Confessando os Pecados dos Outros

Publicado em: 28/01/2012 Categorias: Arauto / Igreja Gloriosa, Santa e Sem Defeito

Arauto - Ano 29 - nº 03 - Ago/Out 2011

 Por: Samuel Brengle

Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?”, perguntou o Senhor a Adão no Jardim do Éden. E Adão respondeu: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.11-13). Assim, cada um confessou o pecado do outro e ignorou o seu próprio, trazendo maldição sobre si, ao invés de bênção.

Não há nada que torne mais evidente a cegueira espiritual, a apatia e a dureza de coração de um homem do que essa atitude de esconder-se atrás de outros e confessar as falhas deles ao invés das suas próprias, e nada irá firmá-lo mais em sua cegueira e pecado. É um tipo mortal de hipocrisia. É um esforço para transferir a outros a responsabilidade que cabe a cada um pela maldade do próprio coração e vida, e só pode resultar no desagrado de Deus.

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará”, disse Salomão; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Não existe uma maneira mais perigosa de tentar encobrir os pecados do que culpar outra pessoa e chamar atenção para os erros dela, em vez de humilhar-se e confessar as próprias falhas.

Um incidente na vida do Rei Saul ilustra bem essa verdade. O relato está em 1 Samuel 15.

Disse Samuel a Saul… Assim diz o Senhor dos Exércitos: Castigarei Amaleque pelo que fez a Israel… Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de 1eito, bois e ovelhas, camelos e jumentos… E Saul e o povo pouparam Agague [o rei], e o melhor das ovelhas e dos bois, e os animais gordos, e os cordeiros, e o melhor que havia e não os quiseram destruir totalmente; porém toda coisa vil e desprezível destruíram…

 Então, veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras….E Saul disse… executei as palavras do Senhor. Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos e o mugido de bois que ouço? Respondeu Saul dei ouvidos à voz do Senhor e segui o caminho pelo qual o Senhor me envioumas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do designado à destruição (vv.1-21).

Dessa forma, Saul tentou encobrir seu pecado confessando os pecados dos outros; porém, Samuel lhe respondeu: Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei (v.23). Assim Saul perdeu seu reino.

Até hoje, os homens continuam perdendo sua coroa de paz, salvação e favor de Deus quando pecam, desobedecem e confessam os pecados de outros em lugar dos seus.

 “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros”, escreveu Tiago (Tg 5.16). Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”, escreveu João (1 Jo 1.9).

“Eu pequei!”, lamentou Davi. Em outro lugar, ele disse: Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51.3). Podemos ouvir o soluçar de um coração quebrantado e arrependido por meio dessa confissão franca e humilde. E Deus o purificou de seu pecado.

 “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”, orou o publicano. Por isso, este desceu justificado para sua casa” (Lc 18.13-14).

Busque uma visão de Jesus

Certa vez, uma mulher me contou que havia dado as costas a Jesus porque um homem que se dizia cristão dera um tapa na cara do seu marido. O que ela não me contou (e que fiquei sabendo mais tarde) é que o homem confessou seu erro e pediu perdão.

“Bem, aquilo foi mesmo terrível”, eu respondi, “mas você não deveria ter dado as costas a Jesus por conta disso. Você sabia que bateram na face de Jesus, que ‘o esbofetearam’?” (Mt 26.67). Ela arregalou os olhos e olhou para mim com espanto.

“E você sabia que cuspiram em sua face, puseram uma coroa de espinhos sobre sua cabeça, despiram suas costas e chicotearam-no até deixá-lo todo dilacerado, cortado e sangrando – foi assim que os soldados romanos, sob Pilatos, o trataram. Em seguida, o golpearam na cabeça e zombaram dele; puseram uma enorme cruz nos seus ombros, que deve ter pesado cruelmente em cima de suas pobres costas machucadas. Mas ele a carregou, e lá no Calvário o crucificaram; cravaram grandes pregos em suas mãos e pés, e, levantando a cruz, deixaram-na cair pesadamente no buraco que haviam preparado. Isso deve ter rasgado e dilacerado suas mãos e pés terrivelmente, mas ele orou: Pai, perdoa-lhes” (Lc 23.34). E lá, dependurado em agonia e dor, enquanto o roubavam de suas únicas peças de roupa, deram-lhe a beber vinho com fel e, sacudindo a cabeça, zombaram dele. Então, ele abaixou a cabeça e morreu. Isso tudo ele sofreu por você, minha irmã, mas você lhe deu as costas porque alguém tratou mal seu marido!”

Enquanto eu falava assim, ela viu Jesus. Com isso, o pecado do outro homem foi perdendo o foco, e seu próprio pecado foi crescendo diante de seus olhos, até que ela caiu em prantos; então, levantando-se, foi correndo em lágrimas para confessar, em contrição, seu próprio pecado ao Senhor e, creio eu, para ser restituída à sua graça.

Quando alguém recebe uma visão como essa de Jesus, ele para de culpar os outros e presta atenção apenas ao próprio pecado, pelo qual não consegue mais dar desculpas. Ele assume a responsabilidade, se declara culpado e confessa o erro com coração contrito e quebrantado. Só então, contemplando a face compadecida do Salvador que sofreu no seu lugar, ele pode confiar, receber perdão, alcançar a paz e tornar-se uma nova criatura em Cristo Jesus.

Essa é a visão e a fé que geram amor pelo Salvador, que produzem obediência no coração, que salvam de todo pecado e que concedem amor e habilidade para salvar outros também.

Oh, meu irmão, minha irmã, eu imploro que você tire os olhos de outras pessoas e fixe-os em si mesmo e em Jesus; assim você tirará a “trave” do próprio olho e verá claramente como tirar o “cisco” do olho do seu irmão! (Mt 7.5).

Se você lida com pessoas que estão sempre confessando os pecados de outros, rogo que você os trate com muito carinho, conquanto também com firmeza, para não se esquecer da caverna do poço donde fostes cavados” (Is 51.1), e para não agir com severidade com eles por uma falha da qual você pensa estar livre, embora não esteja totalmente.

Lembre-se das palavras de Paulo: Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado” (Gl 6.1). Tenho visto homens caírem por não terem sido gentis com aqueles que haviam caído. Lembre-se das palavras de Jesus: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Como é difícil aprender essa doce lição de mansidão e humildade de coração! Mas essa é a primeira lição que Jesus nos pôs para aprender.

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