Vida Interior: A Expectativa De Uma Vida

Data de publicação: 01/12/2011
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Edição 08 e Revista Impacto - 1998 a 2014.

Por: Mateus Ferraz

Nossa expectativa perdeu-se no tempo juntamente com nossa revelação. É tempo de resgatá-la!

“Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos, luz para alumiar as nações e para glória de teu povo Israel” (Lc 2:29,30).

O que leva um homem a desconsiderar toda uma existência em função de um único momento? O que leva uma pessoa com uma vasta experiência de vida a pedir a Deus o fim de seus dias devido a uma sensação de plenitude? Esse homem, sem dúvida, sabe definir o seu propósito. E esse propósito é tão bem delineado, que o faz sentir-se completo uma vez que o tenha alcançado.

Simeão, foi um homem que soube determinar o objetivo de sua vida. Ele viveu toda a sua jornada com uma única expectativa: “…não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor” (v. 26). Essa expectativa, gerada por um coração inteiramente entregue ao Senhor, era a esperança de sua vida. Embora passasse pelas mesmas angústias e tribulações de vida de um ser humano comum e também por esporádicos momentos de realização pessoal comuns à maioria das pessoas, ele sabia que toda e qualquer experiência de vida seria vã se ele não presenciasse a encarnação da consolação de Israel. E essa expectativa culminou na realização da promessa, quando ele teve em seus braços o menino Jesus para dedicá-lo no templo.

Todos nós temos expectativas. Na maioria dos casos, tais expectativas se resumem em esperanças ocas de um padrão de vida melhor. Sonha-se com a casa própria, com um melhor emprego, com uma vida social bem sucedida, enfim, sonha-se com alvos terrenos. Temos nossos padrões de realização pessoal arraigados a um mundo extremamente material. Nossas emoções têm motivações superficiais. Rimos e choramos por coisas vãs, na maioria das vezes, por causa dos nossos próprios deleites. Nossos motivos de oração se concentram em nosso bem estar, e não são, nem de longe, parecidos com aquelas preocupações existentes no coração de Deus. Enfim, nossas expectativas fogem ao padrão celestial.

Falta-nos a expectativa de Simeão. Falta-nos a ansiedade de Simeão ao esperar o momento de ver Jesus. Falta-nos o grito “Maranata”, que clama ao Senhor que abrevie nossos dias nesse mundo corrupto e venha logo estabelecer o seu Reino entre nós. Como cristãos, cidadãos do céu, precisamos definir em nossas vidas o que é realmente o mais importante para nós. Qual é o momento que mais anelamos?

Simeão vivia em um momento histórico conturbado para o povo de Israel. A sujeição imposta pelo Império Romano tirava a paz de muitos judeus. Simeão no entanto, não se entregava ao difícil momento de pressão política e social que seu povo sofria; pelo contrário, no meio de tanta pressão ele projetava todas as suas expectativas no momento em que Cristo iria se revelar.

Hoje, embora não exista mais a hegemonia de um Império sufocando nossas nações, as pressões pessoais continuam extremamente fortes. E para onde aponta nossa expectativa?

Talvez nossa expectativa seja limitada em função da revelação limitada que temos de Cristo. Simeão ao tomar o menino Jesus em seu colo para o dedicar, não enxergou o pequeno bebê que estava em seus braços, mas viu o grande libertador de Israel.

Nossa expectativa perdeu-se no tempo juntamente com a nossa revelação. Muitos cristãos tem olhado para o Cristo do Senhor, mas têm enxergado apenas um bebê envolto em panos e fraldas. É por isso que muitos vivem um cristianismo vazio e sem autenticidade. Porque o que prevalece em seus corações é a imagem do pequeno bebê na manjedoura e não a do túmulo vazio.

É tempo de clamarmos ao Senhor por uma visão mais profética. É tempo de pedirmos a Deus uma revelação mais profunda que nos renove a expectativa. Precisamos enxergar a urgência do momento, que não nos permite mais viver com nossos corações entregues aos tesouros banhados a ouro que o presente século mostra em suas vitrines. Precisamos projetar nossa expectativa no Cristo revelado. Naquele que veio e há de vir. Precisamos priorizar nossos momentos com ele para que conhecendo-o, enxerguemos nele a nossa esperança.

Mude o rumo das suas expectativas! Clame ao Senhor pela ansiedade de Simeão, para que esta expectativa gere em nós um coração que encontra sua plenitude somente na presença de Deus.