O Avivamento de 1859 no Ulster

Publicado em: 11/02/2012 Categorias: Arauto / Despertamento e as Dificuldades na Oração

Arauto - Ano 22 - nº 02 - Mar/Abr 2004

Por: John Shearer

Em 1855, J. H. Moore, pastor da Igreja Presbiteriana em Connor, Irlanda do Norte, exortou um dos seus jovens a “fazer algo mais” para Deus. “Será que não daria para você reunir pelo menos seis de seus vizinhos indiferentes e passar uma hora com eles, lendo e estudando a Palavra de Deus?”

O jovem concordou em tentar fazer “algo mais”. O resultado foi o início da Escola Dominical de Tannybrake.

Depois de dois anos de trabalhos, os professores desta pequena escola tornaram a fazer “algo mais”. Convidaram os pais das crianças para uma reunião de oração e leitura da Bíblia no final da aula. Somente uma pessoa veio no primeiro dia, mas aos poucos foi crescendo, e logo o Espírito de Deus começou a ser derramado nesta nova abertura. “Cristo e a Cruz” era o tema único que tomou conta do grupo. Um desejo intenso de ganhar almas para Cristo apoderou-se dos obreiros.

Entre estas pessoas que oravam estavam quatro moços – M’Quilken, Meneely, Wallace e Carlisle – que ficaram fortemente unidos pela comunhão da oração. A história de George Müller despertou neles uma intensa fé em Deus como aquele que ouve orações. Reuniam-se regularmente na velha escola de Kells, derramando seus corações em súplicas apaixonadas pelo avivamento. Pessoas com o mesmo desejo se juntaram a eles. Conversões sólidas em resposta a orações específicas e insistentes serviram para encorajá-los grandemente. Em 1858, a notícia do despertamento na América do Norte chegou. Ouviram como 12.000 homens de negócio estavam se reunindo diariamente em Nova Iorque para orar.

Como Jacó, clamaram: “Não te deixaremos ir, se nos não abençoares”. E a resposta não demorou. Reuniões de oração se multiplicavam por toda parte. Conversões aconteciam diariamente. Logo, a cidade de Connor esta incendiada com fogo santo. Em 1859, as chamas do fogo celestial estavam subindo e se espalhando em todas as direções…

Houve uma maravilhosa obra entre as crianças. Um dia, o diretor observou um garoto tão perturbado que estava totalmente incapaz de dar atenção aos estudos. Com muita bondade, mandou-o para casa na companhia de um garoto mais velho que já havia encontrado paz com Deus. Enquanto os dois garotos foram andando, passaram perto de uma casa desocupada e resolveram parar ali para orar. Enquanto se ajoelhavam, a carga pesada e dolorosa saiu do coração do garoto. Com um salto, colocou-se em pé arrebatado de alegria. Voltando à escola, correu para falar com o diretor e, com o rosto brilhando, exclamou: “Ah, estou tão feliz! Tenho o Senhor Jesus no meu coração.”

O efeito daquelas palavras foi muito grande. Um após outro, os garotos se levantaram e saíram da sala de aula. Um pouco depois, o diretor os seguiu e os achou enfileirados na frente do muro da quadra, cada um separado do outro e de joelhos no chão! Em pouco tempo, a oração silenciosa transformou-se em clamor angustiado. Foi ouvido por aqueles que ainda estavam dentro da escola e cortou os corações. Eles também se lançaram de joelhos e os clamores por misericórdia foram ouvidos na sala de aula das garotas, que ficava no andar de cima.

Em pouco tempo, a escola inteira estava de joelhos e os clamores agoniados foram ouvidos na rua do lado de fora. Vizinhos e transeuntes foram entrando e, assim que passavam pela porta, sentiam o mesmo poder de convicção. Todas as salas estavam cheias de homens, mulheres e crianças buscando a Deus. Pediram para chamar ministros e pessoas de oração na cidade, que vieram e passaram o dia inteiro ajudando os angustiados a encontrar-se com o Senhor Jesus. Aquela escola tornou-se para muitos a casa de Deus e a própria porta do céu.

Aprouve a Deus usar, de forma muito extraordinária, o simples testemunho dos quatro moços de Connor. Através deles, o avivamento chegou à capital da Irlanda, Belfast. Pastores que haviam labutado em vão durante anos, de repente, estavam cercados por pessoas conscientes de seus pecados, clamando pela Palavra vivificante. Se não fosse a cooperação amorosa de professores de Escola Dominical e outros amigos, os ministros logo teriam ficado exaustos com a sobrecarga de serviço. Reuniões enormes e memoráveis aconteceram. Bairros que eram notórios como cenários de brigas entre partidos testemunharam o triunfo do Evangelho da paz. Adversários amargos se ajoelhavam juntos aos pés do Salvador. Belfast tornou-se como a cidade de Deus.

2 respostas para “O Avivamento de 1859 no Ulster”

  1. Talis Vinícius disse:

    Como carecemos disso em nossos dias tão sombrios!

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