Uma família no Reino milenar messiânico

Data de publicação: 20/02/2018
Autores:
Pedro Arruda.
Categorias da Biblioteca:
Edição 80 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 80

No penúltimo volume da série que começou abordando a Criação, uma crônica de ficção a respeito do dia a dia familiar num mundo governado por Cristo

Por Pedro Arruda

Joaquim, o caçula da família, completou 12anos ontem. Foi uma festa memorável, acima de tudo porque agora ele sente que as pessoas o consideram como alguém responsável, que sabe tomar decisões. Para corresponder à confiança que depositam nele, espontaneamente se levantou mais cedo do que de costume e foi à padaria comprar pães quentinhos para o café da manhã da família.

Logo, todos estão reunidos em torno da grande mesa: seus pais, Antonio e Maria,outros quatro irmãos mais velhos, Tiago, Marcos, Lucas e Daniel, com 21, 19, 17 e 14 anos respectivamente,e Luiza, a única irmã, com 23 anos, que se casará no próximo ano. Hoje também está presente seu bisavô, seu Maurício, com 108 anos –que veio para o aniversário e quis aproveitar para passar uns dias com a família de Joaquim.

A presença do bisavô garantia que histórias fantásticas viriam pela frente, pois, afinal, era bem jovem quando houve a grande transformação na Terra. Durante a grande tribulação, quando parecia que ninguém seria capaz de suportar tamanha angústia, Cristo voltou, trouxe uma grande virada e restabeleceu a ordem. Desde então, ele conta, as coisas não pararam de melhorar.

Naqueles dias da juventude, dizia seu Maurício, era comum ouvir histórias sobre como a vida havia mudado bruscamente em outras épocas.Ouviam-se relatos sobre um grande meteoro que caíra sobre a Terra, devastando a vida dos grandes animais. Outros contavam sobre um grande dilúvio,resultado da primeira chuva na História, trazendo águas que haviam-se acumulado durante séculos, após o qual uma nova população se originou de uma única família sobrevivente.

Esses assuntos colaboravam para produzir a sensação de que algo, de igual ou maiores proporções, estava por acontecer. Muitos alardeavam que seria o fim do mundo. Mas, para surpresa da maioria, não veio algo, mas Alguém.

Foi um momento inesquecível para os que estavam presentes, como seu Maurício. Um grande relâmpago iluminou toda a Terra, de um extremo ao outro, a ponto de ofuscar o próprio sol nas regiões onde brilhava naquele momento. Ao mesmo tempo, de todos os lugares, principalmente dos cemitérios, pessoas que haviam morrido subiam em direção aos céus, e, imediatamente, muitos que estavam vivos tiveram o corpo transformado e seguiram na mesma direção (1 Ts 4.16,17; 1 Co 15.52). Tudo aconteceu tão rapidamente que não se sabia se foi a luz que transformou os corpos ou se foi a transformação dos corpos que produziu essa luz nunca antes vista (Mt24.27; 28.3).

Seu Maurício ri do esforço que seus netos e bisnetos fazem para compreender detalhes do cotidiano de sua juventude. Quando ele conta sobre o estranho ritual que ele e seus amigos tinham de reunir-se em cerimônias chamadas de “churrasco” (que consistiam de pessoas servindo-se de carne assada de animais), Joaquim não esconde a expressão de nojo e espanto. Seu bisavô, então, aproveita para lembrar que havia, em seu tempo, empresas especializadas no abate desses animais, cujas carnes eram expostas em peças nas lojas próprias – chamadas de “açougues” – para comercialização.

O contrário também era verdadeiro. Certa vez, Joaquim, aos 6anos, resolveu apresentar ao bisavô Maurício sua amiga Lika, que morava no fundo do quintal. Foi até a toca, puxou-a para fora pelo guiso, e ela imediatamente se acomodou sobre seus ombros. Lika e Joaquim foram, juntos, até a sala onde o bisavô descansava após o almoço no sofá. Ao ver a cena, seu Maurício tomou um enorme susto e, ao mesmo tempo, gritou “Cuidado!”. Ele sabia que, desde o Grande Dia, as serpentes haviam-se tornado inofensivas (Is 11.8), mas o medo irracional ainda persistia.

Seu Maurício aprende mais e mais diariamente sobre as realidades desta nova era diretamente dos auxiliares de Cristo, que depois do Grande Dia passaram a governar a Terra juntamente com ele. Esses auxiliares são aqueles – mortos e vivos transformados -que subiram em direção ao céu no momento daquela luz que relampejou do oriente ao ocidente. São autênticos cicerones, falando com tanta desenvoltura que parecem sempre ter vivido nesta era, antes mesmo de ela ter chegado. É muito bom contar com a experiência deles para ajudar os naturais (que ainda não entraram na imortalidade) a acertar nas decisões.

A casa de Joaquim fica próxima a um lindo pasto com bosque, um verdadeiro parque natural. Joaquim gosta de ir até lá para observar os animais. Ele fica admirado ao ver que em alguns momentos todos se juntam como famílias: as ovelhas de um lado, os lobos de outro, as vacas amamentando seus bezerrinhos, enquanto os ursos se refrescam na beira do lago. Entretanto, em outros momentos todos se juntam para o que parece ser uma bagunça organizada. Há três ou quatro semanas, Joaquim encantou-se com um grupo de cordeirinhos apostando corrida com os lobinhos, enquanto um bezerro bem novinho aconchegava-se nos fartos braços de uma ursa para dormir (Is11.6,7).

Joaquim se pôs a pensar a respeito das histórias que seu bisavô lhe contava e sobre como deveriam ser difíceis os tempos de sua juventude.Seu Maurício dizia que não havia paz entre os animais e muito menos entre os homens. Estes não manuseavam apenas ferramentas, mas também equipamentos que chamavam de “armas”, com as quais matavam uns aos outros – inclusive sob pretexto de garantir a paz!

No próximo mês, muitas pessoas da nação de Joaquim vão a Jerusalém, numa grande comitiva para representar seu país. Duas delas são do distrito onde Joaquim mora. Ele sabe que é uma honra muito grande ver Cristo, o Rei de toda a Terra, em seu trono, e espera crescer logo para chegar a sua vez também de fazer essa viagem. Além disso, passar uma temporada em Israel, aprendendo com os mestres de um povo que atravessou toda a História e que são os guardiões da memória do sofrimento que havia sobre a Terra, é algo que nunca se consegue esquecer (Is 2.2,3). É um memorial vivo de tempos difíceis, para que ninguém queira voltar aos tempos sombrios quando o Messias não estava governando pessoalmente.

Joaquim admira muito seus pais, pois percebe que eles verdadeiramente se amam e, depois de 25 anos, parece que estão ainda mais apaixonados, como se descobrissem a cada dia uma nova qualidade no outro. Essa é outra razão pela qual Joaquim quer crescer logo: formar uma família igual à que ele tem hoje. Ele sabe que, décadas atrás, havia descasamentos na Terra – o que soa estranho para ele, como se alguém se cansasse de ser feliz e decidisse experimentar um pouco de infelicidade.

Com tantas coisas fora de ordem, ele imagina o mundo de então como uma realidade às avessas. Não é de se admirar que os livros registrem casos de terremotos, maremotos, tsunamis, enchentes, desmoronamentos, ciclones, tempestades e outras tragédias naturais.Na verdade, as pessoas não se importavam nem sequer em poluir o meio ambiente. Sob o pretexto de acumular cada vez mais coisas para si, acabavam por usurpar o que deveria ser de outro. Enganados pelo dinheiro, os homens não se importavam de se empanturrar, enquanto outros passavam fome.

Joaquim chega a ficar indignado quando ouve o bisavô contar que havia pessoas que não tinham onde morar, nem o que comer, enquanto outros tinham mansões cobertas de ouro; que os governantes tinham uma ganância ainda maior e, em vez de servir à população, impunham-lhe pesados impostos e a roubavam costumeiramente em cumplicidade com outros gananciosos. Nem mesmo a comida e os remédios destinados às crianças, aos velhos e desabrigados escapavam da ganância desmesurada!

Ele entende, então, que isso exigia uma resposta do amor de Deus aos oprimidos. Por isso, veio o juízo àqueles que se rebelaram, seguindo Satanás e seus anjos, os quais agora estão presos e amarrados (Ap 20.2,3).

No dia seguinte, seu Maurício parte em viagem de retorno à cidade onde mora, no litoral. Joaquim vai com seu pai levá-lo até o aeroporto. A curiosidade pessoal do caçula a cada dia se torna mais madura – revelando avocação para o curso de História que pretende enfrentar. Na despedida, o bisavô convida Joaquim para visitá-lo, prometendo levá-lo ao Museu onde trabalha como guia. Seu pai concorda com um sorriso. Radiante, o menino não vê a hora de dividir essa grande notícia com a família.

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