Vida Além da Morte – Testemunhos

Data de publicação: 16/11/2011
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Edição 22 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 22

1. Volta do Amanhã

Será possível ter um vislumbre da outra vida? Dr. George C. Ritchie Jr. — um médico de Richmond, Virginia — responde a esta pergunta com um relato minucioso da sua extraordinária “volta do amanhã”.

Quando fui enviado ao hospital da base em Camp Berkeley, Texas, não tinha noção de que estava muito doente. Eu tinha recém-completado o treinamento básico, e meu único pensamento era pegar o trem para Richmond, Virginia, para ingressar na Escola de Medicina, como parte do programa de treinamento do Exército para médicos. Era uma oportunidade sem precedente para um soldado raso, e eu não ia permitir que um resfriado qualquer me impedisse de aproveitá-la.

Mas os dias passavam e eu não melhorava. Só em 19 de dezembro fui removido para uma ala de recuperação, e lá um jipe deveria me apanhar às 4 horas da madrugada seguinte para me levar até à estação de trem.

“Mais algumas horas estarei lá!” Perto das nove da noite, comecei a apresentar uma febre. Pedi ao rapaz da enfermaria que me desse uma aspirina.

Mesmo com a aspirina, minha cabeça latejava, e eu tossia no travesseiro para abafar o barulho. Às três horas da manhã decidi levantar e me vestir.

A meia hora seguinte é como um borrão para mim. Lembro-me que eu estava tão fraco que não conseguia terminar de me vestir. Também me lembro de uma enfermeira entrando no quarto, depois um médico, e uma corrida de ambulância com sirene soando até o prédio do Raios-X. Será que eu podia ficar de pé, perguntou o capitão, o suficiente para tirar uma chapa? Eu me esforcei para ficar de pé. O ruído da máquina de Raios-X é a última coisa de que me lembro.

Quando abri os olhos, estava deitado num quartinho que nunca tinha visto antes. Uma luzinha bem fraca brilhava num abajur perto de mim. Por algum tempo fiquei ali, tentando lembrar onde estava. De repente sentei-me na cama. O trem! Eu ia perder o trem!

Agora sei que o que vou descrever vai parecer inacreditável. Eu também não entendo, tanto quanto você. A única coisa que tenho a fazer é relatar os acontecimentos daquela noite exatamente como ocorreram. Pulei da cama e procurei o meu uniforme. Então parei espantado. Alguém estava deitado naquela cama de onde me levantara.

Cheguei mais perto, para ver melhor, porque a luz era fraca, e recuei. Ele estava morto. A pele acinzentada e o queixo caído eram horríveis. Então vi o anel. Na mão esquerda estava o mesmo anel da fraternidade Phi Gamma Delta que eu usava há dois anos.

Corri para o corredor para fugir do mistério daquele quartinho. Richmond é que era a prioridade — tinha de chegar a Richmond. Segui pelo corredor em direção à porta de saída.

“Cuidado!”, gritei para um ordenança que estava vindo na minha direção. Ele pareceu não ouvir, e logo em seguida passou exatamente onde eu estava como se eu ali não estivesse.

Era muito esquisito aquilo. Cheguei até à porta e saí para o escuro lá fora, correndo em direção a Richmond. Correndo? Voando? Eu só sei que a terra escura estava passando por mim, enquanto outros pensamentos ocupavam minha mente, pensamentos terríveis e inenarráveis. O ordenança não tinha me visto. E se o pessoal lá na Escola de Medicina também não pudesse me ver?

Numa tremenda confusão, parei num poste telefônico numa cidade ao lado de um grande rio e apoiei a minha mão no cabo de sustentação do poste. O cabo parecia estar lá, mas a minha mão não estabelecia contato com ele. Uma coisa estava clara: de alguma maneira desconhecida eu tinha perdido a firmeza do corpo — a mão que não podia pegar o cabo, o corpo que os outros não viam…

Eu estava começando a entender que aquele corpo naquela cama era o meu, inexplicavelmente separado de mim, e que o mais urgente agora era voltar e me juntar a ele.

Encontrar a base e o hospital não era problema. Na verdade pareceu-me estar lá de volta logo após ter pensado nisto. Mas onde era aquele quartinho de onde eu saíra? Assim começou o que deve ter sido uma das mais estranhas atividades — a busca de mim mesmo. Passando pelas enfermarias, uma após outra, cheias de soldados dormindo, todos quase da minha idade, eu pensei como nós não estamos acostumados com o nosso próprio rosto. Muitas vezes eu parei perto de uma pessoa dormindo, que era como eu me imaginava, mas olhava para a mão esquerda e não via o anel Phi Gamma Delta, então eu continuava.

Finalmente entrei num quartinho com uma luz muito fraca. Um lençol estava estendido por sobre a pessoa que ali estava, mas os braços estavam ao longo do cobertor. Na mão esquerda estava o anel.

Tentei afastar o lençol, mas não podia pegá-lo. E agora que eu me encontrei, como é possível juntar duas pessoas que estão tão completamente separadas? E lá, diante deste problema, pensei rapidamente:

“Isto é a morte. Isto é aquilo que os seres humanos chamam de ‘morte’, esta divisão de uma pessoa.” Pela primeira vez liguei a idéia de morte com aquilo que me acontecera.

Naquele momento de desespero o quartinho começou a se encher de luz. Eu digo “luz”, mas não há palavras em nossa língua para descrever um brilho daquela intensidade. Entretanto, preciso encontrar palavras, porque, por mais incompreensível para a minha mente que fosse aquela experiência, ela afetou cada momento da minha vida a partir de então.

A luz que entrou naquele quarto era Cristo: eu sei disto porque um pensamento foi colocado profundamente dentro de mim: “Você está na presença do Filho de Deus”.

Chamei-o de “luz”, mas poderia também ter dito “amor”, porque aquele quarto ficou inundado, penetrado, iluminado pela maior e mais completa compaixão que eu jamais sentira. Era uma Presença tão confortante, tão alegre, tão completa, que eu desejei me entregar para sempre àquela maravilha.

Mas havia mais alguma coisa naquele quarto. Juntamente com a presença de Cristo (simultaneamente, embora eu tenha de descrever uma coisa de cada vez ), também entrou cada evento de toda a minha vida. Lá estavam eles: cada pensamento, cada fato, cada conversa, tão palpáveis como se fossem uma série de quadros. Não havia nem primeiro nem último — cada um deles era contemporâneo, cada um respondia a uma única pergunta: “O que é que você fez com o seu tempo na terra?”.

Olhei preocupado para as cenas diante de mim: a escola, o lar, o grupo de escoteiros, os amigos de passeios pelo mato — uma típica infância bem vivida, contudo à luz daquela Presença parecia uma existência trivial e irrelevante.

Procurei nas minhas lembranças algumas boas ações.
“Você falou para alguém a meu respeito?”, veio a pergunta.
“Não tive muito tempo para isso”, respondi. “Eu estava planejando, mas então aconteceu isto. Eu sou muito jovem para morrer!”
“Ninguém é muito jovem para morrer” .

Uma nova onda de luz se espalhou por aquele quarto que já estava brilhantemente iluminado de maneira incrível, e de repente estávamos em outro mundo. Ou melhor, o que eu percebi de repente é que tudo ao nosso redor era um mundo diferente, mas ocupando o mesmo espaço. Eu estava seguindo a Cristo por ruas e paisagens comuns, e por toda parte eu via esta outra existência estranhamente superposta ao nosso mundo familiar.

Estava repleto de pessoas — pessoas com os rostos mais tristes que eu já vi. Cada tristeza parecia diferente. Vi executivos andando nos corredores dos locais onde eles tinham trabalhado, numa tentativa inútil de conseguir que alguém os ouvisse. Vi uma mãe andando atrás de um homem de 60 anos — seu filho — dando-lhe conselhos e instruções. Ele parecia não estar ouvindo nada. De repente me lembrei de mim mesmo naquela noite, totalmente preocupado em chegar a Richmond. Será que era o mesmo com estas pessoas? Tinham todos os seus corações e suas mentes concentradas nas coisas terrenas, e agora, tendo perdido a terra, estavam ainda fixados desesperadamente no que não tinham mais. Será que isto é o inferno: estar mais preocupado quando se é totalmente inútil!? Isto é o inferno sim!

Foi-me permitido olhar para outros dois mundos naquela noite — não posso dizer “mundos espirituais” porque eles eram muito reais, muito sólidos. Ambos foram apresentados da mesma maneira; uma nova qualidade de luz, uma nova abertura da visão, e de repente era claro que eles estavam lá o tempo todo. O segundo mundo, como o primeiro, ocupava a superfície real da terra, mas era um reino completamente diferente. Aqui não havia envolvimento com coisas terrenas, mas — na falta de uma palavra melhor para resumi-lo — com a verdade.

Vi escultores e filósofos aqui. Compositores e inventores. Havia universidades e grandes bibliotecas e laboratórios de ciência que ultrapassam até as mais ousadas criações da ficção científica.

Agora parecíamos não estar mais na terra, mas muito, muito longe, fora de qualquer contato com o nosso planeta. A uma grande distância, vi uma cidade toda construída de luz — se isto pode ser compreensível. Eu ainda não tinha lido o livro do Apocalipse, nem, incidentalmente, qualquer coisa que se relacionasse com o assunto da vida após a morte. Mas aqui estava uma cidade cujos muros e casas e ruas pareciam irradiar luz, enquanto os que se moviam entre elas eram seres tão deslumbrantemente brilhantes como Aquele que estava ao meu lado. Esta foi uma visão de um instante só, porque em seguida as paredes do quartinho se fecharam ao redor de mim, a luz deslumbrante se apagou, e um sono estranho tomou conta de mim…

Até hoje eu não posso entender por que fui escolhido para voltar à vida. Tudo o que sei é que, quando acordei na cama do hospital naquele quartinho, naquele mundo familiar onde eu passara toda a minha vida, não era como uma volta ao lar. O clamor do meu coração naquele momento tem sido o clamor de toda a minha vida desde então: “Cristo, mostra-te de novo a mim!”.

Passaram-se algumas semanas até que eu pudesse sair do hospital e, durante aquele tempo, um pensamento tornou-se uma obsessão para mim: ver o que estava registrado no meu prontuário médico. Finalmente eu consegui. Lá estava em garatujas típicas de médico: Soldado George Ritchie, morto, 20 de dezembro de 1943, pneumonia dupla lobular.

Mais tarde, falei com o médico que assinou o atestado. Ele me disse que não tinha dúvida nenhuma em sua mente que eu estava morto quando me examinou, mas que nove minutos depois, o soldado que tinha recebido ordens de me preparar para o necrotério chegou correndo para ele, pedindo-lhe para me dar uma injeção de adrenalina. O médico me aplicou uma injeção de adrenalina diretamente no músculo do coração, mesmo não acreditando no que os seus olhos viam. Meu retorno à vida, contou-me ele, sem nenhum dano cerebral ou qualquer seqüela, foi a circunstância mais desconcertante da sua carreira.

Hoje, passados mais de 20 anos, sinto que sei por que tive a oportunidade de voltar a esta vida. Foi para me tornar um médico, para que eu aprendesse mais a respeito do homem e então servir a Deus. Toda vez que tenho oportunidade de servir a Deus ajudando um adulto de coração partido, tratando de uma criança doente ou aconselhando um adolescente, bem lá no fundo tenho a sensação de que ele está lá a meu lado novamente.

— Dr. George C. Ritchie Jr., médico.

Acerca do Dr. Ritchie:

Ao fazer a pesquisa para a série “Vida após a Morte” do Guideposts, encontramos muitas histórias interessantes semelhantes à do Dr. Ritchie. Entretanto, a história dele foi escolhida porque há evidências documentais disponíveis que sustentam as circunstâncias que a cercam. A revista Guideposts tem em seu poder declarações tanto do médico como da enfermeira que trataram do caso, que atestam o fato de que o Dr. Ritchie foi declarado morto no dia 20 de dezembro de 1943.
Provavelmente tão notável quanto sua história foi a transformação ocorrida na vida do Dr. Ritchie — uma transformação que o mudou de um cristão indiferente para um homem cuja vida passou a ser centrada em Cristo. Durante 18 anos ele tem sido muito ativo no trabalho com os jovens em Richmond, Virginia, e em 1957 fundou o Christian Youth Corps of America (Exército de Jovens Cristãos da América), com o objetivo de ajudar a desenvolver um caráter cristão em nossos jovens. A visão do Dr. Ritchie é “um mundo dirigido por homens dirigidos por Deus”.
— Reproduzido da revista Guideposts, Copyright 1943, Guideposts Ass. Inc., Carmel, Nova York.

2. Jessie

Quando estava morrendo, a mãe da pequena Jessie, disse a sua filhinha estas palavras, as suas últimas: “Jessie, procure Jesus!”.
Depois do enterro, Jessie, no seu jeito infantil e simples, começou a atender ao pedido de sua mãe. A um jovem que estava saindo de um bar e que quase tropeçou nela, ela pediu: “Por favor, diga-me onde está Jesus”.

“Eu não sei, menina”, respondeu ele.

Em outra ocasião, nas suas andanças, ela encontrou uma judia a quem ela perguntou: “Você conhece Jesus Cristo?”. A mulher reagiu ameaçadoramente à pergunta, e lhe gritou: “Jesus Cristo está morto!”.

Até que um dia, quando um menino mau lhe tomou o cesto que ela trazia e espalhou pela rua o conteúdo, e ela tentou recuperar suas coisas, os cavalos que puxavam um veículo que passava naquele momento a atropelaram. Os médicos disseram que ela não chegaria ao dia seguinte, mas durante a noite ela abriu os olhos, de repente, e seu rosto se iluminou com um sorriso alegre. Um pouquinho antes de seus lábios silenciarem na morte, ela disse: “Ó, Jesus, finalmente te encontrei!”.

— Dying Words de A. H. Gottschall.

3. Morrer Sem Deus

Numa grande usina siderúrgica em Sheffield, Inglaterra, um jovem operário caiu acidentalmente sobre uma chapa de ferro incandescente. Quando ele foi retirado pelos seus colegas, praticamente um lado inteiro do seu corpo estava queimado até aos ossos.

Alguns dos homens gritaram: “Tragam um médico!”. Mas o jovem acidentado gritou: “Esqueçam o médico! Há alguém aqui que me explique como posso me salvar? Tenho negligenciado a minha alma e estou morrendo sem Deus. Quem pode me ajudar?”.

Havia trezentos homens ao seu redor, mas nenhum podia lhe apontar o caminho da salvação. Depois de uns vinte minutos de uma agonia indescritível ele morreu como vivera — sem Deus.

Um dos homens que viu este acidente e ouviu os reclamos do jovem moribundo era um cristão que tinha abandonado a fé e voltara para uma vida de pecados. Quando eu lhe perguntei a respeito do que aconteceu, ele disse: “Desde então ouço os gritos dele e gostaria tanto de ter-me abaixado para apontá-lo para Jesus — mas a minha vida fechou os meus lábios”.

Será que a nossa vida diz ao mundo que somos cristãos? Ou será que ela fecha os nossos lábios quando os outros mais necessitam de nós?

— Adaptado de um artigo de William Baugh.

4. Ida e Volta Para o Céu

Conhecemos uma senhora idosa que contou uma história que muito me impressionou. O que ela me contou aconteceu quando ela ainda era jovem. Ela adoeceu gravemente com problemas na glândula tireóide e ficou hospitalizada durante nove meses.

Seu jovem marido cuidava dela com carinho, desejando que ficasse boa logo para poder cuidar da criancinha deles, de dois anos.
Um dia, entretanto, ela sentiu que seu espírito estava deixando o seu corpo. Olhando para o quarto do hospital, ela viu seu marido chorando copiosamente, e o médico meneando a cabeça, enquanto olhavam para o seu corpo inerte na cama.

Quando chegou ao Céu, ela encontrou um anjo que, suponho eu, deveria guiá-la. Logo ela viu um jovem conhecido e lhe disse: “Ué, Tom, eu não sabia que você tinha vindo aqui para cima”.
Ele respondeu: “Eu também não sabia que você estava aqui”.
Ela disse: “Cheguei agorinha mesmo”.
“Eu também”, replicou ele.
De repente o anjo disse a ela: “Mas você vai voltar para a terra por um tempo”.

Por um instante ela se decepcionou, porque disse depois que o Céu era o lugar mais lindo, mais maravilhoso, mais cheio de paz — muito mais que qualquer coisa que já sonhara. Mas, por outro lado, pensou em seu marido e na criança, e disse: “Tudo bem, acho que eu devo voltar para eles”.
Em seguida ela estava de volta à cama do hospital. O médico abriu um dos olhos dela e exclamou para o marido: “Esta jovem vai viver!”. Estava tão entusiasmado que beijou o rosto dela.

Um pouco mais tarde o marido foi atender a uma ligação interurbana. Era o pai de Tom, que lhe disse: “Tenho más notícias. Meu filho Tom acaba de morrer num acidente de automóvel”.

— Sra. F. W. Strine, Dallas, Texas, 1967.

5. Carrie Carmen Viu a Cidade Santa

A jovem Carrie Carmen estava à porta da morte, perfeitamente consciente. De repente olhou para cima e exclamou: “Lindo! Lindo! Lindo!”.
Alguém lhe perguntou: “O que é tão lindo?”.
“Oh, eles são tão lindos!”
“O que você está vendo?”
“Anjos — e eles são tão lindos!”
“Como é que eles se parecem?”
“Oh, não consigo descrever. São tão lindos!”
“Eles têm asas?”
“Sim — ouça! Eles estão cantando a melodia mais doce que jamais ouvi.”
“Você está vendo a Cristo?”
“Não, mas vejo a Cidade Santa que foi medida com a vara de ouro, cujos comprimento, largura e altura são iguais, e cujo topo chega ao céu. É tão bonita; nem consigo contar a vocês quão esplêndida ela é.”

Então ela repetiu o verso que começa assim: “Pelo vale da sombra eu preciso ir”. Ela também falou da solidão do seu marido, orando para que ele tivesse graça para suportar a perda, e que lhe fosse concedido força para continuar e trabalhar pela salvação de almas. (Eles pensavam em logo entrar para o ministério). Ela também orou por seus pais, pedindo a Deus que eles viessem a formar um grupo unido na bela cidade.

Fechou os olhos e descansou um pouco. Então olhou para cima com olhar radiante e disse: “Eu vejo a Cristo e, oh, Ele é tão lindo!”.
Seu marido lhe perguntou de novo: “Como Ele se parece?”.
“Não tenho como descrever; mas Ele é muito mais bonito do que todos os demais.” De novo ela disse: “Vejo a Cidade Santa”. Então, depois de um olhar mais lento e perscrutante, ela disse: “Tantas!”.
“O que você está vendo, que há tantas?”
“Pessoas.”
“Quantas estão lá?”
“Muitas, muito mais que eu possa contar.”
“Alguém que você conheça?”
“Sim, muitos.”
“Quem?”
“Tio George e muitos mais. Eles estão me chamando, eles estão acenando para mim.”
“Há algum rio lá?”
“Não, não vejo nenhum.”
Então o seu marido lhe disse: “Carrie, você quer ir e me deixar?”.
“Não, não até que seja a vontade do Senhor que eu vá. Eu gostaria de ficar e viver para você e para a obra de Deus. Seja feita a Sua vontade.”
Em seguida ela levantou os olhos e disse: “Oh, tirem-me desta cama”. Seu marido disse: “Ela quer sair da cama”. Mas o pai disse: “Ela está falando com os anjos”. Questionada se estava falando com os anjos, ela respondeu: “Sim”.

Agradeceu ao médico sua bondade e convidou-o a encontrá-la no céu. Fechou os olhos e pareceu esvair-se rapidamente.
Seu marido beijou-a com ternura e lhe disse: “Carrie, você pode me beijar?”.

Ela abriu novamente os olhos e o beijou, dizendo: “Sim, eu já estava no caminho para lá”, mas posso voltar para beijá-lo.
Falou um pouquinho mais. Orou por ela mesma e pelos amigos. Com freqüência ela olhava para cima e sorria como se estivesse vendo algo muito lindo.

— De um artigo escrito pelo seu pastor em “Christ Crowned Within”.

6. “Eu Estou Nas Chamas, Tirem-me Daqui”

O Sr. W., o protagonista deste relato, morreu em Nova York por volta do ano de 1883, com a idade de setenta e quatro anos. Ele era um descrente confesso. Em alguns aspectos, era um bom vizinho, mas era pecador e zombava do Cristianismo. Cerca de sete anos antes da sua morte ele assistiu a uma reunião de avivamento, e o Espírito Santo lutou com ele, mas ele resistiu até o fim.

Num domingo depois disto, o pregador leigo da igreja do bairro que contou este fato, passou pela casa do Sr. W. enquanto se dirigia à igreja e viu-o de pé perto do portão. “Venha para a igreja comigo, Sr. W.”, convidou ele.

O descrente, estendendo a mão, respondeu: “Se o senhor mostrar-me um pêlo na palma da minha mão, eu lhe mostro um cristão”.

Quando o Sr. W. foi acometido da sua última doença, foi este mesmo pregador quem o visitou muitas vezes, sentou-se ao seu lado noite após noite e até estava junto com ele quando morreu. O descrente estava consciente que seu fim se aproximava e agora, embora já fosse tarde, também estava cônscio dos terrores da sua condição de perdido.

Numa ocasião ele disse: “Advirta o mundo para que não viva como vivi, para que escape da mesma desgraça que está sobre mim”.

Em outra ocasião, quando recebeu a visita de um médico, ele estava gemendo e dando demonstrações de grande agonia. O médico então falou: “Por que é que o senhor está gemendo, se sua doença não é dolorosa?”.

“Oh, doutor”, disse ele, “não é o corpo que me dói, é a alma!”

Acompanhado de um amigo, o pregador, carregado com o peso da vida daquele homem, foi visitá-lo na noite em que ele morreu. Quando entrou no quarto, sentiu que o ambiente estava cheio de uma presença horrível — como se estivesse perto da região dos perdidos. O moribundo gritou: “Ó Deus! Livra-me daquele abismo horroroso!”. Não se tratava de uma oração penitencial, e sim do grito de dor de uma alma perdida.

Cerca de quinze minutos antes da sua morte, que aconteceu exatamente à meia-noite, ele exclamou: “Eu estou nas chamas — tirem-me daqui, tirem-me daqui!”. Continuou repetindo estas palavras, apesar de se tornarem cada vez mais fracas à medida em que as forças lhe faltavam. Por fim o pregador encostou o seu ouvido junto aos lábios do homem para ouvir seus últimos sussurros, e as últimas palavras que ele pôde ouvir foram: “Tirem-me daqui! Tirem-me daqui!”.

“Foi uma experiência terrível”, contou o pregador. “Causou-me uma impressão que nunca mais pude esquecer. Nunca mais quero presenciar uma cena semelhante.”

Anos mais tarde, conversando com aquele pregador, ele me contou que aquelas últimas palavras terríveis: “Estou nas chamas — tirem-me daqui, tirem-me daqui!” ainda soavam nos seus ouvidos.

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos… e irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna… Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mateus 25.41,46,30)

— Adaptado de um artigo pelo Rev. C. A. Balch, Cloverville, Nova York.

7. Uma Jovem Vê a Eternidade

Um dos pastores que me precedeu no meu último pastorado foi o Rev. A. D. Sandborn, que contou o seguinte incidente. Ele era o presidente de uma escola em Wilton, Iowa, e no seu ir e vir da escola costumava às vezes parar por alguns momentos para conversar com uma dedicada jovem cristã que estava muito doente.

Numa manhã ele encontrou a família reunida ao redor do leito da moça. Ela estava recostada numa posição quase sentada, e olhava intensamente para um lugar distante. Parecia estar vendo uma cidade gloriosa, porque dizia: “Agora, assim que eles abrirem o portão, eu entrarei. Eles logo estarão aqui”.

Enquanto olhava, seus olhos pareciam dançar. De repente ela inclinou a cabeça para a frente com uma expressão feliz e enlevada. “Lá! Lá! Eles estão vindo agora e eu irei!” Recostou-se novamente no travesseiro com um ar de desapontamento e exclamou: “Eles deixaram a pequena Mamie entrar na minha frente”. E completou: “Mas na próxima vez eles me deixarão entrar. Logo, logo eles vão abrir o portão de novo e aí eu vou entrar”.

Olhando insistentemente e esperançosa para o vazio, ela ficou quieta por alguns minutos. Então levantando o tronco, com a cabeça inclinada para a frente e forçando os seus olhos para enxergar, ela gritou: “Lá! Lá! Eles vão abrir o portão. Agora entrarei!”.

De novo, entretanto, ela se recostou no travesseiro de volta, muito desapontada. “Eles deixaram Vovô entrar antes de mim, mas na próxima vez eu entrarei com certeza. Eles vão voltar logo.”

Ela continuou a falar e a olhar para longe. Ninguém falou com ela, e ela também falava sem se dirigir a alguém em particular. Parecia não ver nada senão as vistas da bela cidade.

Dr. Sandborn não podia ficar por mais tempo e silenciosamente saiu da casa. Mais tarde, no mesmo dia, ele soube que logo que saíra a moça tinha morrido, exatamente como ele a vira, tão cheia de esperança e aguardando que o portão se abrisse para que ela entrasse naquela bela cidade.

As cenas daquela manhã causaram profunda impressão no Dr. Sandborn, e poucos dias após o funeral ele voltou àquela casa para perguntar aos parentes quem é que a moça chamara de “pequena Mamie”. Responderam que era uma menina que tinha morado perto da casa deles há algum tempo, mas que mais tarde tinha se mudado para uma cidade no estado de Nova York. Quando perguntou “quem era Vovô?”, responderam-lhe que era um velho amigo da moça que também tinha se mudado para algum lugar no Sudoeste. Deram-lhe o nome do lugar.

O conjunto de circunstâncias causou uma impressão tal no Dr. Sandborn que, em seguida, ele escreveu para cada um dos agentes do correio dos lugares referidos, solicitando informações sobre aquelas pessoas.

Um dia, na mesma entrega, ele recebeu cartas dos dois agentes respondendo às suas perguntas. Ambas as cartas eram escritas quase que da mesma maneira, e em cada uma delas estava escrito que a pessoa referida tinha vivido lá, mas que tinha morrido na manhã do dia 16 de setembro, mencionando a hora. Acontece que era a hora exata quando ele testemunhara aqueles acontecimentos junto ao leito de morte da moça.

— por Judson B. Palmer, Galveston, Texas.

8. Poupado Por Alguns Dias

Durante o verão de 1862, conheci o Sr. A., que professava ser descrente, e eu acho que era a pessoa mais próxima do ateísmo que já conheci. Tive várias conversas com ele, mas pareceu que não produziram qualquer impressão sobre sua mente, e sempre que eu acentuava um ponto de vista mais firmemente, ele ficava irritado.

No outono ele ficou enfermo e sua saúde começou a decair rapidamente. Eu e outras pessoas tentamos, com bondade e muita oração, fazer com que ele entendesse sua necessidade de um Salvador, mas só conseguimos receber recusas. No entanto, como percebi que o fim se aproximava, um dia insisti na importância de se estar preparado para encontrar-se com Deus. Ele ficou zangado e me disse que eu não precisava mais me importar com sua alma, pois não havia Deus, a Bíblia era uma fábula e a morte era o fim de todos nós. Ele não quis que eu orasse por ele, e eu saí dali muito triste.

Cerca de quatro semanas depois, na manhã de ano novo, acordei com a clara convicção que deveria ir vê-lo. Como eu não podia me livrar daquela convicção, lá pelas nove horas fui vê-lo. Ao me aproximar da casa, vi dois médicos saindo. Toquei a campainha, e quando sua cunhada abriu a porta, exclamou: “Ah, que bom que o senhor veio, John está morrendo! Os médicos dizem que ele não viverá mais que duas horas”.

Eu subi para seu quarto e o encontrei apoiado sobre travesseiros numa poltrona. Ele parecia estar cochilando. Sentei-me perto dele, e dois minutos depois quando abriu os olhos e me viu, ele se ergueu na poltrona com um sobressalto. Havia agonia em sua face e no tom de sua voz ao exclamar: “Oh, eu não estou preparado para morrer! Há um Deus; a Bíblia é verdadeira! Por favor, ore por mim! Peça a Deus que me dê mais uns dias até que eu tenha certeza da minha salvação!”.

Ele proferiu estas palavras com intensa emoção, enquanto todo o seu corpo estremecia por causa da profunda agonia da sua alma. Eu lhe falei que Jesus é um grande Salvador, capaz e desejoso de salvar todo aquele que vem a ele, até na hora final, como ele fez com o ladrão crucificado ao seu lado.

Quando eu me preparava para orar por ele, uma vez mais ele implorou que eu pedisse especificamente a Deus que o poupasse por mais uns dias, até que ele pudesse ter convicção da sua salvação. Durante a oração, eu tive a certeza da sua salvação e pedi a Deus que nos desse evidência da sua salvação, concedendo-lhe uns dias mais neste mundo. Outras pessoas se uniram em oração a Deus neste sentido.

Eu lhe falei novamente ao entardecer e ele parecia mais forte do que de manhã e sua mente estava buscando a verdade. No dia seguinte, ao entrar em seu quarto, notei que seu semblante mostrava que a paz e a alegria haviam tomado o lugar do temor e da ansiedade.

Deus concedeu-lhe cinco dias, dando evidência clara que ele havia passado da morte para a vida. Para os médicos, seu caso era um mistério — eles não entendiam como sua vida tinha se prolongado. Mas nós, que estivemos orando por ele, sabíamos que era uma resposta direta de Deus para nossas orações.

— Extraído de Wonders of Prayer. (Maravilhas da Oração)

9. Uma Caçada de Elefantes Que Abriu o Céu

Ouvi um testemunho notável do missionário Paul Landrus quando eu estava visitando a Libéria, na África Ocidental.

Paul, que eu conheci pessoalmente, estava caçando elefantes na selva com um jovem africano de dezoito anos. Ele atirou num elefante, mas sua mira estava desregulada e o animal só ficou ferido. O elefante atacou, e Paul tentou se esconder atrás de uma árvore, mas o animal rodeou a árvore com a sua tromba e começou a apertá-lo, dificultando-lhe a respiração. Então ele conseguiu apertar a ponta da tromba, e isto fez com que o animal aliviasse a pressão ao redor das suas costelas, mas a esta altura os gritos do animal tinham atraído uma manada inteira de elefantes.

Eles vieram pesadamente através da selva e, pela providência de Deus, um deles atingiu a traseira do elefante ferido, fazendo-o rodar e aliviando o aperto ao redor do missionário. Naquele instante o jovem africano chegou correndo para ajudar o irmão Landrus, mas um dos elefantes o pegou. Ele foi chifrado desde a sua virilha até quase a sua garganta. Enquanto o elefante fugia, com o corpo do rapaz espetado em seus chifres, o pobre jovem gritava: “Pai, eu morro! Pai, eu morro!”.

O irmão Landrus seguiu-os para descobrir aonde o elefante tinha levado o jovem, porque os elefantes costumam enterrar suas presas em covas rasas. De fato, aquele elefante tinha cavado um buraco raso e nele tinha enterrado o jovem, cobrindo-o com folhas e lama. Paul o encontrou e tirou o entulho que o cobria — e daquele momento em diante ele disse que nada jamais o afastaria da crença de que há um Céu. O jovem africano só recentemente salvo do paganismo, e não preparado para descrever o Céu, começou a descrever os anjos e falou de músicas que Landrus sabia que ele nunca ouvira em sua vida. Em poucos minutos o jovem se foi, mas naqueles últimos momentos ele vira claramente a glória dos Céus e até ouvira os seus sons gloriosos.

— Loren Cunningham, Jovens Com Uma Missão, Pasadena, Califórnia.

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Estes testemunhos são apenas uma amostra do que encontrará no livro “A Um Passo Da Eternidade”. Entre as pessoas famosas cujas últimas palavras foram registradas neste livro, estão John Knox, Martinho Lutero, Conde Zinzendorf, Thomas Paine, Savanarola, Miguelângelo, Machiavelli, Sra. Hudson Taylor, Voltaire, Wesley, João Hus, Tomás Edison, Calvino, e David Brainerd. Ao todo são mais de 200 depoimentos que despertarão seu espírito para a realidade da vida depois da morte, e mudarão sua atitude para a vida que está vivendo agora.
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Uma resposta para “Vida Além da Morte – Testemunhos”

  1. AMARILDO LIMA disse:

    Maravilhoso saber que o nosso Deus não muda. ELE E O MESMO PELOS SECULOS DOS SECULOS.

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