Um Outro Evangelho

Data de publicação: 02/12/2011
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Edição 13 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 13

Por: David Wilkerson

Outro dia fiquei sabendo de um grupo de crentes que afirmavam ter recebido uma nova revelação; que o pastor da igreja deles estava enganado, e que haviam descoberto a verdadeira santidade, e a verdadeira mensagem. Só que a partir daí, não quiseram mais participar da igreja, e só podiam ouvir palavras com revelações mais “profundas”.

O que está acontecendo na igreja hoje? Há tantas doutrinas novas e estranhas, tantos mestres com novas “revelações”. Todos têm passagens bíblicas para provar suas teorias. Ninguém está discernindo o que é de Deus, e o que é de Satanás, o que é tolice e o que é justiça. O povo está ficando confuso.

E tudo isto vai piorar muito mais. A Bíblia adverte claramente que nos últimos dias doutrinas estranhas vão surgir, apresentando um outro Jesus, um outro espírito, e um outro evangelho!

Quando o apóstolo Paulo convocou os presbíteros de Éfeso para fazer sua despedida, advertiu que lobos cruéis haviam de entrar no rebanho a fim de destruir e dividir. Na verdade, este era um temor que Paulo tinha durante todo o seu ministério, pois “durante três anos não cessei noite e dia de admoestar com lágrimas a cada um…” (Atos 20.31). Era o temor de falsos mestres que viriam para enganar.

Como todo verdadeiro pastor, este temor não era que alguém pudesse roubar suas ovelhas, ou suplantar sua autoridade. Era que uma doutrina venenosa e mortífera pudesse entrar e separar seus discípulos de Jesus. “Porque zelo (ou tenho ciúmes, no original) por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2 Co 11.2). Ele temia que a serpente viesse enganando como fizera com Eva, tirando da simplicidade que há em Cristo, e fazendo com que acreditassem num evangelho deturpado, um “outro evangelho” (Gl 1.6,7).

Paulo ficou atônito por ver com que facilidade alguns dos gálatas foram convencidos: “Admira-me que tão depressa estejais passando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho… Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1.6-8).

Paulo estava dizendo: “Não sejam tão educados ou longânimes sobre isso. Se não for o evangelho que receberam de mim, não é de Deus. É maldito, podre, e mortífero. Isto é algo sério, e os perturbará profundamente se o aceitarem.”

Quero esclarecer que até os mais demoníacos dos falsos mestres começam advertindo, eles mesmos, contra doutrina falsa. Quase todo falso mestre que já ouvi faz o maior estardalhaço contra engano, antes de passar a sua mensagem.

Também não dá para confiar na doutrina porque o líder parece ser santo, bom, consagrado e sincero. Durante toda a história da igreja, as piores heresias foram propagadas por pessoas que aparentavam ser boas e sinceras. É por isto que suas doutrinas são mais perigosas ainda. Os mensageiros de Satanás se transformam em anjos de luz, e vêm como representantes de justiça, verdade e revelação.

Como saberemos então se a mensagem é verdadeira ou falsa? Como podemos evitar que a serpente nos engane com sua sutileza como fez com Eva no jardim? Deus não deixou nossa proteção para o acaso, ou para simplesmente tentarmos adivinhar. Deixou sinais claros e objetivos para identificarmos o que é verdadeiro e o que é falso.

1. Qualquer ensinamento que mina o verdadeiro temor de Deus é anátema, e vem do diabo!

Todos os falsos mestres têm isto em comum. Dizem: “Relaxe, Deus não é tão duro. Ele não quer destruí-lo, nem castigá-lo. Ele o ama. Ele quer que aproveite a vida.” A estratégia do inimigo é remover a espantosa reverência e temor diante de um Deus santo que julga o pecado. A doutrina falsa sempre acabará por minar o temor de Deus dentro de nós.

Quando Satanás falou com Eva, dizendo que podia desobedecer a Deus, e não morrer, era uma perversão da verdade. Era um outro evangelho. E era exatamente o que ela queria ouvir. Achava que a ordem de Deus era dura, e queria achar uma saída.

Hoje, nos meios carismáticos, há muitos ensinamentos com este espírito. Senão abertamente, de forma implícita se comunica a idéia que se pode cantar, louvar, pular e ter dons, e conviver com pecados e impureza ao mesmo tempo. Temos liberdade, temos graça, temos um Deus que sempre perdoa e usa de misericórdia. É a mesma mensagem de Satanás. Se é isto que queremos ouvir, sempre acharemos uma mensagem que corresponde à cobiça da nossa carne.

Tenho ouvido de pregadores que não conseguem mais ficar nas suas igrejas, ou continuar trabalhando com jovens. Quando pregam sobre santidade e o temor de Deus, os pais ou os líderes reclamam que estão colocando um jugo sobre as pessoas. Mas estes jovens estão vivendo em rebeldia, não respeitam seus pais, enganam seus superiores, e cedem a toda espécie de cobiça e lascívia. São nossos filhos, às vezes filhos de pastores e líderes, que nunca ouviram sobre o temor de Deus.

Temos criado toda uma geração destituída do temor de Deus. Não entendem nada sobre juízo, ou a ira de Deus. Sempre ganham tudo que querem. E temos medo deles; não queremos aborrecê-los ou desagradá-los, para não afastá-los da igreja. Pouquíssimos jovens cristãos andam hoje em santidade, porque não temos coragem de falar a verdade, e porque muitos dos seus pais estão vivendo uma vida dupla também, e seus filhos sabem disso.

Aqui estão os frutos que uma verdadeira pregação da verdade deveria produzir:

• Uma aversão pelo pecado que não admite desculpas ou justificativas.
• Convicção e angústia interior por qualquer preguiça espiritual ou contemporização com o pecado.
• Um profundo reconhecimento que Deus não fecha os olhos diante dos nossos pecados.
• Uma convicção de que colheremos aquilo que semeamos.
• Um temor santo e justo de Deus.
• A confiança de que ele nos libertará de todo pecado que abominamos e resistimos.

Cuidado com qualquer mensagem que traz um efeito contrário à convicção de pecados, que causa um espírito de negligência ou displicência, trazendo falsa segurança e cochichando que está tudo bem, mesmo que continue no pecado. Tudo que traz tal tranqüilização é um evangelho falso.

2. Cuidado com qualquer mensagem que desvia de devoção total a Jesus Cristo.

Isto não é só uma questão de falar do nome dele, pois muitos falarão “Senhor, Senhor”, mas não entrarão no seu reino.
Há pregadores que condenam os pecados da sociedade, que gritam o nome de Jesus, mas que não têm o espírito de Cristo. Não têm quebrantamento. Suas mensagens não convencem do pecado, pois estão falando sobre os pecados dos outros, nunca de si mesmos.

Tais pessoas pregam para o gosto da multidão, procurando gerar entusiasmo e apoio emocional. Não há por trás das palavras nenhuma verdadeira convicção, nenhum desejo ardente de conformar as pessoas à imagem de Jesus. Os crentes adoram ouvir belas pregações, condenando a sociedade ou outras religiões. Mas nada que venha acusá-los ou trazer condenação. E como é bom ouvir algo que nos faz sentir bem, que não traga pressão ou tristeza, que alivie de temores ou necessidade de mudança.

Sinto uma urgência, uma angústia de coração, como Paulo certamente sentia, de avisar o povo de Deus sobre o que virá. Os cristãos ficarão divididos em campos teológicos, defendendo doutrinas, mestres, e livros, acusando uns aos outros de erro e profecia falsa. Achando que estão defendendo a fé, combaterão uns aos outros, e se esquecerão do verdadeiro inimigo!

Temos que tirar nossos olhos dos pregadores e evangelistas, e tornar-nos estudiosos da Palavra de Deus (2 Tm 2.15). Não procure um grande pastor ou evangelista, em quem possa confiar. Você correrá a um após o outro, e todos o decepcionarão, até que fique totalmente desiludido. Tire seus olhos dos pregadores, e olhe para Jesus.

3. O evangelho verdadeiro trata do coração – pois dele procedem as fontes da vida!

Os fariseus criticaram os discípulos de Jesus porque comiam sem lavar as mãos, e por outros detalhes exteriores (Mc 7.2,3). Valorizavam a santidade, mas era uma santidade cerimonial, que só tinha a ver com atos exteriores. Jesus os condenava, porque não atingiam o coração, não aproximavam as pessoas de Deus.

A verdadeira doutrina sempre chegará às fontes da vida. Se o que você está ouvindo, seguindo, e pregando, não afetar o coração, não perca tempo. O problema com todos os falsos evangelhos é que não atingem aquilo que realmente contamina o homem, pois não trazem convicção nem mudança para o coração. Oferecem uma forma de piedade, sem tocar na raiz (Mt 15.18).

Não venha contar para mim sobre os milagres na sua igreja, sobre o louvor, sobre a qualidade da música, ou a eloqüência do pastor. Não, fale para mim sobre o povo que clama a Deus de um coração puro! Mostre como, embora não tenham alcançado a perfeição, são provocados a andar naquela direção. Diga como estão permitindo que Deus prove e sonde seus corações, a fim de expor suas atitudes pecaminosas.

Este é o verdadeiro evangelho de Jesus. É um evangelho que convence o coração, trata com o coração, e transforma o coração! É este o evangelho que você tem ouvido? Tem sentido convicção daqueles pecados escondidos e interiores? De maus pensamentos? Adultério? Maldade? Orgulho? Cobiça? Desonestidade?

Se não está ouvindo, então procure esta palavra, e permaneça onde seu coração poderá ser exposto, abalado – e transformado para a glória de Deus! Então, com certeza os falsos mestres e falsos evangelhos não o enganarão!

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” ENTRE ASPAS “

“Feitiçaria é a tentativa de controlar as pessoas e levá-las a fazer o que você quiser, utilizando qualquer espirito que não seja o Espirito Santo. E se alguém tem um espirito que possa ser usado, não é o Espirito Santo. O Espirito Santo é Deus e ninguém usa Deus.”
Derek Prince

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