Impacto Mirim-Uma informação, por favor…

Data de publicação: 29/04/2011
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Edição 65 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 65

Quando eu era criança, bem novinha, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Ainda me lembro muito bem daquele aparelho preto e brilhante fixado na parede, perto da escada. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ouvia fascinado quando minha mãe o utilizava para falar com alguém.

Então, um dia, descobri que, em algum lugar dentro daquele objeto maravilhoso, havia uma pessoa fantástica. O nome dela era “Uma informação, por favor”, e não havia nada que ela não soubesse. “Uma informação, por favor” podia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse gênio na garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem, entretendo-me com a caixa de ferramentas quando bati com força, sem querer, o martelo no dedo.

A dor foi terrível, mas não parecia haver propósito algum para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para sentir pena.

Andei pela casa, para cima e para baixo, chupando o dedo dolorido, até que parei perto da escada. Foi aí que tive um pensamento maravilhoso:

– O telefone!

Rapidamente, fui até a sala, peguei uma pequena banqueta e puxei-a para perto do telefone. Subi em cima dela, tirei o fone do gancho e segurei-o contra o ouvido.

Depois de dois ou três pequenos estalos, ouvi uma voz suave e nítida no ouvido:

– Informações.

– Machuquei meu dedo… – choraminguei no telefone. As lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.

– Sua mãe não está em casa? – ela perguntou.

– Não tem ninguém aqui, só eu – balbuciei, soluçando.

– Está sangrando?

– Não. Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está doendo…

– Você consegue abrir o congelador? – ela perguntou.

Respondi que sim.

– Então, pegue um cubo de gelo e segure-o no dedo machucado – disse a voz.

Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por todo e qualquer motivo. Pedi ajuda com minhas lições de geografia, e ela me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ajudou-me também com os exercícios de matemática. Explicou que o pequeno esquilo que acabara de pegar no bosque comia nozes e frutinhas.

Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Liguei para “Uma informação, por favor” e relatei a triste história. Ela me ouviu e, depois, começou a falar aquelas coisas que os adultos geralmente dizem para consolar uma criança. Mas continuei inconsolado.

– Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola? – perguntei.

Ela deve ter sentido um pouco da minha dor, porque disse suavemente: – Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar.

De alguma maneira, isso me fez sentir-me melhor.

No outro dia, lá estava eu de novo.

– Informações – disse a voz já tão familiar.

– Como escrevo “exceção”?

Tudo isso aconteceu na minha pequena cidade natal, na região noroeste dos Estados Unidos. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para o outro lado do país, para a cidade de Boston. Senti muita falta da minha amiga. “Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho preto na casa antiga e, de algum modo, nem pensava em experimentar o novo aparelho branquinho que ficava na mesa do corredor perto da sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam totalmente da minha memória. Frequentemente, em momentos de duvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento sereno de segurança que eu tinha quando tirava minhas dúvidas com ela. Passei a compreender como ela havia sido paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho.

Alguns anos depois, quando estava viajando para a costa oeste, para estudar na faculdade, meu avião fez escala em Seattle, perto da minha cidade natal. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois voos. Falei durante uns 15 minutos, por telefone, com minha irmã, que na época morava lá.

Em seguida, sem pensar no que estava fazendo, disquei o número da operadora da minha cidade natal e pedi:

– Uma informação, por favor.

Como num milagre, ouvi a mesma voz suave e clara que conhecia tão bem, dizendo:

– Informações, pois não.

Eu não havia planejado aquilo, mas as palavras saíram como se fossem involuntariamente: – Você poderia me dizer como escrevo “exceção”?

Houve uma longa pausa. Depois, a resposta suave e gentil. – Imagino que seu dedo já tenha sarado!

Eu ri. – Então, é você mesma! – eu disse. – Fico pensando se você faz alguma ideia de como você foi importante para mim durante aquele tempo.
– E eu fico pensando – ela disse – se você faz alguma ideia do que suas chamadas significavam para mim. Nunca tive filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse.

Contei o quanto havia pensado nela todos aqueles anos e perguntei se poderia ligar para ela novamente quando voltasse para visitar minha irmã.
– Por favor, faça isso! – ela respondeu. – Peça para falar com a Sally.

Três meses depois, estava de volta a Seattle para visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: – Informações.

Pedi para chamar a Sally.

– Você é amigo dela? – a voz perguntou.

– Sim, um amigo de muito tempo. Meu nome é Paul.

– Sinto muito ter de lhe dizer isto, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período nos últimos anos porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas.

Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
– Espere um pouco. Você disse que seu nome é Paul?
– Sim.

– Bem, a Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardá-la caso você ligasse. Eu vou ler pra você. Diz o seguinte: “Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar. Ele vai entender”.

Eu agradeci e desliguei. De fato, entendi muito bem.

NUNCA SUBESTIME A “MARCA” QUE VOCÊ PODE DEIXAR NAS PESSOAS.

Publicado originalmente na revista Readers’ Digest, em 1966. Autor desconhecido.

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