Nascidos para morrer – e vencer

Publicado em: 25/12/2014 Categorias: A vida do velho homem / Arauto

Arauto - Ano 32 - nº 04 - Set/Dez 2014

Lois J. Stucky

Você é um dos filhos de Deus que se encontra hoje num lugar doloroso de provação ou angústia? Há circunstâncias, ambientes ou pessoas à sua volta que tentam levar o coração a ficar exausto e abatido, o espírito a irritar-se e a mente a tornar-se desesperada e deprimida? Aparentemente, a situação não poderá ser mudada. Você já tentou fazer isso e encontrou uma muralha de pedra. E o que fará agora? Vai se arrebentar tentando derrubar a muralha? Desistirá em desespero? Tentará se conformar, aceitando a derrota? Seriam reações muito naturais.

Que tremendo é saber que a vida cristã não é natural, é sobrenatural! A vida cristã – que é a vida de Cristo – nos proporciona poder para triunfar nessas situações! Há uma tendência a pensar que a vida cristã é doce e suave, um caminho tranquilo para chegar ao céu. De fato, existem esses elementos de graça e paz, mas há muito mais incluído no “pacote”. A chave mais importante é saber que ela proporciona força em cada circunstância para superar as dificuldades e, assim, agradar e glorificar nosso Senhor.

O apóstolo Paulo disse: “Para mim, o viver é Cristo” (Fp 1.21). A vida cristã é Cristo! Ele teve uma vida fácil? Pense na cruel cruz do Calvário. Aparentemente, foi a maior derrota de todas. No entanto, a partir dela, veio a mais gloriosa de todas as vitórias: a salvação da humanidade e a derrota de Satanás. Como Cristo venceu? Não por empunhar armas e lutar contra aqueles que vieram prendê-lo. Não por fugir deles. Ele se rendeu e aceitou o beijo da traição. “Eu sou a pessoa que vocês procuram” foi sua resposta calma para aqueles que vieram com espadas e cordas para amarrá-lo (Jo 18.1-9).

Nascemos no Reino de Deus para morrer – morrer para nossa própria vontade, nossos desejos, nossas ambições, nossos prazeres, nossos direitos. Nascemos, em alguns casos, para sofrer perdas, prejuízos e maldades, de acordo com a perspectiva do mundo. Contudo, por causa do Calvário, nascemos também para triunfar – para subir acima dessas coisas e prosseguir para a glória de Deus.

Como podemos fazer isso? Precisamos mudar o foco do nosso pensamento, tirando-o de nós mesmos – daquilo que queremos, daquilo que está acontecendo conosco, da injustiça que representa, da agonia, da tristeza – e focar no Senhor. O que ele tem nesta situação para mim? Ele deseja que eu tenha vitória no meu interior, apesar de toda dificuldade exterior.

Por isso, vou agradecê-lo, sabendo que até nisso algo bom pode sair, e de fato sairá se eu o receber com a atitude certa. Eu o louvarei porque sei que ele me concederá graça para suportar a dificuldade até que chegue o momento certo para a libertação. Meu coração se deleitará nele, pois sei que está comigo na angústia e adversidade. Exultarei no meu espírito, porque reconheço que do meio das circunstâncias apertadas ele quer me conduzir a um lugar amplo de vitória.

Eu me renderei – morrendo para minhas escolhas – e aceitarei a vida de Jesus para triunfar neste lugar difícil. Confiarei na sua sabedoria e seu amor. Eu lhe darei minha resposta de amor e acharei nele a força para servir e agradá-lo. Posso não alcançar essa vitória de uma vez, mas persistirei nesta direção pela sua graça.

Vivemos em dias de severas provações. Todos estão sendo testados, não apenas para que tenhamos o ganho pessoal de ser aprovado como vencedor, mas para que sejamos mais equipados, prontos para servir ao Senhor em dimensões maiores. Como ele precisa de soldados experimentados para servir na expansão do seu Reino! É uma estratégia favorita do inimigo tentar nos desviar, por ignorância ou egocentrismo, a conflitos pessoais, tirando-nos da linha principal de ação no Reino. Se você estiver num lugar de luta e derrota, fique certo de que Deus anseia por ajudá-lo a vencer e a tomar seu lugar no campo de batalha em favor dos seus propósitos.

Há milhões e milhões de pessoas que precisam da ajuda que nós cristãos podemos dar nesta hora crítica! Ficamos profundamente comovidos por uma carta de um jovem do Oriente Médio, suplicando por ajuda. Sabendo que o país dele está em grande perigo de cair nas mãos de forças hostis, ele percebe que o momento de divulgar as boas novas é AGORA. No entanto, a igreja lá está indiferente, envolvida em assuntos terrenos, fazendo muito pouco com os preciosos momentos de liberdade que ainda lhe restam. Pode ser que ela acorde quando já é tarde demais! Com muita angústia de coração, ele suplicou por oração e por literatura para despertar a igreja e alcançar pecadores, enquanto ainda houver oportunidade.

O que está acontecendo ali é uma pequena amostra do que sucede em todo o mundo. Nós cristãos precisamos estar no campo de ação em favor do Senhor agora! Como bons soldados, aceitemos morrer para as coisas que nos desqualificam para a batalha maior à qual Deus nos convocou! Não vamos perder mais tempo em questões que sugam a nossa melhor energia e que podem ser, afinal, apenas questões egoístas.

Ainda compreendemos muito pouco o quanto a eternidade depende de como corremos na nossa carreira aqui na Terra. O apóstolo Paulo, que recebeu revelações celestiais bem mais avançadas do que a maioria de nós, tinha um grande desejo de prosseguir ou avançar com empenho em direção ao alvo (Fp 3.14). O que ele viu ou entendeu que o inspirou dessa forma? Por que ele exortou os cristãos, como em Filipenses 3.15, a ter a mesma mente, e avançar com paixão e foco para alcançar o alvo?

A linha de chegada pode estar bem próxima para todos nós. Não sabemos quando nosso Senhor voltará. Queremos ser encontrados na pista de corrida, fazendo o nosso melhor, quando a trombeta soar.

Deus não quer que seu povo alcance a linha de chegada, cambaleando e quase caindo. Ele espera que cheguemos em triunfo, com esplendor e glória. Apesar dos enganos e apostasias, haverá um avivamento entre os fiéis!

Fé está surgindo em muitos corações. Você não sente um chamado mais forte: “Venha mais perto!” “Busque-me com mais diligência!” “Lavre o terreno endurecido do coração!” “Prepare-se para vinda de Jesus!” A linha de chegada está logo à frente. É hora de ajuntar todas as reservas e dar tudo o que temos para o grande ímpeto final.

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