Última Palavra: Um Sinal do Céu?

Data de publicação: 17/12/2011
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Edição 01 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 01

Por: Christopher Walker

Certa vez, vieram a Jesus pedindo que lhes mostrasse um sinal do céu. Ele respondeu, dizendo que é uma geração má e adúltera que pede um sinal. É fácil criticar aqueles fariseus incrédulos que não quiseram acreditar em tantas coisas que Jesus já havia feito aos olhos de quem quisesse ver. Mas hoje será que somos muito diferentes?

Marcos registra que Jesus suspirou profundamente em seu espírito (Mc 8.12), dando-nos uma rara chance de perceber como a super-ficialidade e insensibilidade do homem entristecem o coração dele. Em outro lugar (Mt 16.1-4), Ele admirou que conseguissem prever tão bem o tempo climático, mas que não entendessem nada sobre os sinais dos tempos em que viviam.

Hoje, com tanta pesquisa e tecnologia, sabemos até quantos segundos ou frações de segundos a terra gasta para dar uma volta ao sol, sabemos precisar datas antigas e fazer previsões espetaculares, preparamos comemorações gigantescas para a virada do milênio — mas Jesus ainda suspira com profunda dor por estarmos errando o alvo, correndo atrás de sinais visíveis, e ignorando os desafios mais sérios da nossa geração.

Obviamente não estou dizendo que Deus não quer operar milagres e sinais sobrenaturais hoje, e muito menos que é errado buscar a Deus com intensidade pela cura de familiares, parentes ou amigos.

Jesus não parou de operar milagres por causa daqueles que não ansiavam pela glória de Deus.

Mas em determinadas situações, onde Deus não seria glorifi-cado, ou onde as pessoas não tinham a condição certa no coração, Ele não podia liberar o poder de Deus (Mt 16.4; 13.58).

Nem estou dizendo que deveríamos tentar colocar uma data para a segunda vinda de Cristo, para mostrar que conhecemos os sinais dos tempos (Mt 24.36). Aliás, hoje não nos faltam pessoas que se auto proclamam de profetas, apóstolos, ou outro título pomposo, como se isto as autorizasse a dizer o que a Igreja deve fazer ou para onde ela deve caminhar. Portodo lado, temos profecias, pessoas que proclamam “Assim diz o Senhor”, além de toda espécie de teoria a respeito de escatologia e os acontecimentos futuros para o mundo e para a igreja.

O que nos falta como povo de Deus, isto sim, é aquele sonido certo da trombeta (1 Co 14.8), para podermos nos preparar para a batalha. Para começar, nem sabemos que batalha está sendo travada. Para alguns, o importante é o crescimento numérico; para outros, é o impacto das obras sociais; para outros ainda, é a possibilidade de influenciar a política municipal ou nacional, e fazer da igreja evangélica uma presença forte e transformadora no mundo. Será que estamos prontos para ser arrebatados já, ou falta muito para a noiva se ataviar? O que podemos fazer para “apressar a vinda do dia de Deus”? (2Pe3.12).

E o plano de Deus, está consumado já ou deveríamos buscar nas Escrituras e na comunhão com nosso Mestre se Ele não tem ainda algo a fazer através de nós para completar o mistério da sua vontade e o seu propósito eterno antes de voltar em triunfo e entregar tudo ao Pai? (Ef 1.9-12).

A falta de uma direção clara e harmoniosa na Igreja como um todo reflete-se numa ausência de visão e propósito individual, tanto para adultos como especialmente para os jovens, que procuram um sentido maior para suas vidas. O que será desta geração que está se preparando para sua vocação profissional, para lançar os alicerces da sua família, mas que não encontra um desafio substancial no lugar que, muito mais do que qualquer outro, deveria ter uma visão clara, porque andamos na luz e somos filhos do dia (1 Ts 5.1-5)?

Não tenho a menor pretensão de ter todas estas respostas, nem de saber mais do que outros. Mas creio que o primeiro passo para encontrá-las é reconhecer que não as temos, e ir a Jesus com humildade e sede para que Ele se manifeste novamente na sua Igreja, não somente através de sinais, mas pela sua palavra profética (1 Sm 3.21), que há tanto tempo não ouvimos claramente.

Christopher Walker é membro do Conselho Editorial da Revista Impacto.

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