Criando Filhos Para Servir a Deus – Parte I

Publicado em: 12/02/2012 Categorias: Arauto / Como Salvar Sua Família de Ruína e Destruição

Arauto - Ano 21 - nº 04 - Jul/Ago 2003

Por: Ted Hoit (marido)

Alguns pais cristãos vivem sob a impressão enganosa de que se forem tementes a Deus, seus filhos também o serão. Embora o exemplo pessoal seja um dos ingredientes essenciais para a criação de filhos piedosos, de forma alguma poderá ser considerado suficiente em si mesmo. Os diversos exemplos bíblicos de homens piedosos que criaram filhos ímpios devem nos causar grande cautela em aceitar tais suposições. Então, qual é a resposta? Onde devemos começar, depois de firmarmos nosso próprio compromisso com uma vida de santidade pessoal?

O que significa exatamente uma “descendência piedosa” (ou consagrada), conforme Malaquias 2.15? Podemos achar a resposta, vendo como a Palavra de Deus contrasta piedade com mundanismo. Por exemplo: “Ela (a graça de Deus) nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para que vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente” (Tito 2.12). Este tipo de contraste absoluto entre piedade e vida mundana deve nos auxiliar muito para tomarmos decisões sábias no nosso empenho de criar filhos tementes a Deus. Ou estamos criando filhos piedosos ou mundanos. Quem é mundano não é piedoso.

Há boa evidência bíblica para indicar que podemos estar vivendo na última geração antes da volta de Jesus Cristo. Se este realmente for o caso, podemos esperar um ambiente no mundo como nunca antes houve. Possíveis indícios sobre a natureza deste ambiente podem ser encontrados em dois outros significativos eventos bíblicos.

Quando Deus estava preparando os acontecimentos para libertar seu povo do Egito, a resposta de Satanás foi instigar a morte das crianças do sexo masculino. E, outra vez, quando Deus estava preparando o cenário para enviar Jesus a primeira vez, Satanás orquestrou a matança das crianças em Belém. Não seria provável que a última geração, que testemunhará a segunda vinda de Cristo, sofra uma forma semelhante de ataque satânico? Como Satanás fará desta vez? Ele é o príncipe deste mundo, com ênfase na palavra “mundo”. Milhares e milhões de jovens vidas estão sendo desperdiçadas e destruídas pelo poder que domina este mundo. Estamos criando filhos capazes de sobreviver a estes ataques? Estamos criando filhos piedosos ou filhos mundanos?

Onde Devemos Começar?

Precisamos, antes de tudo, decidir em nossos próprios corações a questão da absoluta prioridade de uma vida santa diante de Deus e, depois, nos comprometer com isso. “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (1 Tm 4.7,8). Piedade (santidade, semelhança a Deus) tem um valor incalculável. O que somos, aquilo com que comprometemos nossa vida, será o alicerce e a fonte para um treinamento eficaz dos nossos filhos.

Observe que a Palavra de Deus diz: “Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. Os filhos não irão apenas absorver a piedade dos pais e se tornar, assim, tementes e fiéis a Deus. Precisam ser treinados na piedade, da mesma forma que nós precisamos nos exercitar nela.
A Palavra nos ordena a ir e fazer discípulos. Será que podemos afirmar com segurança que nossos filhos deveriam ser nossos primeiros discípulos? Se isto for verdade, devemos lembrar que fazer um discípulo envolve mais que ensinamento. Inclui treinamento prático, como de um estagiário ou aprendiz. Crianças não “crescem” no Senhor sozinhos, precisam ser “criadas”, educadas e disciplinadas, no caminho do Senhor.

É possível estar no mundo mas não ser do mundo? Jesus nos mostrou que é. Ele se relacionava com as pessoas no mundo, contudo não era contaminado por qualquer coisa ou influência do mundo. Nosso alvo não é criar E.T.’s que não sabem se relacionar com o mundo, mas criar filhos que sejam como Jesus, tementes a Deus e justos, mas que saibam se relacionar com as pessoas neste mundo, a fim de compartilhar a vida de Cristo com elas.

O que significa estar no mundo mas não ser do mundo? A Bíblia diz: “Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai. Nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre” (1 Jo 2.15-17, BLH).

E em outro lugar: “Gente infiel! Será que vocês não sabem que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus? Quem quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus”(Tg 4.4, BLH). Se acreditarmos nestas Escrituras, devemos ser tão radicais quanto necessário a fim de honrar nosso compromisso com Cristo – um compromisso radical na nossa própria vida e um compromisso radical com aquilo que transmitimos aos nossos filhos.

Nossos filhos não precisam “provar” o mundo a fim de poderem estar no mundo. Na verdade, Deus ordena a “guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27). Estamos nos guardando da contaminação e impureza do mundo? Estamos impedindo nossos filhos de se poluírem com o mundo? Precisamos dar aos nossos filhos a maravilhosa experiência de piedade e, ao mesmo tempo, protegê-los agressivamente da poluição do mundo.

Princípios Básicos Para a Criação de Filhos Piedosos

Enfrentamos tremenda pressão para satisfazermos os desejos de nossos filhos por coisas deste mundo. Somos inundados pelas ofertas: entretenimento, atividades, possessões, etc. Nem todas estas coisas são necessariamente más em si mesmas, mas devemos perguntar: “Qual é a fonte da nossa realização e a dos nossos filhos?” Se os pais cedem aos desejos e apetites dos filhos – ou aos seus próprios – o resultado será filhos que buscam sua realização no mundo, ao invés de buscá-la em Cristo. As igrejas, por sua vez, sentem-se pressionadas a introduzir coisas do mundo numa tentativa de entreter crianças e adolescentes mundanos. Isto não deveria acontecer! Nossa perspectiva deveria ser da Bíblia para o mundo, não do mundo para a igreja.

A verdadeira realização vem de relacionamentos saudáveis e puros e de possuir um coração de servo. Um dos motivos por que os filhos jogam fora limites e restrições é que não adquiriram uma visão de servir – simplesmente não conseguem ver o propósito da igreja ou das suas atividades. Podemos arrastar nossos filhos à igreja e ordená-los a ficar quietos e, ao mesmo tempo, falhar completamente em transmitir-lhes uma visão de servir a Deus juntos como família.

Precisamos dar aos nossos filhos uma visão e uma experiência de ter coração de servo. Precisamos demonstrar-lhes como podem tocar a vida de outra pessoa, como ter o alvo de abençoar outros. Isto traz sentido e realização à vida. Sem isto, os filhos procurarão sentido em outras direções e o mundo os aguarda com suas promessas vazias e destrutivas de realização. Não é só proibir prazeres e desejos do mundo, mas proporcionar-lhes experiências com a verdadeira satisfação espiritual.

A outra questão básica na criação de filhos tementes a Deus é proteger e livrá-los da pressão de colegas. Se observarmos e conversarmos com filhos adolescentes, veremos que esta é uma questão de imensa importância para eles. É difícil manter o equilíbrio certo, mas ofereço a seguir algumas sugestões que podem ajudar.

1) Nunca sacrifique seus filhos por não querer ofender ou ferir uma outra pessoa.
Obviamente, não queremos ferir ninguém e certamente nos causará aflição se tivermos de ofender a alguém. Mesmo assim, quando a ocasião o exigir, precisamos ter a determinação e a coragem de dizer não. Pressão de colegas do mundo ou de lares mundanos pode afetar seriamente as vidas dos nossos filhos. Ao mesmo tempo, devemos treinar nossos filhos a serem abertos e bondosos. Nunca devem dizer: “Não posso ir à sua casa, porque você é do mundo”.

2) Podemos suprir uma parte da necessidade dos filhos por companheirismo, nós mesmos.
Devemos desenvolver o gosto e o hábito de ficar junto com nossos filhos. É comum os pais se sentarem no chão para brincar junto com os filhos, quando estes são pequenos. Mas depois que crescem um pouco, precisamos aprender a ser companheiros deles de outras formas. Às vezes, você está cansado, louco para ir dormir, mas eles estão com vontade de conversar. Converse com eles. Supra sua necessidade de alguém que os ouça e que os compreenda.

3) Desenvolva um coração de servo neles. Servir é o oposto de egoísmo, de centrar-se em si mesmo.
Uma criança centrada em si mesma é muito mais vulnerável à pressão de colegas do mundo.

4) Vigie a atitude e motivação com que você ministra aos seus filhos.
Nossa perspectiva deve ser essencialmente o que é bom para eles, não de acordo com o que nós pensamos, mas de acordo com a perspectiva de Deus. Em outras palavras, o objetivo direto dos pais não é a felicidade dos filhos; pelo contrário, é dar-lhes as coisas que Deus diz que trarão felicidade.

5) Lembre-se sempre que o desenvolvimento verdadeiro vem de dentro para fora, não de fora para dentro.
Desenvolva o coração deles, não se limite a dar regras. Crianças mais novas, evidentemente, precisam mais de regras; mas o objetivo não é colocar um jugo pesado, que certamente jogarão fora quando ficarem mais velhos. O objetivo é desenvolver controles internos em suas próprias vidas, gerados a partir de seu próprio amor profundo e real por Jesus Cristo.

Outros pais talvez lhe tenham dito: “Espere só até que seus filhos cheguem à adolescência. Todos os adolescentes passam por um tempo de rebeldia”. Não é isto que a Bíblia diz, embora seja verdade de filhos que são criados somente com regras externas. Quando conseguirem jogar as regras fora, certamente o farão; e a fachada acabará. Quanto melhor é dar-lhes o caráter e as convicções interiores para que saibam tomar as decisões certas em toda sua vida!

No fim, nossos filhos terão que decidir por si mesmos se vão servir a Deus com suas vidas ou não, se viverão vidas tementes a Deus ou dominados por influências deste mundo. Não podemos tomar esta decisão no lugar deles. Só podemos criá-los de tal forma que tenham a experiência e o alicerce da piedade, a fim de que eles próprios possam tomar as decisões certas.

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