Chamado Para Esta Hora de Crise

Publicado em: 29/01/2012 Categorias: Arauto / É Possível Mudar o Curso de Uma Nação?

Arauto - Ano 28 - nº 03 - Jun/Set 2010

Por: Arthur Wallis

Era uma hora de crise. Uma situação havia surgido na qual o destino do povo de Deus, os judeus, parecia estar na balança. Assuero, o monarca despótico da Pérsia, consentira em assinar um decreto, a pedido de Hamã, o adversário do povo de Deus. O decreto determinava que, num determinado dia, todos os judeus em todo o vasto domínio do rei fossem mortos. Parecia que juízo certo estava prestes a cair sobre o povo de Deus e que a lâmpada de Israel seria apagada para sempre.

Entretanto, na maravilhosa providência de Deus, uma órfã judia fora introduzida num relacionamento singular com o rei. Assuero havia escolhido Ester como sua noiva, colocando a coroa real sobre sua cabeça e fazendo-a rainha (Et 2.17). Deus havia ordenado que ela chegasse ao trono exatamente para este momento, a fim de que, no meio de fraqueza desesperadora, o povo dele pudesse ser fortalecido. Ele havia determinado que, por intermédio de Ester, a ira dos homens cooperasse para o louvor de Deus. Numa hora de iminente juízo e calamidade, ele trouxe alívio e livramento para a cativa filha de Sião.

Nesta Hora de Crise!

Estamos numa hora de crise semelhante hoje! Satanás, o Hamã do povo de Deus, sabe que tem pouco tempo. Atacando de dentro e de fora, ele está montando uma grande investida final para superar e dominar a Igreja. Movimentos contrários a Cristo estão avançando com rapidez assustadora. Deve ser muito evidente a todos os que observam e pensam que a situação atual está desesperadora. O tempo está acabando. Eventos mundiais estão acontecendo rapidamente. As nações estão tomando posições para a última grande conflagração. Somente o avivamento, o último grande mover do Espírito Santo, poderá vir ao encontro da necessidade.

Esta é, de fato, a hora da crise e “quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?” (Et 4.14).

Um Chamado Para Interceder

“…a fim de que fosse ter com o rei, e lhe pedisse misericórdia, e, na sua presença, lhe suplicasse pelo povo dela” (Et 4.8).

Foram essas as palavras de Mordecai, o guardião de Ester, ao mensageiro que ela lhe enviara. Ele deu a Ester o encargo de usar o relacionamento singular que ela tinha com o rei para interceder em favor do livramento do seu povo. Sua missão seria entrar na presença do rei para suplicar à única pessoa que tinha poder para alterar a situação.

Uma brecha fora aberta nas defesas do povo de Deus, e o inimigo estava pronto para invadir em peso e matar. Porém, havia uma pessoa que tinha acesso ao ouvido do rei, que tinha o poder de entrar nessa brecha e inverter a maré de calamidade que estava prestes a inundar tanto a rainha quanto o seu povo.

Como Ester, muitos no meio do povo de Deus hoje estão inconscientes das brechas nas nossas defesas que estão nos deixando completamente vulneráveis aos ataques do inimigo. Consideram os Mordecais de hoje, que têm apontado graves perigos diante de nós, como pessimistas que não precisam ser ouvidos. Assim como Ester, gostariam de mandar tirar deles o pano de saco de suas perspectivas sombrias e oferecer-lhes as roupagens coloridas de suas próprias imaginações ilusórias (Et 4.4). Porém, a Igreja precisa ser despertada para perceber os perigos desta hora e o potencial do avivamento!

Durante os anos, Deus sempre procurou intercessores nas horas de crise. Muitas vezes, ele os procurou em vão. Será que terá de dizer hoje o mesmo que disse há muito tempo por meio de Ezequiel?

“Não subistes às brechas, nem fizestes muros para a casa de Israel, para que ela permaneça firme na peleja no dia do Senhor” (Ez 13.5).

A Palavra de Deus, a necessidade da Igreja, a condição drástica do mundo, a possibilidade de avivamento, a brevidade do tempo reforçam cada vez mais a insistência para que nós também entremos na presença do rei. Que hoje não seja necessário Deus dizer do seu povo: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ez 22.30).

Hoje, Deus está procurando um homem, uma mulher. Você se dispõe a ser essa pessoa? “Quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?”

O Desafio ao Sacrifício

“Todos os servos do rei e o povo das províncias do rei sabem que, para qualquer homem ou mulher que, sem ser chamado, entrar no pátio interior para avistar-se com o rei, não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para que viva” (Et 4.11).

Mordecai estava, na verdade, insistindo com a rainha para que ela arriscasse a própria vida ao entrar na presença do rei, sem ser convidada. Estava pedindo que ela deixasse de lado qualquer pensamento de autopreservação e se dispusesse a sacrificar-se em favor do seu povo. Uma situação desesperadora exigia medidas desesperadas.

E não é desesperadora a situação hoje? Onde estão aqueles que se disponham a se sacrificar para poderem “colocar-se na brecha… permanecer firmes na peleja no dia do Senhor”?  Onde estão aqueles que arriscarão a própria vida para poderem fazer recuar o assalto contra as portas (veja Is 28.6).

Deus está procurando um intercessor que viva a vida crucificada, entregando sua vida diariamente em favor da causa de Cristo. Foi assim que uma mulher viveu numa região da Inglaterra, onde morreu na batalha há alguns anos. Embora tivesse saúde muito precária, ela tinha uma visão muito clara da necessidade de avivamento e um enorme encargo de oração. Sua irmã afirmou que ela agonizava tanto em oração para que as janelas dos céus fossem abertas que sua saúde deteriorou cada vez mais.

Tal é o chamado de Ester para virar a maré e mudar a situação em favor de Deus. Paulo disse que não considerava a vida preciosa para si mesmo, contanto que conseguisse completar a carreira com alegria (At 20.24). A respeito de Epafrodito, Paulo testemunhou que “por causa da obra de Cristo, chegou ele às portas da morte”, arriscando sua vida (Fp 2.30). Quem seguirá o exemplo deles?

As Questões em Jogo

“Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu escaparás entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis” (Et 4.13,14).

Diante do sacrifício que fora chamada a fazer, Ester hesitou. Ela começou a calcular o preço.

A resposta de Mordecai, porém, expôs, com franqueza brutal, as questões que estavam em jogo. Ester poderia recusar o chamado para interceder, confiando que seu relacionamento com o rei salvaria sua pele, se o pior viesse a acontecer. Com uma palavra, Mordecai explodiu esse pensamento.

“Não imagines que… só tu escaparás.” Se ela se calasse nesse momento, a ruína não viria sobre o povo dela, mas sobre a própria vida dela. Deus certamente livraria o seu povo. Ele não tinha Ester como única opção. Ninguém é opção única para Deus. Se ela falhasse nessa hora de necessidade desesperada e grande oportunidade, se ela se esquivasse das questões, alívio e libertação surgiriam para os judeus de outro setor. No entanto, Ester e sua casa pereceriam.

Muitos estão convencidos de que Deus ainda reavivará seu povo. Há bases bíblicas para essa convicção. O Senhor está chamando intercessores agora. Se nós falharmos, Deus levantará alívio e libertação de algum outro lugar. “Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?” (Is 14.27).

Não podemos ter uma verdadeira expectativa de avivamento ao mesmo tempo em que recusamos o chamado para interceder. Nossa apatia nega nossa convicção. A prova sólida e prática da fé nesse caso é uma disposição de perder nossas vidas no ministério da intercessão, a fim de as reencontrarmos no avivamento. É extremamente trágico ficar de longe em orgulho ou recuar em temor ou incredulidade, quando o Espírito de Deus está agindo. O Senhor certamente o cobrará de nós. Vamos, então, nos calar ou vamos entrar na presença do Rei?

A Decisão Solene

“Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci” (Et 4.16).

Movida pela necessidade desesperadora, comovida mas não intimidada pelo perigo envolvido, convencida de que chegara ao reino justamente por causa desta hora, a jovem rainha tomou uma decisão solene de oferecer-se sobre o altar de sacrifício, de colocar-se na brecha na hora de crise e de entrar na presença do rei. Se viesse a morrer, então morreria.

Ela enfrentou o desafio, calculou o preço e chegou a uma determinação firme de buscar o livramento do povo dela por meio de intercessão, mesmo que tivesse de morrer na tentativa.

Assim, ela foi à sala do rei. Ele estendeu-lhe o cetro, aceitando assim a sua pessoa. Perguntou-lhe: “Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição?” (Et 5.3). Ela prevaleceu com o rei em favor de seu povo. Reverteu a situação e, assim, transformou o dia de angústia num dia de livramento, e o dia de juízo num dia de avivamento.

Quando as brechas estavam abertas, e a ira de Deus pronta para varrer-nos para dentro do inferno, o Filho de Deus entrou na brecha e interpôs seu corpo precioso para salvar seu povo dos pecados. Ele é em si mesmo a garantia da disposição de Deus para enviar o avivamento de que tanto necessitamos. “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Rm 8.32). Entre essas coisas que ele nos dá graciosamente está o avivamento.

A apavorante necessidade desta hora só é igualada pela oportunidade singular de uma demonstração do poder e da glória de Deus. Muitos intercessores fiéis do passado desejaram ver as coisas que nós estamos perto de testemunhar, e não as viram. Em sua graça inconcebível, Deus nos trouxe ao reino para um tempo como este. O Salvador nos chama para seguir os seus passos no caminho da intercessão.

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.20,21).

Extraído do livro In the Day of Thy Power (No dia do teu poder), de Arthur Wallis. Foi escrito originalmente em 1956.  

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