Como Sei Que Deus Responde à Oração – Parte I

09/02/2012 Publicado por: Impacto

Arauto - Ano 22 - nº 06 - Nov/Dez 2004

Por: Rosalind Goforth

Jonathan e Rosalind Goforth foram missionários canadenses na China de 1888 a 1934. Durante esse período, tiveram onze filhos (cinco dos quais morreram como bebês ou muito novinhos), passaram por perseguições e dificuldades, e testemunharam grandes moveres do Espírito de Deus, trazendo convicção, arrependimento e conversões. A seguir, alguns relatos de orações respondidas, extraídos de um livro escrito por Rosalind Goforth. Esta é a primeira de uma série que continuará em futuras edições deste jornal.

Em outubro de 1887, pouco antes do nosso casamento, meu marido foi aceito pela Igreja Presbiteriana do Canadá para abrir um novo campo missionário no norte da província de Honan, na China. Saímos de navio em janeiro de 1888 e chegamos à China no mês de março. Nem sonhávamos das enormes dificuldades da tarefa que nos esperava.

Uma carta do conhecido missionário Hudson Taylor nos deu a primeira idéia do desafio:

“Estamos sabendo que o norte de Honan é o campo onde irão trabalhar. A nossa missão está tentando há dez anos entrar naquela província e só agora conseguimos uma pequena porta. É uma das províncias mais hostis a estrangeiros na China. Irmãos, se quiserem entrar ali, terão de avançar de joelhos…”

Essas palavras marcaram nossos primeiros anos de trabalho pioneiro naquele lugar. Nossa força como missão e como indivíduos, durante aqueles anos tão carregados de perigos e dificuldade, derivou somente do nosso reconhecimento de que a nossa tarefa, sem auxílio divino, era totalmente impossível.

Apoio da Base em Oração

Ficamos inicialmente numa outra missão, fora da província de Honan, para aprender o idioma. Meu marido estava encontrando grande dificuldade para dominar a língua; embora estudasse fielmente durante muitas horas, seu progresso era doloroso e lento. Junto com um colega, costumava ir regularmente a um lugar público para treinar, pregando em chinês ao povo; entretanto, mesmo tendo bem mais tempo do que o colega no país, o povo sempre pedia que o outro pregasse, porque conseguia compreendê-lo melhor.

Um dia, logo antes de sair como de costume para a pregação, meu marido me disse: “Se o Senhor não me der ajuda sobrenatural no idioma, receio que me fracassarei como missionário”.

Algumas horas depois, ele voltou, seu rosto radiante de alegria. Contou-me que sentiu uma intervenção muito clara quando chegou sua vez para falar: frases vieram à sua mente como nunca antes e, não só conseguiu se fazer entender, mas várias pessoas vieram à frente depois para conversar mais com ele. De tão maravilhado e encorajado que ficou, fez uma nota do incidente no seu diário.

Mais de dois meses depois, uma carta chegou de um estudante na nossa cidade de origem no Canadá, dizendo que em determinada noite um grupo se reunira especialmente para orar por nós. O poder na oração foi tamanho e a presença de Deus tão sensível que resolveram escrever e perguntar se houve alguma intervenção especial naquela data. Conferindo no seu diário, Jonathan verificou que o tempo daquela reunião de oração correspondeu exatamente ao momento da ajuda sobrenatural na sua pregação.

Isso mostra a importância das pessoas que ficaram no país de origem orarem em favor daqueles que saíram para o campo.

Proteção de Perigo

Durante o tempo em que aguardávamos a possibilidade de nos mudarmos para Honan, nós, as esposas dos missionários, passávamos constantemente por angústia. Cada vez que os maridos saíam para fazer viagens à região, nossos corações se enchiam de temor, com receio de que nunca mais os víssemos. O perigo que corriam era muito grande, no entanto, o Senhor, na sua misericórdia, ouviu nossas orações. Embora freqüentemente passassem por provações e dificuldades, nenhum deles chegou a ser gravemente ferido. A seguir, uma das experiências que ilustra como o Senhor os guardava naqueles dias.

Dois irmãos do nosso grupo missionário alugaram uma propriedade numa vila dentro da província de Honan, perto do rio Wei, a pouca distância da fronteira. Foram para lá, com intenção de passar o inverno, mas uma perseguição repentina e violenta irrompeu assim que acabaram de se instalar. Uma multidão atacou o local da missão e saqueou tudo que tinham. Os dois missionários foram agredidos e um deles, arrastado em volta do pátio. Finalmente, foram deixados, suas vidas poupadas, porém sem possessão alguma.

A situação estava bastante crítica, pois os amigos mais próximos ficavam a vários dias de viagem, e não possuíam dinheiro, roupa de cama, ou roupas pessoais, além do que tinham no corpo. O intenso inverno já havia começado.

Em sua extremidade, ajoelharam-se e se entregaram ao cuidado do Senhor. Fiel às suas promessas, o Senhor lhes respondeu, pois enquanto ainda oravam, um missionário de um posto distante estava a caminho. Ele chegou inesperadamente, sem saber o que acontecera, poucas horas depois dos saques. Sua chegada em tal momento oportuno encheu os corações do povo da vila de temor. Dinheiro e bens foram devolvidos e, daquele tempo em diante, a oposição violenta cessou.

Dirigindo as Mãos do Médico

Poucos meses depois do incidente acima, conseguimos nos mudar para a província de Honan, junto com algumas outras famílias. Embora não houvesse violência, o coração do povo parecia duro como pedra. Odiavam-nos e desconfiavam de nós como se fôssemos seus piores inimigos. Este distrito era conhecido pelo seu espírito turbulento e por sua hostilidade contra estrangeiros e, como missionários, freqüentemente corríamos grave perigo.

Muitas vezes percebíamos que nós, assim como co-obreiros em outros postos missionários, éramos guardados de sérios riscos somente pelo poder protetor e soberano de Deus, em resposta às muitas orações que subiam em nosso favor, nesse momento tão crítico da história da nossa missão. A seguir, um exemplo concreto de como Deus ouviu nossas orações nesse tempo.

Contávamos, em nosso grupo, com um missionário que era médico, um homem com talentos admiráveis. Possuía anos de treinamento especializado e experiência prática em hospitais e era considerado um dos médicos mais destacados da sua cidade de origem. Aqui na missão, porém, passaram-se meses sem aparecer um caso significativo para ser tratado. Além de não conhecer o médico, nem as suas habilidades, o povo tinha medo de se colocar em suas mãos. Começamos a orar especificamente para que o Senhor enviasse pessoas com necessidade ao hospital, que pudessem abrir o coração do povo para conosco e para a nossa mensagem.

Em pouco tempo, vimos nossas orações respondidas acima de toda expectativa. Vários casos importantes apareceram, quase ao mesmo tempo, um tão sério que o médico hesitou por alguns dias antes de operar. Quando finalmente efetuou a operação, as mãos do médico foram fortalecidas por nossas orações, o paciente sobreviveu com segurança e, poucos dias depois, estava andando pela cidade como milagre vivo diante do povo.

Muita coisa dependia desse resultado e das outras cirurgias delicadas que o médico realizou nessa mesma época. Se algum dos pacientes tivesse morrido nas suas mãos, teria sido suficiente para causar a destruição de todas as propriedades da missão e a morte de todos os missionários. Três anos depois, os registros do hospital mostravam uma média de 28.000 tratamentos por ano!

Novos Convertidos

Nossa oração constante era que o Senhor nos desse convertidos desde o princípio. Sabíamos de missionários na Índia, na China e em outros lugares, que haviam trabalhado por muitos anos sem ganhar um convertido, mas não acreditávamos que essa era a vontade de Deus para nós. Críamos que era sua vontade e prazer salvar homens e mulheres por meio dos seus canais humanos, e por que não desde o princípio?

O primeiro a se converter foi Wang Feng-ao, que foi conosco para Honan como professor particular do meu marido. Era um homem com alto grau de estudo, equivalente a um mestrado no Ocidente, e era um dos seguidores mais orgulhosos e altivos de Confúcio. Ele desprezava os missionários e seus ensinamentos, e tão grande era sua hostilidade que batia na esposa cada vez que ela vinha para nos ver ou ouvir nossa mensagem. Mesmo assim, Jonathan continuava orando por esse homem e usava toda sua influência para ganhá-lo para Cristo.

Poucos meses depois, uma grande mudança ocorreu na vida do Sr. Wang. Seu ar soberbo e esnobe se mudou e ele veio a se tornar um seguidor simples e devoto do humilde Nazareno. Deus usou um sonho para despertar a sua consciência, o que não é incomum na China. Certa noite, ele sonhou que estava lutando para sair de um poço fundo e lamacento. Por mais que se esforçasse, não encontrava meio de escapar. Quando estava prestes a desistir, ele olhou para cima e viu Jonathan com outro missionário, estendendo suas mãos para salvá-lo. Ainda assim, tentou achar uma outra forma de sair; finalmente, sem saída, permitiu que os dois o puxassem para fora.

Este homem tornou-se, depois, um dos evangelistas mais dedicados da equipe do meu marido. Por muitos anos, seus maravilhosos dons foram usados, para a glória do seu Mestre, na obra entre a classe mais intelectual no distrito de Changtefu.

Outra ponta de luz, no meio da escuridão daqueles primeiros dias, foi a conversão impressionante de Wang Fu-Lin. Durante muitos anos, fora um contador de estórias público; porém, quando Jonathan o encontrou, sua vida estava em ruínas devido ao vício do ópio. Ele aceitou o evangelho, mas por muito tempo não conseguia força suficiente para romper com o hábito que o escravizara. Vez após vez, tentava fazer isso e falhava miseravelmente.

O pobre homem estava quase sem esperanças quando, um dia, Jonathan o trouxe à missão na sua carroça. Os dez dias que se seguiram nunca serão esquecidos por aqueles que viram Wang Fu-Lin lutando para sobreviver física e espiritualmente. Com certeza, nada além da oração o poderia ter feito vencer. No final dos dez dias, o poder do ópio estava quebrado e Wang Fu-Lin saiu da luta como um novo homem em Jesus Cristo.

Cura Divina

Logo depois de chegar na China, ouvi um testemunho de Hunter Corbett, um dos missionários mais dedicados e santos que já conheci, o qual Deus usou mais tarde para me salvar e me impedir de voltar para o Canadá.

Dr. Corbett contou que todo ano, durante quinze anos, ele havia se acamado com aquela terrível aflição do Oriente, a disenteria. Finalmente, os médicos lhe deram uma decisão definitiva de retornar imediatamente à sua terra natal e abandonar o serviço missionário na China.

“Porém”, disse aquele grande homem, “eu sabia que Deus havia me chamado à China e também que Deus não mudava. Então, o que eu poderia fazer? Não ousava voltar atrás no meu chamado; assim, determinei que se eu não podia viver na China, só me restava morrer ali. Daquele dia em diante, a doença perdeu seu poder sobre mim.”

Nessa época, já fazia quase trinta anos que o Dr. Corbett estava na China. Ele viveu muitos anos depois e faleceu com quase noventa anos de idade.

Pois bem, durante vários anos eu também passei a sofrer dessa mesma doença. Cada ano que passava, a doença parecia se fortalecer mais e se apoderar mais de mim. Finalmente, meu marido trouxe a decisão dos médicos, dizendo que eu teria de retornar para o Canadá. Enquanto estava deitada ali, enferma e enfraquecida, a tentação de ceder e entregar os pontos veio com muita força. Lembrei-me, então, do testemunho do Dr. Corbett e do meu próprio chamado, que era tão claro, e senti que voltar seria ir contra minha própria consciência. Determinei, assim, fazer o que ele fizera: entregar-me às mãos do Senhor, quer para vida, quer para morte. Isso aconteceu há mais de vinte anos e, desde então, tive muito pouco problema com aquela temida doença.

Sim, quanto maior a necessidade, quanto mais amarga a extremidade, maior é a oportunidade para Deus revelar seu grande poder nas nossas vidas, se tão-somente lhe dermos uma chance através de obediência inabalável, seja qual for o custo.

“No dia em que eu clamei, tu me acudiste, e alentaste a força de minha alma” (Sl 138.3).

Durante nosso quarto ano na China, quando estávamos passando a estação do calor perto do litoral, nosso pequenino filho, com dezoito meses, ficou gravemente doente com disenteria. Depois de lutar vários dias pela vida da criança, começamos a sentir que o anjo da morte estava prestes a chegar.

Minha alma inteira se rebelava; parecia até mesmo que eu odiava a Deus. Eu não podia ver nada senão cruel injustiça em tudo isso, e meu filho parecia estar partindo rapidamente. Ajoelhei-me com meu marido perto do berço e ele suplicou intensamente para que eu cedesse minha vontade e meu filho a Deus. Depois de uma longa e amarga peleja, Deus obteve a vitória, e falei com meu marido que estava entregando o filho ao Senhor. Em seguida, Jonathan orou, entregando a preciosa alma do nosso filho ao cuidado do nosso Pai.

Enquanto ele orava, notei que a respiração irregular e ofegante da criança havia parado. Pensando que meu tesouro já havia partido, procurei rápido por uma luz, pois estava escuro. Ao examinar o rosto dele, porém, percebi que acabara de adormecer num sono profundo e natural, que durou a maior parte da noite. No dia seguinte, estava praticamente curado da disenteria.

Para mim, sempre pareceu que o Senhor havia me provado até o último momento da minha força natural. Depois, quando cedi a ele o meu maior tesouro e coloquei o Senhor em primeiro lugar, ele me devolveu a criança.

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