Juízo ou avivamento

Publicado em: 06/03/2016 Categorias: Arauto / Permanecei firmes contra as crescentes trevas

Arauto - Ano 33 - nº 04 - Out/Dez 2015

A grande seca espiritual que faz a igreja definhar-se é o resultado das iniquidades daqueles que carregam o nome de Deus. Por essa razão, muitas orações não são respondidas. “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Is 59.1,2).

A igreja se afastou da santa humildade. O orgulho da vida tomou o seu lugar. “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus(Mq 6.8).

O Senhor nos adverte para levarmos uma vida santa. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Isso significa uma vida livre do pecado. “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7.1). A pureza de coração e vida de Daniel era o segredo do seu sucesso como intercessor perante o Senhor.

 “Vós sois a luz do mundo “

Deus não pretendia que a Igreja ficasse sem o poder do sobrenatural. O projeto de Cristo ao estabelecer a Igreja era que ela fosse uma luz para este mundo em trevas. O mundo está num processo significativo de preparação para travar uma última luta de morte. Ao mesmo tempo, a Igreja está enfrentando a maior crise de sua história. Deus está conclamando intercessores que se coloquem na brecha, que tomem sobre seus ombros o peso do mundo que está prestes a morrer no pecado.

OH! Se fendesses os céus e descesses! Se os montes tremessem na tua presença, como quando o fogo inflama os gravetos, como quando faz ferver as águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, de sorte que as nações tremessem da tua presença!” (Is 64.1,2).

Aqueles que quiserem prestar o maior serviço para a humanidade nesta hora de tanta necessidade devem dedicar tempo para vigiar e orar. Governar junto com Deus na esfera de oração intercessória é o maior de todos os ministérios. É preciso que confessemos o pecado da falta de oração. Que estranho que este o nosso maior privilégio – manter comunhão com o nosso Deus em oração – é para muitos uma mera questão de formalidade, sem vida ou poder!

Vigias nos muros de Sião

 “Por amor de Sião, não me calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Is 62.1,6,7).

Provação transformada em vitória

Assim como a rainha Ester e Mordecai jejuaram e oraram para afastar o perigo, da mesma maneira nós hoje devemos fazer. “Quando soube Mordecai tudo quanto se havia passado, rasgou as suas vestes, e se cobriu de pano de saco e de cinza, e, saindo pela cidade, clamou com grande e amargo clamor” (Et 4.1).

A rainha Ester disse: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci” (Et 4.16). Foi assim que um perigo iminente transformou-se em vitória. A intercessão da rainha Ester e do seu povo salvou os judeus da ameaça real de destruição total.

Intercessores do passado

A oração intercessória de um remanescente fiel sempre precedeu cada derramamento do Espírito. Sempre houve um remanescente fiel.

O Senhor apareceu a Moisés “numa chama de fogo do meio de uma sarça” (Êx 3.2). E Deus disse: “Eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim” (v.9).

Davi estava constantemente intercedendo pelo povo. Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Sl 63.1,2). Quando se lembrava da situação à sua volta, ele dizia: “Dentro de mim derramo a minha alma” (Sl 42.4). Quantas petições, louvores e ações de graças ele enviava para o trono de Deus!

Veja com que entrega total de alma Daniel intercedia pelo seu povo que ainda estava no cativeiro babilônico: “Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza […] e disse: ah! Senhor! […] temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos” (Dn 9.3-5).

Neemias recebeu notícias do sofrimento do remanescente em Jerusalém. Então ele disse: “… assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). O resultado disso foi que Artaxerxes, o rei da Pérsia, enviou Neemias com homens e recursos para reconstruir Jerusalém.

Quando o rei Josias ouviu “as palavras da lei, rasgou as suas vestes” (2 Cr 34.19), e entrou em dores de parto em favor do seu povo. Seguiu-se uma reforma total e gloriosa que expurgou os ídolos de Judá, e preparou o caminho para uma celebração da páscoa como nunca antes. O julgamento divino foi adiado quando o Senhor disse: “Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus” (v.27).

Martinho Lutero não foi o único instrumento de Deus na Reforma Protestante. Nos calabouços da Inquisição, nos canais da Holanda, nos campos verdes da Inglaterra e nas cabanas e palácios de toda a Europa havia aqueles que liam a sua Bíblia às escondidas e clamavam: “Até quando, Senhor?”. Finalmente, veio a resposta que abalou o Vaticano do pináculo até os fundamentos. Sempre, em toda a história, tem havido trabalho de parto antes do nascimento.

Houve dores de parto do Espírito junto à sepultura de Lazaro. “Jesus… agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem, e vê! […] Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo;[…] E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste” (Jo 11.33,34,38,41).

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.26,27).

Jesus passou noites inteiras em oração intercessória. Ele chorou sobre Jerusalém e prevaleceu contra seus próprios desejos no Getsêmani. Ele é o Sumo Sacerdote que se compadece das nossas fraquezas” (Hb 4.15). Hoje, está à direita de Deus, “… vivendo sempre para interceder” por nós (Hb 7.25).

Abraão intercedeu em favor da depravada cidade de Sodoma. Se apenas dez pessoas justas fossem encontradas ali, o juízo poderia ter sido suspenso.

Moisés estava sempre intercedendo pelos filhos de Israel. Ele representava o grande intercessor, nosso Senhor Jesus Cristo. Depois que os filhos de Israel fizeram o bezerro de ouro, ele pediu perdão pelo seu grande pecado, ainda que custasse riscar o seu nome do do livro que escreveste” (Êx 32.32). Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos(Jo 15.13).

Dores de parto precedem o avivamento

O maior avivamento da história está às portas, mas antes que possa vir, alguns precisam sentir profundamente a imensa necessidade. Mas logo que Sião entrou em trabalho de parto, deu à luz seus filhos” (Is 66.8). Antes que filhos espirituais possam nascer no Reino de Deus, é preciso haver trabalho de parto do Espírito! Aquele que quiser trazer pessoas para Cristo precisa primeiro sentir a agonia de desejo para que vidas sejam salvas!

O Senhor disse para Ezequiel: “Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela” (Ez 9.4). Na destruição que se seguiu, nenhum mal sucedeu àqueles que tinham o selo de Deus na testa. Eram os intercessores sobre cujos corações recaía o encargo da nação pecadora.

Deus está chamando pessoas para permanecer na brecha em favor da sua nação num mundo que está diante de iminente juízo! Ele está chamando intercessores que saiam do meio deles e se separem para não tocar nada imundo” (2 Co 6.17). Muitos que foram chamados estão vivendo de maneira negligente e despreocupada. “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14). “Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem” (Lc 21.36).

Paulo não esperava vencer com uma vida displicente. Ele disse: “Mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14). Com todo o coração, busquemos o Senhor AGORA “até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque” (Is 32.15).

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.11-13).

Reimpresso da edição de outubro de 1952 do Herald of His Coming  (O Arauto da Sua Vinda em inglês) – e mais relevante agora do que nunca!

2 respostas para “Juízo ou avivamento”

  1. Josué Soares disse:

    Perseverança é a palavra chave aqui. Oremos para que o Senhor nos conceda a satisfação de orar sem cessar, mesmo em momentos em que não enxerguemos nenhuma fagulha de resposta. Que oremos não simplesmente como um hábito ou dever, mas que tenhamos satisfação em entrar em comunhão com o Senhor sempre que nos coloque mos em sua presença, sem poses, sem aparência de piedade, e sim com toda verdade, por mais humilhante e difícil que apareça, com coração contrito, quebrantado e puro.

  2. Michandre Miranda Diad disse:

    Tremendo de mais , muito me edifica ..

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