Não Entristeçais o Espírito

03/08/2012 Publicado por: Impacto

Arauto - Ano 30 - nº 02 - Mai/Jul 2012

Por: Leslie S. Rainey 

Não há nada que nos leve a pensar mais no Espírito Santo como uma Pessoa do que o fato de que ele pode ser entristecido. As Escrituras afirmam que ele é Deus e, por conseguinte, santo. Como cristãos, somos exortados a viver constantemente com a consciência de que somos templos vivos para a habitação de sua presença.

O Espírito de Deus não se entristece facilmente. Isso vem da própria natureza do amor, porque “o amor é sofredor, é benigno” (1 Co 13.4), e Deus é tardio para se irar e de grande misericórdia. O amor não se ofende com facilidade e se compadece, assim como Jesus, nosso Grande Sumo Sacerdote, dos ignorantes e daqueles que se desviaram do caminho. “Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (Sl 103.14).

Não pensemos, portanto, a respeito do Espírito Santo, nosso santo e bendito Paráclito (Consolador), como um homem ambíguo e caprichoso, com sentimentos e modos instáveis. Quão frequentemente limitamos seu poder e os recursos que estão à nossa disposição porque temos esses pensamentos inferiores a respeito da Terceira Pessoa da Trindade. A revelação da personalidade do Espírito Santo é uma verdade maravilhosa que precisa ser apropriada pelo cristão que quiser ser um instrumento eficaz nas mãos de Deus.

O pecado é a raiz de todo entristecimento do Espírito. O pecado destrói a espiritualidade. Veja as coisas enumeradas em Efésios 4.24-32. Que catálogo de pecados aparece logo após essa exortação. “Não entristeçais o Espírito.” Reter esses pecados na vida, com certeza, é entristecer o Espírito Santo de Deus.

Outra maneira de entristecer o Espírito Santo é continuar nas práticas que são contrárias à vontade revelada de Deus. É claro que a ignorância é desculpável naqueles que são jovens e imaturos, mas se torna condenável quando “voluntariamente ignoram isto” (2 Pe 3.5) ou quando é resultado de ignorar repetidas admoestações e convicções do Espírito Santo.

É o que acontecia na vida da maioria dos fariseus. Eles eram hipócritas não porque não eram zelosos e dedicados, mas porque cegavam os olhos para as verdades que poderiam e deveriam ter conhecido.

Persistir nesse caminho entristece o Espírito. A prática de coisas contrárias à Palavra de Deus pode ser identificada com facilidade, se houver suficiente diligência para investigar. Continuar em associações ou alianças que desonram o nome de Cristo e afastam Deus do seu lugar na nossa vida – isso está claramente em desacordo com a Palavra de Deus.

Conviver com jugo desigual, quer seja nos negócios, quer seja na vida social ou na vida da igreja é desprezar o Espírito de Deus. Nesses casos, a recusa em sair e se separar é impedir o trabalho do Espírito de Deus para desenvolver a vida de Cristo no interior (2 Co 6.14-18). Negligenciar e evitar a cruz, ou seja, fugir da vergonha de confessar abertamente o nome de Cristo e obedecê-lo é a causa de um testemunho cristão sem oração e sem poder.

Uma das causas mais comuns que entristecem o Espírito Santo é a NEGLIGÊNCIA. Infelizmente, é uma marca real na vida da maioria dos cristãos. A Palavra de Deus é lida raramente e, quando é lida, geralmente, é feita sem atenção ou seriedade, sem espírito de oração e meditação. Isso entristece o Espírito.

A oração acontece de forma apressada e distraída, os meios da graça são negligenciados, o congregar com outros cristãos é irregular e esporádico, as oportunidades para cooperar no serviço cristão são tratadas com indiferença e as portas que Deus abre nunca são aproveitadas.

A negligência pode ser identificada em todas as áreas e em todas as vocações da vida – entretanto, ela traz graves consequências. O texto de Hebreus 2.1-4 o expõe de forma contundente:

Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram; testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”

Pecado, portanto, na vida de um cristão é o verdadeiro oposto de qualquer manifestação verdadeira do Espírito Santo. Diante disso, surge esta pergunta: Como nós o podemos perceber? Como sabemos que o Espírito de Deus em nós está entristecido?

1)   Pela perda da paz. O dom da paz de Deus é um dos mais maravilhosos tesouros que temos na nova vida, como evidência da graça de Deus. Quando o Espírito é entristecido, a alma fica como o mar revolto e não consegue repousar. A calma é substituída pela irritação. Quando o Espírito é entristecido, ele deixa de acalmar as tempestades.

2)   Pela perda de poder. Quão profundamente isso é percebido na vida do cristão, vez após vez! Por que, em determinados momentos, nós nos exercitamos em alguma área espiritual na qual estamos acostumados a agir, mas, como aconteceu com Sansão, o poder já se foi? A resposta é que o Espírito foi entristecido. Como Sansão, que “não sabia” que o Senhor não estava mais com ele (Jz 16.20), assim também podemos continuar com nossas atividades normais e com aparente sucesso, mas se o Espírito gracioso estiver entristecido dentro de nós, não haverá quaisquer frutos verdadeiros.

3)   Pela perda da alegria. A alegria é um fruto do Espírito Santo. Não é um simples produto natural, nem depende dos acontecimentos da vida. A obra do Espírito Santo é revelar as realidades escondidas da Palavra de Deus para nossos olhos de fé; por isso, a verdadeira alegria é a alegria da fé (Gl 5.22-23; Rm 15.13).

Como Moisés, só poderemos perseverar firmes se estivermos “vendo o invisível” (Hb 11.27). A alegria da nova vida em Cristo é interrompida quando o Espírito de Deus é entristecido, e não experimentamos mais a bênção de nos aquecermos ao sol de seu amor. Esse estado de alma nos faz sentir frieza na nossa resposta ao amor divino, e relutância em falar às pessoas por quem Cristo morreu.

O obreiro que estiver nessa condição perde seu contato com Deus, seu amor pelas almas, seu zelo pela salvação delas, e todas as outras evidências que tinha anteriormente de uma vida em comunhão com o Senhor.

4)   Pela perda da segurança interior. As Escrituras não nos darão confiança sem aquele testemunho interior do Espírito Santo com o nosso espírito, tão precioso e, ao mesmo tempo, tão misterioso (Rm 8.13-17; 1 Jo 5.9-13). Temos muitos exemplos de pessoas que perderam a segurança da salvação ou da presença de Deus à nossa volta.

5)   Até pela perda da saúde. Foi assim com os santos de Corinto, “Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.30). Não temos saúde vigorosa nem força para trabalhar como havia antes quando o Espírito não estava entristecido. Quando ele está triste, esse apoio desaparece, e o resultado é fracasso, tanto espiritual quanto físico (Rm 8.11).

Como podemos nos recuperar dessa condição?

Não precisamos nos conformar com essas perdas, pois o Espírito não é entristecido facilmente nem por razões desconhecidas ou misteriosas. Ele sempre tenta convencer e admoestar muitas vezes antes de ferir o coração em sua ira. Se você orar e fizer um autoexame humilde diante de Deus, o motivo que entristeceu o Espírito pode ser conhecido com clareza. A oração: “Sonda-me, ó Deus,… e vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23-24) trará uma resposta rápida.

Precisa haver confissão de pecados acompanhada de autojulgamento e arrependimento (2 Co 2.4-11), para que as coisas possam ser acertadas e bem esclarecidas sem demora. A confissão de pecados traz restauração à posição de comunhão e amizade com Deus. Como é maravilhosa a provisão divina para os remidos em toda sua jornada como peregrinos!

Se o cristão quiser fugir de tal situação em que o Espírito é entristecido, ele precisa traçar caminhos retos e adotar hábitos regulares para o futuro, para que o mal não venha a se repetir. Assim, o Espírito do Senhor se sentirá, mais uma vez, confortável e desejado em nosso interior, e sua alegria, paz, iluminação, liberdade e poder serão a nossa porção constante e feliz. Tal experiência nos trará plena paz por dentro e poder por fora (At 1.8).

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