Crescendo à Maneira de Deus

Publicado em: 11/02/2012 Categorias: Arauto / Crescendo à Maneira de Deus

Arauto - Ano 22 - nº 03 - Mai/Jun 2004

Por: Elizabeth V. Baker

Existem dois grandes princípios sobre os quais se fundamenta todo avanço na vida espiritual. Em primeiro lugar, a irremediável natureza pecaminosa do homem e nossa absoluta incapacidade tanto para salvar a nós mesmos, como para transformar nossa vida à semelhança divina. Em segundo, a perfeita capacidade e disposição de Deus de fazer as duas coisas para todo aquele que quiser entregar tudo em suas mãos e confiar nele.

A Perdição Humana

Olhemos primeiro para o lado humano, nosso estado perdido e a incapacidade de recuperar a nós mesmos. O pecado cegou de tal forma os olhos da humanidade que os pecadores não sabem o quanto estão longe de Deus e da sua justiça. Acham que não merecem muita condenação, pois são tão respeitáveis que a religião pouco faria para melhorar sua vida.

Evidentemente, há também aqueles que sabem que são maus e que cometem pecados condenados até pelo mundo. Contudo, mesmo esses não sabem o quanto o pecado é horrendo aos olhos de Deus. É obra do Espírito Santo trazer ao coração a consciência de estar perdido.

Em verdadeiros avivamentos, o Espírito traz uma profunda sensação do terror do pecado. Em muitos países sem tradição cristã, falta o senso de moralidade. Missionários lutam com grande dificuldade por anos para fazer o povo sentir seu estado pecaminoso, enquanto em um avivamento o Espírito Santo faz a obra em poucos instantes. As pessoas, quando tocadas por Deus, clamam a Deus em angústia por causa de seus pecados.

O pecador vai a Cristo e logo pensa que é fácil servi-lo. Ele não compreende sua total incapacidade, nem o quanto está longe da natureza de Jesus.

Eu tinha pouco tempo de conversão, quando percebi que não era em nada semelhante a Jesus. Minha natureza era totalmente distante da natureza dele. Se você parar para pensar, verá que a sua também é assim. Tudo em nós é o oposto da maneira que Deus é e da maneira como Deus age.

A humanidade mudou seu foco de Deus para seu próprio eu, e acostumou-se de tal forma com o egoísmo que tem dificuldade em perceber a profundidade do desvio. Geralmente, buscamos a bênção de Deus para nossa própria vantagem e o Espírito Santo para nossa própria satisfação. Não entendemos a que ponto nos afastamos da imagem de Jesus Cristo.

Creio que Deus se tornou carne em Jesus, em parte, para mostrar como sua vida era diferente da nossa, em sua maneira de trabalhar e viver entre nós. Ele era muito acessível a quem quisesse lhe fazer pedidos ou súplicas. A mulher da rua podia chegar perto dele e lavar seus pés com suas lágrimas. Ele nunca recusava ninguém, nunca era insensível a ninguém, a não ser com os hipócritas.

Sua vida era uma demonstração maravilhosa de mansidão e dependência do Pai. Os homens, em contraste, são extremamente independentes, não gostam de receber conselho uns dos outros. Isto está em toda alma humana. Jesus Cristo não tinha nada disso. Não havia nele um espírito independente. Ele reconhecia aquilo que Deus deseja que nós vejamos: “Eu nada posso fazer de mim mesmo” (Jo 5.19,30).

Deus precisa esculpir isso em nosso interior, deixando que tentemos e nos esforcemos para conseguir sozinhos e, assim, perceber o quanto fracassamos. Há algumas coisas em nossa natureza que gostaríamos muito de vencer. Enfrentamo-las e começamos a lutar contra elas, achando que logo desaparecerão. Porém, pelo contrário, o Senhor permite que ganhem mais força, que fiquem mais e mais difíceis de serem domadas. Você tenta controlar sua ira e logo descobre que está mais desgovernado do que antes. Tudo que procura suprimir e subjugar parece ficar cada vez pior. É porque você está tentando fazer a obra, mas nunca conseguirá nada enquanto não perceber que você não pode dar nem um passo sequer, somente acabará criando empecilhos para Deus.

Cada passo que damos para alcançar mais autocontrole, mais aperfeiçoamento da nossa natureza, mais semelhança à natureza de Cristo, só nos levará ao fracasso e, às vezes, a um fracasso profundamente angustiante, enquanto não aprendermos a lição de Paulo: “Em mim… não habita bem nenhum” (Rm 7.18). Deus quer nos mostrar que não haverá nenhum progresso, nenhum verdadeiro crescimento espiritual, por qualquer esforço nosso.

A Prontidão de Deus em Ajudar

Depois disso, precisamos aprender a lição da prontidão de Deus em ajudar. Se tivermos realmente aprendido a primeira lição, será mais fácil aprender essa. Enquanto não chegarmos ao lugar onde cessamos de olhar para nós mesmos, não conseguiremos olhar para Deus.

Acontece conosco o que Deus viu acontecer com o povo de Israel. Ele os havia tirado do Egito. Abrira um caminho para passar no meio do Mar Vermelho. Fizera água brotar da rocha. Contudo, em todo lugar de necessidade em que chegavam, diziam: “Será que Deus pode?”

O salmista disse: “Tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para satisfazerem o seu apetite. E falaram contra Deus, e disseram: Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto?” (Sl 78.18,19).

Estavam dizendo: “Sabemos que ele pode abrir o mar, pois já o vimos. Sabe mos que pode tirar água da rocha, pois o vimos também. Mas será que poderá fazer isso que vai além da nossa experiência?”

Dizemos a mesma coisa hoje. “Sei que ele pode salvar pecadores, pois me salvou. Mas será que pode dar vitória sobre minha natureza egoísta? Pode encher-me com o Espírito? Sei que ele faz essas coisas por algumas pessoas, mas eu sou diferente, tenho este ou aquele temperamento. Ele pode fazer por aquela pessoa simpática, mas será que pode fazer por mim?”

Você está dizendo: “Poderá ele fazer isso? Poderá? Poderá curar esta minha doença que herdei dos meus pais? Poderá tirar minha ira, minha impaciência?”

Era assim que o povo raciocinava, e nós fazemos da mesma forma. Tentamos crer em Deus, até o limite da nossa experiência anterior, mas achamos impossível que ele nos leve ao lugar onde possamos conhecer a plenitude do Espírito e sermos guiados por ele. Você acredita que ele o faça por algumas pessoas, mas está dizendo no seu coração: “Será que ele faria isso por mim? Poderá ele, poderá?”

Deus deseja que percebamos a nossa incapacidade, que não podemos mudar a nós mesmos. Você se culpa por ser assim, por ter tais características, tais limitações. Você se lamenta, dizendo: “Miserável homem que sou!”  Você se condena, no entanto, Deus não o condena por essa razão. Ele condena porque um caminho foi aberto, uma libertação de tudo isso e, mesmo assim, você não chega à maneira de Deus.

Jesus Cristo veio nos salvar dessas coisas, assim como nos salvou inicialmente da condenação eterna. O que ele está esperando é que reconheçamos que somos de natureza totalmente corrupta e não somos capazes de ajudar a nós mesmos. Mas ele é capaz!

Eu passava semanas e meses a fio sob condenação, por ver que não era parecida com Jesus e fracassava tanto. Por que sentir acusação por não fazer o que não podemos fazer? Isto prova que esperávamos conseguir. Se você não espera ser capaz de realizar algo, por que se culpa depois? Parece que pensamos que, de alguma forma, obteremos conhecimento ou experiência e passaremos a conseguir, depois de um tempo.

O que Deus quer de nós, então? Ele quer que você chegue à sua presença depois da pior falha que já cometeu, que olhe para sua face com confiança total e diga: “Nunca serei capaz de fazer melhor que isto. Entrego a responsabilidade a ti. Tu és o Salvador, não eu.”

Veja esta palavra em Miquéias 7.7: “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação: o meu Deus me ouvirá”.  Ele há de me ouvir, ele há de me ouvir. Podemos chegar ao Senhor com o mais profundo senso de fracasso e dizer: “Eu sei que a libertação é minha. Tu hás de me salvar de tudo isso”.

Deus Cumprirá Sua Palavra

Uma certa senhora tinha esta fé simples em Deus. Ela entregava aquilo que a perturbava ao Senhor e dizia: “Dou graças a ti pela libertação agora”. Depois, não se incomodava mais a este respeito. Acreditava que ele faria de acordo com o que prometera. Não deveria causar nenhuma estranheza Deus cumprir sua palavra, por isso ela agia nesta base. Não dependia de ver o problema desaparecer primeiro, mas fundamentava-se neste princípio de receber pela fé a vitória no presente e de já agradecer ao Senhor na certeza de que já estava feito.

Quando seu marido faleceu (com quem ela tivera grande união, tanto no natural como no espiritual), o Senhor lhe prometeu que nunca se sentiria viúva. Ela relatou, porém, de como entrou em casa, sentindo de forma muito aguda sua perda, e disse ao Senhor: “Agradeço-te agora por tua presença, que é tão consoladora. Tu és tudo que preciso”. Imediatamente, a sensação de perda desapareceu. Ela dizia isto quando ainda não sentia nada e, logo em seguida, tornava-se fato.

Creio que muitas vezes oramos e oramos quando Deus está dizendo: “Simplesmente, creia em mim. Estou aqui para cumprir minha palavra. Estou aqui para conceder graça agora”.

“Esta é a confiança que temos para com ele…” , diz o texto em 1 João 5.14, mas não a temos. Deus está mais ansioso do que nós para nos transformar. Então você pergunta: “Por que não o faz? Tenho orado e orado”.

Sim, mas você nunca entregou seu problema a ele de forma definitiva, soltando suas mãos de vez. Se você o entregar e continuar louvando e agradecendo ao Senhor, a resposta virá. Deus está pedindo para que aja, acreditando que ele estava sério quando prometeu.

Isto é fé e confiança, sempre agindo de acordo com a certeza de que Deus fará exatamente como prometeu. Cada manhã, ao abrir os olhos, diga-lhe: “Tu estás aqui, operando em mim, por isso te louvo”.

Se transformar suas orações em louvores, o processo irá mais rápido. Diga: “Recebo agora a graça que me ofereces”. Não é necessário ficar suplicando. Seria como uma criança que tivesse que levantar de manhã e insistir com a mãe para lhe dar o café da manhã, insistir, chorar e suplicar para que lhe desse algo para comer.

É desejo de Deus operar todos os momentos em nós. Ele está pronto todos os momentos para abençoar. Orar insistentemente, no lugar de receber ou aceitar, só impede.

Há um tempo certo para a oração. É bom pedir ao Senhor que examine nossas vidas. Acredite que realmente o fará. Permita que ele entre profundamente nos seus pensamentos, suas motivações, em tudo que lhe diz respeito. Mas chegará o momento em que Deus terá completado esta obra. Ele já lhe mostrou este problema e aquele impedimento e você tratou com isso. E depois? Creia nele! Receba dele. Aceite graça para cada momento e louve ao Senhor, levando a sério a intenção dele de conceder o que pediu.

“Esta é a confiança que temos para com ele.” É a confiança de que ele nos dará tudo aquilo de que precisamos para aquele momento. “Senhor, tu sabes que não posso fazer coisa alguma. Só vou piorar as coisas se colocar a minha mão, então vou simplesmente louvar a ti. Sei que estás trabalhando em mim agora, Senhor”.

Labutamos e esforçamo-nos, mas não acreditamos que ele seja capaz de nos vestir com mais glória do que Salomão, sem precisar do nosso trabalho. Não permitimos que ele nos dê “uma coroa em vez de cinzas”, “óleo de alegria em vez de pranto”, ou “veste de louvor em vez de espírito angustiado” (Is 61.3).

Oh, como ele anseia dar essas coisas aos seus filhos! Simplesmente, vá ao seu Pai e acredite que ele fará exatamente conforme prometeu; acredite mesmo quando não sente nada. A demora de Deus em conceder pode ter o propósito de fortalecer sua fé nele. Experimente passar um dia inteiro sem pedir coisa alguma, só receba pela fé. Como se pouparia do peso, da labuta inútil, e alcançaria verdadeiro progresso espiritual!

“Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança a vossa força…” (Is 30.15). Você não sabe que olhar para si mesmo o impede de olhar para Deus? O que está fazendo pode até estar correto. No entanto, seu olhar está focado em você mesmo. Está se condenando, preocupado com seus erros, mas tudo em torno de si mesmo. Diga ao Senhor que em sua vida não habita bem algum (Rm 7.18), mas que ele poderá produzir algo diferente. “Confio em ti para trabalhar em mim hoje. Tu terás de fazer tudo”. Na tranqüilidade e na confiança estará sua força, e você não terá que fazer esforço algum, por menor que seja.

Se tivéssemos a confiança que deveríamos ter nele, saberíamos que ele toma conta de tudo. Deus está em tudo. Receba aquela circunstância difícil da mão dele e aprenda a confiar. Oh, se pudéssemos ver que ele está trabalhando a cada minuto! Assim, nada pode dar errado. Se você aceitar o Espírito Santo para trabalhar em sua vida, se aceitar dele tudo que precisa, não demorará muito e Deus começará a operar algo diferente.

Se você levasse um homem doente que não consegue caminhar, e o colocasse no sol, ele não precisaria suplicar para que o sol resplandecesse. Só precisaria sentar ao sol até que este o aquecesse completamente. Se pudéssemos chegar a Deus e dizer-lhe, indiferente de estarmos sentindo algo ou não: “Tu estás brilhando sobre mim; continua a resplandecer, resplandece sobre mim”, acreditando nisto com todo o coração, como ele teria liberdade de trabalhar!

Confie no Amor de Deus por Você

O diabo quer que você acredite que Deus o amará somente se você for muito, muito bom. Mas diga ao Senhor: “Recebo teu amor agora, preciso tanto dele neste instante”. Afirme e confesse que Deus o ama, que o ama neste instante, que o ama tanto que não deixará nada sair do seu controle, que o ama tanto que lhe dará momento a momento o seu Espírito.

Satanás quer mantê-lo o tempo todo sob o martelo da condenação. Mas Deus o ama com ternura infinitamente maior que a ternura de uma mãe. Aceite-o. Ele mesmo disse: “Permanecei no meu amor” (Jo 15.9). Acredite nisto e verá que as trevas sairão, a luz entrará, e o amor que ainda não ousou apropriar será conscientemente seu.

Jesus é seu Salvador perfeito. Então deixe que o salve. “Louvo a ti, porque farás uma obra perfeita em mim, pois és um Salvador perfeito”. Diga a ele que confia que o curará e que está recebendo a cura agora. Diga que sabe que ele está cuidando de tudo que lhe concerne e que confia nele. Não conheço nada que eleve mais o espírito que isso. Seus dias de escuridão estarão findados. Deus nunca o poderá amar mais do ama agora, porque sempre nos ama com amor eterno.

Lembre-se de como o filho pródigo disse: “Morro de fome”, mas quando voltou para casa, não precisou suplicar ao pai que lhe desse algo para comer. Não, o pai ofereceu a melhor roupa e uma festa. O pensamento do filho era muito pequeno. Ele não esperava roupas elegantes nem festas. Imaginava ser tratado como um dos empregados. Mas o pai lhe deu uma grande festa; colocou um anel no seu dedo, beijou-o e disse: “Este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. Derramou sobre ele todo o seu amor. O que o filho pródigo precisava fazer? Somente aceitar.

O que você espera do Senhor hoje? Espere que supra todas suas necessidades. Diga ao Espírito que está no seu interior que sabe que ele o guiará, que sabe que lhe dará a vitória sobre aquele pecado indomável, que sabe que será curado daquela doença – diga-lhe que sabe disso. Deixe que o Senhor derrame sobre você seu amor enquanto permanece firme, acreditando e louvando a ele.

Diga: “Confiarei em ti. Tu não me falharás. Confio em ti para te encontrares comigo cada manhã. Confiarei em ti o dia todo e pelo resto da minha vida”. Descobrirá que todo seu esforço cessará, assim como Deus descansou de todas suas obras. Entrará no seu sábado, e subirá do seu coração louvor constante; desta forma, Deus estará continuamente operando sua maravilhosa salvação em sua vida.

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