Deus opera quando os homens oram

Publicado em: 02/07/2017 Categorias: Arauto / Existe esperança de um despertamento cristocêntrico?

Arauto - Ano 35 - nº 02 - Abr/Jun 2017

Deus opera quando os homens oram

Se estivermos orando corretamente numa época como esta, sem dúvida o principal foco será em favor de um avivamento mundial. Se já houve necessidade de clamar a Deus: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl 85.6), é nesta hora que estamos vivendo agora. Os guardas atentos nos muros de Sião podem clamar com o salmista da antiguidade: “Já é tempo, Senhor, para intervires, pois a tua lei está sendo violada” (Sl 119.126).

Em primeiro lugar, consideremos o que avivamento significa. Avivamento é um tempo de despertamento, de transmissão de vida. Como só Deus pode comunicar vida, avivamento é um tempo quando Deus visita seu povo e transmite-lhe vida pelo poder do seu Espírito e, por meio dele, aos pecadores mortos em transgressões e pecados. Vida nova da parte de Deus – isto é avivamento.

O avivamento precisa ser mundial porque a aridez e a desolação espirituais são mundiais. Não estão limitados a um ou outro país. Encontram-se nos campos missionários tanto quanto nos países considerados cristãos. Precisamos urgentemente de um avivamento profundo, amplo, mundial, no poder do Espírito Santo. Não temos mais alternativas: ou recebemos um avivamento mundial ou veremos a dissolução da Igreja, da família e do estado.

Que faremos então? OREMOS! Tomemos as palavras do salmista: “Torna a vivificar-nos para que em ti se regozije o teu povo”. Oremos também com as palavras de Ezequiel:  “Vem dos quatro ventos, ó espírito [sopro de Deus], e assopra sobre estes mortos, para que vivam” (Ez 37.9). Não devemos orar, orar e orar ainda mais, até que o Espírito venha e avive o povo de Deus?

Oração é a espinha dorsal do avivamento

O primeiro grande avivamento na história cristã teve sua origem, do ponto de vista humano, numa reunião de oração que durou dez dias. Lemos nas Escrituras, a respeito dos discípulos: “Todos estes perseveravam unânimes em oração e súplica” (At 1.14). Todo verdadeiro avivamento, desde o dia de Pentecostes até hoje, teve sua origem, quanto à participação humana, na oração.

O grande avivamento com Jonathan Edwards, no século 17, começou com seu famoso chamado para oração. A maravilhosa obra de graça entre os índios norte-americanos, com David Brainerd, teve sua origem nos dias e noites que Brainerd passou diante de Deus em oração, buscando revestimento do alto para realizar seu ministério no meio daquele povo.

Uma demonstração singular do poder de Deus em avivamento irrompeu em Rochester, no Estado de Nova York, em 1830, com o ministério de Charles Finney, e logo espalhou-se por toda a região. Não só alcançou os estados da região da Nova Inglaterra, mas chegou à Grã-Bretanha também. Finney atribuiu o poder desta obra ao espírito de oração que predominava. O grande avivamento de 1859 nos Estados Unidos começou com oração e foi impulsionado também por oração, mais do que qualquer outra coisa.

“A maioria dos avivamentos”, escreveu o Dr. Theodore Cuyler, “teve humildes começos, com o fogo sendo aceso inicialmente apenas em alguns poucos corações sedentos. Nunca despreze o dia dos pequenos começos. Durante meu próprio ministério ao longo de muitos anos, quase toda obra de graça que experimentei teve uma origem muito desprezível; uma reunião humilde numa casa particular, um grupo reunido para estudo da Palavra por D. L. Moody na capela da missão, uma reunião de jovens na minha casa.”

Se dois concordam, será feito (Mt 18.19)

Dr. Thomas H. Skinner conta que houve um ajuntamento notável de três jovens dedicados no seu escritório, no tempo em que ele era pastor da Igreja da Rua Arch na Filadélfia. Eles batalharam juntos em oração, fazendo confissão completa de pecados e humilhando-se diante de Deus. Um após outro, os oficiais da igreja entraram e se juntaram a eles em oração. A chama enviada do céu logo se espalhou por toda a congregação em um dos avivamentos mais poderosos já conhecidos naquela cidade.

No século 16, houve um grande despertamento em Ulster, na Irlanda. As terras dos chefes rebeldes que foram tomadas pela coroa britânica eram habitadas por um grupo de colonos tomados por um espírito selvagem de aventura e irresponsabilidade. Verdadeira piedade era muito rara.

Alguns pastores da Escócia e da Inglaterra tinham ido ministrar nessa região sem lei. Um deles, por nome Blair, passou muitos dias e noites em oração, sozinho e também com outros irmãos, e alcançou grande intimidade com Deus. James Glendenning era um homem que tinha a mesma dedicação à oração. A obra de avivamento começou com ele.

Os historiadores da época disseram: “Glendenning era um homem que nunca teria sido escolhido por um sábio conselho de pastores, nem teria sido enviado para começar uma reforma nessa região. No entanto, Deus o escolheu para iniciar por intermédio dele uma obra admirável, a fim de que todos pudessem ver como a glória pertence somente ao Senhor por fazer desse povo profano uma nação santa. O que aconteceu não foi “por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).

Quando ele pregava, multidões de ouvintes sentiam grande ansiedade e terror de consciência. Enxergavam sua própria condição de perdido e clamavam: “Varões irmãos, o que faremos para ser salvos?”. Eram impactados de tal maneira que caíam desmaiados com o poder da Palavra de Deus. Num só dia, 12 pessoas foram carregadas para fora como se estivessem mortas. Eram pessoas consideradas as mais ousadas e destemidas do bairro, “gente que antes não tinha receio de usar armas para tumultuar todo o comércio da cidade”.

A obra se espalhou para cidades vizinhas. O interesse nas coisas de Deus aumentou tanto que alguns andavam a pé de 50 a 60 quilômetros para participar de uma reunião. Continuavam ali por horas sem sentir cansaço e sem dormir. Geralmente, não comiam nem bebiam, no entanto saíam testemunhando que “estavam plenamente descansados e dispostos, por estarem com o coração tão cheio da consciência de Deus”.

Intercessores acamados

A obra maravilhosa feita por D. L. Moody na Inglaterra, na Escócia e na Irlanda teve sua origem nas orações importunas de uma senhora acamada. As necessidades espirituais de sua igreja lhe pesavam muito no coração. Lendo as notícias dos avivamentos de Moody nos Estados Unidos e da sua paixão pelas pessoas perdidas, ela passou a orar diariamente e a importunar Deus para que o enviasse à sua igreja em Londres.

Certo domingo de manhã, sua irmã voltou do culto e, entrando no quarto onde ela estava, perguntou-lhe: “Quem você acha que pregou na nossa igreja hoje de manhã? Foi D. L. Moody, dos Estados Unidos!” A irmã inválida, percebendo que Deus estava respondendo às suas orações, se recusou a almoçar e passou a tarde toda suplicando e importunando a Deus para que usasse Moody para trazer avivamento à sua igreja.

Durante o culto da manhã, Moody havia ficado desapontado com a recepção de sua mensagem e estava com certo temor em relação ao culto da noite. Porém, assim que começou a pregar, percebeu que o Espírito Santo estava presente com poder. No final do culto, ele abriu uma oportunidade para que os que desejassem aceitar Cristo ficassem de pé. Para seu espanto, mais de 300 pessoas se levantaram.

Achando que não o haviam compreendido, ele pediu que todos se assentassem, e repetiu o convite. Da segunda vez, um número ainda maior se colocou em pé. As orações da serva de Deus acamada haviam alcançado a presença de Deus. Daquele dia em diante, em todos os lugares onde Moody ministrou, o avivamento veio e tomou conta do local, trazendo milhares e milhares de conversões nas Ilhas Britânicas.

Conta-se a história de outro servo de Deus, também inválido, que orava diariamente no Meio-Oeste dos Estados Unidos pelas cidadezinhas e comunidades das redondezas. De tempos em tempos, fazia uma anotação no seu diário: “Hoje, fui capacitado a fazer a oração da fé em favor de … (o nome da cidade ou vilarejo)”. Depois de sua morte, houve avivamentos fortes em cada um dos 30 locais que anotou, na mesma ordem em que os registrou. A oração da fé é a chave que destranca a porta do depósito divino.

Nos primeiros dias do metodismo, pregador após pregador foi enviado para uma cidade chamada Filey. Era uma fortaleza de Satanás. Um após outro, foram expulsos de lá, até que todos desistiram, considerando que era uma tarefa impossível.

John Oxtoby, ouvindo falar da situação desesperadora de Filey, pediu ao Conselho Metodista para enviá-lo para lá, assegurando os membros de que o Senhor certamente avivaria sua obra naquele lugar. Assim que conseguiu a aprovação do Conselho, ele partiu em viagem. Quando chegou ao ponto da estrada em que podia avistar a cidade pela primeira vez, seus sentimentos foram tão intensos que caiu de joelhos embaixo de um arbusto e começou a batalhar em oração, chorando e suplicando em favor das pessoas ali. Suplicou durante horas. A batalha em oração foi longa e pesada, mas John Oxtoby continuou até que a glória de Deus inundou sua alma, e ele se levantou dos joelhos bradando: “Filey foi conquistada! Filey foi conquistada!”

De fato, a cidade foi tomada e a presença de Deus confrontou cada pessoa que morava lá. Chegando direto do Trono de Misericórdia, ele entrou na cidade e começou a cantar nas ruas: “Volte para o Senhor e busque a salvação”. Um grupo de pescadores robustos se reuniu para ouvi-lo. Um poder incomum acompanhou o seu chamado. Pecadores endurecidos caíam em prantos, homens fortes tremiam e, enquanto orava, mais de dez se ajoelharam, clamaram por misericórdia e acharam paz com Deus.

Se podemos trazer avivamento por meio da oração – e realmente podemos –, mas deixamos de fazê-lo, qual será nossa desculpa diante de Deus?

“Parece-me”, escreveu W. G. Bennett, “que no grande plano de Deus para restaurar por meio da graça a raça humana caída, ele incluiu na estratégia o ministério da intercessão. Quero dizer isto com reverência: Deus espera e até depende, em grande medida, da intercessão para completar a sua obra.”

Quando nosso Senhor olhou para os campos embranquecidos, prontos para a colheita, a única solução que deu para a obtenção de obreiros foi a ORAÇÃO (Lc 10.2). As últimas palavras de Jesus para seus discípulos reunidos com ele na última ceia, logo antes da sua paixão, foram repletas de instruções mostrando que o futuro de sua Igreja dependia de oração e da vinda do Consolador.

Compilado de várias fontes

Uma resposta para “Deus opera quando os homens oram”

  1. Ailton Alves Camargo disse:

    Clamo ao Pai que incendeie o meu coração, o coração da igreja em cada cidade, por toda nação brasileira, com uma fome e sede angustiantes por Jesus, que só seja satisfeita com a manifestação de Sua Glória, para que nossa nação declare que SÓ O SENHOR É DEUS !
    QUE SEJAMOS BOMBARDEADOS COM ESSE ESPÍRITO DE INTERCESSÃO !

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