Enfrentando o sofrimento

Publicado em: 20/06/2019 Categorias: Arauto / Toda alegria em todas as provações

Arauto - Ano 37 - nº 01 - Jan/Abr 2019

Oswald J. Smith (1889-1986)

Tenho recebido centenas de cartas de perto e de longe, muitas destas repletas de confissões tão sagradas de corações aflitos que não teria liberdade sequer de mencioná-las. Não é de se admirar que eu chore ao lê-las. A vida tem sido muito difícil para eles, as lutas inúmeras e os fardos excessivamente pesados no decorrer da caminhada!

Oh alma atribulada, oh coração aflito, olhe para cima! Deus sabe. Ele se importa. E “nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl 84.11). A sua parte é viver para ele, colocá-lo em primeiro lugar em sua vida. Se assim proceder, sua promessa solene é que nenhum bem lhe será sonegado. Ele tem um plano muito melhor para a sua vida do que esse que você tem. E ele quer que você receba o melhor.

Lembre-se disso: Deus é infinitamente sábio. Portanto, ele sabe o que é melhor. Ele também é infinitamente amoroso. Então, fará o que é melhor.  Se ele é infinitamente sábio e sabe o que é melhor, e infinitamente amoroso e fará o que é melhor, certamente podemos confiar nele.

Nenhum pai já se importou da maneira como ele se importa. Nenhum marido já amou tão profundamente como ele. Nem por um momento, ele o esqueceu. O Deus que vê o pardal cair e que conta os fios de cabelo da sua cabeça disse: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5), e ele de fato nunca o deixará. Ele o ama com um amor eterno.

Ele foi tentado de todas as formas possíveis assim como você o foi. Portanto, ele compreende. “Em toda a angústia deles”, a Bíblia afirma, “ele foi angustiado” (Is 63.9). Ele sabia o que era sofrer e sentir-se só. Todos os seus discípulos o abandonaram e fugiram. Ele orou quando estava só no jardim. Sozinho, chorou. Ninguém o compreendeu. Todos interpretaram mal suas ações. E ao morrer, também estava sozinho. Oh, amado, lembre-se do Getsêmani. Lembre-se do Calvário. E em seu próprio sofrimento e solidão, pense nele.

E, além disso, deixe-me lembrá-lo do fato de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”, pois isso é verdade. Todas as coisas. Aquele desapontamento amargo, a perda de um ente querido, o luto, a cadeira desocupada, o berço vazio, a experiência mais triste da sua vida – todas as coisas – Deus garante que elas cooperam para o bem. Ele não pode fazer de outra maneira. Você precisa simplesmente confiar.

Seu amor nunca falha. Outros podem mudar, ele nunca. Ele “ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8). A afeição humana sempre será incerta. O amor divino é constante e imutável. E oh, quão rico, quão ilimitado é o amor de Deus! Que oceano de ternura é o dele! E como ele deseja derramar seu afeto generosamente sobre seus filhos, satisfazendo-os e curando o coração quebrantado! Que amor insondável! E esse amor pode ser seu. Aceite-o, portanto! Procure ficar mais perto dele. Achegue-se. Ame-o mais. Em breve você se tornará consciente de tamanho amor e compaixão, tamanha misericórdia e ternura, tão grande paz e conforto, que estará mais que satisfeito. O amor dele curará seu coração quebrantado e fechará as feridas. Deus o entende perfeitamente.

Deus compreende seu coração ferido,
Conhece a dor amarga.
Oh, confie nele em sua escuridão,
É impossível confiar nele em vão.

Ele entende seu anseio,
Sente juntamente com você seu mais intenso sofrimento;
Então, permita-lhe carregar seu fardo,
Ele compreende e se importa.

Portanto, aprenda a cear com Jesus, a ter comunhão com ele. Deixe-o ser sua companhia, seu amigo. Ande com ele, fale com ele. Conte-lhe tudo sobre o seu coração aflito. Descarregue sua alma. Deixe-o a par dos seus maiores segredos. Você pode confiar nele. Ele entenderá imediatamente. Então, conte para ele. Logo, você o ouvirá sussurrar: “Acalma-te” e se fará “grande bonança” (Mc 4.39).

“Em Jesus amigo temos,
Todos os nossos pecados e tristezas carregou!
Que privilégio levar
Tudo a Deus em oração!”

Eu também passei por sofrimentos. Em minha tristeza, busquei a Deus. Quando me encontrei só, contei tudo para ele, derramei todas as lágrimas do meu coração, procurei-o na escuridão, rendi-me à sua vontade, e ele não me decepcionou.  “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Esta foi sua primeira palavra de promessa feita a mim. E, pouco tempo depois, em um dia, sozinho nas montanhas, enquanto o sol se punha atrás dos montes a oeste, ouvi sua voz e oh, que alegria e que paz! Era como uma calmaria após a tempestade, como raios de luz após a chuva. Sua canção encheu o meu coração. Ele me encontrou. E naquele momento, muito, muito tempo atrás – lembro-me bem – sentei-me e escrevi, entre outras coisas, esses versos:

Ah, se eu pudesse trazer a visão mais para perto,
E dar-lhe um vislumbre daquilo que é meu;
Ensinar-lhe que a mais cruel aflição terrena
Não está além do alcance do amor divino.

E que para cada vida solitária há um plano à espera,
Desenhado pelo Grande Arquiteto celestial;
Repleto de tristezas e alegrias, em uma proporção
Em que há muito mais alegrias, provando que Deus é amor.

No entanto, a tristeza fala, e em sublimes preleções,
Traz ao coração as lições que deseja ensinar;
Assim como a pequena semente necessita de sol e de chuva –
Assim Deus ordena ao homem um pouco de cada.

Escuridão e melancolia vieram além da minha compreensão
Até ajoelhar-me submisso à sua vontade;
Agora tudo é luz, inefável em fulgor –
Oh maravilhoso amor, até agora além da minha compreensão.

Veja, eu disse de coração: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita”. E a paz veio. Oh não, isto não é fácil de falar, mas pronuncie estas palavras, coração aflito, e esta será a experiência mais doce que você já conheceu. “Não a minha vontade, mas a tua seja feita.”

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