Você é responsável

Data de publicação: 20/02/2018
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Edição 79 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 79

A inconsequência está entranhada em nossa cultura contemporânea. Mas o fato é que cada palavra ou silêncio afeta o ambiente da nossa casa

Por Clesio Pena

Quem se propõe a atentar para o caminhar de sua família rapidamente nota que, mesmo com muita luta e disposição para trilhar o caminho correto, certas coisas simplesmente não “desatam”. Normalmente, esse desgaste emocional é resultado de uma longa série de vilões. É o caso da sensação de irresponsabilidade entranhada em nossa cultura contemporânea, a ideia de que o custo de nossas escolhas não nos afeta. Eu escolho, eu decido, eu desfruto, mas as consequências, a fatura, eu simplesmente encaminho para outro endereço. A isso damos o nome de “inconsequência”. E esse é um grande problema dentro de nossas casas hoje.

Sei que a responsabilidade espiritual pela condução do lar é do pai. Porém, todos nós participamos dela. Não posso estar num rio perfurando minha canoa só porque outro é o timoneiro responsável por ela.

A irresponsabilidade tem a ver com a forma como os pais criam os filhos e encaram as responsabilidades, mas não se trata de uma questão restrita apenas aos pais. Quantos filhos realmente se esforçam para cultivar um ambiente harmônico em casa? O que você, jovem, tem feito para colaborar com as tentativas de seus pais? Ou será que você é apenas um consumidor em sua própria família?

Há diversas maneiras de fazer com que os filhos se tornem úteis. A mais óbvia é a responsabilidade nos afazeres domésticos, como pôr o lixo para fora, lavar os próprios tênis, preparar o suco, recolher suas roupas etc. Mas há um compromisso muito maior com todo o “andar da carruagem” pelo qual os filhos também são responsáveis. Passa pelos afazeres, mas também pelas conversas, pelas atitudes, pela qualidade de vida de todos os membros da família. Somos responsáveis pelas palavras que usamos, pelo silêncio no qual nos protegemos e, até mesmo, por nos isolar dentro de casa.

Muitos jovens passam pela ponte e depois a queimam como se não fossem precisar voltar por ela. Quero que você, jovem, perceba suas atitudes, seus modos, seutom de voz, suas respostas. Mesmo que haja uma conversa depois, um pedido de perdão, suas atitudes podem interromper a qualidade de vida e, principalmente, da vida espiritual dentro do lar. E o que pode levar a isso? Algumas possibilidades:

  • organizara vida da família centralizada nos filhos;
  • poupar os filhos de se envolverem nas tarefas da casa; isso costuma gerar jovens convictos de que moram numa pousada, onde sempre serão servidos assim que pedirem;
  • ausência do pai: muitas vezes, o pai, no afã de dar o melhor para a família, esquece que ela precisa mais de sua presença do que das coisas que seu trabalho pode comprar;
  • terceirização: decorre da possibilidade anterior; pais ausentes acreditam que é de professores, babás, vizinhos, amigos, avós ou da televisão o dever de cuidar de suas crianças;
  • consumismo: há filhos que “exigem” tênis cada vez mais sofisticados sem se importar com as necessidades dos outros membros da família. Em casos assim, a forma como a família lida com o dinheiro, seus gastos, sua avareza, sua idolatria pelo consumo precisa ser analisada totalmente à luz da Bíblia.

A lista poderia ser muito maior, mas não precisamos prolongá-la. Mais importante do que isso é uma boa conversa e um pedido de perdão. Ao longo de todos esses anos trabalhando com pais, tenho aprendido uma lição muito rica a respeito de liderança: se você vive próximo de um líder, sua tarefa é facilitar a vida dele. Libere-o para liderar, realizando tudoaquilo que está ao seu alcance.

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