Última Palavra: Uma Grande Colheita – E Depois?

Data de publicação: 16/12/2011
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Edição 03 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 03

Por: Christopher Walker

A igreja evangélica no Brasil vive um momento drasticamente diferente daquele que existia há poucos anos atrás. Grandes números, estatísticas impressionantes, ampla atenção nos grandes veículos da mídia nacional, presença nos governos estadual e federal, poder de influência em diversas esferas; tudo isso seria quase inconcebível há menos de vinte anos atrás. Se alguém o tivesse profetizado naquela época, teríamos reagido com incredulidade, dizendo que era um sonho, uma ilusão.

Embora haja poucos países no mundo hoje experimentando este nível de crescimento evangélico, talvez o que está acontecendo hoje no Brasil faça parte da grande colheita de almas que foi profetizado para o final dos tempos, antes da vinda de Jesus (Joel 2.23-32). Com certeza, é um grande momento de colheita para esta nação, e devemos orar e trabalhar com toda dedicação para aproveitá-lo ao máximo.

Porém, apesar de ser um momento glorioso de acompanhar tantas conversões e de sentir um novo reconhecimento por parte da sociedade, existem muitos perigos e desafios que precisamos identificar e cuidar para que o inimigo não alcance vantagem sobre nós.

Em primeiro lugar, toda grande colheita tem muita mistura (ver o artigo Como Será a Igreja do Século XXI, no Impacto, Ano 1, n.º 2). Jesus explicou isto na parábola do joio e do trigo (Mt 13.36-43), e na parábola da rede (Mt 13.47-50). Evidentemente, grande parte das pessoas que cantam Tem Anjos Voando Neste Lugamos auditórios de programas de TV não tem noção alguma de conversão a Deus ou da sua presença. Contudo, a semelhança entre joio e trigo nos impede de fazer classificações simplistas do tipo: Como não são evangélicos, todo este povo é joio! A mistura é grande, há muito joio em todas as multidões (nas nossas inclusive), mas também há trigo, e não tenhamos a presunção de achar que nós podemos fazer a separação entre os dois!

Em segundo lugar, lembremos que o lugar da igreja não é ao lado dos poderosos, dos influentes, dos ricos ou dos governantes. Quando lemos as palavras de Jesus nos evangelhos, descobrimos que ele nunca falou bem do dinheiro, e nem do poder. Ele enfatizou que o seu Reino nada tinha a ver com estes alicerces do reino deste mundo. “Ai de vós, quando todos vos louvarem”, (Lc 6.26). A verdadeira influência da igreja consiste em viver a vida do Reino que é totalmente oposta à vida que encontramos neste mundo, e quando realmente estivermos vivendo esta vida, dificilmente receberemos votos, aplausos, ou convites para entrevistas.

Um estudo superficial da história da igreja mostra que todas as vezes que a igreja cresceu e tentou mudar o mundo pelo poder secular, seja pelo próprio poderio da igreja na Idade Média, seja por ocupar cargos políticos ou de destaque para tentar influenciar os donos do poder em outras épocas, ela perdeu seu sabor e tornou-se inútil para o mundo e para o Reino de Deus. A igreja que já foi sal da terra e luz do mundo sempre foi uma igreja sofredora e perseguida. Deus tem usado e está usando os períodos de liberdade para a igreja crescer numericamente e em alguns outros aspectos, mas não devemos nos iludir sobre o que vem depois da colheita no plano de Deus, nem sobre o nosso verdadeiro propósito como povo dele.

E em terceiro lugar, este momento de crescimento e popularidade representa a maior ameaça à pureza e autenticidade da mensagem da igreja. Por muitos anos, os evangélicos eram vistos como pobres, sem cultura, e cujo único objetivo era ir para o céu. Embora esta imagem também não fosse o que Deus pretendeu como testemunho da igreja, hoje temos um outro extremo. Até na mídia comenta-se que as igrejas querem melhorar a qualidade material da vida das pessoas no presente. Cada vez mais estão explorando este atrativo de Jesus como solução de todos os problemas para trazer mais pessoas. Os testemunhos que são divulgados já não enfatizam tanto o passado de vícios e pecados, mas o passado de problemas financeiros e familiares e o presente de prosperidade e paz.

Outra vez, não era esta a mensagem de Jesus e dos apóstolos. Ele veio para pregar para os pobres (Lc 4.18; Mt 11.5), mas nunca prometeu que melhorariam materialmente ou que teriam uma vida de paz sem problemas. “Supondes que vim para dar paz à terra?” Jesus perguntou (Lc 12.51). “No mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo, eu venci o mundo”, (Jo 16.33). A paz é encontrada nele, mas nem sempre é acompanhada pela solução de todas as circunstâncias ao nosso redor.

Não é que Deus tem prazer na miséria, na falta de cultura, de higiene ou das coisas básicas da vida. Mas o Reino de Deus não consiste de comida nem bebida (Rm 14.17), ou seja, não depende destas coisas. A igreja tem uma mensagem para o presente, sim, muito mais prática do que esperar o céu: é justiça, paz e alegria no Espírito Santo, a vida de Jesus se manifestando apesar das condições exteriores.

A igreja é chamada para ministrar aos pobres, aliviar o sofrimento, e cuidar de necessidades do corpo e da alma. Algumas destas pessoas necessitadas enxergarão através disto o verdadeiro Reino e se converterão, passando a dedicar suas vidas também, não a acumular tesouros aqui na terra, mas a investir nos tesouros imperecíveis e inabaláveis que começamos a experimentar agora, mas que durarão por toda a eternidade.

Em breve, de acordo com a Palavra de Deus, Deus há de abalar todas as coisas (Hb 12.26-28) para que só as inabaláveis possam permanecer. De nada adiantará todo este crescimento da igreja se naquele dia a maioria de nós cair por não ter edificado nossas vidas sobre a verdadeira mensagem de Jesus.

Uma resposta para “Última Palavra: Uma Grande Colheita – E Depois?”

  1. Marineis disse:

    Concordo plenamente. A paz prometida pelo Salvador não será aqui neste mundo corrompido pelo pecado…mas em um céu de Glória onde não haverá choro.

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