai.
O Espírito de glória, o penhor de nossa herança, a preparação e a amostra da glória porvir.

Certamente o filho de Deus precisa apenas de uma coisa a fim de ser capaz de viver realmente como filho: estar cheio com este Espírito.

A lição que Jesus nos ensina hoje em Sua escola é esta: o Pai está ansioso para dá-Lo a nós se tão somente pedirmos com a dependência de uma criança, como está escrito: “Se vós sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” Nas palavras da promessa de Deus: “Eu derramarei o Meu Espírito abundantemente,” e na Sua ordem: “Sejais cheios com o Espírito,” temos a medida do que Deus está pronto a dar e do que podemos obter. Como filhos de Deus, já recebemos o Espírito. Mas ainda precisamos pedir e orar por Seus dons especiais e operações à medida que os quisermos. Não somente isto, mas para que Ele mesmo tome posse completa e por inteiro, por Sua contínua orientação, momento a momento. Assim como o ramo, já cheio com a seiva da videira, está sempre clamando pelo fluir contínuo e cada vez maior da seiva, assim também o crente, alegre por já ter o Espírito, sempre anseia e clama por mais.

O que o Grande Mestre tem para nos ensinar é que nada menos do que a promessa e a ordem de Deus pode ser a medida de nossa expectativa e nossa oração; nós devemos ser cheios abundantemente. Ele quer que o peçamos na certeza de que o maravilhoso quanto mais do amor de Deus Pai é a garantia de que, ao pedirmos, com certeza receberemos.

Agora vamos crer nisto. Quando oramos para ser cheios com o Espírito, não vamos buscar pela resposta em nossos sentimentos. Todas as bênçãos espirituais devem ser recebidas, isto é, aceitas ou tomadas pela fé.

(A palavra grega para receber e tomar é a mesma. Quando Jesus disse: “Todo o que pede recebe,” Ele usou o mesmo verbo que usou na Ceia, “Tomai, comei,” ou na manhã de ressurreição, “Recebei,” aceite, tome, “o Espírito Santo.” Receber não implica somente na concessão de Deus, mas na nossa aceitação.)

Preciso acreditar que o Pai dá o Espírito Santo para o filho que ora. Mesmo agora, enquanto oro, devo dizer com fé que já tenho o que pedi e a plenitude do Espírito é minha. Vamos permanecer sempre fiéis nesta fé. Na força da Palavra de Deus sabemos que temos o que pedimos. Com gratidão porque nossa oração foi ouvida, com ação de graças pelo que temos recebido e nos apropriado e que agora já é nosso, permaneçamos fiéis na oração, confiantes que a bênção, que já nos foi dada, e que retemos pela fé, pode romper as barreiras e preencher nosso ser por inteiro.

É nesta ação de graça e oração de fé que nossa alma se abre para o.Espírito para tomar posse completamente, e sem perturbação. É esta oração que não somente pede e espera, mas que toma e retém, que vai herdar a bênção completa. Em toda nossa oração lembremos que a lição que o Salvador deseja nos ensinar hoje é, que se há uma coisa na terra da qual podemos ter certeza, é esta: que o Pai deseja que sejamos cheios com Seu Espírito, que Ele tem grande prazer em nos dar Seu Espírito.

Uma vez que tivermos aprendido a crer por nós mesmos e a cada dia nos apossar do tesouro que temos no céu, que liberdade e poder teremos para orar pelo derramamento do Espírito na Igreja de Deus, sobre toda a carne, nos indivíduos ou nos esforços especiais! Aquele que outrora aprendeu a conhecer o Pai em oração por si mesmo, aprende a orar mais confiantemente pelos outros também. O Pai dá o Espírito Santo àqueles que Lho pedem, em maior medida ainda, e não em menor, quando pedem em favor de outros.

Pai que estás no céu, Tu enviaste Teu Filho para revelar-nos a Ti mesmo, o Teu amor paternal, e tudo o que o amor tem para nós. Ele nos tem ensinado que o dom acima de todos os dons que Tu concedes em resposta à oração é o Espírito Santo. Oh, meu Pai! Venho a Ti com esta oração; não há nada que eu deseje mais do que ser cheio com o Espírito Santo. As bênçãos que Ele traz são indescritíveis e são tudo o que preciso. Ele derrama Teu amor no coração e o enche Contigo mesmo. Eu anseio por isto. Ele sopra a mente e a vida de Cristo em mim, para que eu viva como Ele o fez, e pelo amor do Pai. Eu anseio por isto. Ele reveste com poder do alto todo o meu caminhar e trabalho. Eu anseio por isto. Oh Pai! Eu Te suplico, dá-me este dia a plenitude do Teu Espírito.
Pai, peço isto, apoiando-me nas palavras do meu Senhor: “Quanto mais o Espírito Santo.” Eu realmente creio que Tu ouviste a minha oração; recebo agora o que pedi. Pai, reivindico e tomo posse da plenitude do Teu Espírito como sendo minha. Recebo o dom este dia novamente como um dom de fé. Em fé, considero que o Pai opera através do Espírito tudo que Ele prometeu. O Pai tem prazer em soprar Seu Espírito no filho que O aguarda em comunhão Consigo mesmo. Amém.

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