Leitura de Impacto: Venha Andar Sobre as Águas

Data de publicação: 07/08/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 48 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 48

Por Elenir Eller Cordeiro

Venha Andar Sobre as Águas
John Ortberg, Editora Vida

Para Encontrar Jesus é Preciso Sair do Barco

Há livros que realmente marcam nossa vida. Levam-nos a experiências profundas com Deus que se tornam divisores de águas em nossa peregrinação espiritual.

“Venha Andar Sobre as Águas”, de John Ortberg, pastor e professor da Willow Creek Community Church, tornou-se, recentemente, um desses livros para mim.

Estilo cativante, profundo sem ser pesado, Ortberg escreveu seu livro usando como tema a famosa passagem do evangelho que descreve Jesus andando sobre o mar e o impetuoso Pedro indo a seu encontro. Seu propósito com o livro é nos ensinar a fazer como Pedro: ser ousado, sair do barco e dar o passo para a maior aventura espiritual, a qual pode nos levar a descobrir nosso chamado.

Pedro é sempre alvo de críticas por ser afoito e falar fora de hora, mas foi o único no barco que teve, diante daquela assombrosa tempestade, audácia suficiente para pedir a Jesus permissão para ir ao seu encontro. Temos aqui uma grande lição: para encontrar Jesus é preciso sair do barco e molhar os pés nas águas. Quem anda sobre as águas sai do barco, sai de sua segurança e comodismo, não se conforma em ser um “banana” dentro do barco. Pedro não se importou em correr riscos; sua sede de encontrar Jesus foi maior que o desejo de permanecer no conforto do barco.

Qual o Seu Barco?

O autor nos leva a refletir: Qual o seu barco? O que o está impedindo de cumprir seu chamado? Ou parafraseando-o: “O que mais lhe dá medo – principalmente quando pensa em deixar algo para trás em um passo de fé?” Será sua profissão? Um relacionamento? Um vício secreto? Sucesso?

Cuidado! Você pode perder seu chamado e pagar um alto preço por se tornar um “banana” do barco.

“Discernir seu chamado representa um dos maiores desafios que um ser humano pode suportar nas áreas de auto-exame e julgamento”, alerta Ortberg. “Não é fácil descobrir um chamado. Terá de se dispor a fazer perguntas difíceis e a conviver com as respostas. Terá de ser de uma sinceridade brutal em relação a dons e limitações.” Aprendi com este livro que chamado é coisa que se descobre, não se escolhe.

Mas como descobrir, na prática, o meu chamado? É aqui que não posso deixar de citar a frase que “comprei” do livro e que se tornou meu divisor de águas: Chamado é o lugar onde sua profunda alegria se encontra com a profunda necessidade do mundo. (Essa frase foi citada por Ortberg no livro, mas é de autoria de outro famoso escritor, Frederich Buechner.)

Segundo Ortberg, é fácil descobrir onde se encontra a profunda necessidade do mundo, mas, mais difícil do que se imaginaria, é descobrir onde está sua profunda alegria. Isso vai exigir de nós coragem para refletir em perguntas como estas:

• O que gosto de fazer pelo simples prazer que me proporciona?
• Oque me desperta desejo e paixão?
• O que evito fazer? Por quê?
• Como gostaria de ser lembrado?
• Até que ponto a oferta de dinheiro ou promoção consegue me desviar de meu verdadeiro chamado?
• Como seria minha vida se tudo corresse bem?

    Fazendo Experiência de Baixo Custo

    Depois disso, ele nos aconselha a fazer “uma experiência de baixo custo”, isto é, sem deixar seu emprego ou sua posição atual, tente descobrir a temperatura de novas águas, explore sua eficiência na área para a qual acredita que Deus o vem chamando.

    “Às vezes, na providência de Deus, o fim de uma carreira é o começo de um chamado. E você tem um chamado. Não é uma peça que não serve para nada – você está em missão divina” – é desse modo desafiador que Ortberg termina o capítulo 3 do livro.

    Um ‘Banana’ ou um Resiliente?

    Digamos que você queira alfinetar o balão do autor e dizer: “Mas Pedro afundou nas águas!” É verdade, ele reparou no vento e teve medo. Os planos nem sempre saem conforme desejamos.

    Porém, você vai aprender com Ortberg que para cumprir o chamado específico que Deus lhe deu, você precisa estar disposto a se tornar um resiliente, uma pessoa que sabe reagir diante das dificuldades, uma pessoa que não apenas sobrevive diante da tempestade, mas cresce com ela e apesar dela.

    Os resilientes descobrem um propósito e um significado no sofrimento. Como José do Egito, permanecem fiéis a seus valores quando tentados a transigir. Exercem controle, em vez de se resignarem passivamente. Encontram sentido e propósito na tempestade. “Nada como uma tempestade para ensinar determinadas lições”, conclui, novamente, Ortberg.

    A Caverna do Fracasso

    Outra parte que “comprei” do livro é o capítulo que fala sobre a caverna chamadaFracasso. Deus não nos abandona por causa de nossos fracassos. E a segunda frase que coloquei na minha cesta de compras foi: É na caverna de Adulão, na caverna do fracasso, que Deus faz suas melhores obras. “Um dos grandes presentes que o fracasso pode nos dar é o reconhecimento de que somos amados e valorizados por Deusexatamente quando estamos na caverna do fracasso”, escreve o autor.

    Através dessa leitura, pude refletir e perceber quão tremendo é nosso Deus – ele usa nossos fracassos para nos moldar, nos transformar e, acima de tudo, nos equipar para cumprir nosso chamado. É vitória através de derrota. É, como ensina Derek Prince, a prática do princípio superior de sucesso – deixar cair o grão de trigo na terra. Parafraseando um pouco Derek Prince, se você se dispuser, por um tempo, a habitar na caverna do fracasso, vai correr o risco de ter sua personalidade, sua reputação e seu ego apagados. Vai ter de colocar Isaque no altar, mas ao meu tempo e ao meu modo, quando eu quiser, eu o abençoarei e multiplicarei o seu fruto além da sua capacidade de compreender ou calcular.

    Os fracassos são importantes para acabar com os esforços humanos, porque, como nos ensina Francis Schaeffer (parafraseando Hudson Taylor), a obra de Deus, feita à maneira do homem, não é obra de Deus. A obra de Deus só é obra de Deus quando feita à maneira de Deus. Deus quer nos ensinar uma nova maneira de agir. É por isso que ele nos permite fracassar.

    “Aquele que nunca falhou não pode ser grande. O fracasso é o teste para a grandiosidade”, declara Ortberg. Davi passou dez anos fugindo de Saul, mas houve ocasiões em que reconheceu e enfrentou seu desânimo com sinceridade. Ele não se preocupou com o que as pessoas iriam pensar do seu fracasso, antes, “ele se fortaleceu no Senhor” (1 Sm 30.6). “Tentar e fracassar, aprender com o fracasso e tentar de novo funciona muito melhor do que esperar por perfeição. Fracasso é a oportunidade de crescer.” Não é o fracasso que molda você e, sim, a maneira como reage a ele. Sem fracassar, não vai descobrir seu chamado.

    Em junho deste ano, na casa de minha irmã em Santos, senti-me atraída a tirar esse livro da estante para ler. Até hoje está comigo em Jundiaí e ainda não tive coragem de devolvê-lo. Estou muito grata a Deus por ter me dirigido a lê-lo antes de fazer, em julho, minha própria experiência de baixo custo no sertão do Nordeste. Foram dias em que pude sair do barco, molhar os pés nas águas e ter experiências profundas com Deus. Melhor ainda foi descobrir meu chamado. Descobri que, de fato, o chamado é o lugar onde minha profunda alegria se encontra com a profunda necessidade do mundo.

    Elenir Eller Cordeiro reside em Jundiaí, SP, e faz parte da equipe da Escola Cristã de Jundiaí. Em breve, pretende dar início a uma missão no sertão de Pernambuco.

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