Cristo, o Sumo Sacerdote

Publicado em: 05/03/2012 Categorias: Arauto / O Poder da Sua Ressurreição

Arauto - Ano 16 - nº 02 - Abr/Jun 1998

Por: Andrew Murray

“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste” (João 17.24).

Na Sua mensagem de despedida, Jesus dá aos Seus discípulos a revelação completa de como será a nova vida que acontecerá quando o Reino de Deus vier com poder. Na habitação do Espírito Santo, na união com Ele, a Vide celestial, na sua saída para testemunhar e sofrer por Ele, eles encontrariam a sua vocação e a sua bênção. Intercalado na Sua exposição de como seria a sua futura nova vida, o Senhor repetidamente lhes deu as promessas mais ilimitadas sobre o poder que teriam as suas orações. Agora, no final, Ele mesmo se pôs a orar. Para dar aos Seus discípulos a alegria de saber como seria a Sua intercessão por eles como Sumo Sacerdote no céu, Ele lhes deixou este precioso legado da Sua oração ao Pai.

Ele o fez também porque eles como sacerdotes iriam participar da Sua obra de intercessão, e assim eles e nós aprenderíamos a executar este trabalho santo. Nestes ensinos que nosso Senhor deu nesta última noite com os discípulos, aprendemos que estas maravilhosas orações, promessas não foram feitas em nosso favor, mas no interesse do Senhor e do Seu reino. É somente do próprio Senhor que podemos aprender o que é a oração feita em Seu nome e o que ela deve obter. Aprendemos que orarem Seu Nome é orar em perfeita unidade com Ele próprio. A oração sacerdotal ensina tudo aquilo que se pode pedir e esperar da oração em nome de Jesus.

Esta oração normalmente é dividida em três partes. Em primeiro lugar o nosso Senhor ora por Si mesmo (v.1-5), depois por Seus discípulos (6-19), e finalmente por todas as pessoas que crerão através de todos os tempos (20-26).O discípulo de Jesus, que se dedica ao ministério da intercessão e que gostaria de pedir todas as bênçãos que puder sobre o seu círculo de relações em nome de Jesus, com toda a humildade, procurará ser levado pelo Espírito a estudar esta maravilhosa oração como uma das mais importantes lições da escola da oração.

Antes de mais nada, Jesus ora por Si mesmo, para que Ele seja glorificado, de tal modo que possa glorificar o Pai. “Pai! Glorifica o Teu Filho. E agora, Pai, glorifica-me.”Ele apresenta os fundamentos nos quais Ele se baseia para orar desta maneira. Uma aliança santa fora realizada entre o Pai e o Filho no céu. O Pai lhe prometera poder sobre toda a carne como uma recompensa pela Sua obra. Ele havia realizado a obra, glorificara o Pai, e o seu único objetivo agora é glorificá-lo ainda mais. Com a maior ousadia Ele pede que o Pai o glorifique, para que agora Ele possa ser e fazer pelos Seus discípulos tudo o que se propusera.

Discípulo de Jesus! Eis aqui a primeira lição do seu curso de intercessão sacerdotal, a ser aprendida a partir do exemplo do seu grande Sumo Sacerdote. Orar em nome de Jesus é orar em unidade, em afinidade com Ele. Assim como o Filho começou a Sua oração esclarecendo o Seu relacionamento com o Pai, alegando o Seu trabalho e Sua obediência e o Seu desejo de ver o Pai glorificado, você deve fazer da mesma forma.

Aproxime-se e apareça diante do Pai em Cristo. Apoie-se na obra completa que Ele realizou. Diga que você é um com ela, que você confia nela, que você vive nela. Diga que você também se deu a si mesmo para completar a obra que o Pai lhe deu para realizar, e para viver somente para a Sua glória. Então peça com confiança que o Filho seja glorificado em você. Isto é orar em nome de Jesus, ou seja com as mesmas palavras, no Espírito de Jesus, em uníssono com o próprio Jesus. Tal oração tem poder.

Se você glorificar o Pai como Jesus, o Pai glorificará Jesus realizando o que você lhe pede em Seu nome. É somente quando a sua própria relação pessoal neste ponto está clara com Deus, como era a de Jesus, quando você O está glorificando e fazendo tudo para a Sua glória, que você terá poder para interceder por aqueles ao seu redor, como Cristo tinha.

Nosso Senhor a seguir ora pelo círculo dos Seus discípulos. Ele fala deles como aqueles que o Pai Lhe tinha dado. A maior característica deles é que haviam recebido a palavra de Cristo. Ele diz que agora os envia ao mundo em Seu lugar, assim como o Pai O enviara. Ele pede duas coisas para eles: que o Pai os livre do diabo e que os santifique pela Sua palavra, porque Ele mesmo se santifica por eles.

Assim como o Senhor, cada intercessor cristão tem o seu círculo mais chegado por quem ora em primeiro lugar. Pais têm os seus filhos, professores os seus alunos, pastores o seu rebanho, todos os que trabalham têm laços especiais, todos os cristãos têm aqueles por quem seus corações pesam e se preocupam. É muito importante que a intercessão seja pessoal, objetiva e definida. Nossa primeira oração deve ser sempre para que recebam a palavra. Mas esta oração não funcionará, a menos que, como nosso Senhor, possamos dizer: “eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste.” É isto que nos dá liberdade e poder na intercessão pelas almas.

Não somente ore por eles, mas fale com eles. E quando tiverem recebido a palavra, oremos bastante para que sejam protegidos do diabo, para que sejam santificados por aquela palavra. Em vez de perdermos a esperança ou de os julgarmos, ou de desistirmos daqueles que caem, oremos pelas pessoas ao nosso redor: “Pai! Guarda-os em Teu nome. Santifica-os na Tua verdade.” Oração em nome de Jesus vale muito. “E o que pedirdes ser-vos-á feito.”

A seguir a oração do nosso Senhor se estende a um círculo maior. “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim por intermédio da sua palavra.” O Seu coração de sacerdote amplia-se para englobar todos os lugares e todos os tempos, e Ele ora para que todos os que pertencem a Ele em toda a parte sejam um, a prova divina ao mundo da divindade da Sua missão, e então para que estejam para sempre com Ele na Sua glória. Até aquele dia, “que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja.”

O discípulo de Jesus que tenha primeiro experimentado em seu próprio círculo o poder da oração não pode confinar-se dentro destes limites. Ele ora pela Igreja universal e os seus ramos diferentes. Ele ora especialmente pela unidade do Espírito e do amor. Ele ora para que a Igreja seja unida em Cristo, como uma testemunha ao mundo de que Cristo, que realizou uma obra tão grande e tão maravilhosa a ponto de fazer o amor triunfar sobre o egoísmo e a separação, é na verdade o Filho de Deus enviado dos céus. Cada crente deve orar muito para que a unidade da Igreja seja manifesta, não em organizações exteriores, mas em espírito e em verdade.

Até aqui falamos sobre o assunto da oração. Agora vejamos o seu método. Jesus diz: “Pai! Eu quero.” Baseado no Seu direito como Filho e na promessa do Pai para Ele e na Sua obra completada, Ele pôde falar assim. O Pai lhe dissera: “Pede-me e Eu te darei.” Ele simplesmente utilizou a promessa do Pai. Jesus nos fez uma promessa semelhante. “Tudo o que pedirdes ser-lhes-á feito.” Ele me ordena para dizer em Seu nome o que eu quero. Permanecendo Nele, numa união viva com Ele na qual o homem é nada e Cristo é tudo, o discípulo tem liberdade de se apoiar na Sua palavra de Sumo Sacerdote e, em resposta à pergunta: “O que queres?” dizer: “Pai! Eu quero tudo o que prometeste.” Isto nada mais é do que fé autêntica. Isto é honrar a Deus por estar certo de que tal confiança em dizer o que quero é verdadeiramente aceitável a Ele.

Inicialmente o nosso coração se encolhe com esta expressão; não sentimos nem a liberdade nem o poder para falar desse jeito. É uma palavra para a qual somente receberemos graça para pronunciar na mais completa entrega da nossa vontade, mas ao mesmo tempo, que tem toda garantia de que a graça será concedida a cada um que entregar totalmente a sua vontade à vontade do Senhor. Aquele que perde a sua vontade encontrá-la- á; aquele que entrega totalmente a sua vontade encontrá-la-á novamente, renovada e fortalecida com poder divino.

“Pai! Eu quero.” Esta é a marca da intercessão eterna, sempre eficaz, e vitoriosa sobre todas as coisas, que nosso Senhor oferece incessantemente nos céus. Nossa oração só tem valor se for em uníssono com Ele. Em união com Ele, vale muito se tão-somente permanecermos Nele, vivendo, andando e fazendo todas ..as coisas em Seu nome! Se apenas rios achegarmos e trouxermos cada petição em separado, testada e tocada pela Sua palavra e o Seu Espírito, e a lançarmos sobre a poderosa corrente de intercessão que emana Dele, para que seja elevada e apresentada diante do Pai, teremos a confiança completa que receberemos aquilo que pedimos. A frase “Pai! Eu quero” nos será soprada pelo próprio Espírito. Nós nos abandonaremos totalmente Nele e nos aniquilaremos para descobrir que na nossa impotência temos poder para prevalecer.

Discípulos de Jesus! Chamados para ser semelhantes ao nosso Senhor na sua oração sacerdotal, quando, ó quando, nos despertaremos para a glória, além de todo entendimento, deste nosso destino de pedir a Deus e prevalecer com Ele pelas pessoas que caminham para a morte? Ó quando é que nos sacudiremos da preguiça que se disfarça de humildade e nos entregaremos totalmente ao Espírito de Deus, para que Ele possa encher as nossas vontades com luz e com poder, para conhecer, e tomar, e possuir tudo aquilo que Deus está esperando para entregar a uma vontade que quer entrar em contato com Ele?

Ó meu bendito sumo sacerdote, quem sou eu para que me convides a participar contigo no Teu poder de intercessão vitoriosa! E por que, ó meu Senhor, eu sou tão lerdo de coração para entender e crer e exercitar este privilégio maravilhoso para o qual Tu redimiste o Teu povo? 0 Senhor, dá-me da Tua graça para que este seja cada vez mais o trabalho prioritário da minha vida, orando sem cessar para derramar as bênçãos dos céus em todos ao meu redor aqui na terra.
Bendito Senhor, venho agora aceitar este meu chamado. Em favor deste chamado eu abandono tudo para Te seguir. Nas Tuas mãos, crendo, eu entrego todo o meu ser. Forma-me, treina-me, inspira-me para que eu seja um dos teus legionários de oração, lutadores que vigiam e se esforçam em oração, príncipes de Israel, príncipes de Deus, que têm poder e que prevalecem. Toma posse do meu coração, e enche-o com o único desejo pela glória de Deus na colheita, santificação e união de todos aqueles que o Pai Te deu. Toma a minha mente e faze com que esta seja a minha meditação e a minha sabedoria, saber quando a oração pode trazer uma bênção. Toma-me inteiramente e coloca- me como um sacerdote que esteja sempre diante de Deus e que abençoe em Seu nome.
Bendito Senhor! Seja agora neste caso como é em toda a vida espiritual — Que tu sejas tudo e eu nada. Seja também a minha experiência de que aquele que nada tem, e nada busca para si, recebe tudo, até a graça maravilhosa de participar contigo no Teu permanente ministério de intercessão.
Amém.

Extraído de “Learning to Pray (With Christ in the School of Prayer)” — Aprendendo a Orar (Com Cristo na Escola da Oração)

Deus governa o mundo pelas orações dos Seus santos. Oração é o poder que vence Satanás. Pela oração a igreja dispõe de poderes do mundo celestial.

2 respostas para “Cristo, o Sumo Sacerdote”

  1. maria da graça disse:

    Meu Deus, em nome de teu amado Filho, o Senhor Jesus de Nazaré, eu te suplico que esta unção que me deste nesta noite, não se afsste jamais de meus lábios, que teu Santo Espírito permaneça em meu coração, que este Ministério que destes seja permeado pela tua verdade, pela tua Palavra e que toda a honra, toda a glória seja sempre e eternamente tua em minha passagem por esta terra, eis-me aqui Senhor para cumprir com teu chamado, no teu tempo, na tua vontade e no teu Espírito, em nome do Senhor Jesus. Amém.

  2. Marzoni C. de Albuquerque disse:

    Cristo é o REFERÊNCIAL na nossa vida e quando isso acontece toda a nossa estrutura espiritual, sentimental e físico é transformada.Amém.

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