Como Dirigir uma Assembléia Solene

Publicado em: 27/02/2012 Categorias: A Assembléia Solene / Arauto

Arauto - Ano 17 - nº 04 - Out/Dez 1999

Por: Richard Owen Roberts

1. Uma Assembléia Solene é um tempo em que todo o serviço cotidiano normal é colocado de lado. Esta é claramente a instrução de Levítico 23.34-36, Números 29.35 e Deuteronômio 16.8. Embora a grande maioria da Escritura ensine e apóie a necessidade de se trabalhar com dedicação, está muito claro também que todo serviço material precisa ser subordinado aos interesses espirituais. Assim como o homem deve trabalhar seis dias e apenas seis dias, e descansar no sétimo, da mesma maneira ele deve lutar em determinadas épocas em prol do avanço espiritual e moral, e deve deixar de lado a ordem normal de trabalho a fim de buscar a face de Deus durante épocas de juízo divino.

2. Uma Assembléia Solene é um período em que todo um povo afetado pelo justo juízo de Deus é convocado para estar presente. Isto fica claro em várias passagens do Velho Testamento que descrevesse avivamentos, mas nenhuma o revela melhor que em Joel, onde até os recém-casados que estavam de lua de mel tiveram de cancelar seu tempo juntos, e a mãe que amamentava seu bebê tinha de estar presente (Joel 2.16).

Parte do pecado coletivo que precisa ser abandonado é o espírito de rebeldia que existe em muitos cristãos (nominais), que acham que nenhum líder espiritual lhes pode dar ordens. Tais pecadores fariam bem se observassem a severidade das denúncias contra rebeldia e teimosia que encontramos em 1 Samuel 15.23.

3. Uma Assembléia Solene é um tempo de jejum. Ao invés de questionar a conveniência física de jejuar, cristãos professos deveriam enfrentar abertamente a importância espiritual imediata desta prática. De maneira geral, reconhecemos que cuidar de nossos corpos é uma responsabilidade correta que devemos assumir diante de Deus. O cuidado de nós mesmos faz parte do nosso serviço normal para Deus. Mas há questões vastamente mais importantes que cuidar de nossos corpos.

Ao jejuar, o povo fiel reconhece diante de Deus que os assuntos espirituais urgentes têm primazia sobre os assuntos normais do nosso físico. Em síntese, jejuar é uma forma externa de reconhecer com humildade diante de Deus que descobrir os pecados que causaram sua ira, e abandoná-los de forma ordenada e coletiva (como povo), têm uma importância vastamente maior que alimentar o corpo. Há momentos quando os corpos dos crentes precisam ser colocados em sujeição, para que as tão grandes necessidades espirituais possam receber a devida atenção.

4. Uma Assembléia Solene é um tempo de sacrifício. Numerosas passagens do Velho Testamento, que relatam assembléias solenes, deixam isto muito claro (inclusive Números 10.10 e 15.3). Uma das maiores bênçãos que Deus deu à humanidade é o dom do tempo. Que sacrifício poderia ser mais significativo do que o sacrifício do tempo a fim de participar mais plenamente no método ordenado por Deus para reverter um juízo divino contra uma igreja ou nação?

5. Uma Assembléia Solene tem duração prolongada. Enquanto a maioria dos cristãos nominais se contente com cultos de uma hora de duração, o chamado para uma Assembléia Solene é um chamado para uma reunião muito mais prolongada. Em muitas das passagens onde se descreve a Assembléia Solene, a reunião se prolongava por dias a fio, em alguns casos, até quatorze dias. Em outras ocasiões um dia inteiro parecia ser suficiente.

Em 2 Crônicas 7.8,9, vemos que a festa foi observada durante sete dias, e depois no oitavo dia foi realizada uma Assembléia Solene. Foi nesta assembléia solene que Deus disse: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (versículo 14). Nenhuma Assembléia Solene valeria seu próprio nome, se não separasse pelo menos um dia inteiro para as grandes tarefas de humilhar-se, orar, arrepender-se e buscar a face de Deus.

6. Uma Assembléia Solene é um tempo de oração intensa. As igrejas em geral separam muito pouco tempo para oração. Às vezes, toma-se tempo suficiente para apresentar pedidos a Deus, mas pouquíssimo tempo é alocado para reuniões de todo o povo, onde Deus pode apresentar seus pedidos aos homens.

Não só se deve dar muito tempo para oração durante a Assembléia Solene, mas muito tempo deve ser dedicado em oração em preparação para a Assembléia Solene. Se for realizar a Assembléia num sábado, por exemplo, o povo da igreja deveria dedicar bastante tempo para oração durante cada dia da semana anterior, em preparação para o dia.

7. Uma Assembléia Solene é uma ocasião em que essencialmente se faz arrependimento como povo. Em preparação para isto, deve-se elaborar uma lista dos pecados que devem ser confessados, e abandonados como povo. Algumas igrejas envolvem toda a congregação na elaboração desta lista. Vários departamentos da igreja preparam listas das ofensas contra Deus e contra os homens que a igreja nunca abandonou como um todo. Os líderes depois ajuntam as listas e formam uma relação final. A intenção não é fabricar erros, mas investigar seriamente todo e qualquer assunto que possa ter contribuído para o juízo divino.

8. Uma Assembléia Solene é uma oportunidade para pregação ungida sobre as verdades profundas das Escrituras, a fim de acender novamente a chama entre o povo de Deus. Nas Assembléias Solenes onde se dedica apenas um dia, é comum ter pelo menos um ou dois sermões direcionados aos acontecimentos atuais, para ajudar o povo a assumir sua responsabilidade, e aproveitar as oportunidades que o momento oferece.

9. Uma Assembléia Solene é uma oportunidade maravilhosa para os filhos verem seus pais e líderes demonstrando coletivamente o cristianismo no seu nível mais profundo. Ao convocar a família toda, os jovens e crianças têm o privilégio todo especial de serem profundamente tocados pelas solenidades do dia. Em algumas igrejas, chamam-se babás de fora para cuidar dos bebês e crianças menores para que os pais possam dedicar toda sua atenção às atividades espirituais.

10. Uma Assembléia Solene oferece a Deus uma oportunidade de responder ao seu povo num nível que seria impossível enquanto estiverem negligenciando sua Palavra, ou quebrando suas ordens. Historicamente, Deus tem respondido a Assembléias Solenes, enviando novas ondas de bênçãos para as vidas individuais e para o povo como todo, e, em algumas ocasiões, avivamentos tremendos têm resultado. Um dos exemplos mais notáveis disso foi o Avivamento da Assembléia Geral na Igreja da Escócia, em 1596.

Ilustrações

John Davidson, de Prestonpans, na Escócia, estava muito angustiado por causa da situação da sua amada igreja, e expressou sua preocupação no Sínodo de Fife em 1593, e na Assembléia de 1594. Seu presbitério o apoiou em solicitar à Assembléia Geral da Igreja que marcasse uma Assembléia Solene na reunião anual de 1596. A Assembléia reuniu-se na Catedral St. Giles, em Edimburgo, no mês de março.

Uma lista muito completa de pecados foi preparada, cobrindo condutas erradas de todas as classes de pessoas, desde o Rei, até os cidadãos mais humildes. A lista dos pecados do clero era maior do que de todas as outras classes reunidas.

A Assembléia Solene aconteceu na terça-feira da segunda semana da Assembléia Geral, e contou com a participação de uns quatrocentos homens, a maioria pastores. Davidson pregou sobre Ezequiel 13 e 34, falando sobre profetas mentirosos e os pastores que alimentavam a si mesmos e não ao rebanho. Exortou então seus irmãos a fazer um período de meditação e confissão a sós, e foi neste momento que o Espírito Santo de Deus desceu, e a antiga Catedral ressoou com os soluços e clamores de centenas de ministros se humilhando diante de Deus no chão.

Fez-se um convite para um compromisso público de nova entrega ao Deus Todo-Poderoso, e somente um dos presentes deixou de levantar a mão indicando sua firme adesão. Este espírito de arrependimento coletivo foi levado a todos os presbitérios, e seguiu-se o avivamento de 1596.

Mas não se deve pensar de Assembléias Solenes como meros vestígios do passado. Recentemente, a Primeira Igreja Batista de Pagosa Springs, no Colorado, EUA, foi terrivelmente afetada por um espírito de divisão. Duas das pessoas críticas, um casal, foram desligadas da membresia devido a suas constantes atividades faccionárias.

Ao invés desta disciplina conduzi-las ao arrependimento pela sua maldade, estas pessoas abriram três processos contra a igreja, alegando que junto com mais onze parentes e amigos, formavam a verdadeira Primeira Igreja Batista daquela cidade.

Depois de muita oração e consultas entre si, a congregação resolveu obedecer a Palavra de Deus para solucionar a situação, e convocaram uma Assembléia Solene. Durante as três semanas antes da Assembléia, dedicaram-se intensamente à oração. Na última semana, houve três dias de jejum e oração. E no último dia antes da Assembléia, houve jejum com escalas de oração durante vinte e quatro horas. Praticamente a congregação inteira compareceu à Assembléia, e passaram nove horas juntos em oração, jejum, e arrependimento coletivo.

Três dias após a Assembléia Solene, quatro membros da família que abriu os processos contra a igreja foram mortos num acidente de avião particular. Como resultado direto da divina intervenção, o processo judicial foi suspenso, a liminar foi dada em favor da igreja, e o processo para tomar as propriedades e contas bancárias da igreja foi abandonado. O próprio Deus coroou a fidelidade daquele povo com um período de consciência clara da sua presença e intimidade. A obra de Deus, feita à maneira de Deus, ainda triunfa!

Encorajamento

Historicamente, os juízos corretivos e redentores de Deus, quando ignorados, se transformam em juízos finais. O mundo ocidental em geral está bem maduro para este tipo de juízo. Os diversos movimentos evangélicos se caracterizam por uma arrogância que é quase inacreditável. A negligência de oração, o envolvimento na metodologia dos filisteus, as maldades morais, e as corrupções e desvios de doutrina, seriam suficientes para que os sodomitas se admirassem da justiça de Deus em destruir sua cidade e poupar as nossas modernas!

Se os jovens hoje podem viver em países de liberdade e oportunidade, é porque seus pais de gerações passadas tiveram a graça de se humilhar, orar, arrepender-se de seus pecados, e buscar a face de Deus em Assembléias Solenes.

Obediência ainda é melhor que sacrifício. A chamada de Joel requer uma resposta imediata: “Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra para a casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor.”

Do livro “The Solemn Assembly” (A Assembléia Solene) por Richard Owen Roberts. Copyright 1989. Usado com permissão.

Uma resposta para “Como Dirigir uma Assembléia Solene”

  1. Paula Oikawa disse:

    Necessitamos com urgência uma Assembleia Solene. O povo de Deus carece e desconhece esse verdadeiro encontro e do arrependimento para uma vida digna do evangelho. Temos sido muito relativistas, uma vida nem quente e nem fria.
    Ouvimos lindas mensagens na igreja, mensagens pura da Bíblia, porém observamos muitos frutos que não condiz.
    Deus é misericordioso, mas até quando?
    …”eis hoje o dia da salvação”

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